BERTRAND BRASIL – 1ª ED. - 2020
238 páginas
Em Mulheres de Minha Alma, Isabel
Allende fala de sua própria vida a partir de um viés assumidamente feminista,
mas também profundamente feminino. O livro não se organiza como um manifesto
teórico, e sim como um relato atravessado por memória, afeto e experiência, no
qual o feminismo surge como prática cotidiana antes mesmo de ganhar nome.
Allende relata como, desde muito jovem, recusou a submissão das mulheres ao seu
redor, especialmente a vivida por sua mãe, que, após a anulação do casamento, em
um período em que o divórcio ainda não era permitido, permaneceu dependente do
pai e dos irmãos, e posteriormente de um segundo marido.
A autora constrói uma crítica direta ao
patriarcado, ao catolicismo conservador e ao machismo estrutural, refletindo
sobre como essas forças moldaram não apenas sua trajetória pessoal, mas a vida
de gerações de mulheres. Ao mesmo tempo, Allende insiste na ideia de
transformação gradual: mudanças são possíveis, desde que não se abandone a
luta. Há aqui uma clara aproximação com as gerações mais jovens, convocadas a
dar continuidade a esse processo, especialmente diante do risco constante de
perda de direitos já conquistados.
O livro também é atravessado pelas mulheres
que marcaram sua vida — amigas, ancestrais, companheiras de caminhada — e pela
presença simbólica das chamadas “boas bruxas”, figuras femininas associadas ao
cuidado, à intuição, à liberdade e à transmissão de saberes. O amor, em suas
múltiplas formas, aparece como força vital, não romântica no sentido ingênuo,
mas como energia de vínculo, resistência e criação.
Mulheres de Minha Alma é, assim,
um livro de afirmação e de alerta. Afirma a potência das mulheres e de suas
histórias, e alerta para a fragilidade das conquistas quando a vigilância cede
lugar ao conformismo. Um texto íntimo e político, no qual Isabel Allende
transforma sua experiência pessoal em convite à escuta, à continuidade e à
ação.
Isabel Allende nasceu em Lima, Peru, em 1942. É uma
escritora chilena.

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