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domingo, 19 de outubro de 2014

LIVRO: NIETZSCHE NA ITÁLIA - A viagem que mudou os rumos da Filosofia - PAOLO D'IORIO



D'Iorio, Paolo. 1ª ed. Zahar, 2014.
214 páginas
Tradução: Joana Angélica d'Avila Melo
Título Original: Le voyage de Nietzsche à Sorrente (Genèse de la philosophie de l'esprit libre)

No outono de 1876 Nietzsche parte para o Sul, na Itália, para passar um ano sabático à convite de sua amiga Malwida von Meysenburg acompanhado de seu amigo Paul Rée com quem rompera mais tarde por causa de Lou-Andreas Salomé. Outro amigo se junta a eles, Albert Brenner.

Esta viagem será o divisor de águas entre o que Nietzsche havia dito antes e o que passa então a pensar e escrever em seus livros, após o rompimento com Richard Wagner devido seu cristianismo. É o Nietzsche mais verdadeiro que aparece e o que ele realmente pensa e sente. Ele abandona a ideia wagneriana de renovar a cultura alemã que defendeu em "O nascimento da Tragédia".

Será em Sorrento que ele irá começar a escrever "Humano, demasiado humano" adotando a partir daí o aforismo como estilo de escrita. Nesta temporada também surgirá seus esboços para "Assim falava Zaratrusta" que é repleto de referências às experiências vividas e também aos lugares que mais impressionaram Nietzsche.

O livro é um relato desta viagem, mas também uma apresentação acessível da filosofia de Nietzsche e de como suas ideias amadureceram. Muitos dos que admiravam sua filosofia anterior romperam com ele, exceto sua amiga Malwida, que manteve intacta sua esperança que isto seria uma fase passageira e que ele retornaria a sua antiga filosofia, não se dando conta que foi justamente esta outra fase que foi uma passagem para a filosofia definitiva de Nietzsche.

Há passagens extremamente interessantes e explicativas, como a da Epifania que muito me interessou e também sobre os sinos.

Para quem gosta de filosofia recomendo, mas não deixa ser um relato também da visão do filósofo sobre o sul, ele que vivia no norte frio.

Paolo D'Iorio nasceu em 1963 em Seravezza, Itália. Formou-se em filosofia na Universidade de Pisa. Atualmente leciona na École Normale Supérieure de Paris e dirige o Institut des textes et manuscrits modernes em Paris. É especialista em Nietzsche

quinta-feira, 5 de junho de 2014

LIVRO: TODAS AS CORES DO MUNDO - GIOVANNI MONTANARO


Montanaro, Giovanni. 1ª ed. Objetiva, 2014
142 páginas
Tradução: Joana Angélica d'Avila Melo
Título Original: Tutti i colori del mondo.

Gheel é uma pequena cidade no Norte da Bélgica que tem uma característica que a diferencia de todas as outras, ela acolhe em suas casas os loucos que levam uma vida muito diferente do que se fossem internados em manicômios ou hospícios. Esta história se passa no século XIX em 1881, é uma ficção, apesar de que os trechos das Cartas de Vincent Van Gogh estão em seu livro de Cartas para Théo e ele realmente cita a cidade.

Montanaro então imagina um período da vida de Van Gogh que o teria levado a se tornar um pintor, o que ele não foi logo de início, só passando a pintar mais tarde em sua vida. Como o pintor também era uma pessoa difícil, nunca constituiu uma família, tinha muitas dificuldades em relacionamentos humanos, vivia buscando algo que não encontrava e acabou se suicidando, nada como a passagem por Gheel, esta cidade que costuma acolher os loucos, como o ponto de início para sua arte.

Lá vive Teresa Sem Sonhos, este é seu nome, ela nasceu de uma mãe louca que ali vivia, não sabiam quem era seu pai, e ela foi acolhida por duas famílias, sendo que a segunda a declarou como louca para poder receber a ajuda do Estado que era concedido a cada família que abrigava um doente. Porém, Teresa não era louca. Sonhava em se casar com Icarus, que estudava os mineiros para escrever um livro, até a chegada de um estranho à vila, alguém chamado Vincent.

Teresa irá se apaixonar por Van Gogh e os poucos dias que passará ao lado dele modificará para sempre sua vida, mas também mostrará a ele o mundo das cores. Anos depois, Teresa irá escrever ao Senhor Van Gogh numa tentativa de colocar ordem no caos onde vive.

Um belo livro sobre almas aprisionadas, seja a de Vincent ou a de Teresa, ou de muitos que buscam algo e não encontram, ou como diz Vincent, são sem pátria, não sabem onde viver para estar bem. De pessoas que não seguem as normas sociais, que almejam mais para suas vidas, mas se defrontarão com o preconceito, com aqueles que querem colocar as coisas nos seus lugares, mas de acordo com o que eles acreditam, tolhendo a liberdade do outro e demonstrando a intolerância com tudo e todos que se diferenciem do que eles consideram ser o normal.

Giovanni Montanaro nasceu em 1983 em Veneza, Itália. 



Gheel se tornou uma vila que acolhia aos loucos devido uma lenda sobre Santa Dimphna. Uma filha de um rei irlandês que precisou fugir de seu pai após a morte de sua mãe. O rei era muito apaixonado pela esposa, e viu na filha a mulher que perdeu, quis casar com ela, mesmo sendo incesto, mas Dimphna não quis e fugiu, foi se esconder em Gheel onde o rei a encontrou. Ela preferiu a morte ao incesto. Como ela enfrentou seu pai e o seu desejo diabólico passou a ser uma Santa que protegia os loucos. A loucura era considerada uma possessão e o rei foi considerado como possuído pelo diabo.