Mostrando postagens com marcador Reino Unido. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reino Unido. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

FILME: MACBETH: AMBIÇÃO E GUERRA - 2015


Direção: Justin Kurzel - 2015
Duração: 118 min
País de Origem: Reino Unido - França - Estados Unidos

Macbeth (Michael Fassbender) e Banquo (Paddy Considine) são generais do exército do Rei Ducan (David Thewlis) da Escócia. Eles vencem uma revolta chefiada por Macdonwald e pelo Barão de Cawdor o que muito agrada ao rei. No caminho de volta os dois encontram-se com as três feiticeiras que lhes fazem profecias, saudando Macbeth como Barão de Glamis, Barão de Cawdor. Elas então dizem: Salve Macbeth, ainda serás rei! Menor do que Macbeth e maior! Nem tão feliz, entretanto muito mais feliz! E para Banquo - Tu engendrarás reis, embora nunca o sejas. 

A primeira profecia logo se realiza quando chegam os emissários do rei e saúdam Macbeth como Barão de Cawdor. Lady Macbeth (Marion Cotillard) que sofre por não poder dar um herdeiro à Macbeth incitará o marido para que haja e seja rei, matando o Rei Ducan durante seu pernoite na vila onde moram. A partir deste feito o medo e a culpa irá atormentar Macbeth que passará a agir para eliminar qualquer um que possa se intrometer em seu caminho, a começar por Banquo. Aos poucos todos estes atos de morte, o sangue em suas mãos que ele nunca mais limpará o leva cada vez a atos mais infames, movido pelo medo, pela ambição e pela ganância. 

Chega o momento onde Lady Macbeth já não suporta mais, o marido enlouquece, tem visões de todos que assassinou. Ele procura as feiticeiras e novamente ouve previsões, desta vez vindo de fantasmas de mortos: Cuidado com Macduff! Ninguém nascido de mulher poderá vencê-lo! Macbeth só será vencido quando o grande bosque de Birnam, subindo a alta colina de Dunsinane, marchar contra ele. 

Macbeth então decide atacar Macduff (Sean Harris), mas este fugiu. Ele então mata toda sua família, esposa e filhos. Lady Macbeth já não suporta. Ela morre. Macduff retorna para se vingar. Cerca o castelo, o bosque de Birman é incendiado, e sobe ao castelo em fumaça. Chega o momento do confronto entre Macbeth e Macduff, que vence ao dizer que nasceu de uma cesariana, retirado de dentro de sua mãe, não tendo nascido pelas vias normais. 

Macbeth era um homem bom, honrado, mas ao ouvir as profecias ele se deixa levar pela ganância e desejo de poder. Sua esposa o confronta ao seu desejo e ao dela, que também deseja ser rainha. Eles cometem o primeiro crime hediondo, com barbaridade. Mas a crença de que farei isto somente para atingir o poder e depois viveremos em paz não funciona, a culpa e os fantasmas os perseguem. O medo de que outro se apodere do trono fazendo com que este ato criminoso se torne vão o leva a cometer outros na ilusão de desta forma ficar livre. Lady Macbeth é perseguida pelas manchas de sangue que não consegue limpar. Ele aos poucos enlouquece. 

Após vencerem a batalha ambos, Macbeth e Banquo, podem estar desejando a recompensa do feito, eles lutaram e venceram para que o reino da Escócia seja livre, então provavelmente inconscientemente desejavam a coroa. Isto se projeta nas feiticeiras que verbalizam o desejo. A questão é que um será rei e o outro pai de reis. Há um descompasso entre os dois que desejam a mesma coisa, mas se por um lado Banquo se ressente por nunca ser rei, Macbeth se angustia por não ter descendência, levando seu ato criminoso a um final, sem continuidade e que vai perdendo a razão de ser. O homem deseja a imortalidade. 

Se as feiticeiras não surgissem, o desejo inconsciente de ambos teria ficado adormecido, em sonhos, mas ao serem simbolizados pela palavra passam ao consciente, e daí para a ação. Por outro lado o rei Ducan é uma figura paternal, era um velho de barba branca. Aqui então temos o parricídio. Outro ponto é que no inicio do filme vemos um Macbeth temeroso, em dúvida, que quer desistir. É lady Macbeth quem o instiga, como uma mãe ao filho, mas depois ocorre a inversão, é ele quem comanda e ela aos poucos definha. 


Justin Kurzel nasceu em 1974 em Gawler, Austrália

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FILME: CAROL - 2015


Direção: Todd Haynes - 2015
Duração: 118 min
País de Origem: Reino Unido - Estados Unidos


Este filme é de uma delicadeza ímpar, e a parte o amor homossexual, o que mais me chamou a atenção foi o enfoque no amor feminino. Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha numa loja de departamentos na sessão de brinquedos infantis, vive sozinha e tem um namorado. É época de natal, e Carol (Cate Blanchett), uma mulher elegante e refinada vai até a loja em busca de uma boneca para sua filha e é atendida por Therese. 

Carol é casada com Harge (Kyle Chandler) de quem está se divorciando. Há uma troca de olhares entre ela e Therese logo no início do filme, mas a aproximação das duas se dará pela solidão de ambas, pela insatisfação com suas vidas, pelas restrições que a sociedade impõe e pelo que espera da mulher, o que nem sempre está de acordo com ela deseja. 

Quando o marido de Carol a impede de passar o natal com sua filha, exigindo que ela vá junto passar com sua aristocrática família que condena o comportamento de Carol e sua amizade com Abby, madrinha da menina, ela se revolta e decide convidar Therese para fazer uma viagem com ela.

Carol está passando pelo processo de divórcio e a questão da guarda da filha, sendo que foi acusada de comportamento imoral devido sua relação com Abby. Esta viagem aproximará de vez ela com Therese, mas elas não sabem que estão sendo seguidas. 

O que toca é o singelo, a delicadeza, a busca de ser feliz, de poder viver sua vida. O que enfrentam, principalmente Carol, numa época onde o homossexualismo era condenado pela sociedade, o que talvez não difira muito de hoje no sentido do moralismo, uma vez que ainda é tabu. Sem apelos ao erótico, apesar de sua presença sutil, sem apelos ao vulgar, o filme nos traz duas mulheres apaixonadas que encontram uma na outra um sentido para suas vidas tão vazias até aquele encontro. O quanto esta relação transforma as duas. 


Todd Haynes nasceu em 1961 em Encino, Los Angeles, Califórnia, EUA. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

FILME: 45 ANOS - 2015



Direção: Andrew Haigh - 2015
Duração: 95 min
Título Original: 45 Years
País de Origem: Reino Unido

O que faríamos se ao completar 45 anos de casados nos víssemos frente a um fantasma da juventude e nos confrontando com o real de qualquer relacionamento, por mais antigo que seja, de que nunca conhecemos ao outro. Kate (Charlotte Rampling) está diante desta situação quando seu marido Geoff (Tom Courtenay) recebe uma carta informando que o corpo de sua namorada e primeiro amor foi encontrado congelado nos Alpes Suíços reavivando algo nunca morreu de fato. 

Geoff era apaixonado por Katya e ela morreu ao cair numa fissura nos Alpes num momento onde Geoff se deparava com uma crise de ciúmes em relação ao guia. A carta mexe com Geoff que passa a se comportar de uma forma diferente enquanto Kate se dá conta de apesar de saber da história há muito que não lhe foi contado. 

O filme é belíssimo. Nos mostra o cotidiano deste casal que mora no campo, que estão casados há muitos anos e tem sua rotina estabelecida. Estão prontos para comemorar com uma festa seus 45 anos de casados. Mas esta carta mexe com toda esta estrutura de vida em comum. Kate se dá conta que Katya é um morto insepulto, que durante todos estes anos esteve presente não só na mente e coração de Geoff como em sua casa através de coisas guardadas no sótão ou de um perfume que ele gosta de usar. Ao decidir enfrentar Kate acaba descobrindo muito mais do que sabia e se no início consegue ouvir Geoff falar dela chega um momento em que não pode mais. 

Geoff enfrenta seu luto, sua perda, sua dor. Kate precisa encarar que este fantasma esteve sempre ali e obviamente as dúvidas surgem: quem ele ama? ele ainda a ama? ele me amou? 

Por mais que se fale há coisas que não se explicam, ou não convencem quando uma dúvida surge. A confiança de anos, a certeza de que sabemos tudo do outro, o que é ilusório, mas acreditamos nisto, que conhecemos nosso companheiro, e de repente não é nada disto. As certezas desmoronam, e estamos diante da falta de controle que gostamos de ter, ou imaginamos ter. Afinal, quem é este com quem estou casada há 45 anos? 

Geoff está diante de uma revivência? ou realmente passou todos estes anos se enganando? ou silenciado? A impressão que passa é que cristalizou o momento, o luto não foi feito, não havia corpo para sepultar. Então isto não havia se encerrado, ficou latente. Uma contingência que afeta toda sua vida. E é preciso continuar, fazer outras escolhas. Geoff escolheu Kate, Kate escolheu Geoff. Este é o momento deles, mas o que cada um traz em si permanece, algumas vezes elaborado, outras não. 

Há uma inversão no final do filme, quando talvez Geoff finalmente encerra este momento do passado e assume sua escolha, e Kate talvez passe a viver a dúvida do que tinha como certo. A cada um sua interpretação do final. 

Andrew Haigh nasceu em 1973 em Harrogate, Reino Unido.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

FILME: AS SUFRAGISTAS - 2015



Direção: Sarah Gavron - 2015
Duração: 106 min
Título Original: Suffragette
País de Origem: Reino Unido

1912 - Reino Unido, após 50 anos de luta pacífica para obter o direito de voto para as mulheres um grupo de militantes conhecidas como sufragistas decidem partir para a ação com atos mais violentos como quebrar vidraças de vitrines, explodir caixas de correio para chamarem a atenção sobre suas reivindicações. A líder do movimento é Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), mas quem realmente luta são mulheres pobres, trabalhadoras, vítimas da opressão masculina e algumas mulheres que possuem educação como Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) que tem o apoio de seu marido. 

Vemos um retrato da vida das mulheres na época. Destinadas ao casamento não tinham nenhum direito exceto o de trabalhar e ganhar menos que os homens, cuidar da casa, do marido e dos filhos. Além disto sofriam assédio sexual e não tinham como se defender disto. 

Maud Watts (Carey Mulligan) é uma destas mulheres, casada com Sonny (Ben Whishaw) tem um filho, Georgie, e trabalha numa lavanderia, no mesmo local onde seu marido trabalha, porém os homens tem trabalhos externos enquanto elas sofrem problemas respiratórios e de pulmão, além de ganhar bem menos. Maud não fazia parte das sufragistas até se aperceber do movimento, aos poucos ela começa a participar e pagará um preço alto por isto. Seu marido a expulsará de casa por se sentir desmoralizado, envergonhado com os atos dela, e depois ele irá dar o filho em adoção alegando que não tem como cuidar dele. Mas ao invés de com isto fazer Maud desistir, ela se dá conta do quanto não pode se defender nem ao seu filho, ou seja, que não tem direitos. É a partir deste momento que ela passa a se considerar uma sufragista e irá lutar junto as outras mulheres. 

Há cenas de violência contra as mulheres pela polícia e elas são presas, várias vezes. O inspetor Arthur Steed (Brendan Gleeson) é o responsável por contê-las o que ele tenta de todas as formas, mas apesar de tudo elas são persistentes e ousadas, e chegam ao ponto de chamar a atenção de todos através de um ato de Violet Miller (Anne-Marie Duff) diante do rei, o que acaba lhe causando a morte. Mas foi neste momento que a comoção foi geral e o passo maior está dado, mas o direito ao voto elas só obterão em 1918. 

A grande questão deste filme é que se ele se passa em 1912 ele trata de um assunto que é absolutamente atual. As mulheres conseguiram muitos avanços e conquistaram muitos direitos, mas mesmo nos países ocidentais até hoje elas ganham menos. Isto para não falar dos países onde ainda nem conseguiram o direito ao voto. Na Arábia Saudita somente no ano passado, em 2015, as mulheres votaram pela primeira vez. 

Sarah Gavron nasceu em 1970 no Reino Unido.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

FILME: CHÁ COM MUSSOLINI - 1999



Direção: Franco Zeffirelli - 1999
Duração:117 min
Título Original: Tea with Mussolini
País de Origem: Itália - Reino Unido

Florença, ali vivem algumas senhoras britânicas - Mary (Joan Plowright), Arrabella (Judi Dench) e Hester (Maggie Smith) conhecidas como escorpiões. Além delas há também duas americanas, Georgie,uma arqueologista (Lily Tomlin) e Elsa (Cher) mulher rica que se dedica a colecionar arte. 

Luca é um garoto que nasceu de uma relação fora do casamento de seu pai. Sua mãe morreu e o pai o colocou num orfanato. Mary é sua secretária e fica indignada com a falta de carinho e amor por parte do pai e as agressões histéricas de sua mulher para com a criança. Luca foge do orfanato e Mary o encontra, é quando toma a decisão de ficar com ele. Ele será em seguida enviado para a Áustria para estudar. O tempo passa e estamos a beira da Segunda Guerra Mundial. 

Hester viúva de um diplomata mantém toda sua arrogância e pompa, vive criticando a todos e devido o fato de haver tomado chá com Mussolini se acha plenamente segura na Itália, o que irá descobrir não ser verdade. A Inglaterra é inimiga do eixo, e portanto logo elas serão todas presas. É quando Luca retorna, já um jovem e entra para a resistência. Todas irão depender de suas ações para atravessarem este difícil período. 

Este filme é semi autobiográfico, pois Zeffirelli é filho ilegítimo de um comerciante de tecidos e de uma costureira. Após a morte de sua mãe quando ele tinha 06 anos foi criado por um grupo de atrizes inglesas conhecidas como "os escorpiões". 

Franco Zeffirelli nasceu em 1923 em Florença, Itália 

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

DOCUMENTÁRIO: AMY - 2015


Direção: Asif Kapadia - 2015
Duração: 127 min
País de Origem: Reino Unido e Irlanda do Norte

Documentário sobre a vida de Amy Winehouse (1984-2011)

O filme inicia em sua juventude e traz lembranças da infância e vai até sua morte aos 27 anos em 2011. Uma vida trágica, auto destrutiva analisada com toques sutis da psicanálise.

Uma infância de abandono com seu pai sempre ausente que ela idolatrava e uma mãe que não tinha autoridade para impor limites. Amy passa a buscar alguém que a freie, limite, que lhe diga o que pode e não pode. Tem uma voz maravilhosa mas que destoa da época. Apaixona-se perdidamente por Blake Fielder-Civil que após um tempo de namoro a abandona, retornando a sua vida mais tarde e casando-se com ela, para depois divorciar-se. 

Sua carreira é meteórica, passa a ganhar milhões e é o momento onde seu pai se torna presente em sua vida, mas interessado em gerenciar esta carreira e os milhões que ela representa, aparecendo neste documentário como uma pessoa interesseira que não se importa com os sentimentos da filha, suas dificuldades, sua carência e necessidade de um pai, não de um empresário. 

A paixão por Blake é sua destruição, ela mesma o diz em um momento que é o amor que a mata. Ele a introduz no mundo das drogas do qual não consegue mais sair. A bulimia, que já demonstra claramente questões patológicas em sua vida. O assédio inescrupuloso e constante da mídia que não a respeita em momento algum. 

Ela compõe músicas para expressar o que sente, fala pela música. As cenas que ela canta são belíssimas. Sua voz é extraordinária, e o jazz é a única coisa que a faz viver. 

Recomendo!!!
Asif Kapadia nasceu em 1972 em Hackney no Reino Unido


Música Back to Black (Youtube) 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

FILME: UM POUCO DE CAOS - 2014


Direção: Alan Rickman - 2014
Duração: 113 min
Título Original: A Little Chaos
País: Reino Unido

Assisti recentemente "Versailles - o sonho de um rei", documentário com atores, que já postei aqui no Blog. Este filme nos fala do mesmo tema, porém de forma ficcional através de personagens históricos. 

O Rei Luís XIV (Alan Rickman) incumbe o arquiteto André Le Notre (Mathias Schoenaerts) dos jardins de Versailles. Este já assoberbado com a construção de Versailles contrata uma paisagista - Sabine de Barra (Kate Winslet).

Sabine tem um perfil independente, e seu estilo é o oposto ao do famoso arquiteto, mas mesmo assim ele aposta nela apesar das desavenças. Aos poucos eles se aproximam, se tornam mais íntimos, e isto irá incomodar a esposa de Le Notre (Helen McCrory) que visa somente seus interesses junto à corte, e fará de tudo para que o projeto não dê certo. Mas as coisas na corte mudam, a rainha falece e a preferida do rei perde seu lugar, à qual a esposa de Le Notre era ligada. Por outro lado Sabine se aproxima do rei sem o desejar, num encontro por acaso.

Um filme para relaxar. Ao final o que Sabine projeta e constrói é a Sala de bailes, conhecido mais por Rocailles, um lugar místico dos jardins de Versailles.




Alan Rickman nasceu em 1946 em Hammersmith, Londres, Reino Unido.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

FILME: NARCISO NEGRO - 1947


Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger
Duração: 104 min
Título Original: Black Narcissus
Roteiro: Michael Powell e Emeric Pressburger 
País: Reino Unido

Baseado no Romance homônimo de Rumer Godden 

Um grupo de freiras lideradas pela jovem Irmã Clodagh (Deborah Kerr) é enviado para um antigo palácio no Alto do Himalaia para estabelecer um convento. Elas serão recebidas por Mr. Dean (David Farrar) um estrangeiro que vive há tempos por ali. O povo local é cheio de crenças e medos, mas estimulados por um pagamento que recebem do líder local eles vão ao Convento onde as freiras oferecem atendimento médico e dão aulas. 




Porém, a presença de Mr. Dean afeta as freiras com sua presença, principalmente Irmã Rose (Kathleen Byron) que já era vista com pouca vocação. A atenção que ele dá à Irmã Clodagh despertará nela os piores sentimentos humanos, o ciúme, a inveja e raiva. Por outro lado a superiora também será afetada pela presença deste homem, lutando contra isto. O desejo que é recalcado pela missão religiosa aparece e pode levar a atos inimagináveis antes. Irmão Rose é quem mais sofrerá e seu desejo por Mr. Dean a levará a insanidade. 



A solidão no alto da montanha, o efeito da natureza como o vento que sopra constantemente, o abismo que as rodeia, tudo isto as afetara psicologicamente.O local acaba provocando em todas elas lembranças do antes de se tornarem freiras. Antes de ser transformado em convento o lugar era uma casa de mulheres, um harém, e possui em suas paredes pinturas eróticas. 



Apesar de ser um filme antigo as paisagens são muito bonitas, assim como a cultura local  é interessante. De uma feita ao tentarem ajudar uma criança que estava à morte e lhe dar um remédio serão acusadas de feitiçaria após a morte da criança. São mundos opostos, e a presença cristã ali não é assimilada. 




Um filme que nos fala do lugar do psiquismo diante de lugares e culturas diferentes capazes de afetar o inconsciente trazendo a tona o recalque, seja de uma vida passada que a opção pelos votos obriga a deixar para trás tentando apagar todos os traços de uma vida anterior, seja despertando novamente o desejo.

Michel Powell nasceu em 1905 em Bekesbourne, Reino Unido e faleceu em 1990 em Avening, Reino Unido e Emeric Pressburger nasceu em 1902 em Miskolc, Hungria e faleceu em 1988. 

domingo, 26 de julho de 2015

FILME: TERRA D'ÁGUA - 1992


Direção: Stephen Gyllenhaal - 1992
Duração: 95 Min
Título Original: Waterland
Roteiro: Graham Swift 
País: Reino Unido e Irlanda do Norte

Um filme sobre as consequências de atos da juventude que acabamos carregando por toda uma vida e também de nossa história familiar e que se refletem nas escolhas que fazemos. 

O professor de História Tom Crick (Jeremy Irons) sofre críticas de seus alunos, principalmente de um deles, Price (Ethan Hawke) que questiona para que serve a História e usa o discurso do fim da História. Diante de jovens que não conseguem mais visualizar a importância desta disciplina e que influenciam inclusive as decisões da escola em Pittsburg , uma vez que se valoriza a produção e ganhar dinheiro e se esquece que é preciso também aprender a viver, o professor mostra que somos todos história, e o faz de uma forma diferente contando sua própria história que começa na Inglaterra.

É interessante a forma como foi filmado as lembranças do professor, levando a todos para a época vivida, como ocorre no filme (mini-série) O mundo de Sofia - Romance da filosofia, ou apenas como uma lembrança. A história de vida de Crick e de sua esposa Mary (Sinédia Cusack)  é revivida desde a juventude e está repleta de descobertas, amor, crueldade, incesto, sexualidade, culpa, dores que nunca foram resolvidas, mas é justamente trazendo este passado à tona e ao revive-lo de outra maneira, com outro olhar e significação, que é possível sim encerrar uma etapa da vida, mas ela continua, e é aí que está a possibilidade de uma vida ter outros finais, e não apenas uma que termina. 

Fugir não resolve, negar também não, esquecer não é possível, somente lembrando se esquece. Tom e Mary tentaram esquecer mudando-se para outro continente, mas não é a distância física que modifica algo, você se carrega junto em qualquer viagem, é preciso sim enfrentar o passado, interpretá-lo, falar sobre ele, pois somente assim os fantasmas nos deixam. 

Stephen Gyllenhaal nasceu em 1949 em Cleveland, Ohio, EUA. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: MR. TURNER - 2014


Direção: Mike Leigh - 2014
Duração: 150 min
País: Reino Unido

Não conhecia o pintor J.M.W. Turner e fiquei literalmente encantada com a luminosidade de seus quadros.

Turner (Timothy Spall) é um pintor inglês impressionista. É fascinado pelas luzes e pelo efeito que produz sobre o mar, as cidades, nas paisagens.
Ele vive com seu pai William Turner (Paul Jesson) em Londres, tem duas filhas, mas não é casado, e está sempre renegando-as. Sua vida é dedicada a pintura. É interessante ver o procedimento de preparo de tintas que seu pai faz ou ele mesmo. Turner está sempre a procura de lugares onde ele possa vislumbrar a iluminação para projetá-la em seus quadros.  Não há muito para falar do filme, é necessário assisti-lo para compreender a beleza de seus quadros, compreender o que ele viu e depois pintou e que muitas vezes ninguém compreendia do que se tratava.


Ele tem uma senhorinha, Hannah Danby (Dorothy Atkinson) que mora na casa dele com a qual mantém relações sexuais, um pouco abusivo de sua parte, mas de qualquer maneira ela aceita, pois é apaixonada por ele, e cuida de tudo para ele.  Quando ele conhecer a Sra. Booth (Marion Bailey) e for morar com ela, apesar de manter seu atelie antigo, ela irá sofrer ao descobrir. A Sra. Booth será uma nova luz na vida de Turner após a morte de seu pai. 


O belo do filme é a maneira como Turner capta a natureza, as paisagens, e principalmente a luz. Como por exemplo, ao se deparar com uma locomotiva a vapor.



Seu atelie era um lugar que sempre precisava de luz, grandes janelas.



Seus últimos anos foram felizes ao lado da Sra. Booth. Ele compra uma casa em Londres onde eles passam a maior parte do tempo e onde ele virá a morrer.


Em uma ocasião lhe fizeram uma oferta milionária por todos seus quadros, ele, porém recusou, pois seu desejo é que sua pintura fosse vista por todos e ficasse exposta e não oculta na coleção de algum milionário. Sorte nossa!



Mike Leigh nasceu em 1943 em Welwyn, Reino Unido

Joseph Mallord William Turner - J.M.W. Turner nasceu em 1775 em Covent Garden, Londres, Reino Unido e faleceu em 1851 na mesma cidade. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

FILME: TESTAMENT OF YOUTH - 2015


Direção: James Kent - 2015
Duração: 128 min
Título Original:
País: Reino Unido

Baseado no livro autobiográfico homônimo de Vera Brittain 

Não conhecia nada sobre ela e ao procurar pelo livro também não encontrei nada traduzido no Brasil escrito por ela. Infelizmente ainda carecemos de muitas traduções. 

Trata-se da história da vida de Vera Brittain (Alicia Vikander) quando jovem até logo depois da Primeira Guerra. Seu maior desejo era entrar em Oxford, porém naquela época isto não era exatamente o que os pais sonhavam para suas filhas, queriam que elas se casassem, mas Vera dizia que não iria se casar. Precisou contar com a ajuda de seu irmão Edward (Taron Egerton)  para conseguir convencer seu pai a deixá-la tentar.

O filme inicia-se em sua juventude onde costumava nadar num lago com seu irmão e o amigo deste Victor (Colin Morgan) que se apaixonou por Vera. Roland (Kit Harington) também chega e justo num momento em que ela está enfrentando seu pai devido os estudos, pois ele havia comprado um piano, o que ela não desejava. Vera e Roland se apaixonarão. Ela é admitida em Oxford contras as expectativas, mas seu sonho de ir para lá com os rapazes é desfeito pela guerra. Ela irá sozinha.

É triste ver o entusiasmo que se apodera dos jovens diante de uma guerra, e se não for assim é devido uma questão do social, o que dizer aos amigos se você também não for, os três rapazes acabam indo para a guerra e Vera pelo desejo de também ser útil se torna enfermeira. Roland é o primeiro a morrer, seguido de Victor. Então Vera pede para ir para o front na França onde ela consegue salvar seu irmão já considerado morto, mas a guerra irá pegá-lo novamente. Os três morreram. Vera retoma seus estudos e inicia sua vida de pacifista, vindo a se tornar uma escritora mais tarde.

A guerra é algo que modifica totalmente a vida das pessoas, a juventude que se perde, a alegria de viver, é preciso se recuperar depois quando é possível. Algumas pessoas não conseguem aceitar, como a mãe de Vera (Emily Watson) que entra em crise porque a cozinheira foi embora, pela falta de alimentos para comprar, o que diante do horror do front não é nada.

O interessante é a vida desta mulher, que soube fazer da guerra uma causa, o pacifismo, e também de seu feminismo, a busca da liberdade da mulher, que naquela época era destinada ao casamento. Quando prestou os exames em Oxford para os quais estudou sozinha foi surpreendida por uma prova de latim, não sabia nada, mas não desistiu e acabou escrevendo em alemão. A coordenadora (Miranda Richardson) inicialmente a desprezou como uma filha mimada, mas acabou aprovando-a por verificar sua capacidade e originalidade. Vera novamente enfrentará esta questão com a chefe das enfermeiras que a julgava intelectual demais para isto, e conseguirá mostrar de que era capaz.

Vera Brittain 

Edward , Roland e Victor 

Vera Brittain 

Vera Brittain e Alicia Vikander 


James Kent 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

FILME: A DAMA DOURADA - 2015



Direção: Simon Curtis - 2015
Duração: 109 min
Título Original: Woman in Gold
País: Reino Unido e Estados Unidos

Adaptação do livro homônimo de Anne-Marie O'Connor 

Li o livro há um tempo e está postado aqui no Blog. Trata-se da história da obra-prima de Gustav Klimt, o retrato de Adele Bloch-Bauer, da história de sua família na Segunda Guerra quando os nazistas entraram na Áustria, e do roubo de obras de arte. 


O filme foca mais na história do quadro, trazendo apenas através das lembranças de Maria Altmann (Helen Mirren), sobrinha de Adéle e legítima herdeira do quadro, algumas passagens do que ocorreu na Áustria, o suficiente para a compreensão do roubo e de como sua família foi atingida, para que possamos acompanhar a luta pela recuperação do quadro. Para uma história mais completa recomendo a leitura do livro. 



O filme inicia nos Estados Unidos quando Maria decide tentar recuperar o quadro, após encontrar uma foto dele nas coisas de sua falecida irmã. Para isto ela pede ajuda ao filho de uma amiga, um jovem advogado , Randol (Ryan Reynolds), inexperiente ainda mas que após ir à Áustria será tocado pela história de sua família que também eram judeus e viviam lá, e com isto ele abraçará a causa de outra forma do que apenas por dinheiro. 



Será uma luta árdua nos tribunais, uma vez que a Áustria não está disposta a abrir mão do que considera sua "Monalisa" e menos ainda de ter que admitir o que realmente fizeram e de como receberam os nazistas de braços abertos. Mas atualmente há pessoas no país que já não aceitam isto e se envergonham, e para tanto desejam se redimir e limpar a memória de seus antepassados. Maria e Randol terão a ajuda de Hubertus (Daniel Brühl). 

A primeira tentativa na Áustria não surtirá efeitos. Eles iniciaram um processe de restituição de obras de arte roubadas, mas não destas grandes, isto eles não querem fazer. Alegam que Adéle doou em testamento o quadro ao museu, o que porém não é verdade, uma vez que o proprietário do quadro era seu marido que fugiu durante o nazismo e deixou seus bens para suas sobrinhas. E Adéle jamais teria expressado este desejo, porque era isto que era o suposto testamento, se tivesse vivido o suficiente para ver o que aconteceria em seu país. 

Será preciso que surja a brecha para poder entrar com o processo nos Estados Unidos, uma vez que levar aos tribunais na Áustria é impossível pelo valor do custo. É a partir deste momento que as coisas começam a mudar. 

Há filmes e livros sobre o roubo das obras de arte pelos nazistas, mas este livro e filme se diferenciam porque contam a história do quadro e da família. 


Simon Curtis nasceu em 1960 em Londres, Reino Unido

quarta-feira, 1 de julho de 2015

FILME: SUITE FRANCESA - 2014


Direção: Saul Dibb - 2014
Duração: 102 min
Título Original: Suite Française
País: França - Bélgica e Reino Unido


Adaptação do livro homônimo de Irène Némirovsky.

Tenho o livro, mas ainda não o li. Irène Némirovsky começou a escrever Suite Francesa em 1941 enquanto estava refugiada num povoado francês. O que ela se propõe é levar para a ficção o que vivenciou na França durante a ocupação alemã. É um retrato impiedoso e voltado muito mais para alma humana e de como age o ser humano diante da guerra. O filme inicia com a fuga dos parisienses para o interior da França e a chegada dos alemães nestas regiões. Irène não chegou a terminar o livro, ela foi presa e levada para Auschwitz e morreu no campo de concentração. O manuscrito foi salvo, mas ficou desconhecido durante mais de 60 anos, sendo entregue para ser editado pela sua filha. 






Lucille (Michelle Williams) mora num povoado do interior com sua sogra Madame Angellier (Kristin Scott Thomas), uma mulher soberba e autoritária, que parece ignorar os fatos até que os alemães chegam ali e um deles vai se hospedar em sua casa. Aos poucos vamos vendo que se por um lado ela se interessava pelos lucros, por outro ela se mantém francesa e decidida a ajudar seu país, mas principalmente as pessoas perseguidas pelos nazistas, como Benoit (Sam Riley). Lucille, sua nora, cujo marido está na guerra, acaba se apaixonando pelo alemão que está na casa, Tenente Bruno von Falk ( Matthias Schoenaerts) e ele por ela. Mas este é um amor impossível neste contexto o que Lucille logo descobrirá. 





O que Irène descreve muito bem é como as pessoas agem. Vemos alemães ruins e cruéis, mas também vemos alemães como o Tenente Bruno que sofre com tudo aquilo, mas tem que se manter em seu lugar e agir de acordo. Já por outro lado muitas pessoas se aproveitam da situação para pequenas vinganças, e isto acaba criando situações tristes e doloridas para todos. Já aqueles que antes eram tidos como ruins, são capazes de gestos nobres e belos. A guerra retira as máscaras. 



Um belo filme. 

Saul Dibb nasceu em 1968 em Londres Reino Unido 

Irène Némirovsky nasceu em 1903 em Kiev, Ucrânia e faleceu em 1942 em Auschwitz, Polônia.