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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

FILME: SHIRLEY VALENTINE - 1989


Direção: Lewis Gilbert - 1989
Duração: 104 min 

Há muito tempo desejava assistir, então hoje escolhi este filme.

Shirley (Pauline Collins) é uma dona de casa que passa seus dias cuidando do lar, vai ao mercado, limpa, cozinha, cuida do cachorro da vizinha, está sempre muito só e conversa com a parede, lembrando os tempos em que era Shirley Valentine e tinha muitos sonhos que foram se perdendo na vida. Seu marido Joe (Bernard Hill) também já não é o mesmo, perdeu toda sua alegria e agora é um chato, que chega em casa e quer tudo pronto, sendo que tem um cardápio definido para cada dia e não aceita mudanças. Ele acha Shirley uma tola que conversa com paredes. Seus filhos estão grandes e saíram de casa.

Um dia ela recebe um convite de sua amiga feminista Jane (Alison Steadman) para acompanha-la à Grécia. Shirley sempre sonhou em viajar, desejava ser aeromoça, o que acredita que sua principal inimiga do colégio se tornou. Inicialmente ela diz que não pode ir, mas Jane a incentiva defendendo seu direito à liberdade. Levando em conta alguns acontecimentos como seu marido lhe empurrando o prato de comida em cima dela por não ser o cardápio do dia, e com a volta de sua filha que a trata como a uma empregada e quando ela lhe conta que vai para a Grécia acho isto um total absurdo, ela vai.

Lá ela conhece Costas (Tom Conti) com quem tem um caso amoroso. Sua amiga Jane havia arrumado um namorado no avião e ficou com ele por uns dias, mas acaba de voltar e acha um absurdo o comportamento de Shirley.

Estamos diante de um quadro bem comum,infelizmente, onde uma mulher se transforma na empregada de todos, não tem desejos, não tem vontade própria, não pode sonhar. Tem que fazer exatamente aquilo que esperam que ela faça e não o que ela quer fazer. Mas Shirley aprende que a vida passa, e se não for para usá-la para aquilo que desejamos, então para que serve viver? Viver não é atender ao desejo do outro.

Até mesmo sua amiga Jane, quando se trata dela, tudo bem, ela vai com o namorado, mas assim que volta não aceita que Shirley também tenha arrumado alguém e que vai deixá-la por sua vez sozinha. Todos esperam que ela esteja a disposição deles. Um egoísmo tremendo. Somente seu filho a compreende. E ela pensa: quem vai sentir minha falta? Sentirão sim, na hora de fazer coisas, mas não da pessoa, do ser humano que também ama, sofre, ri, chora, e principalmente, deseja.

O que Shirley sente e se questiona é algo comum a todos nós, mas a coragem de mudar, de viver, de fazer algo é algo que poucos tem, e ela teve.

Além disto o filme vale pelas belas imagens da Grécia, o por do sol maravilho e o azul do mar, além de suas casa brancas.

Lewis Gilbert nasceu em 1920 em Londres, Inglaterra

sábado, 16 de agosto de 2014

FILME: QUARTETO - 2012


Direção: Dustin Hoffman - 2012 
Duração: 98 min 
Título Original: Quartet 

Em uma grande casa no meio de um parque belíssimo vivem vários idosos que são músicos e cantores aposentados. Eles passam o tempo lembrando os bons tempos, mas também continuam tocando e cantando. Todos os anos eles realizam uma festa com apresentações para arrecadar fundos para manter a casa. Cissy (Pauline Collins), Reggie (Tom Courtenay) e Wilfred (Billy Connolly) vivem lá e estão ensaiando para a apresentação. 

É quando chega uma nova moradora que ninguém sabe quem é. Trata-se de Jean (Maggie Smith), ex-esposa de Reggie que de início não fica nada satisfeito em vê-la ali. Mas logo os três pensam em reviver o quarteto que interpretou Rigoletto, porém Jean se recusa. 

O filme toca em temas da velhice, a perda da memória, as doenças, o corpo que já não é o mesmo. Novamente vemos pessoas mais jovens tratando idosos como se fossem débeis, o que não são, mas ali, os moradores tem respostas na ponta da língua. Chega a ser deprimente ver Wil ter que pedir a médica que cuida do local para poder ir jantar fora com os outros três afim de convencer Jean a cantar, ela impõe até horário que só é estendido após uma pequena chantagem feita por Wil. Este tipo de comportamento tão comum em nossa sociedade é algo que precisa mudar, idosos não são dementes, eles tem limitações naturais de sua idade, mas muitos ali são lúcidos e portanto capazes de escolhas. 

O encontro de Reggie e Jean trará a tona também velhas mágoas e será uma oportunidade de mudar isto. No fim ela aceita cantar, principalmente quando vê que sua concorrente na ópera irá cantar, como bom ser humano e como uma prima-dona, ela não irá permitir que ela brilhe mais do que ela. 

Um filme bonito, uma comédia dramática. 

Dustin Hoffman nasceu em 1937 em Los Angeles, Califórnia, EUA.