SOCIEDADE DO CANSAÇO
BYUNG-CHUL HAN
VOZES NOBILIS – 1ª ED. – 2024
128 páginas
Em Sociedade do Cansaço, Byung-Chul Han
propõe uma leitura contundente das formas contemporâneas de dominação,
deslocando o foco da repressão externa para a exploração internalizada. Já não
vivemos, segundo o autor, sob o paradigma da disciplina, da proibição ou da
negatividade, mas sob um regime de excesso: excesso de estímulos, de
desempenho, de positividade e de exigência de produtividade.
Han descreve uma sociedade que não precisa
mais impor limites pela força, porque os sujeitos passaram a se autoexplorar. O
imperativo do “poder tudo” substitui o “não pode”, transformando a liberdade em
um dispositivo de controle. O sujeito do desempenho acredita agir por vontade
própria, quando na verdade está inteiramente capturado por uma lógica que exige
eficiência permanente, flexibilidade absoluta e disponibilidade contínua. O
resultado não é a emancipação, mas o esgotamento.
A partir desse diagnóstico, o autor relaciona
o aumento de patologias psíquicas — como depressão, burnout e transtornos de
ansiedade — a esse modelo social. O cansaço que marca nossa época não é apenas
físico, mas existencial. Trata-se de um cansaço que corrói o desejo, empobrece
a experiência e elimina o espaço da contemplação, do ócio e da negatividade,
elementos fundamentais para qualquer forma de pensamento crítico.
Um dos pontos centrais do livro é a crítica à
positividade compulsória. Ao eliminar o conflito, a alteridade e o limite, a
sociedade do desempenho produz sujeitos isolados, incapazes de estabelecer
relações verdadeiramente políticas. Tudo se torna projeto individual, inclusive
o fracasso. A responsabilidade pelo esgotamento é deslocada do sistema para o
indivíduo, que passa a se perceber como insuficiente, nunca produtivo o
bastante.
Embora o livro seja breve, sua força está na
capacidade de nomear sensações difusas do presente. O cansaço generalizado, a
sensação de inadequação permanente e a dificuldade de sustentar a atenção
encontram aqui uma interpretação filosófica que revela suas raízes estruturais.
Ao mesmo tempo, a leitura suscita questões importantes: até que ponto esse
diagnóstico não corre o risco de universalizar uma experiência que é
atravessada por desigualdades de classe, gênero e raça? Quem pode, de fato,
adoecer de cansaço em uma sociedade marcada por precariedade extrema?
Sociedade do Cansaço não
oferece soluções fáceis. Sua contribuição está menos em indicar saídas e mais
em interromper a naturalização do esgotamento como destino individual. Ao
revelar a violência silenciosa da positividade e da autoexploração, Han nos
convida a repensar o valor do limite, da pausa e da recusa, gestos cada vez
mais raros, mas talvez indispensáveis, em um mundo que não sabe mais descansar.
Byung-Chul Han nasceu em Seul, Coreia do Sul, em 1959. É um
filósofo e ensaista sul-coreano.


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