Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo.
Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
Uma comédia e tanto. Trata-se de uma prostituta que sai para trabalhar, mas detalhe, é feriado em Curitiba, e todos viajaram, a cidade está vazia, e não tem clientes. Então ela passa a contar sua história.
Ela interage com a platéia, e obviamente o que mais se tem são boas gargalhadas. A peça também não deixa de ter seu lado crítico, seja sobre política ou sobre a cidade.
Uma comédia inspirada na cultura polonesa, da qual descende o autor (Gláucio Karas) contada por Isidório Duppa, um agricultor solteirão que se envolve com Keith Lua, uma garota de programa. Como a relação acaba não dando muito certo ela vai embora, mas ele recebe a conta pelo programa de 14 dias. Ao dizer que não vai pagar é ameaçado por Trambolhão e Isidório saiu pelo mundo contando sua história.
Já sua irmã, Flortcha Duppa, está tentando a vida na cidade e acaba conhecendo Trambolhão por quem se apaixona.
Elenco: Ademar Volpi, Ana Paula Machado, Edy Nascimento, Gláucio karas e William Barbier.
Assisti ontem no auditório da Casa de Cultura em Campo Largo. Baseado no livro psicografado de Chico Xavier, Nosso Lar.
André Luiz era médico na terra, ele morre de problemas no intestino, provavelmente um câncer, e encontra-se no umbral de onde é resgatado. A partir daí ele passa por estágios de recuperação e educação espiritual. Encontrará sua mãe que partiu antes dele e já se encontra em um plano mais elevado, quando ficará sabendo que seu pai permanece no umbral, mesmo tendo tido uma vida terrena que parecia a todos digna.
No início André Luiz deseja voltar, ainda mantém muito de sua vida terrena, como a vaidade por exemplo, mas aos poucos ele vai crescendo espiritualmente até chegar o dia que tem permissão de ver sua família na terra apenas para constatar que ali as coisas continuam, a vida continua e que somente uma de suas filhas ainda sente muita falta dele.
A peça é bem montada, os diálogos são instrutivos para os espíritos e para todos que buscam uma elevação espiritual.
Peça inspirada na canção Alfonsina y el mar interpretada por Mercedes Sosa e na vida e obra de Alfonsina Storni.
A peça retrata a vida de Alfonsina que nasceu na Suíça em 1892 e imigrou com seus pais argentinos para a San Juan em 1896. Poeta, escritora teve um grande amor do qual teve um filho. Em 1935 ela descobre que tem um câncer de mana e dois anos depois seu amigo Horácio Quiroga, escritor uruguaio se suicidou o que abalou muito Alfonsina. Três dias antes de se suicidar caminhando para dentro do mar enviou a um jornal o soneto "Voy a dormir".
Alfonsina foi um ícone na Argentina em 1920-1930. Mas também passou por muitas dificuldades financeiras, quando foi para Rosário onde trabalhou como costureira, operária, professora e atriz de teatro.Jovem integrou um grupo de teatro com o qual viajou muito até chegar a Buenos Aires em 1911, conheceu o pai de seu filho Alejandro que nasceu um ano depois.
Na peça Alfonsina está em um quarto já tomado pelo mar e através de um monólogo onde fala consigo mesma e com a platéia ela nos relata sua vida. Ela nos fala do pai de seu filho e de como eles dançavam, segurando um espelho no lugar dele, como se representasse que este amor seria um ideal de eu, se vendo refletida nele. Após o rompimento ela cobre o espelho com areia. Em seguida se envolve com vários homens e mais jovens e diz - não se preocupe, você não me magoa, quem me magoa são meus sonhos.
Foi um mulher a frente de seu tempo, considerada feminista, lutou por um lugar para si entre os homens. Ela mesma diz na peça que teve que viver como se fosse um homem.
Infelizmente no Brasil quase não se encontra muita coisa sobre Alfonsina Storni, ela é até mesmo desconhecida da maioria.
Direção: Aderbal Freire-Filho - 2013 De: Wajdi Mouawad
Recentemente assisti ao filme de Denis Villeneuve e considerei um dos melhores filmes que vi em 2014. Agora tive o privilégio de assistir a peça de teatro sob a direção de Aderbal Freire-Filho com Marieta Severo no papel de Navval.
Incêndios faz parte de uma tetralogia - Sangue das Promessas composta por Litoral, Floresta, Incêndios e Céus. Infelizmente não localizei no Brasil as outras três partes.
A peça pode ser considerada por três aspectos: pelo viés da história de Navval (Marieta Severo) e sua vida à qual ela tenta dar um sentido , pelo viés dos gêmeos, Simon ( Felipe de Carolis) e Jeanne (Keli Freitas) que partem em busca de sua origem após receberem cada um uma carta de sua mãe para ser entregue ao pai e ao irmão do tabelião Hermile Lebel ( Márcio Vito) , ou ainda pelo viés da história da guerra civil no Líbano, onde teríamos uma história de resistência.
A peça foca pouco no aspecto do conflito religioso da guerra civil do Líbano se atendo mais a Navval e seus filhos. Um drama, uma tragédia que é universal pois poderia ocorrer em qualquer lugar ou contexto, não necessariamente uma guerra civil, um contexto com violência, mas que não deixa de mostrar o que uma guerra pode provocar. A história seria outra sem o conflito que gerou ódios e mortes. Talvez Navval tivesse podido viver seu grande amor e criar seu filho, e sua vida teria tido um suposto sentido, mas como em toda tragédia, desde os gregos, não é assim que se passa.
"AQUELE QUE TENTA ENCONTRAR SUAS ORIGENS É COMO O ANDARILHO NO MEIO DO DESERTO QUE ESPERA ENCONTRAR, ATRÁS DE CADA DUNA, UMA CIDADE. MAS CADA DUNA ESCONDE UMA OUTRA E NÃO SE TEM POR ONDE ESCAPAR." Vvajdi Mouavvad
Buscar as origens, buscar quem eu sou? Navval diz várias vezes durante a peça: a infância é uma faca enfiada na garganta." Como tirá-la sem abrir uma ferida que não irá parar de sangrar?
O silêncio. Navval ficou durante 05 anos em silêncio. Por que? o que a calou? o indizível, o inefável. Ela deixa aos filhos a missão de descobrir o que não pode ser revelado e depois com isto poder ser falado. Mas será? Simon que criticou tanto o silêncio da mãe, se vê silenciado ao final. Está sem palavras. Talvez somente o teatro seja capaz da catarse.
O passado, o presente e o futuro estão ali no palco, simultâneos, reduzindo tudo ao presente, como um inconsciente atemporal. As cenas se sobrepõem, o passado passa por trás do presente, ou vice-versa.
O túmulo. Escrever o nome de sua avó no túmulo. Somente ter seu nome no túmulo quando a promessa se cumprisse, quando seus filhos encontrassem o irmão. A morte não encerra uma história, ela continua.
Voltarei a Incêndios após a leitura do livro.
Veja um trecho da peça:
Aderbal Freire Filho nasceu em 1941 em Fortaleza - Ceará.