quarta-feira, 9 de março de 2016

FILME: MARAVILHOSO BOCCACCIO - 2014


Direção: Vittorio Taviani e Paolo Taviani - 2014
Duração: 115 min
Título Original: Maraviglioso Boccaccio
País de Origem: Itália

O filme nos traz alguns dos contos de Boccacio do Decamerão. Em 1348 a peste negra atinge Florença, na Itália. Um grupo de dez jovens, 7 mulheres e 3 homens fogem para uma casa de campo onde irão contar histórias para passar o tempo. 

São histórias morais e muito boas. A primeira delas nos fala de um casal dominado pela mãe do rapaz. Ele ama sua esposa, mas ela está com sintomas da peste e é levada para morrer numa capela onde é recuperada por outro homem que a ama também. Ele lhe salva a vida. A questão é que ela é casada, e como resolver isto? Com engenhosidade e criatividade ele fará de tudo para poder viver com sua amada de maneira aceita pela sociedade. 

Outra nos fala de um rapaz que é sempre ridicularizado por seus amigos e colegas. Dois deles resolvem lhe pregar uma peça dizendo que uma pedra preta o deixa invisível, e vão a procura de tal pedra que obviamente já está colocada no local. Ele então passa a acreditar que é invisível, pois todos colaboram na brincadeira fingindo não vê-lo. Eis então que ele surpreende a todos mostrando seu lado cruel e irascível.

Todas as histórias refletem os sentimentos dos jovens que desejam viver, mas estão diante da morte, e também o contexto da época e a situação da mulher, e principalmente sobre o amor, que é o principal interesse do grupo. 

As paisagens visuais da Itália são belíssimas. 

Um filme que recomendo. 

Elenco: Riccardo Scamarcio, Kim Rossi Stuart, Jasmine Trinca, Rosabell Laurenti Sellers, Lello Arena, Paola Cortellesi, Carolina Crescentini, Flavio Parenti. 

Vittorio Taviani  nasceu em 1929 e Paolo Taviani em 1931, ambos em São Miniato, Itália. 

DOCUMENTÁRIO: LOUISE BOURGEOIS Une vie - 2008



Direção: Camille Guichard -
Duração: 52 min
País de Origem: França 

Louise Bourgeois nasceu em Paris em 1911, mas viveu em Nova Yorque a partir de 1938. É reconhecida internacionalmente por seu trabalho de escultas nos anos 70. 

Sou fã desta escultora. Sua obra traduz o feminino, a infância, a sexualidade. O documentário sob forma de entrevista com ela nos fala de seu percurso e de como cada obra se constituiu para ela, qual a essência de cada uma e é justamente nisto que vemos vir a tona o feminino. 

Sua infância foi dolorosa em função de ter um pai que era infiel a sua mãe chegando a levar suas amantes a viver com a família como preceptora das crianças. Ela nos relata também de forma bem freudiana, ela leu os livros de Freud, a castração da menina no complexo de Édipo. Seu pai descascava uma laranja com as mãos e ao retirar a casca por completo e segurá-la aberta nas mãos fica um formato de corpo de uma mulher com um pênis. Bourgeois se considerada desconstruída por seu pai e sua obra o reflete. Ela nos diz que o presente destrói o passado e é muito difícil recriá-lo. Seus traumas de infância são inseparáveis de sua obra, não há como não associá-los. É através da arte que ela passa do passivo da infância como vítima para o ativo reparador, realizando um trabalho de recriação de seu passado. As ameaças que sentimos não podemos mudar, mas sempre é possível negociar com elas. 

Trabalhando com vários materiais, Bourgeois faz esta reconstrução pela arte, suas figuras são deformadas ou mutiladas, as angústias viram totens, ela revive as emoções da mulher, do feminino. 

terça-feira, 8 de março de 2016

DOCUMENTÁRIO: JACQUES LACAN FALA - 1972




Direção: Françoise Wolff - 1972
Duração: 56 min
Título Original: Lacan Parle
País de Origem: França

Este é o terceiro documentário que assisto sobre o psicanalista francês Jacques Lacan. Trata-se da famosa e histórica gravação de sua palestra polêmica que ocorreu na Universidade Católica de Louvain em setembro de 1972, na Bélgica.

Ele fala sobre a psicanálise, sobre a morte, a linguagem, o amor, a alienação, a paranoia, entre outros temas. O interessante é que durante sua palestra um jovem sofre um surto e podemos ver Lacan lidando com esta situação.

O que mais me chamou a atenção é sua forma de falar, criando vazios, momentos onde o inconsciente pode atuar. Lembra quando estamos em uma sessão de análise e nos falta a palavra, ou não conseguimos dizer nada, há momentos de "silêncio".

Para quem gosta da psicanálise recomendo assistir.

Françoise Wolff 

FILME: PODEROSA AFRODITE - 1995



Direção: Woody Allen - 1995
Duração: 94 min
Título Original: Mighty Aphrodite
País de Origem: Estados Unidos

Após um casal, Lenny (Woody Allen) e Amanda (Helena Bonham Carter) adotarem um menino, o pai adotivo resolve saber quem é a mãe biológica do menino. Após algumas peripécias e persistência ele descobre que se trata de uma prostituta chamada Linda (Mira Sorvino) também conhecida pelo seu nome artístico em filmes pornos por Judy Cum. Após conhecer a mãe de seu filho adotivo ele resolve aconselha-la a mudar de vida. Linda não sabe quem é o pai de seu filho e sequer imagina que está diante do pai adotivo dele. 

Tudo começa num restaurante onde dois casais, sendo que um deles aguarda um filho, e o outro é Lenny e Amanda discutem sobre filhos, adoções, parricídio, pais. Paralelamente veremos no decorrer do filme um Coro, nos remetendo à Grécia e seus coros nas tragédias. Na verdade Woody allen traz para este filme as tragédias de Medeia e de Édipo, trazendo-as para o mundo atual. Lenny não quer ter filhos e muito menos adotar um pois teme que seu sangue seja ruim e ele se volte contra ele. 

O Coro nos fala então sobre as tragédias de Medeia, que matou seus filhos, de Édipo que matou o pai e de como todos são vítimas do desejo proibido. Quando Lenny parte em busca da mãe de seu filho, equipara-se a Édipo que busca o assassino de seu pai, e o coro o alerta. "Ó maldito destino. Certas ideias é melhor não tê-las". 

O Filme nos fala das relações incestuosas, da violação da lei, do destino, do desejo, a culpa, o adultério. Vale a pena assistir e o final é ótimo. 

Woody Allen