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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

DOCUMENTÁRIO: O PODER DO MITO PARTE TRÊS - 1988



São dois DVDs com as entrevistas de Joseph Campbell com Bill Moyers
Duração:354 min

Joseph Campbell é um consagrado estudioso de mitos. Nestas entrevistas ele fala sobre mitos, história, religião, filosofia, psicologia, arte e cinema. As entrevistas aconteceram no Rancho Skywalker e no Brasil foram exibidas pela TV Cultura.

É notório a paixão e o prazer que Campbell sente ao falar destes assuntos, ele se encanta, ele vibra, ele nos transmite lições para a vida e sobre como viver.


PARTE 3 - OS PRIMEIROS CONTADORES DE HISTÓRIAS

Esta parte do documentário é realmente fabuloso. Fala dos mitos, dos ritos de passagem e do que isto significa em nossas vidas e modo de viver e olhar o mundo. Infelizmente atualmente os ritos estão diminuindo, ou estão perdendo seu sentido e com isto seu efeito, e com isto temos este mundo violento, onde não se respeita mais o outro, onde não se respeita a natureza e os animais.

Campbell segue o difusionismo e também Jung com o inconsciente coletivo, mas isto não entra em conflito com minha visão da psicanálise e do estruturalismo. Para Campbell temos os registros do pré-histórico no inconsciente e na mente e por isto ao vermos os traços disto o sentimos. Como quando vemos uma pintura rupestre por exemplo, ou quando vivenciamos algo que nos remete a estes tempos. Eu acredito que recebemos através da cultura, do social e da palavra todo este conhecimento e que está em nosso inconsciente.
O mitos servem como guias para a vida espiritual, para colocar a mente e o corpo em acordo. Os rituais são a representação do mito e eles nos ajudam nas passagens da vida até a morte. E talvez seja a falta deles ou a não-crença neles que transforma o mundo no que vemos hoje.

Campbell nos diz que o problema das crianças serem educadas em um mundo de disciplina, obediência e dependência de outros é que ela precisa transcender isso ao chegar a maturidade. Na Índia se muda de roupa e de nome quando se passa de um estágio para outro. Os povos ditos primitivos tem seus rituais de iniciação, quando o menino passa a ser homem. As meninas é diferente, pois seu corpo é a vida, e com a primeira menstruação ela se torna mulher. O menino precisa receber isto do social.

Quando nos aposentamos precisamos criar uma nova forma de vida, de pensar sobre a vida. Deixar para trás as realizações e entrar no mundo do prazer e da apreciação e do relaxamento por meio de tantas maravilhas. Esta visão de Campbell é perfeita, me reconheço nela neste momento da minha vida. Ele diz que o problema não é a morte, mas sim a meia idade onde se chega ao auge do corpo que então começa a decair, então é chegado o momento da consciência.

Os ritos de passagem da infância para a adolescência, depois para o adulto e então para a velhice. Eles nos estruturam.

Campbell também fala dos tempos em que matar um animal necessitava de um ritual, pois matar o animal perturbava, e era necessário agradecer, apaziguar. Fala também do totemismo. E algo que ele diz no documentário é muito importante: " Um ego que vê um "vós" não é o mesmo que vê um "isso". Na guerra transformam as pessoas em "isso" para que não sejam "vós". Infelizmente no atual os egos estão mais para o isso do que para o vós.

O ritual serve para elevar, para tirar para fora, não para aconchegá-lo de volta ao lugar onde você sempre esteve. Os mitos mudam segundo os tempos, mas a estrutura permanece a mesma.

Finalmente ele nos fala do xamã que é uma pessoa que no final da infância ou início da adolescência seja homem ou mulher, teve uma experiência psicológica fortíssima que a deixou inteiramente voltada para si mesma. Seu inconsciente se abriu por inteiro e a pessoa caiu lá dentro. A experiência do xamã é um tipo de ruptura esquizofrênica. Morte e ressureição, estar no limiar e voltar, pessoas que tem sonhos muito profundos. O sonho é uma grande fonte do espírito, encontros místicos.

Vale a pena assistir.

https://www.youtube.com/watch?v=yHF8gRsdOXc


terça-feira, 14 de outubro de 2014

FILME: UN 32 AOÛT SUR TERRE - 1998


Direção: Denis Villeneuve - 1998 
Duração: 88 min 

Projeto um filme por país  País: Canadá 

Simone Prévost (Pascale Bussières) vive acelerada com seu trabalho e acelera tanto que indo para o aeroporto sofre um acidente, por adormecer no volante. Este acidente a fará repensar sua vida e a leva a pedir demissão de seu trabalho e pedir ao seu melhor amigo Philippe (Alex Martin) que faça um filho com ela que irá criar sozinha.

O problema é que Philippe é apaixonado por ela e não consegue simplesmente fazer um filho como lhe pede Simone, ele quer fazer amor. Faz 03 anos que está deprimido por causa deste amor não correspondido e não sabe o que fazer. Então sugere que o fará desde que seja num deserto. Ela aceita.

Ambos partem para Salt Lake City, mas as coisas não sairão como imaginam e Philippe escreverá uma carta para Simone dizendo sobre tudo que sente.

Simone após o acidente passa a questionar a sua mortalidade e por isto deseja um filho, que é a forma de dar continuidade a si mesmo, uma maneira que encontramos inconscientemente de alcançar a eternidade e se perpetuar. O título do filme é como uma metáfora disto, o dia 32 de agosto é o dia seguinte da sua sobrevivência ao acidente, como se tivesse tido direito a mais dias de vida. Depois o filme retorna à setembro, a realidade, onde é preciso de confrontar com a solidão, com a vida e os desejos do outro, como Philippe que a ama e não quer lhe fazer um filho para não ficar com esta lembrança que acabaria por destruí-lo, uma vez que se apegaria demais a isto para viver.

O filme é repleto do simbólico da morte. No deserto de sal, o nada, o vazio, a luz forte. Quando Simone se afasta para fazer xixi ela vê um corpo carbonizado e fica horrorizada. Quando retornam ao aeroporto o quarto que é como um túmulo, fechado, hermético, pequeno. Já para Philippe ele se transforma como numa nave espacial sem gravidade.

Um filme para refletir.

Denis Villeneuve 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

DOCUMENTÁRIO: O PODER DO MITO Joseph Campbell com Bill Moyers - 1988




São dois DVDs com as entrevistas de Joseph Campbell com Bill Moyers
Duração:354 min

Joseph Campbell é um consagrado estudioso de mitos. Nestas entrevistas ele fala sobre mitos, história, religião, filosofia, psicologia, arte e cinema. As entrevistas aconteceram no Rancho Skywalker e no Brasil foram exibidas pela TV Cultura.

É notório a paixão e o prazer que Campbell sente ao falar destes assuntos, ele se encanta, ele vibra, ele nos transmite lições para a vida e sobre como viver.

1ª  Parte - A SAGA DO HERÓI 

Nesta primeira parte Campbell nos desafia a ver uma jornada heroica em nossas vidas. Não o herói inalcançável para nós, mas o herói que todos nós somos. Ele também escreveu o livro "O herói de mil faces" sobre este tema.
Quando ele nos fala dos dragões e dos cavaleiros medievais que os matavam ele traz este dragão para um dragão interior, que são os obstáculos, nossos medos, aquilo que nos impede de fazer algo, portanto todos nós temos dragões para matar. Além disto ele diferencia o dragão ocidental da idade média do dragão oriental que tem outro significado. Nesta primeira parte ele nos mostra como os mitos e as histórias nos ensinam a enfrentar os dragões.
Ele também fala da arquitetura, e isto me chamou a atenção. Antes a catedral era o edifício mais alto de uma cidade, depois passou a ser o edifício político, como o parlamento e finalmente hoje são os prédios imensos onde estão os escritórios das grandes empresas, bancos, mostrando como a arquitetura acompanha este processo de valores numa sociedade.
Irá falar também do sagrado, do que é o sagrado independentemente de uma religião. Do quanto o mito relata as passagens na vida, iniciação, separação e retorno. Precisamos nos tornar independentes e os mitos nos ajudam nisto.

Você pode assistir a esta parte no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=C_wuZnoP6NY


2ª Parte - A MENSAGEM DO MITO 

Nesta parte ele fala do que é o Mito, para que serve, e de como todas as histórias se parecem. Ele começa com o Gênesis e depois nos relata outras que também falam da criação do mundo. O mito é utilizado quando não temos palavras para falar do mistério, do que nos transcende. E sempre levando em conta a época que o mito foi criado nos explica que a cada época precisamos de novos mitos que nos orientem e que atualmente está faltando um mito e que muitas vezes as pessoas se apegam a mitos que não lhes servem para nada.

Para Campbell não se trata do sentido da vida, mas do viver, da experiência de viver. Ele considera o eterno o aqui e agora, e não algo lá na frente. Faz algumas comparações entre as religiões ocidentais e as orientais onde não existe o pecado original e sobre a serpente assim como a mulher que simbolizam a vida e por isto são os culpados de tudo. A vida é sofrer, e há uma tendência sempre em colocar a culpa no outro.

Também disponível no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=Bwm0N89EyO8


terça-feira, 29 de abril de 2014

FILME: ACUSADOS - 1988


Direção: Jonathan Kaplan - 1988
Duração: 111 min 
Título original: The Accused 
Roteiro: Tom Topor
País: Estados Unidos 

Baseado em fatos reais: o estupro ocorreu em 06 de março de 1983 no bar Big Dan em New Bedford no estado de Massachusetts. 

O filme relata a forma como o sistema penal e jurídico, assim como a sociedade trata um caso de estupro. Sarah Tobias (Jodie Foster) é estuprada por vários homens em um bar e irá buscar justiça, mas isto não é tão fácil quanto parece.



Logo após o estupro ela passa pela situação constrangedora do exame médico, a assistente social e a promotora Kathryn (Kelly McGillis) que irão lhe fazer perguntas e dar orientação. Quando a câmara foca em seus olhos neste momento a leitura é como se ela estivesse tatuada para sempre, como se as imagens do que sofreu jamais se apagassem. A maneira como as pessoas olham para a vítima, seja com piedade ou com acusação velada, ou pura indiferença, num momento que ela mais precisa de apoio, compreensão. É muito diferente daquele que foi agredido num assalto, numa briga, em qualquer outro ato de violência. O Estupro carrega em si mesmo a condenação da vítima pelo olhar da sociedade. O que ela fez para isto lhe acontecer? onde estava? que roupas usava? ela provocou? É um total absurdo, mas é a realidade.



O filme retrata  como são tratadas as vítimas de estupro, seja nos Estados Unidos ou na maioria dos países, quando não é pior ainda, expulsas de casa, mortas, consideradas apátridas.



Kathryn decide ajudá-la, e vai ter que lutar muito, inclusive contra outros advogados, com o sistema penal e judicial, uma vez que o que importa é não perder uma causa em função do prestígio da justiça e dos seus defensores ou acusadores. É um caso muito difícil, até mesmo a amiga de Sarah acaba depondo de uma forma desfavorável à vítima, uma vez que se leva em conta não o que ocorreu, mas quem ela é, e portanto, pressupondo de início que ela provocou isto.

Sarah é jovem, usa roupas provocantes, fuma, usa drogas, bebe, não tem uma boa relação com seu companheiro, mas apesar de tentar se levar isto em conta para defender os agressores, isto não justifica jamais um estupro.

A cena na loja de fitas cassetes, é extremamente cruel, e representa o que sente uma pessoa que foi estuprada perante a sociedade. O homem ri, zomba, faz gestos obscenos e a trata como um objeto. O ódio dela, a raiva, a vergonha.

Ela não consegue relatar o estupro, falar, é necessário que uma testemunha resolva falar e contar cruamente o que presenciou. Os homens incentivavam os outros, mesmo aqueles que não iriam estuprá-la, se sentem intimados para garantir seu lado viril. Eles fizeram fila de espera. Ela gritava Não! Não! e depois foi questionada no julgamento se falou para pararem, é um absurdo.Os agressores se defendem dizendo que ela provocou, flertou, dançou de forma provocando e que era óbvio o que ela queria. Se não fosse o testemunho de um irmão de um dos agressores a causa não teria sido ganha.

Um filme cru, real que lança um olhar forte mas verdadeiro sobre o crime de estupro e de como a sociedade e a justiça reage à ele. Um filme que convida a uma reflexão sobre a consciência moral das pessoas.

E deixa uma questão: Por que as pessoas reagem desta forma ao estupro?

Assista ao trailer em inglês


Jonathan Kaplan nasceu em 1947 em Paris, França. Estudou cinema na Universidade de New York. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FILME: A OUTRA - 1988


Direção: Woody Allen - 1988
Duração: 84 min 
Título Original: Another Woman 
País: Estados Unidos

Uma mulher, a crise dos 50 anos. Ela é casada, filosofa, escritora e muito segura de si. Para escrever precisa de silêncio e por isto aluga uma sala que tem por vizinho um psicanalista. Pelo sistema de calefação é possível ouvir tudo que se diz nesta outra sala. Uma das pacientes Hope (Mia Farrow)  fala de sua vida e insatisfação com seu casamento e isto chama a atenção de Marion (Gena Rowlands).

Ao ouvir o relato de Hope, ela passa a repensar sua vida, avalia sua relação com seu marido, ambos em seu segundo casamento. Ela recorda que havia um outro homem apaixonado por ela que acabou rejeitando. Em uma festa um casal comenta que foram surpreendidos pelo zelador do prédio que tem a chave mestra fazendo amor no chão da sala. Ela pensa em sua vida sexual, questiona o marido.

Todos a admiram, sua inteligência, sua postura, mas ela descobre que não é bem assim, que muitos a odeiam e tem mágoas.

Reencontra sua amiga de infância com o marido e vão a um bar, após um tempo o papo entre ela e o marido corre solto, a amiga dá um basta e a acusa de seduzir, não conscientemente talvez, mas ela tem que seduzir e a amiga se sente um lixo, posta de lado. Seu irmão que teve que trabalhar para que ela estudasse. Sua apreciação negativa sobre o livro que ele escreveu, sempre se colocando acima e olhando os outros, avaliando e julgando.

Vai visitar o pai, sua mãe faleceu faz pouco tempo. Ele se desfaz de tudo que era da morta, não quer lembranças. A enteada de Marion pergunta se ele pensa que pode se apaixonar de novo. Ela fica chocada, diz que não foi de bom tom, imagine, na idade dele.

Finalmente resolve seguir a paciente depois que a encontra por acaso na rua, acabam almoçando juntas, conversam e depois quando retorna a sua sala para escrever ela escuta Hope a descrevendo para seu analista.

Hora de mudar tudo!

O filme revela duas coisas: as máscaras que usamos para não nos ver frente a frente com nossos medos, sentimentos, desejos e o que isto produz nos outros.

Recomendo!

Woody Allen 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: CAMILLE CLAUDEL - 1988



Direção: Bruno Nuytten - 1988 
Duração: 166 min
Roteiro: Bruno Nuytten e Marilyn Goldin 
País: França 


Baseado no livro de Reine-Marie Paris

Ganhou o César de melhor filme de 1989.

Paris - 1885

Ela tinha um dom maravilhoso, mas viveu em uma época onde as mulheres não podiam se destacar, tinham que viver à sombra dos homens no que diz respeito a ser reconhecidas publicamente. Sua mãe a invejava, tinha ciúmes por causa do pai e não aceitava sua escolha de ser uma escultora.



Camille (Isabelle Adjani) se apaixona por Rodin (Gérard Depardieu) , grande escultor. Trabalha com e para ele até que percebe que seu trabalho não aparece. Ele vive com uma mulher com quem tem filhos, mas se recusa a abandoná-la para viver com Camille apesar de estar apaixonado por ela. Ela está grávida, e diante de sua recusa não lhe conta nada e aborta, e o deixa. Começa sua decaída e cai em desgraça na sociedade parisiense, mesmo tendo amigos como Claude Debussy (Maxime Leroux).



Eles discutem, e Rodin lhe diz que ela é uma escultora de terceira, que deve tudo à ele. Que ela a fez e que lhe deve obediência. É o início da paranóia. Sente-se roubada e irá acusá-lo de um complô contra ela até o fim de sua vida.



É o preço que pagou por assumir o seu desejo e ir contra o desejo do outro, de sua mãe. Quando não optamos pela neurose estamos caminhando na beira do abismo.

Ela não suportou não conseguir ser uma escultora reconhecida, não aceitou ser a sombra de Rodin, não suportou o rompimento. Passa a pensar que ele nunca a amou e queria apenas suas obras, e se fixa nisto.

Claudel esculpia a dor, a morte, isto chocava. Não consegue expor na Exposição, não consegue seu lugar no mundo da arte. Ela destrói a maior parte de sua criação, e depois dirá que foi Rodin que a roubou. Ela caminha para a loucura. Seu irmão Paul (Laurent Grévill)  escapa do desejo da mãe pela religião, mas não perdoa Camille ter feito um aborto.

Enquanto seu pai viveu ele a protegeu e tentou defendê-la da mãe, lhe possibilitar o acesso ao desejo, mas após sua morte, a primeira coisa que sua mãe fará é internar Camille com a ajuda de Paul Claudell.



Não encontrei o trailer legendado, o que segue é em francês





Bruno Nuytten nasceu em 1945 em Melun, Île de France, França.

Trilha sonora de Gabriel Yared

Claude Debussy - Reverie

Gabriel Yared em 1949 em Beirute, Líbano. É compositor

Claude Debussy nasceu em 1862 em Saint-Germain-en-Laye, França e faleceu em 1918 em Paris. Foi um músico e compositor francês.