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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

FILME: CRIME E CASTIGO - 1998



Direção: Joseph Sargent - 1998
Duração: 120 min 
Título original: Crime and Punishmnet 
Roteiro: David Stevens 
País: Estados Unidos

Baseado no livro de Fiódor Dostoiévski 

Rússia, 1856. A miséria imensa em contraste com o luxo. A mulher mal remunerada naquilo que podia fazer. O assédio dos homens sobre as mulheres pobres que dependem do emprego. O pai e os irmãos são os responsáveis pelas mulheres. Muitos filhos.

Rodya Raskolnikov (Patrick Dempsey) é um professor, culto, brilhante que pertence a um grupo de anarquistas e comete um atentado contra o Czar mas não o acerta. É liberado, mas suspenso de suas funções na Universidade. Vive em dificuldades e quando sua irmã Dounia (Lili Horvath)  perde o emprego por causa do assédio do marido da patroa a situação fica difícil. Para resolver esta situação sua irmã aceita o pedido de casamento de um homem rico que não ama, e ele para tentar impedir que sua irmã se case e seja infeliz acaba cometendo um crime.

Ele sempre resolvia seus problemas de dinheiro penhorando algo com sua agiota que sempre tratava a quem a procurava com desprezo e vivia às custas do infortúnio dos outros. E será a ela que ele matará para roubar-lhe o dinheiro, mas é surpreendido pela irmã da agiota e terá que matá-la também cometendo um duplo homicídio.

Será esta segunda morte que irá atormentá-lo com a culpa. Ele considerava a agiota má e cruel com os outros e por isto matá-la é um bem para todos, mas não sua irmã.

No dia do assassinato assim que chega em casa recebe uma intimação da polícia. Como ele sabe o que fez e a culpa pesa, ele tem medo, mas no fim era por causa dos aluguéis atrasados.

A polícia começa a investigar o crime e o investigador Porfiry (Ben Kingsley) logo descobre que foi ele, mas não tem provas. Quando a consciência pesa fica escrito no rosto, e o investigador era extremamente perspicaz. Inicia-se um jogo de gato e rato, o inspetor não tem pressa, observa e espera que o criminoso confesse.

Enquanto isto Rodya se consola com Sônia (Julie Delpy) , uma jovem que precisa se prostituir para comer. O tempo passa e a culpa aumenta, ele não consegue mais ter paz, não dorme direito, fica doente, sua vida vira um inferno até que finalmente ele confessa à Sônia que irá convencê-lo a se entregar.

Sua paz só poderá retornar se ele pagar pelo que fez. Sua redenção e renascimento só se dará com o castigo, após confessar e arcar com as consequências de seu ato.

O filme retrata o inferno da culpa. Alguns assassinos não sentem culpa e por isto não está escrito em seu rosto sua aflição e inferno interior, mas Rodya não é um assassino assim, ele agiu pelo desespero, e depois teve que arcar com isto. Sua saída era se auto-castigar e por isto chega a ficar doente. Se analisarmos bem sua culpa se inicia com o atentado, pois se não o comete não teria perdido seu posto na Universidade e poderia ter tido melhores condições financeiras. E ele não soube lidar com isto, levando-o ao assassinato por dinheiro.

A ironia do filme é que o dinheiro do crime nunca foi usado. O dinheiro apareceu por outros caminhos.

Joseph Sargent nasceu em 1925 em Jersey City, New Jersey, EUA. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FILME: MEDEIA - 1988


Direção: Lars Von Trier - 1988
Duração: 76 min 
Título original: Medea 
Roteiro: Lars von Trier - Preben Thomsen 
País: Dinamarca 

Baseado na adaptação de Medea de Carl Theodor Dreyer. 

Medea (Kirsten Olesen) , sua história é conhecida, Eurípedes foi seu autor. Uma mulher traída e a que ponto chega sua vingança, seu ódio, sua dor. Ela mata os filhos por ser a única coisa que poderia atingir Jasão (Udo Kier) , lhe tirar algo também.



Lars Von Trier nos apresenta uma Medea terrível, atormentada. Quando Medea puxa a padiola com seus filhos e atravessa um túnel com seres loucos o que Von Trier nos mostra é a loucura, seu interior, toda a dor e ódio que ela carrega junto ali, e ela sofre para puxar a padiola, como pesa, avança com todo este peso da loucura.

Ela é uma mãe carinhosa, amorosa, lambe a ferida do joelho de seu filho, mas a mulher ferida e traída sobrepõe-se à mãe. Ela mata a rival, o pai dela que havia decidido pelo casamento de Jasão e pelo seu exílio com os filhos, e mata seus filhos partindo em seguida.



Terrível, mas não inacreditável. Quantas vezes vemos isto? pai ou mãe que matam seus filhos?

Assustador, mas não estranho nem impossível.  No final do filme ele diz que há coisas que Deus pode fazer e são inacreditáveis, um tremendo soco no estômago.

Lars Von Trier