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domingo, 15 de fevereiro de 2026

A MASCULINIDADE SOB O PATRIARCADO

 

O HOMEM SUBJUGADO

O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo

MALVINA E. MUSZKAT

SUMMUS EDITORIAL – 1ª ED. – 2018

176 páginas

O Homem Subjugado, de Malvina E. Muszkat, oferece uma análise perspicaz sobre a masculinidade vivida pelos homens que, apesar de aparentes privilégios, estão subjugados pelo sistema patriarcal e sofrem com suas imposições. O livro revela como muitos homens não refletem sobre si mesmos nem sobre sua própria alienação em um sistema que os ilude com uma ideia de poder e superioridade.

A autora, psicanalista, fundamenta suas observações tanto em experiências clínicas quanto em análises de homens de diferentes classes sociais, brancos e negros, na cidade de São Paulo. Muszkat discute como a subjetividade masculina é capturada pela moral patriarcal e pelo imperativo de ser “macho”, forte e invulnerável, evidenciando o sofrimento gerado por essas expectativas.

O livro também examina o papel das mulheres na reprodução e reforço do sistema patriarcal, seja na educação de filhos homens, seja nas expectativas que projetam sobre os homens ao seu redor.

O Homem Subjugado é leitura recomendada não apenas para estudiosos e interessados em gênero, mas especialmente para pais de meninos, oferecendo uma reflexão essencial sobre os dilemas contemporâneos da masculinidade e seus impactos na vida emocional e social dos homens.


Malvina E. Muszkat é psicanalista e especialista em gênero e sexualidade. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

RACISMO, COLONIZAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE

 


PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS

FRANTZ FANON

UBU EDITORA - 2020

320 páginas 

Em Peles Negras, Máscaras Brancas, Frantz Fanon apresenta uma análise profunda da opressão racial, da colonização e da construção da subjetividade negra no mundo moderno. Escrito em 1952, o livro permanece assustadoramente atual, ao mostrar como a violência simbólica e psicológica do racismo atravessa não apenas o espaço social, mas também o interior da mente daqueles que são subjugados.

Fanon argumenta que o negro colonizado se vê constantemente pressionado a assumir uma identidade imposta pelo colonizador. A máscara branca não é apenas a tentativa de se conformar à norma europeia; é também o esforço de se tornar visível e aceito em um mundo que desvaloriza sua própria cultura. Essa imposição gera frustração, alienação e conflitos internos: sentir-se inferior e, ao mesmo tempo, desejar ser reconhecido pelo sistema que oprime.

O livro é também um estudo sobre linguagem, cultura e desejo de assimilação. Fanon mostra como o negro aprende a falar, agir e pensar conforme padrões europeus, acreditando que isso é a condição para ser considerado humano e digno. A psicologia do racismo não se limita à brutalidade física, mas atua na intimidade da subjetividade, moldando medos, ansiedades e relações afetivas.

Ao mesmo tempo, Fanon evidencia as estratégias de resistência e afirmação identitária. Reconhecer a máscara, compreendê-la e questioná-la é o primeiro passo para reconstruir uma identidade própria, livre da submissão internalizada. O autor antecipa debates contemporâneos sobre identidade, autoestima e negritude, mostrando que a luta contra o racismo não é apenas coletiva, mas também profundamente pessoal.

A obra transcende o campo da psicologia: é uma crítica social, política e cultural. Fanon denuncia que o racismo não é apenas preconceito individual, mas estrutura de dominação que atravessa instituições, modos de vida, educação e cultura. Ao mesmo tempo, aponta caminhos de conscientização, resistência e emancipação, oferecendo um olhar teórico para compreender a opressão e a possibilidade de superá-la.

Peles Negras, Máscaras Brancas é, portanto, um clássico indispensável para quem deseja entender a complexidade do racismo, o impacto psicológico da opressão e a urgência da construção de uma subjetividade negra afirmativa e livre. Um livro que desafia o leitor branco a reconhecer sua posição no sistema de dominação e o leitor negro a questionar a internalização da opressão, sem perder de vista a luta coletiva.



Frantz Fanon nasceu em Fort-De-France, Martinica, em 1925 e faleceu em Bethesda, Maryland, EUA, em 1961. Foi um psiquiatra e filósofo político natural das Antilhas francesas que exerceu expressiva influência nos estudos pós-coloniais, na teoria crítica e no marxismo. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

LIVRO: A MÃE ETERNA morrer é um direito - BETTY MILAN


Milan, Betty. 1ªed.- Record, 2016
141 paginas


Após o livro "Carta ao filho" desta vez Milan nos fala da mãe. É um relato fictício, mas que é sincero sobre os sentimentos de uma filha diante do envelhecimento e da morte da mãe. 

Fui tocada pelo livro pois passei por isto, em dado momento tive que ser a cuidadora da que cuidou de mim, daquela que me deu a vida e me escutou, instruiu, consolou. Como é difícil aceitar que esta mãe, com a qual contamos sempre, deixa este lugar, já não escuta direito, não consegue mais conversar com você, envelhece e pode morrer. Por outro lado temos consciência do que é envelhecer, perder sua liberdade e autonomia, pelo menos a física. Um corpo que já não permite que se faça o que deseja, até mesmo as menores coisas, como ir a um cinema, visitar um filho, chegando ao ponto de não poder tomar um banho sozinha. 

A filha que cuida da mãe sente raiva, medo, se sente sendo subjugada nisto tudo, obrigações que não deseja, pesos em sua vida, mas não consegue deixar de fazer, de cuidar, pelo imenso amor que sente. E não há como falar sobre isto. Dizer que se sente raiva? não pode!! Milan é corajosa ao falar com honestidade, franqueza sobre estes sentimentos.

O filho no livro que não aceita, não ajuda e não participa. No fundo sente o mesmo mas reage de outra forma, não consegue aceitar o envelhecimento da mãe, a perda da mãe. Filhos desejam que a mãe seja eterna, a mesma, e se não pode ser assim no real, o imaginário se ocupa disto. 

Quantas vezes me senti assim. Não aceitar, não querer que minha mãe envelhecesse, ficar com raiva quando ela ficava mal, doente. Não era por ter que socorrer, era por não querer que ela envelhecesse e morresse. 

A imagem da mãe que cuidou de nós é a que fica. É esta que desejamos e mantemos. Nada mais cruel para um filho ou filha do que ter que se tornar mãe da mãe. Milan tem razão, é o momento em que perdemos a mãe, em que ela deixa de ser mãe, se torna filha. E como é difícil enfrentar isto. E penso que para a mãe também, tanto que ela vai reagir, com atos que chamamos de teimosia, rabugice, estar fora da casinha. Ela também deseja preservar sua independência e autonomia. Vai fazer coisas que não pode, vai comer coisas que não pode. Com diz Milan, "a velhice castra antes de a morte ceifar e por isso é tão aterradora". 

Segundo Freud há uma fusão entre mãe e bebê, que carregamos pela vida, nunca nos separamos totalmente. A morte da mãe nos leva um pedaço, morremos junto. Uma parte de nós se foi. E ver a mãe morta é ver a si mesmo morta, e saber que um dia também vamos morrer. 

Betty Milan nasceu em 1944 em São Paulo. É psicanalista e escritora.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

LIVRO: NO PRINCÍPIO ERA O AMOR: PSICANÁLISE E FÉ - JULIA KRISTEVA



Kristeva, Julia. Verus, 2010
83 páginas
Título Original: Au commencement était l'amour: psychanalyse et foi
Tradução: Leda Tenorio da Motta


"Para que a fé seja possível, é preciso sem dúvida que esse salto "semiótico" para o Outro, essa identificação primária com os polos parentais arcaicos, próximos do continente materno, não seja recoberto pelo recalque nem deslocado para a construção de um saber que, conhecendo-lhe o mecanismo, o haveria de sepultar. O recalque pode ser ateu, o ateísmo é recalcador, ao passo que a experiência analítica pode levar, por sua vez, a um abandono da fé em conhecimento de causa". (pg.39). 

Freud nos lembra que o homem é um ser religioso, precisa crer em algo. A religião dá sustentação ao ser humano, ele crê em algo, acredita que irá receber algo, será protegido. Kristeva lembra que Santo Agostinho chega a comparar a fé do cristão em seu Deus às relações do bebê com o seio da mãe.

Kristeva nos lembra que é preciso crer para chegar ao saber, como um bebê precisa confiar e crer em sua mãe, sem isto não haveria como ele sobreviver. E isto não é infantil, é um fundamento do ser humano diante da vida, uma maneira de lidar com o caos, o incompreensível, o inaceitável. Sim, o saber pode sublimar a fé, mas este saber não é possível sem a princípio termos fé em algo.  

Julia Kristeva nasceu em 1941 em Sliven, Bulgária, nacionalizou-se francesa, é uma filosofa, escritora, psicanalista e crítica literária. 


terça-feira, 15 de setembro de 2015

LIVRO: DIÁRIO DE UM ANALISANDO EM PARIS - CLAUDIO PFEIL



Pfeil, Claudio. 1ª ed. Zagodoni, 2013
192 páginas

Um bom livro para quem quer compreender o básico da psicanálise. De uma forma leve e até mesmo divertida o autor nos conta sobre sua passagem por Paris como estudante de Filosofia e depois de Psicanálise e sobre sua análise.

O livro é leve e apesar de se utilizar dos termos psicanalíticos, Pfeil os traduz, seja através de exemplos do cotidiano e de sua vivência na análise ou através de uma explicação que é viável para quem é leigo no assunto. 

Um bom livro introdutório no assunto e que acho muito bom ter sido escrito, pois muitas vezes para quem está iniciando seu percurso é difícil se confrontar com termos que são usados na linguagem cotidiana, mas que para a psicanálise tem outro significado. Pfeil nos conduz através destes termos e também fornece uma pequena ideia do que seja uma análise lacaniana

Outro mérito do livro é mostrar que uma análise é algo que liberta, como ele mesmo diz o divã não é para se deitar e dormir, mas ao contrário, é para despertar. Um percurso profundo que mesmo que seja doloroso nos possibilita melhor viver. 


Claudio Pfeil é doutor em filosofia pela Sorbonne e mestre em Psicanálise pela Université de Paris 8

quarta-feira, 15 de abril de 2015

LIVRO: NO CINEMA COM LACAN - o que os filmes nos ensinam sobre os conceitos e a topologia Lacaniana - STELLA JIMENEZ


Jimenez, Stella e colaboradores. 1ª ed. Ponteio, 2014
240 páginas

Um livro muito interessante para os que se interessam pela psicanálise e pelo cinema. A psicanalista Stella Jimenez com a colaboração de outros profissionais analisam vários filmes e na segunda parte do livro encontramos a fundamentação teórica. 

Os filmes analisados são:

- A pele que habito de Pedro Almodóvar. Este filme já postei aqui no blog. Um filme que tem muitas questões, mas a principal é a identidade sexual.

- Medianeras - Buenos Aires na era do amor virtual de Gustavo Taretto. Também já postei no blog. Fala do amor no mundo atual.

- Time - o amor contra a passagem do tempo de Kim Ki-Duk. Pretendo assistir. Fala sobre a mulher, o tempo e a devastação.

- A primeira coisa bela de Paolo Virzi - A questão da mãe

- Vincere de Marco Bellochio - o amor louco

- A história de Adèle H. de François Truffaut - Também postado aqui no blog. Fala da erotomania e do amor patológico.

- O homem do lado de Gastón Duprat e Mariano Cohn

- Gattaca de Andrew Niccol sobre as impossibilidades da ciência

- Drácula de Bram Stoker de Francis Ford Coppola

- A viagem do Capitão Tornado de Ettore Scola - sobre o fracasso

- Nome de família de Mira Nair sobre a nomeação

- Habemus papam? de Nanni Moretti - também já postado. Fala da derrocada do semblante da impostura à loucura

O cinema é uma das vias privilegiadas da psicanálise. É onde o diretor(a) pode projetar ou dizer algo, mas também o espectador se vê ali, sente em si mesmo a angústia, se encontra, e principalmente muitas vezes encontra as palavras que lhe faltam. É uma das vias da compreensão para o que muitas vezes não conseguimos falar. Também permite vermos e percebermos na tela situações com as quais temos dificuldades de lidar. 

Stella Jimenez é formada em Medicina pela Universidade Nacional de Buenos Aires e fez Mestrado em Psicanálise na UFRJ.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

LIVRO: O SINTOMA Variações Freudianas 1 - ANTONIO QUINET



Quinet, Antonio. Giostri, 2014
58 páginas

Quinet apresenta em forma de teatro o sintoma que se manifesta no corpo, nos atos, como uma forma de falar da verdade do sujeito. Temos a histérica interpretada por uma estudante de psicologia na época (Aline Deluna), e o homem dos ratos analisado por Freud como o sintoma obsessivo. Quinet participa ele mesmo da peça no papel tanto da peça como o é na vida real, de psicanalista

"O sintoma é uma realização de um desejo. Se ele faz sofrer é porque realiza um desejo conflituoso, do qual você não quer nem saber." O sintoma é de nossa própria autoria, e dele somos os atores, mas a pergunta é: quem é seu espectador? e para quem você fez seu sintoma? A impossibilidade da relação sexual faz do sintoma o parceiro sexual do sujeito. 

Não se deve calar o sintoma e sim fazê-lo falar para se aproximar da verdade do sujeito. Como uma crítica aos que receitam remédios para calá-lo o autor nos diz: Persistindo o médico, consulte o sintoma!

O livro é o roteiro da peça de teatro. 



Antonio Quinet é psicanalista, psiquiatra e doutor em filosofia pela Universidade de Paris VIII

domingo, 18 de janeiro de 2015

LIVRO: A LOUCA E O SANTO - CATHERINE CLÉMENT E SUDHIR KAKAR



Clément, Catherine; Kakar, Sudhir. Relume-Dumará, 1997
272 páginas
Tradução: Renato Aguiar
Título Original: La folle et le saint

Catherine é uma filósofa, historiadora, escritora francesa e Sudhir um psicanalista indiano que resolvem estudar e comparar uma louca internada em Paris no Salpêtrière sob os cuidados do psiquiatra Pierre Janet e o grande místico indiano Ramakrishna

Ambos viveram no século XIX, porém o fato de estarem em lugares diferentes e inseridos em culturas diferentes acaba por fazer com que um seja um santo e a outra uma louca.

Em Paris, Madeleine após ser presas várias vezes pelo que era considerado vadiagem, e tendo acrescido a sua ficha na polícia outros delitos, inclusive prostituição, pelo simples motivo destes delitos se enquadrarem no motivo, acaba sendo internada no Hospital Psiquiátrico Salpêtrière. Pode-se dizer que sua sorte foi ter tido como médico Pierre Janet que cuidou dela, mas por outro lado, o fato dela ser uma mística como foram outras mulheres na Idade Média como Santa Teresa D'Ávila, consideradas santas pela igreja, apesar do médico até o perceber e chegar a dizer que ela nasceu no lugar errado e na época errado, não é levado em conta, Janet quer curá-la e devolvê-la ao mundo como uma pessoa normal, normal mas infeliz, e ele o consegue.

Já na Índia temos Ramakrishna que mesmo tendo os mesmos "sintomas" que Madeleine, por viver num país com uma cultura muito diferente, vira um santo, guru.

O livro faz o percurso de análise de ambos os comparando e os diferenciando, demonstrando que loucura é algo que tem a ver com o lugar e o tempo, com a cultura. Clément nos faz o relato de Madeleine e Kakar de Ramakrishna, depois eles unirão seus comentários e análises e levando em conta a psicanálise poderão nos mostrar um quadro diferente do que normalmente teríamos ao ler a vida de ambos, mas separadamente e sem juntá-los. Há pontos comuns na infância de ambos, relação com a natureza e principalmente Clément e Kakar falam da bissexualidade envolvida no misticismo, que não tem nenhuma relação com a sexualidade genital, mas é psíquica. Na infância o psicanalista Winnicott fala do espaço transicional, que ocorre quando a criança após ser "afastada" da mãe, saindo da fusão inicial, busca o substituto através da ilusão, seja com um pano, um ursinho, um objeto que ela elege, até conseguir se separar e ter seu eu.

O êxtase místico ocorre neste mesmo espaço,  espaço este que ainda é bissexual, uma vez que a criança ainda não tem noção de seu sexo, nem fez a escolha, mesmo que já seja determinado biologicamente, mas em psicanálise a sexualidade não é isto, mas sim a escolha que fazemos por um sexo, feminino ou masculino, a constituição deste sexo. É um espaço de vazio que se preenche com o êxtase. Madeleine atinge o êxtase espontaneamente, enquanto que Ramakrishna o faz quando o deseja, ele se preparou para isto, apesar de que no início sua primeira visão também foi espontânea.

Há diferenças entre o que chamam de visão e alucinação, apesar de ser muito próximo, mas os místicos tem visões. Apesar de ser um surto psicótico, não é o mesmo, eles não são loucos, nem doentes mentais. O êxtase é vivido com todo o coração, com a alma e com toda força, há um gozo, volúpia, ao contrário da loucura que na sua pobreza precisa criar alucinações e delírios para preencher o vazio, para restituir algo.

Ao final do livro também temos uma análise da transferência e do papel do médico, do psicanalista e do guru.

 Catherine Clément é filosofa,  historiadora e escritora de ficção. Nasceu em 1939 em Boulogne-Billancourt, na França. Irei falar mais dela pois é uma das mulheres do meu projeto. 

Sudhir Kakar é um psicologo e psicanalista. Nasceu em 1938 em Nainital, Índia. Começou sua formação psicanalítica no Instituto Sigmund Freud em Frankfurt, Alemanha. Atua como psicanalista na Índia e estuda a psicologia cultural e psicologia das religiões

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

LIVRO: O MONGE E A PSICANALISTA - MARIE BALMARY



Balmary, Marie. Vozes, 2007
179 páginas
Tradução: Karin Andrea de Guise
Título Original: Le moine et la Psychanalyste

Acabo de reler este livro, aliás pela terceira vez. A cada vez me aprofundo mais e descubro novas interpretações pessoais sobre este pequeno livro, mas que diz tanto. 

Marie Balmary é uma psicanalista francesa que teve sua tese recusada na Sorbone por um dos antigos alunos de Jacques Lacan. Surpreendendo-a ele a convida para um encontro ao qual ela comparece. Lacan a recebe como um mestre, lhe oferece um lugar que ela recusa pois teria que se submeter a uma lealdade incondicional que os discípulos de Lacan exigiam e ela desejava a liberdade de pesquisa. Mas Lacan a encorajou a seguir em frente. Ela então sente o desejo de falar com Marc-François Lacan, monge beneditino e irmão caçula de Lacan. Será destes encontros que surgirá este livro, porém no livro é o encontro entre Ruth, uma psicanalista judia e agnóstica e o monge Simon. O diálogo entre os dois procura repetir e trazer para o livro o que resultou os diálogos que ela manteve com Marc e outros monges, portanto é uma ficção criada a partir destes encontros. 

O que mais me toca neste livro é a compreensão de Deus não como um pai celestial, nem como uma criação que fazemos como diria Freud, mas sim, Deus como relação. "aquilo que é à imagem de Deus em Gênesis é o homem e a mulher em relação."

Esta frase em particular me chama a atenção uma vez que justamente estou desenvolvendo um projeto sobre as mulheres, todas as que foram subjugadas, ocultadas por uma sociedade patriarcal e machista, mas o resgate que pretendo fazer não é uma ação feminista, o que busco é justamente o homem e a mulher juntos, o Yang e o Yin. Há lugares onde um sozinho não pode alcançar, alguém tem que abrir a porta sem o perceber e o outro a verá e ambos passarão por ela. Aqui é claro que vemos uma sessão de análise, onde um fala e não percebe e o outro escuta e pontua, mas ambos estão num não-saber e irão descobrir algo juntos. No meio do analista e do paciente há um espaço, e é este "entre" que me chama a atenção, pois é capaz de novas criações e é um lugar de encontro, encontro de dois seres humanos, e isto ocorre seja pela escuta psicanalítica ou pela escuta espiritual.

Outro ponto importante é a questão de que nos estruturamos quando somos reconhecidos. Quando falamos ao outro o mais importante é o fato dele acreditar em nós, isto nos estrutura, passamos a existir. Quando acreditamos no outro "aquele em quem se acredita não é passivamente tomado na ação do outro, ele é um sujeito que recebe a confirmação de sua existência por meio de um outro sujeito." e mais adiante "Aquele que não foi reconhecido como outro se encontra devorado enquanto ser falante."

Eles irão fazer uma leitura dos textos da Bíblia de um maneira inversa, ouvindo as palavras como se fosse a primeira vez, e não dentro daquilo que nos foi inculcado por uma religião ou pela catequese.

É um belo livro que nos faz repensar Deus fora do contexto religioso, mas também refuta Freud para quem Deus era uma criação do ser humano que como a criança precisa de um pai.

Valeu a pena reler, é um livro para ler muitas vezes tamanha a riqueza do que está nele.

Marie Balmary 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

LIVRO: ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO O senhor do labirinto - LUCIANA HIDALGO


Hidalgo, Luciana. 2ª ed. [revista e ampliada]. Rocco, 2011
208 páginas

Última leitura deste ano de 2014.

Arthur Bispo do Rosário, esquizofrênico-paranoico ou um místico? e qual seria a diferença? penso que o que mais influencia é o contexto e a cultura onde se está, a diferença entre o louco e o santo. 

Sabe-se muito pouco sobre ele no real, por causa de um registro de batismo em uma igreja encontrado pela autora pode-se afirmar que ele nasceu em Japaratuba no Sergipe e conhece-se os nomes de seus pais: Claudino Bispo do Rosário e Blandina Francisca de Jesus. Os significantes nos nomes de seus pais chamam a atenção: Bispo, Rosário e Jesus. 

A cidade de Japaratuba tem um rico folclore e muitas festas religiosas, de onde provavelmente vem muito do que Arthur bordou em sua vida. Nada se sabe de sua família, infância. Entrou para a Marinha, trabalhou na Viação Excelsior e depois trabalhou para a família Leoni no Rio de Janeiro. Após uma visão no dia do Natal em 1938 de sete anjos e vagou por dois dias até chegar ao Mosteiro de São Bento. Considerava-se o Cristo. Tinha 30 anos quando foi registrado no Hospital Nacional dos Alienados e depois transferido para a Colônia Juliano Moreira em Jacarepaguá. Ia e vinha entre a colônia e a casa dos Leoni. 

Dizia que foi obrigado a construir seu mundo paralelo, que criava seguindo as ordens que recebia. O fato é que deixou uma obra belíssima em miniaturas, bordados e assemblages. Pessoalmente gosto de ver isto como um bricolage, onde ele reordena objetos de seu cotidiano no mesmo espaço, mas de outra forma, ou seja, mexe na estrutura, resignificando. 

Em sua obra destacam-se as palavras e nomes, e isto me remete a duas grandes artistas - Frida Kahlo e Louise Bourgeois que também trabalhavam com palavras. Uma de suas frases mais marcantes é " o louco é um homem vivo guiado por um espírito morto".

Também chama a atenção de Bispo executar uma arte dentro de seu mundo fechado, sua casa-forte, que ao mesmo tempo se desenvolvia no mundo da arte, o novo realismo

A obra de Bispo é no fundo autobiográfica, seu inconsciente está presente ali e lhe traz os traços e reminiscências da infância e do que viveu e dos principais significantes para ele, porém como é algo que ele produz, como um sonho, mas ninguém consegue interpretar, nem mesmo ele, não há como decifrar ali sua história, mas para os que são mais sensíveis é possível ver uma construção ficcional de sua vida, o que não deixa de ser a realidade, uma vez que todos nós construímos uma ficção, só que temos algumas referências, e ele não as dizia ou não lembrava. 









Luciana Hidalgo é jornalista, ensaísta e escritora 

sábado, 27 de dezembro de 2014

LIVRO: INÊS DE CASTRO (1310?-1355) - A verdade histórica e a realidade psíquica, após seis séculos de fantasia e nevoeiro - GONDIN DA FONSECA



Fonseca, Gondin da. 2ª ed. Livraria São José, 1957
156 páginas

Neste livro encontramos a parte histórica de Inês de Castro e Pedro relatada em forma de teatro, mas este teatro é uma tragédia e foca principalmente em Pedro e na realidade psíquica do que ocorreu. Gondin se baseia em Freud para fazer uma análise psicanalítica da tragédia destes dois amantes. 

A questão é o Édipo. Pedro odeia seu pai por ele ser o obstáculo de seu desejo inconsciente em relação à sua mãe Dona Beatriz, é ele quem tem a mãe, mas o pai também odeia este intruso cuja esposa ama tanto. Sem ter consciência disto é Dona Beatriz quem fomenta esta rivalidade e ódio entre pai e filho. Como Afonso IV é o pai, por mais ódio que Pedro sinta isto lhe traz culpa, e ele não é capaz de atacar seu pai, de se opor à ele, e nem a sua mãe, o que caracteriza que Pedro apesar de homem ainda permanece psiquicamente na infância. 

Apesar da grande beleza de Constança é por Inês que ele se apaixona, provavelmente por esta portar um traço de Dona Beatriz. Pedro foi avisado várias vezes que seu pai pretendia matá-la, mas nada fez para a proteger, inclusive a deixando sozinha muitas vezes, e em uma destas oportunidades o assassinato aconteceu. Quando Pedro retorna a dor é insuportável e o ódio também, mas a pedido de sua mãe, seu objeto de amor inconsciente, ele aceita fazer as pazes com seu pai e jura em cima dos evangelhos que perdoará os assassinos e esquecerá o que houve. E assim faz enquanto sua mãe viver. Seu pai é o primeiro a morrer, mas apesar de ser entronado neste momento como rei, Pedro continua a levar sua vida, tendo relacionamentos com outros mulheres. Será somente quando sua mãe morrer que ele deixará toda sua raiva, ódio, culpa, vir a tona. É neste momento onde ele transfere para Inês a imago de sua mãe que ele vai reagir e se vingar. Matará dois dos assassinos, o outro conseguiu fugir, de forma cruel, mandando tirar o coração deles, um pelo peito e o outro pelas costas, num ato de vingança contra seu pai, e na realidade ele está matando o pai através destes. 

Após isto ele dirá que se casou em segredo com Inês, o que nunca foi provado, mas diante disto ela é rainha. Fará construir um tumulo belíssimo para ela e outro para ele e mandará exumar o corpo levando-o de Coimbra até o mausoléu em um cortejo fúnebre digno de uma rainha. Na chegada a colocará em um trono e exige que todos lhe beijem a mão. Depois ele a sepulta e nunca mais se envolveu com nenhuma mulher, sendo que foi sepultado de frente para ela. 

A versão histórica retrata a época, as questões de poder e reinados, os casamentos arranjados e as amantes que eram os amores vividos, sendo que neste relato Afonso mandou matar Inês por temer que seus irmãos tivessem influência em Portugal e também interviessem para tornar um filho de Inês o rei de Portugal no lugar de Fernando, filho de Constança. Na análise psicanalítica o que vemos é a rivalidade entre o pai e o filho, um filho que odeia seu pai pois é ele quem se deita com sua mãe, mas que ao mesmo tempo teme o pai, teme a castração. Segundo relatos o pai sempre odiou o filho e amava sua filha, provavelmente porque este filho era um empecilho entre ele e sua esposa que amava muito Pedro, e em função disto sempre foi cruel com Pedro, matando seu cachorro quando criança, e depois a mulher que ele amava. Pedro não consegue se impor ao pai, não cresceu, não separa Inês de sua mãe, e se sente culpado em relação ao desejo incestuoso. O pai matando o que o filho ama parece proceder no real com a castração que Pedro não consegue aceitar. Somente com a morte da mãe é que Pedro se sente livre para vingar a morte de Inês/Beatriz, ou seja, ele vinga a morte da mãe. 

Também há os relatos dos julgamentos de Pedro, pois em Portugal quem julga é o rei e sua indisposição com o clero. É visível que ele condena e manda matar àqueles que procedem da mesma forma que ele, projetando no outro o que está nele. Por outro lado, quando se trata de uma ofensa, por pior que seja, feita diretamente à ele, é capaz de perdoar. 

Uma visão psicanalítica da tragédia de Inês e Pedro que procura explicar os fatos de uma maneira mais profunda, revelando o que fica oculto no inconsciente das pessoas frente aos seus atos. 

Gondin da Fonseca nasceu em 1899 no Rio de Janeiro e faleceu na mesma cidade em 1979. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

LIVRO: FRIDA KAHLO para-além da pintora - MARLI BASTOS


Bastos, Marli Miranda. Mauad X, 2010
115 páginas

Bastos faz uma análise da obra de Frida Kahlo para além da pintora pelo olhar da psicanálise.

O que se evidencia é que Frida se tornou pintora para da conta do real, o real do acidente, do seu corpo esfacelado, das suas dores. O que ela não conseguia dizer pela palavra ela pintava. Mas Frida foi além disto também, porque escrevia cartas e poesias.

Devido o acidente e diante de um corpo traumatizado que lhe restringia vários aspectos ela dá um destino a sua pulsão sexual que ao invés de se dirigir para o sexo, para o objeto sexual, se sublima e ao invés de ser recalcado se dirige para a arte.

Bastos nos faz um breve resumo da vida de Frida Kahlo, desde a infância onde sofreu com a poliomelite que lhe deixou uma perna mais fina que a outra e um pouco manca, o acidente, seu amor-paixão por Diego Rivera, sua militância política, seu amor pela cultura mexicana, e todos os casos amorosos que teve ao longo da vida. Ela não desistiu de viver após o acidente, ela não se entregou ao drama e trágico de seu estado, mas também não o negou. Ela o transpôs para a arte. Por isto os quadros de Frida Kahlo são em sua maioria autorretratos e expressões do que sentia. Ela se utiliza de cores vivas, que representam a vida, mas também a alegria do México e toda sua cultura em relação à morte. O vermelho sangue que ao mesmo tempo representa todo o sangue seja do acidente, seja dos abortos que sofreu, também é a cor da vida, a cor da paixão.

A arte nasce em torno de uma vazio, o contorna. Todo o excesso que não consegue ir a algum lugar se expressa na arte, a pulsão que poderia ficar perdida e rodopiando se canaliza para algo. A arte lhe possibilitou seguir sua vida apesar de todos os sofrimentos pelos quais passou, levando tudo que era inefável para o simbólico.

Marli Bastos é psicanalista, Mestre em psicanálise, saúde  e sociedade  pela Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ), é formada em Psicologia pela Universidade São Marcos-SP, com especialização em Psicologia Clínica pela PUC-Rio. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

LIVRO: HISTÓRIAS DE DIVÃ - GABRIEL ROLÓN



Rolón, Gabriel. Planeta do Brasil, 2008
260 páginas
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
Título Original: Historias de Divan

São oito relatos de pacientes de Gabriel Rolón. O uso da palavra que permite a cura dentro de uma análise, as dores, sofrimentos, dúvidas, os conflitos. Quando alguém procura uma análise está em busca de ajuda para desvendar aquilo que só ele sabe, mas que não consegue acessar e para isto o analista está ali, na sua escuta flutuante ouvindo as associações livres, não "o que" diz o paciente, mas sim, "como diz".

Na infância nos ocorrem muitas coisas e algumas delas acabam se tornando traumáticas e são recalcadas por que não podemos admitir isto. A análise leva a simbolizar isto, a finalmente colocar em palavras o que está oculto e se manifestando em sintomas. Quando o sintoma causa dor, sofrimento, dificuldades na vida, as pessoas buscam ajuda, e é neste momento que ele entra pela porta do analista e se deita no divã, ou cara a cara, conforme o caso.

Neste livro há um relato que dói em todos nós, é o relato de Majo, e em como algumas vezes o psicanalista também deve enfrentar a dor, a dor da perda, da impossibilidade de fazer algo por mais que o deseje.

Não é um livro apenas para profissionais, pois todos que estão neste livro são seres humanos como qualquer um de nós, e o relato de Rolón é simples, verdadeiro, poético, como um romance, que é como tecemos nossa vida, um ficção, um romance.

É o segundo livro que leio de Rolón. E este foi transformado em uma minissérie que podemos encontrar no youtube.
Gabriel Rolón 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

LIVRO: CONSOLAÇÃO - BETTY MILAN



Milan, Betty. Record, 2009
165 páginas

Laura vive em Paris com seu filho e o marido Jacques que vive a agonia terminal de um câncer, levando-o a reviver os fantasmas da segunda guerra mundial, dentro de uma semi-consciência.

Após a morte de Jacques ela retorna ao Brasil, sua terra natal, mas ao chegar ao aeroporto não se dirige de imediato para sua família, mas antes ela vai para o centro de São Paulo e ao cemitério Consolação.

O título consolação adquire a ambivalência do nome do cemitério como também a significação do consolo, da aceitação, da consolação não apenas pela morte do marido, mas pelas misérias da vida.

Caminha pelo cemitério e conversa com os mortos, depois segue o conselho de seu pai, e vagueia pelas ruas, conversa com moradores de rua. É uma errância, um perder-se para se reencontrar. Ao ouvir os mortos e os que nunca são ouvidos se dá conta de que ninguém deixa realmente de existir porque morre.

A pessoa que partiu continua viva, ela vive em nós, nas nossas lembranças, memórias, nas coisas que deixou, que fez, ela continua sendo o que foi. É esta a consolação para a perda, e isto é o saber viver.

Betty Milan 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

LIVRO: MADAME FREUD - Um retrato íntimo e revelador do pai da psicanálise pelo olhar de sua esposa - NICOLLE ROSEN


Rosen, Nicolle. Verus Editora , 2008
210 páginas
Tradução: Marisa Rossetto
Título original: Martha F.

Nicolle Rosen, uma psicanalista, interessa-se por Martha Freud. Afinal quem seria esta mulher que viveu ao lado de Sigmund Freud e que parece não existir, exceto pelo fato de elogios sobre a vida doméstica, assegurando à Freud o sossego necessário para criar sua grande obra.

Rosen então resolve dar a palavra à Martha, e para que ela fale precisa de um interlocutor e assim surge Mary que ela conhece no dia do sepultamento de Freud e com quem irá manter uma correspondência assídua falando sobre sua vida e o que pensava.

É um romance porém está baseado em relatos, cartas, biografias, fotos, vários livros sobre a história da psicanálise, mas obviamente que os vazios serão preenchidos por palavras que poderiam ter sido de Martha.

Penso que se trate de um livro que deveria ser lido para se compreender o que é viver à sombra de alguém com tanto reconhecimento e que estava sempre rodeado de admiradores, discípulos e ocupava o lugar do pai, mestre, e também o de homem através de todas as transferências amorosas que suscitou. E Martha? o que ela fez de sua vida? de seu desejo?

Há passagens no livro que nos faz refletir sobre esta questão de amar e se sacrificar ao objeto amado, abrindo mão daquilo que somos e desejamos. Martha era judia e seguia a tradição e rituais em sua família, mas teve que abrir mão de tudo isto porque Freud não queria isto. Nunca era consultada para as grandes decisões e sofreu com a rivalidade com sua irmã Minna e com sua filha Anna Freud. Além de ter que lidar com a mãe autoritária de Freud a quem este era totalmente dedicado.

Freud cresceu sendo o preferido, adorado, com tudo correndo conforme sua vontade e assim permaneceu tendo grande dificuldade de lidar com aqueles que não aceitavam se submeter, como foi o caso de Jung. Até mesmo suas irmãs tinham que abrir mão de seus desejos por ele,como Anna que teve que desistir de seu piano pois o incomodava.

Ele era excessivamente ciumento e possessivo, afastou de Martha todos aqueles que ele considerava como rivais, seu irmão Eli, sua mãe, seus amigos. Mas por que ela aceitou isto? O amor? para agradá-lo? para ser amada por ele?

Mas a questão é Martha, na verdade nunca saberemos o que realmente ia em seu íntimo, mas será que foi feliz? Uma mulher que aos 35 anos tem que enfrentar a decisão de abstinência sexual por parte de seu marido, uma mulher que não participava de nada de sua vida profissional onde tantas outras mulheres estavam, que não acompanhava Freud em suas viagens, que não podia emitir nenhuma opinião.

Mas por que ela aceitou tudo isto? por que não se impôs, não lutou por seu desejo? É este o questionamento no livro quando ela está sozinha após a morte de Freud aos 85 anos. Pode uma mulher ser feliz apenas por ser casada com um homem notável?

A questão é até que ponto Martha sentiu o que a maioria das mulheres sentiria hoje, ou isto não foi uma questão no tempo em que ela viveu. Mas é válido tentar dar voz a esta mulher, uma vez que ela nunca pode falar enquanto esteve viva, tentar pelo menos dar a ela um reconhecimento após ter permanecido na obscuridade por toda sua vida.

Há passagens no livro onde é perceptível a interpretação dos fatos por Nicolle Rosen, uma visão sua sobre determinado assunto ou fato, mas que também são válidos para que se processe uma reflexão.


Nicolle Rosen é psicanalista e vive em Paris. 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

LIVRO: PALAVRAS CRUZADAS Da dor à verdade - GABRIEL ROLÓN



Rolón, Gabriel. Editora Planeta, 2010
238 páginas
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
Título Original: Palabras Cruzadas

Em minha recente viagem à Buenos Aires entrei na El Atheneu, uma mega livraria que fica numa ópera e nas minhas andanças por ela vi o livro de Rolón. Optei por comprá-lo no Brasil em português o que facilitaria minha leitura.

Rolón é um psicanalista argentino, e neste livro ele nos relata 05 histórias de pacientes que passaram por uma análise dolorida, mas que ao final encontraram uma verdade que era a sua e puderam finalmente tentar construir uma vida mais prazerosa e de acordo com seus desejos.

Conforme acompanhamos e também ouvimos o paciente é possível ao mesmo tempo pensar em si mesmo, pois são tantas as possibilidades e muitas vezes também estamos passando por coisas parecidas, próximas, e que não sabemos nem que está ocorrendo ou o porque de estar acontecendo. A culpa, o medo, a dor, a sexualidade, o amor, a violência, o luto. E tudo isto faz parte da vida.

Gabriel Rolón nasceu em 1961 em Buenos Aires, Argentina, é um psicanalista.