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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FILME: NOSTALGHIA - 1983



Direção: Andrei Tarkovski - 1983
Duração: 120 min
País: Rússia - Itália

Ganhador de três prêmios no Festival de Cannes de 1983 - Melhor diretor, Prêmio do juri ecumênico e Prêmio FIPRESCI. Foi indicado ao Palma de Ouro.

Tarkovski dedicou este filme à sua mãe. É seu primeiro filme fora da Rússia durante seu exílio na Itália. Ele mesmo não voltaria à Rússia e o filme fala também de como ele mesmo se sente.

O poeta russo Andrei Gorchakov (Oleg Yankovsky) encontra-se na Itália. Ele empreende uma jornada íntima e busca de si mesmo e de uma nova maneira de viver. Viaja pelo país em companhia de Eugenia (Domiziana Giordano) e chega a um vilarejo no norte da Itália, uma estação termal. Andrei está ali para pesquisar sobre a vida de um compositor russo, Beryózovsky (1745-1777) que viveu na Itália por vários anos até ser tomado por uma nostalgia de sua terra natal retornando. Porém, pouco tempo depois de retornar enforcou-se.



O filme fala sobre a nostalgia que acomete aos que estão longe de sua terra natal, da família, dos costumes, das tradições, da língua materna. Gorchakov encontra-se nesta mesma situação e o filme retrata seu estado mental, como se sente. 

Andrei vive uma situação difícil. Ele fica desorientado com o que vê, com a vida na Itália, principalmente com Eugenia, e não consegue incorporar estes novos momentos, estas situações ao seu passado, à sua história, e também não se liberta do passado, esta preso ali. Ele não consegue falar disto, não partilha seus sentimentos. O diretor Tarkovski chega a se referir ao que chama de "Apego fatal" dos russos à sua terra e origem. Isto me remeteu ao banzo, do povo Banto em relação à sua terra na África. 

O filme é dedicado à mãe de Tarkovski, à sua língua materna a qual ele está preso. É esta língua com todos seus laços afetivos que prende Gorchakov à sua terra. Somente nesta língua ele consegue constituir sua história, e ela está repleta da cultura, do cheiro, das paisagens, dos laços, colocando o exilado numa solidão imensa.



Andrei não responde ao interesse de Eugenia, o que ela não compreende e parte. Somente ao encontrar Domenico (Erland Josephson), considerado o louco da vila por ter mantido sua família durante sete anos presa em casa, ele começa a compreender o que sente. Num momento vemos no local onde mora Domenico - 1+1= 1. Sim, ambos fazem um. Estão presos, não estão ali e nem em outro lugar, onde estão? Andrei anseia pela totalidade da existência, mas não é capaz de encontrá-la, se é que ela existe. 

Já para Slavoj Zizek em seu livro "Lacrimae Rerum" nostalgia é um filme sobre a questão da mulher-mãe. Ele foca sua análise em Eugênia, histérica que tenta seduzir Andrei para satisfazer-se sexualmente e a imagem da esposa-mãe (Patrizia Terreno). Andrei rejeita a mulher histérica, tida como falsa e se apega a figura materna. 

De qualquer maneira em ambas as situações temos uma espécie de inércia, ou seja, ele não se move, quer de alguma maneira ficar no paraíso, retornar às origens, e portanto morre ao final. A última cena filmada na abadia de San Galgano em ruínas onde aparece a casa de sua mãe, a datcha e seu cachorro da infância, representa seu desamparo e solidão na Itália, a abadia que o envolve e seu desejo de retorno às origens, ao seu fantasma.




Andrei Tarkovski  nasceu em 1932 em Zavrazhye, na então União Soviética, hoje Rússia e faleceu em 1986 na França. 

domingo, 31 de maio de 2015

FILME: A ILHA - OSTROV - 2006


Direção: Pavel Lungin - 2006
Duração: 112 min
Título Original: Ostrov 
País de origem: Rússia 

1942, Segunda Guerra Mundial uma embarcação soviética que carrega carvão é capturada pelos nazistas. Um jovem marinheiro em pânico acaba atirando em seu amigo por ordem do inimigo, a seguir a embarcação explode, mas não sem antes o jovem marinheiro comemorar por estar vivo. 
Em seguida vemos monges que socorrem um jovem numa pequena praia, é o marinheiro. 

1976 - uma ilha no Mar Branco da antiga União Soviética, um monastério de monges ortodoxos. Várias pessoas aguardam, desejam falar com um velho monge, Anatoly (Pyotr Nikolayevich Mamonov), conhecido por seu poder de cura e visões. É um velho estranho, ele vive afastado dos outros numa cabana onde se aquece com fogo abastecido de carvão que ele vai buscar diariamente, enquanto os outros vivem em outras cabanas com aquecimento. São pequenas ilhas ligadas por pontes de madeira. Se chamam de irmãos e são chamados por pai. O pai Filaret (Viktor Sukhorukov) é o abade. Ele se dedica a pintar a iconografia ortodoxa. 

Anatoly nunca cumpre as regras do monastério o que deixa o pai Iov (Dmitri Dyushev) indignado, mas não há o que ele possa fazer, pois até mesmo o abade aceita Anatoly como é. Agora porque este velho monge é assim tão estranho? Pela culpa que carrega, pelo remorso, por não conseguir esquecer sequer um dia o que fez por medo em sua juventude, atirar em Tikhon (Yuri Kuznetsov). Ele buscou refúgio no monastério e com Deus para tentar aplacar sua culpa, mas não conseguiu. Talvez apenas um milagre posso fazer isto e ele possa então morrer em paz. 

É um filme sobre a culpa e o peso de carregar isto por toda uma vida, por não conseguir se libertar de seu passado. 




Pavel Lungin nasceu em 1949 em Moscou, Rússia.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FILME: ARCA RUSSA - 2002


Direção: Aleksandr Sokurov - 2002 
Duração: 99 min 
Título original: Russian Ark
País: Rússia 

Um cineasta russo atual acompanhado de um diplomata do séc. XIX no ano de 1700 percorrem o museu Hermitage em São Petersburgo na Rússia. Percorrendo 35 salas do museu sem cortes eles atravessam 300 anos da história russa do séc. XVIII até o séc. XXI.



O cineasta é russo e defende seu povo, sua arte e criação, o europeu procura compreender, por que tantas obras europeias ali. Eles não sabem como foram parar ali, simplesmente caminham pelas salas e através dos acontecimentos da história. Há os grandes personagens como Nicolau I, Pedro o Grande, Catarina II, Alexandra, e as belas obras de arte que o museu possui. Termina com o último baile no palácio de inverno em 1913, depois do que tudo mudará com a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e a Segunda Guerra. É como a arca de Noé que guarda, protege e salva do futuro todo esta passado histórico.



Um grande fantasia, mas que nos permite um vislumbre da história deste país.

O filme foi rodado em um único dia e foram utilizados mais de 3 mil figurantes.

Aleksandr Sokurov nasceu em 1951 em Oblast de Irkutsk, Rússia. Teve uma infância errante mudando para muitas cidades. Formou-se em História.


Música de Sergey Yevtushenko

Sergey Yevtushenko é um compositor russo, maestro e produtor musical.