HANNAH ARENDT E MARTIN HEIDEGGER: História de um amor
ANTONIA GRUNENBERG
PERSPECTIVA – 1ª ED. 2019
Neste livro, Antonia Grunenberg
reconstrói a relação entre Hannah Arendt e Martin Heidegger desde o início até
o fim, acompanhando não apenas o vínculo afetivo entre ambos, mas também o
contexto intelectual da filosofia alemã do período. O leitor é conduzido a um
momento em que Heidegger se tornava uma referência central, atraindo estudantes
de várias partes da Europa e estabelecendo diálogos intensos com outros
filósofos, entre eles Karl Jaspers — grande amigo de Arendt e, por um tempo,
também ligado a Heidegger, até que essa amizade se deteriorasse em razão do
envolvimento deste com o nazismo.
O
livro deixa claro que, embora Heidegger tenha exercido profunda influência
sobre a formação intelectual de Arendt, ela nunca permaneceu à sua sombra. Ao
contrário, afasta-se, constrói seu próprio universo conceitual e elabora uma
filosofia singular — ainda que recusasse essa denominação, preferindo se
definir como cientista política. Em Arendt, pensar nunca foi um exercício
abstrato desligado do mundo, mas uma atividade intrinsecamente vinculada à
experiência histórica e à vida pública.
Grunenberg
permite compreender, ainda que parcialmente, o modo como o pensamento de ambos
se desenvolveu e como Heidegger se envolveu com o regime nazista. É possível
perceber suas expectativas em relação ao movimento e a frustração subsequente,
ao constatar que os nazistas não estavam interessados no pensamento, mas no
controle. Ainda assim, Heidegger jamais reconheceu publicamente a gravidade
desse erro, o que lhe custou críticas severas e o afastamento de muitos
admiradores.
Arendt,
por sua vez, desloca-se do pensamento puro para a ação e para a vida. Judia,
viveu a perseguição nazista, foi obrigada ao exílio e acabou se estabelecendo
nos Estados Unidos com o marido, onde permaneceu até o fim de sua vida. Dotada
de um espírito analítico agudo, estava à frente de muitos de seus
contemporâneos e continua sendo. Até hoje, Eichmann
em Jerusalém provoca incompreensões, ataques e rejeições, tendo lhe
rendido críticas duras, desafetos e a perda de amizades. Para Arendt, isso era
particularmente doloroso, pois sempre insistiu na distinção entre obra e
pessoa: critiquem o pensamento, não o indivíduo em sua esfera pessoal.
Hannah Arendt e Martin Heidegger: História de um
amor é uma leitura instigante para quem se interessa por filosofia e
política, mas também para quem deseja compreender como afetos, escolhas éticas
e contextos históricos atravessam — e por vezes comprometem — o pensamento.
Antonia Grunenberg nasceu em 1944. É uma cientista política
alemã, pesquisadora do totalitarismo e especialista no pensamento político de
Hannah Arendt.


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