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segunda-feira, 8 de maio de 2017

FILME: EDVARD MUNCH - A vida do pintor de O Grito - 1974



Direção: Peter Watkins - 1974
Duração: 221 min
País de Origem: Noruega - Suécia

São 4 horas de duração que apreciei a cada minuto. A arte de Munch sempre me interessou e mesmo não sendo quadros que se poderia chamar de bonitos são de uma beleza imensa e intensa, retratando o interior do pintor, o que via e sentia. Acompanhamos toda a criação artística que reflete sua vida. Aliás o filme é considerado um dos melhores filmes já realizados sobre o processo de criação artística. 

Marcado pela infância que o persegue que o filme nos traz com constantes flash backs. Uma família puritana, a mãe morre quando ele era pequeno de uma hemorragia no pulmão. Neste momento antes de morrer ela o faz prometer que continuará seguindo e amando Jesus. Depois é a morte do mesmo modo de sua irmã Sophie. 

Os desencantos amorosos e com as mulheres que define serem de três tipos: a sedutora, a inocente e a mãe, mas que estão em uma só. 

O filme mostra sua trajetória e também um painel da história e dos artistas e intelectuais, escritores e filósofos. É o retrato de uma época onde os intelectuais se rebelam contra a burguesia e seus valores. Niilistas, anarquistas, Marx escreve "O Capital". A mulher e a sexualidade. 

A pintura de Munch é escura, melancólica, incomoda. Me lembram os quadros dos pacientes de Nise da Silveira. É o psiquismo que se projeta ali. Seu quadro mais famoso é "O Grito". 

Peter Watkins nasceu em 1935 no Reino Unido

06/06/16 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILME: BRUEGEL O MOINHO E A CRUZ - 2011


Direção: Lech Majewski - 2011
Duração: 96 min
Título Original: Bruegel  The Mill and the cross
País: Polônia e Suécia

Bruegel, o velho (Rutger Hauer) pintou "A procissão para o calvário" em 1564. O filme é uma recriação em movimento da criação deste quadro. É algo diferente e impressionante. O fundo do filme é o quadro, mas os personagens estão ali vivendo seu dia a dia como foi na época. É de onde Bruegel tira seu quadro.



É um mergulho diretamente no quadro. Acompanhamos vários personagens na época da ocupação espanhola dos Flandres, uma época de guerra de religiões e em meio a isto temos o pintor, seu amigo colecionador Nicholas Jonghelinck (Michael York)  e a Virgem Maria (Charlotte Rampling). 



O quadro se compõe com os personagens locais, os camponeses, os guardas espanhóis em vermelho, e a paisagem flamenga. O Cristo está no centro da pintura, caído ao lado da cruz. Corvos negros, as rodas levantadas em paus onde suspendiam os condenados para serem ressequidos. No centro os guardas espanhóis. O filme nos mostra as cenas no dia a dia que depois estarão no quadro. 





O grande moinho está no alto de uma rocha. Bruegel diz que nos outros quadros Deus está sempre próximo, aqui não. Ele é representado pelo moinho no Alto. 


É a construção de uma obra de arte. Bruegel observa, desenha, e assim vai compondo este quadro. Ele nos conta a história do quadro.


O quadro encontra-se hoje no Kunsthistorisches Museum, em Viena.

Um filme belíssimo, diferente, que todo amante da arte deve assistir. Não é apenas a história do quadro contada, é vivida nos seus pormenores.

Veja o trailer:


Lech Majewski nasceu em 1953 em Katowice, Polônia

Pieter Bruegel, conhecido como O Velho, para diferenciá-lo do filho, nasceu em 1525 em Breda,  Países Baixos e faleceu em 1569 em Bruxelas, Bélgica. Foi um pintor do Renascimento Flamengo

sexta-feira, 26 de junho de 2015

FILME: UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA - 2015



Direção: Roy Andersson - 2015
Duração: 100 min
Título Original: En duva satt pa en gren och funderade pa tillvaron
País: Suécia, Noruega, Alemanha e França 

Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza em 2014 

Um filme para refletir muito. Qual o sentido da vida, se é que tem? ou será que cada um deve construir este sentido, o que é mais provável? O filme é um soco no estômago. 

Logo no início vemos um casal num Museu de história Natural. O homem observa pássaros empalhados e se detém em frente a um pombo pousado num galho. 

O filme é melancólico, poucas cores, tépido, mas é justamente assim que é a vida de dois vendedores Sam (Nisse Vestblom) e Jonathan (Holger Andersson)  de artigos para divertir os outros, sacos de risadas, dentaduras de vampiro e a máscara do tio banguela. Os dois estão sem ânimo e cansados. Vivem num condomínio extremamente controlado por um porteiro que exige que todas as regras sejam cumpridas. 

Vamos vendo as pessoas em seu dia a dia, sem graça, sem novidades, tudo se repete, a vida passa. Mas se prestarmos bem atenção nos veremos refletidos ali também. Se pararmos para pensar no quanto nossos dias são tão repetitivos também, no quanto nos falta de vivacidade, alegria, capacidade de ouvir o outro ou mudar algo. Onde está o prazer. Jonathan tem um pensamento: é correto usar as pessoas para seu próprio prazer? Nesta pergunta se reflete muito do filme, onde as pessoas subjugam as outras, seja pela autoridade, pelo desprezo, pela indiferença, pelo sadismo ou pelo poder gerando um gozo com isto. Mas quem se deixa levar por isto também gosta sem o saber, também retira um gozo disto e pode justificar a vida e suas mazelas colocando sempre no outro a culpa como em determinado momento que Jonathan diz a Sam que foi ele quem teve a ideia, e o repete várias vezes. 

O filme vai mais fundo em uma crítica ao Homo Sapiens, mostrando um laboratório onde um macaco sofre choques enquanto a pesquisadora fala ao celular. 

E mais quando nos mostra uma cena onde pessoas são queimadas vivas dentro de um tubo com o nome da mineradora Sueca - Boliden AB, em uma referência ao desastre ocorrido no Chile nos anos 80 com esta empresa. As pessoas assistem vestidas em roupas de gala a este evento. Mas isto também remete ao holocausto e muitos outros atos bárbaros dos quais o ser humano, o homo sapiens é capaz. 


Ao final vemos as pessoas aguardando o ônibus e duas pessoas comentam que é mais uma quarta-feira, igual a todas as outras. Uma das pessoas que aguarda pensa que é quinta. Não, é quarta! e existe alguma diferença? Alguém explica que se não for assim o caos se instaura. Se não seguir as regras, a sociedade, o caos se instaura. 

O filme nos leva a refletir a existência, em vários momentos ouvimos o pombo arrulhando, mas ele não aparece, ele observa, e me coloco como um pombo assistindo a este filme. A vida passa, os dias da semana se repetem, mas se repetem por serem nomeados, no real é um dia após o outro, uma noite após a outra, tudo igual, quem nomeia, quem da cor a vida somos nós. Ao perceber o quanto somos parecidos com estes vendedores de várias maneiras, seja nas queixas, seja na falta de ânimo, seja na repetição, seja na falta de sentido ou no cansaço, é bom parar e pousar num galho para refletir. Refletir sobre como vivemos a vida, se não há algo para mudar e ser mais feliz, menos melancólico, menos repetitivo, e assumir a responsabilidade por esta vida. 

O filme é o último da trilogia sobre a humanidade, cujas obras anteriores são Canção do Segundo Andar (2000) e Vocês, os vivos (2007). 


Roy Andersson nasceu em 1943 em Gotemburgo, Suécia

segunda-feira, 6 de abril de 2015

FILME: MIL VEZES BOA NOITE - 2013


Direção: Erik Poppe - 2013
Duração: 112 min
Título Original: Tusen ganger got natt

Filme belíssimo. Rebecca (Juliette Binoche) é uma fotógrafa de guerra. Ela está no Afeganistão tirando fotos de mulheres bombas quando é atingida por uma explosão. Seu marido (Nikolaj Coster-Waldau) lhe dá um ultimato pois nem ele, nem suas filhas aguentam viver sob a tensão de nunca saber se ela está viva ou morta, que é impossível viver assim. Rebecca acaba aceitando e desiste de sua profissão. No entanto sua filha mais velha parece lhe seguir os passos participando de um projeto sobre a África e quando surge a oportunidade de ir ao Quênia tirar fotos de um campo de refugiados que é considerado um local seguro ela pede a mãe que aceite e que a leve junto.





Elas partirão, mas enquanto estão no acampamento há um ataque e elas precisam sair imediatamente, porém Rebecca não parte, pede que levem sua filha para um local seguro e fica para fotografar tudo. Com suas fotos consegue que a ONU mande reforços. Sua filha lhe pede que não conte nada para o pai, mas ela fica traumatizada pelo que ocorreu. Numa conversa com a mãe ela mostra que filmou tudo, o momento em que ela fica e pede para a levarem. O medo, estar sozinha num país estranho, não saber o que iria acontecer, tudo isto foi forte para a jovem adolescente. É então que o pai descobre a filmagem e é a gota d'água. Eles se separam, e Rebecca pensa em retomar sua vida, porém desiste no aeroporto e volta. Vai à apresentação da filha sobre a África e a ouve falar do seu orgulho da mãe e que o mundo e as crianças que sofrem precisam dela e dos fotógrafos para denunciar o que está acontecendo.







Rebecca retoma sua vida de fotógrafa e volta ao Afeganistão. Só que desta vez quem está sendo preparado para explodir é uma criança. O final do filme é um soco no estômago, quando ficam a mãe da criança que se foi ajoelhada no chão e Rebecca que também cai ali ajoelhada. 

Durante o filme acabamos julgando Rebecca como mãe, por ter uma profissão de alto risco e com isto deixar suas filhas sempre num estado de tensão e sofrendo com sua ausência, e mais ainda a julgamos quando ela fica no acampamento e manda levar sua filha para um lugar seguro. Mas e agora? diante desta outra mãe que acaba de entregar seu filho para explodir, uma criança bomba? Ambas agiram de acordo com o que acreditam, de acordo com uma fé, de acordo com aquilo que as move. Só que uma pela paixão de seu trabalho e do que pode conseguir com isto, salvando pessoas, ajudando, e a outra pelo o que acredita ser correto para salvar seu povo, mesmo que seja através de atos terroristas. Ambas são fanáticas de alguma maneira. E ambas são mães. 

Não me arrisco a julgar pelos padrões ocidentais. Obvio que não concordo de forma alguma com a violência, com o ato de matar, mas o que não julgo é a crença delas e que as levam a certas ações. Fiquei aturdida no final do filme, sem saber o que pensar, sentindo uma angustia forte. Que força é esta que move estas duas mães? estas duas mulheres? Sim, eu considero um crime fazer de uma criança um objeto que vai explodir com as bombas, a criança não tem opção de escolha, ela está sob o jugo dos adultos. Notamos o quanto o ser humano tem em si mesmo a vida e a morte. Eros que nos leva ao desejo e à vida e Tânatos que nos leva à morte, a destruição. Rebecca é movida por Eros, pelo desejo, mesmo que seja fotografando a morte, a destruição, a miséria, a guerra. O que ela quer é chocar o mundo, sacudir, tentar fazer com que as pessoas acordem. A outra mãe está movida por Tânatos, pela morte. Mas segundo suas ideias é uma morte necessária para se atingir algo. Como encarar isto? Para mim é um crime, um absurdo, inconcebível, mas não para ela. A criança bomba vai morrer e com ela outros. 

Rebecca fica com um sentimento de culpa após a primeira explosão por ter descido do carro e atraído a atenção da polícia levando a mulher a detonar a bomba ali mesmo, onde havia crianças, mulheres, velhos. E esta mãe do menino? tem culpa? qual o tamanho da dor dela ali ajoelhada e rezando?

Erik Poppe nasceu em 1960 em Oslo, Noruega. Ele foi fotógrafo de guerra antes de ser cineasta.

segunda-feira, 9 de março de 2015

FILME: FORÇA MAIOR - 2014


Direção: Ruben Östlund - 2014
Duração: 119 min
Título Original: Force Majeure
País: Suécia 

Venceu o prêmio de melhor filme da mostra Un certain regard do Festival de Cannes de 2014

Um casal Tomas (Johannes Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli) e seus dois filhos vão passar 05 dias numa estação de esqui para que ele possa descansar, uma vez que segundo sua esposa ele trabalha muito. Logo no início do filme temos a tradicional foto da família na neve em roupas de esqui. Uma família aparentemente feliz. 

O que ninguém pode prever são as contingências que as vezes revelam facetas nossas que não conhecíamos e não poderíamos prever. No segundo dia eles almoçam num restaurante com uma vista para as montanhas de neve. Desde que chegaram Tomas havia tranquilizado Ebba que se incomodava com os estouros que ouvia, que seriam as equipes do lugar que sob controle fazem a neve descer a montanha justamente para manter a segurança dos esquiadores. Durante o almoço de repente vemos uma avalanche vindo em direção ao restaurante. Tomas diz que ele está sob controle e que não há risco nenhum, mas de repente ela se aproxima demais, e todos começam a gritar e a correr. Ebba segura seus filhos e grita por Tomas para ajudá-la, mas eis que Tomas saiu correndo e deixou sua família para trás.


A avalanche não atinge o restaurante, ela para antes, mas há uma névoa forte causada pela neve em movimento que por um momento deixa tudo envolto no branco. Em seguida o céu fica azul novamente e Tomas está de volta, senta e recomeça o almoço como se nada tivesse acontecido, porém esta família não será mais a mesma. 

Tomas teve uma reação de sobrevivência e tentou se salvar e com isto deixou sua família para trás, mas ele não toca no assunto. Ebba fica com isto engasgado, mas também não fala nada para ele, pelo contrário, vai contar aos outros colocando Tomas numa situação constrangedora e ele acaba negando que tenha feito isto. Eis então que se revela também a questão de um casamento que já não andava muito bem. As crianças ao perceberem que algo vai mal começam a ter crises de choro e a se tornarem mal criadas como forma de chamar a atenção, até que o menor deles diz que não quer que eles se divorciem. 

É impossível não nos colocar a questão. O que será que faríamos no lugar deles? Dizer que uma mãe nunca abandona seus filhos, mas que o homem pensa somente em se salvar? Mas, quantos relatos já vimos de pais que também arriscam tudo para salvar um filho? Não, não acredito que seja por aí a resposta. A questão é que todos nós temos um sentido de sobrevivência, há uma pulsão de vida em nós e a prova disto é que qualquer motorista sempre tenta tirar seu lado num acidente e o faz automaticamente e sem consciência. Tomas foi surpreendido por esta reação que ele teve, mas depois se viu cobrado pelo o que se espera dele, o que a sociedade espera, a mulher, os outros esperam de um homem, de um pai, de um marido. 

Um casal de amigos que ouve a história ao estarem sós depois a mulher também lhe diz que ele poderia agir assim e isto o deixa também mexido. O que a cultura impõe ao homem, a mulher, ao ser humano. 

Tomas se sente cobrado por todos, mas como responder a isto? dizer que sentiu medo, pavor e correu? Sua esposa o despreza cada vez mais, ele não corresponde as suas expectativas como homem, como pai. Até o dia que o diálogo acontece e Tomás confessa todos seus erros inclusive ter sido infiel, e que não quer ser esta pessoa. Ebba vai exigir dele uma prova que não é covarde e que pode agir para protegê-la e a seus filhos o que fará no dia seguinte na pista de esqui. 

Não leia abaixo caso não queira saber o final do filme. 


No caminho de volta, no ônibus que desce a montanha por uma estrada na beira dos penhascos, o motorista começa a demonstrar que não sabe bem dirigir o ônibus e começa a se criar uma situação tensa. Novamente é Ebba quem toma a frente e o manda abrir a porta, neste momento o amigo do casal diz: sem pânico, primeiro as mulheres e crianças. Todos descem e o motorista vai embora com o ônibus os deixando ali. É um final um tanto estranho, mas pode se refletir a respeito, pois todos ali estavam com medo e cada um teve uma reação o que mostra claramente que o ser humano é complexo e pode reagir a situações drásticas de formas diferentes. Inclusive neste momento é Ebba a primeira a descer deixando os filhos no ônibus. Todos nós temos um ponto onde reagimos de uma maneira a nos salvar sem pensar em mais nada. Entre o medo de ser soterrado por uma avalanche e o medo de cair no vazio de um penhasco, qual medo é o mais forte? depende da pessoa.


Ruben Östlund nasceu em 1974 em Styrsö, Gotemburgo, Suécia. 

sábado, 29 de novembro de 2014

FILME: MOMENTOS ETERNOS DE MARIA LARSSONS - 2008


Direção: Jan Troell - 2008
Duração: 131 Min
Título Original: Maria Larssons Eviga Ögonblick

País de origem: Suécia 

Baseado na vida da avó da mulher do diretor, a primeira fotógrafa profissional da Suécia

Suécia - 1907

Maria Larssons (Maria Heiskanen)  ganha num bilhete de loteria uma câmera fotográfica. Seu noivo diz que ela devia dar para ele já que o dinheiro com que comprou o bilhete era dele, ela lhe responde que só a dará se ele se casar com ela, e eles se casam. Quem nos conta a história é uma de suas filhas, Maja. 

Esta história de amor logo logo se defrontará com a dura realidade da vida pobre e com um marido que começa a chegar bêbado em casa e se envolve com outras mulheres. Além disto ele é violento e várias vezes baterá em Maria que procura a ajuda de seu pai, mas tem que voltar para casa em função da moral da época que não permitia que uma mulher se separasse e ela teria que viver com Sigfrid ( Mikael Persbrandt) até que a morte os separe. 

Será uma vida difícil, mas Maria não desanima e lutará para manter seus sete filhos alimentados e tendo onde morar. Em determinado momento diante de uma situação difícil Maria tenta vender sua câmera ao fotógrafo da cidade, Sebastian (Jesper Christensen) , que ao invés de comprá-la a ensina a usá-la, e lhe dá o material que precisa dizendo que é uma penhora. Maria aceita. 

A partir deste momento ela olha o mundo pela lente da câmera e descobrirá coisas que não via antes. Este mundo lhe pertence e nada de toda tristeza, violência e pobreza pode invadir, nem mesmo seu marido. 

O filme retrata a vida das mulheres no início do século XX, sempre grávidas, trabalhando, limpando, criando filhos e sofrendo com as bebedeiras e violência dos maridos. Maria encontra em Sebastian um amigo, alguém que a ouve e que a compreende. 

Um dia Sigfrid perde a cabeça e tenta matá-la e acaba preso. Ao contrário do que todos esperavam, inclusive seus filhos, Maria não o deixa e faz de tudo para sobreviver. É quando ela começa a tirar fotos para ganhar algum dinheiro e assim acabará se tornando uma das maiores fotógrafas da Suécia, e a primeira mulher a sê-lo. 

Aos poucos a vida deles melhora, Sigfrid consegue abrir um negócio e seus filhos poderão realizar seus desejos de estudar. Eles mudarão para uma casa no campo. Maja também começará a tirar fotos. 

A vida de Maria não foi fácil, era cheia de tristezas e muita luta, mas ela conseguiu fazer o que era possível, e dentro disto achar algo que lhe permitia olhar o mundo de outra forma, e lhe dar alegrias e prazer. E isto é uma grande lição, ao invés de sonhar com o impossível, fazer aquilo que se pode, e transformar a vida em algo mais do que sofrimento. 


Jan Troell nasceu em 1931 em Limhamn, Suécia. 

Fotos de Maria Larssons 

domingo, 17 de agosto de 2014

FILME: MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES - 2011



Direção:David Fincher - 2012 
Duração: 158 min 
Título original: The Girl with the dragon tattoo 

Adaptação do romance Mäm som hatar Kvinnor de Stieg Larsson. 

Mikael (Daniel Craig) é um jornalista investigativo que está passando por um processo onde é acusado de calúnia e de publicar matérias sobre as quais não tem provas. É chamado após uma criteriosa investigação sobre ele feita por Lisbeth (Rooney Mara) uma investigadora particular, hacker e anti-social, para descobrir o que aconteceu há 36 anos atrás com Harriet Vanger (Moa Garpendal) que desapareceu numa ilha no norte da Suécia sem deixar vestígios. Todos acreditam que ela está morta, mas seu corpo nunca foi encontrado e seu tio Henrik (Christopher Plummer) não se conforma. A revista para a qual Mikael trabalha com cuja diretora tem um caso não está passando por um bom momento também, então ele resolve aceitar a proposta feita por Henrik e se muda para uma cabana na ilha para tentar solucionar o mistério. Irá contar mais adiante com a ajuda de Lisbeth.

Um filme de suspense, com alguns clichês, mas que traz um outro lado que é justamente a questão do título do filme, homens que abusam de mulheres estuprando-as e matando, além da questão do incesto e nazismo. 

Lisbeth é uma mulher jovem mas que é anti-social, gótica, estranha, que tem um tutor do Estado por ser considerada incapaz de gerir a própria vida devido um ato quando tinha 12 anos, porém será que os tutores são sempre bons? ou eles também abusam de seus tutelados? Famílias com questões vergonhosas, que se odeiam, não falam um com o outro, abusos. Tudo isto faz parte do enredo do filme. 

Martin (Stellan Skarsgard) é irmão de Harriet e também mora na ilha, o pai deles morreu afogado no rio, temos também outro irmão de Henrik que é um nazista e mantém em sua casa fotos da época. 

Aos poucos Mikael irá juntar os pedaços deste mistério. 

David Fincher nasceu em 1962 em Denver, Colorado, EUA. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

DOCUMENTÁRIO: ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO - 1989


Diretor:  Peter Cohen - 1989
Duração: 119 min 
Narração: Bruno Ganz 
Origem: Suécia 
Título original: Undergangens Arkiketur 

Este documentário é considerado um dos melhores estudos sobre o nazismo feito pelo cinema.

Hitler, um artista frustrado, ele foi recusado pela Academia de Artes de Viena quando jovem, que pintava paisagens em formato de cartão postal, admirava a ópera de Wagner tinha fixações na estética da beleza, na antiguidade, em Wagner. Ele desejava embelezar o mundo, para isto se baseando na estética do belo segundo o seu julgamento. A questão é que o belo elimina o feio segundo seus critérios.

Inicia-se o processo com as exposições de arte nazista e arte degenerada, ou seja, a dos bolchevistas, judeus e toda arte moderna. São feitas exposições paralelas com a apresentação de fotos de pessoas doentes mentais comparadas às pinturas da arte moderna para que as pessoas pudessem ver a analogia que Hitler via ali e desta forma concordar com ele. Coisas que normalmente não teriam associação acabam tendo. É o período da arianização da arte, atendendo sempre a padrões clássicos de beleza. Tinha especial apreço por paisagens de Montanhas e florestas.

Hitler sonhava com um mundo puro e belo, admirava a arte grega, o super homem, e detestava tudo que fosse diferente, novo, moderno. Ele não suportava lidar com o diferente, com as diferenças que o outro tem. E baseava-se unicamente em seus critérios pessoais que impunha a todos. Ele julgava. Tinha planos imensos, megalomaníacos para reconstruir as cidades alemãs. Faz desenhos e incumbe os arquitetos de realizarem seus desejos.

Usa a metáfora da bactéria, da doença, do piolho para apresentar sua teoria de limpeza, higiene e belo. No caso tudo que não fosse de acordo com o que ele desejava era uma bactéria que vinha infectar o mundo e destruir, enfraquecer, sujar e precisava ser eliminada, da mesma maneira que se eliminam os insetos, os ratos, os piolhos. E de fato foi o que ele fez, usando o gás para matar, baseado em como se dedetizava os locais para eliminar as pragas.

Por trás de todo horror perpetuado pelo nazismo contra o outro há toda uma racionalização, e diferente de eliminar o inimigo numa guerra, era uma eliminação do ser humano que era diferente. Era a destruição de tudo que não lhe agradava. Ele poupa Paris porque sempre desejou conhecer a cidade e o faz numa manhã bem cedo após a conquista e então diz que Berlim será muito melhor e portanto fará sombra à Paris, e por isto não é preciso destruí-la.

Também na guerra se utiliza da antiguidade. Conduz o exército alemão como se fosse as Guerras Púnicas, onde a destruição total do inimigo e das cidades diferem dos padrões de guerras modernas, onde o objetivo é vencer a guerra, e os alvos civis são evitados na medida do possível. Ele imita o Delenda Cartago. Seus modelos são Roma, Cartago e Atenas. Como os romanos queria dominar o mundo, ser o terceiro maior império, o Terceiro Reich, após os Romanos e o Império Austro-Húngaro.

A parte mais interessante do documentário é quando se analisa o judeu como sendo o principal inimigo de Hitler justamente por se tratar de um povo puro, que soube se manter unido e não se misturou, não se miscigenou, enfraquecendo seu povo. Aqui temos um ponto de vista onde o judeu é uma imensa ameaça à Hitler, pois somente eliminando o povo puro ele poderia ter os méritos e transformar o povo ariano em puro, por isto, mesmo perdendo a guerra, ele se fixa na solução final.

O judeu é o outro, o estranho familiar. Talvez por ser um povo sem território e que vive na errância isto assuste, se torna sempre estrangeiro, mas de onde?

Hitler nunca havia viajado, não conhece o diferente e é péssimo em fazer julgamentos sobre os outros e suas diferenças, ele se fixa em seus pensamentos. O judeu é o povo da lei simbólica, ou seja, é um significante, não está no imaginário do outro. A coletivização do ódio ao judeu é aceita, uma vez que inconscientemente todos odiamos o pai e queremos matá-lo, mas também o amamos. Então aqui vemos que Hitler no fundo se baseava na pureza que ele via no povo judeu e por isto mesmo tinha que eliminá-lo.

Por outro lado, todo o imaginário de Hitler e seus sonhos megalomaníacos, provenientes da infância, de suas leituras. Ele acreditava que não é necessário sair de onde se está para conhecer o outro, é possível visualizar isto e acertar.Ele fantasiava seu grandioso futuro.

Ele queria ser o grande pai, o Deus que regia a tudo e a todos e transformaria o mundo num lugar belo, limpo onde se pudesse viver bem. Para isto precisa eliminar as pragas, as bactérias que causam doenças. Ele monta toda uma coreografia para que o povo aceite isto levando-o à histeria.

O ideal de beleza como sinônimo de saúde, mas para construir o belo é necessário destruir tudo que não fosse belo segundo seus padrões e julgamentos, levando à destruição que foi.


Peter Cohen nasceu em 1946 em Lünd, Suécia. Seu pai foi um judeu perseguido pelo regime nazista que fugiu de Berlin em 1938. O documentário Arquitetura da Destruição precisou de muitos anos de pesquisa. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

FILME: UM SKINHEAD NO DIVÃ - 1992



Direção: Suzanne Osten e Niklas Radström - 1992 
Duração: 83 min
Título original: Tala! Det är sa mörkt // Speak up! it's so dark 
País: Suécia 


O filme é uma reflexão sobre a onda neonazista que assola a Europa nos anos 90.


Jacob (Etienne Glaser) é um psicanalista judeu cuja família morreu em Auchswitz, sendo que ele e a mãe conseguiram sobreviver por fugirem para a Suécia. Sören (Simon Norrthon) é um jovem skinhead que Jacob socorre após uma manifestação. Ele resolve então oferecer sua escuta ao jovem.

As sessões entre os dois se transforma numa reflexão sobre os aspectos políticos e psicológicos do racismo. Aos poucos vai se delineando os aspectos do indivíduo que adere aos grupos, e este aspecto ao meu ver é o brilhante do filme, pois em grupo somos capazes de fazer coisas que jamais faríamos sozinhos, e analisar o grupo é diferente das motivações pessoais.

Vamos descobrindo como era o pai e mãe deste jovem que sente tanto ódio. A mãe é super protetora e se nega a enxergar o óbvio, diz que os cartazes nazistas no quarto do filho são apenas decoração. O pai é ausente e violento, e dentro de seu individualismo diz que os problemas do filho são dele, mas durante a infância deste sempre abusou de sua força com o garoto. O grupo ao qual ele pertence que são mostrados entre as sessões, são todos bêbados, violentos, sem nenhuma razão de ser. Sörer admira o nazismo, afirma que Auschwitz é uma invenção dos judeus e a compara com Hollywood. Ao invés de namorar, ele direciona seu desejo sexual para o ódio e a violência. Sua mãe em nada ajuda para que ele se interesse por mulheres, pois prefere ter o filho com ela, ou deseja que volte a ser assim.

O psicanalista também se confronta com suas questões, ele é um imigrante, que fez da Suécia seu lar, mas é judeu e apesar de possuir a cidadania, não nasceu ali. Ele também sentiu muito medo quando criança, é um sobrevivente. Mas ele não teme o confronto com o jovem, e se propõe a compreender a alguém que age como os que mataram sua família. Para isto além das sessões ele irá também adentrando o universo de Sören.

Jacob diz que por baixo do ódio está a dor, e embaixo desta o medo.

Há um medo que se generaliza, de um lado eles tem medo dos emigrantes, que se apossem de seu país, os consideram culpados por todos os problemas que ocorrem, e estes temem os ataques dos Skinheads. E ao invés de considerá-los uns loucos que precisam ser combatidos o que Jacob se propõe é a compreender o porque disto, e para isto apesar do medo não irá demonstrá-lo e não se deixará intimidar mesmo diante das ameaças do outro. E este ponto é importante, pois como dirá Sören no filme, eles precisam do medo do outro para serem fortes e poderem agir.



Niklas Radstrom nasceu em 1953 em Estocolmo, Suécia. 

Suzanne Osten nasceu em 1944 em Estocolmo, Suécia. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: EM UM MUNDO MELHOR - 2010



Direção: Sussane Bier - 2010
Duração: 113 min 
Título Original: Haevnen
Roteiro: Sussane Bier e Anders Thomas Jensen
País: Suécia - Dinamarca

Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Golden Globe Award

Um filme excelente que permite várias leituras e sobre vários temas.

Talvez o nome do filme seja significativo sobre se referir à Dinamarca, supostamente um país de primeiro mundo, de bem estar social, superior até, mas que se mostrará que não é quando se trata do humano, pois se há algo que é universal é o ser humano. O contexto pode ser outro, mas ao final os sentimentos, as paixões, o ódio, a raiva, o amor, estão presentes em todos.
O ponto forte do filme é mostrar como respondemos ao mal e suas raízes na infância.
Anton (Mikael Persbrandt) é um médico e está na África no meio dos confrontos e da guerra local, onde a população é aterrorizada por um bando armado que comete vários estupros para se divertir e depois apostam se o filho gerado na violência será menino ou menina, e para ver quem ganhou capturam a vítima e lhe abrem o ventre.Cabe a Anton tentar salvar suas vidas.


Enquanto isto sua família está na Dinamarca e seu filho mais velho Elias (Markus Ryggard) enfrenta uma situação difícil na escola de Bulling. O chamam de cara de rato, sueco que ali é pejorativo devido à história da Dinamarca, Suécia e Noruega, até que chega à cidade um garoto, Christian (William Johnk Nielsen) ,  que acaba de perder a mãe e vai morar na casa da avó. Este irá defender Elias de seus agressores e irão se tornar amigos.



Anton  volta para casa para um tempo de descanso.



Ele e sua esposa são chamados na escola, a mãe tenta defender seu filho e acusa a escola de não tomar providências em relação ao bulling. O pai tenta amenizar as coisas.
Num passeio com os filhos e Christian, Anton é agredido pelo pai de outra criança quando tenta acalmar os ânimos de uma briga de criança. Ele não revida e tenta ensinar aos filhos e ao amigo que cada um pode ter sua escolha, ser violento gera violência e que o mundo pode ser um lugar melhor. Depois ele retorna em busca deste pai, o provoca, mas na esperança que ele peça desculpas, o que este não faz, e novamente ele se vai com os meninos sem ter dado uma resposta ao outro. E aí está a questão. Por mais errado que seja, o pai do outro menino deu uma resposta à violência, e Anton não. Para os meninos, ele foi humilhado. Eles não tem a percepção de Anton, que estaria sendo melhor que o outro, e isto por que a cultura e o social colocam desta forma, é o que se espera. E esta ação de Anton irá ter consequências.



Ele volta para a África e se vê numa situação extremamente complicada. O chefe do bando está ferido, entre a vida e a morte e o levam até ele. E agora? Ele acabará agindo de acordo com a ética médica e salvará a vida do monstro. A população local ficará revoltada.
Quando o chefe se recupera ele vai até a tenda onde Anton está tentando salvar a vida de mais uma jovem, e debocha, ri, então ele reage e o joga para o povo lhe dar o que merece, ele é linchado.
E eu fico com a pergunta: ele não estaria lavando as mãos como Pilatos durante todo o filme? tentando conter uma agressividade que todos nós temos? para dar um exemplo ao filho, por acreditar num mundo melhor, ele acaba sendo de certa forma omisso. Ao ser agredido pelo pai do outro garoto, ele não precisa revidar da mesma maneira, mas uma resposta é necessária, e por que não chamar a polícia como disse Christian? esta seria uma maneira de ensinar a dar uma resposta sem revidar na mesma moeda e teria tranquilizado os garotos.
No caso do bulling, se ele tivesse agido com firmeza, apoiado sua esposa, e exigido da escola uma ação, colocando nela sua parte de responsabilidade?
Christian também tem seus problemas, seu pai está sofrendo a perda da esposa, o menino pensa que poderia ter salvo a mãe, falta diálogo, falta verbalizar o que sentem.
O filme nos mostra que muitas vezes as boas intenções nos levam a omissão, ao calar, e que nem sempre isto leva a um mundo melhor. Que o mundo é feito de coisas boas e de coisas ruins, que o mau existe, e que a agressividade também faz parte de nós, e que mesmo num mundo melhor ainda teremos que lidar com isto e que é necessário uma resposta melhor a estas situações.



Ainda resta muito a se falar sobre este filme, mas não damos conta de tudo, portanto o que escrevo aqui é o que me marcou, o que o filme deixou em mim.

Assista ao trailer




Sussane Bier nasceu em 1960 em Copenhagen, Dinamarca. 

Curiosidade: O título do filme é Haevnen em Dinamarquês, e significa Vingança. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

FILME: SONATA DE OUTONO - 1978




Direção: Ingmar Bergman - 1978
Duração: 99 min
Título original: Höstsonaten 
Roteiro: Ingmar Bergman 
País: Suécia 

Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Prêmio Globo de Ouro. 

Produção Suécia, Alemanha e França. 

A relação entre mãe e filha

De uma lado a filha Eva (Liv Ullmann), do outro a mãe Charlote (Ingrid Bergman), duas brilhantes interpretações.



A mãe vai visitar a filha no interior da Noruega onde ela vive com o marido após muitos anos sem se verem. O que era para ser um reencontro feliz transforma-se num confronto entre mãe e filha a respeito de seus conflitos, raivas, dores, cobranças.

Ao chegar Charlote descobre que sua outra filha doente que ela acreditava internada também está ali, Eva a trouxe para morar ali.

Charlote é espaçosa, fala muito, decide tudo e Eva é tímida, retraída, difícil de ser satisfeita. A mãe é uma pianista famosa, e Eva tenta tocar algo para a mãe. O rosto, a expressão que Ingrid Bergman coloca no rosto é algo impagável, não há palavras para expressar. O confronto se torna inevitável, Eva deixa todo seu ódio pela mãe aparecer e o fala. Ela se apega a sua verdade, ao que a mãe é para ela, seus efeitos. Não consegue olhar para a mãe, de certa maneira fala como a criança que não conseguia ver a mãe como uma mulher que também tem suas questões, que também pode ser frágil por baixo de tanta segurança.


Seu desejo de fusão com a mãe se reflete na relação que Eva mantém com seu filho morto, que está sempre ali e nunca se separam. Ela não permite que o filho morra.
Tudo é culpa da mãe, até a doença de Helena, a acusa de só ter olhos para si mesma.
Charlote tenta se defender, explicar, pedir perdão. Se recorda de sua mãe, fala de sua incapacidade de amar, de seus medos.
Eva julga, acusa dentro das suas certezas, não "perdoa" a mãe, exceto no final, quando a mãe vai embora novamente.
Charlote vive a solidão, sempre viajando, é famosa, mas não se satisfaz. É uma busca constante de algo que ela não sabe o que é. Nenhum lugar está bom. Talvez seja devido a divisão que sofre entre a carreira e a família.
Eva é ressentida em relação a sua mãe por seu pai, e ela tem certeza sobre o pai e a relação que ele tinha com a mãe, o que na verdade não pode saber. O que ela sabe é o que sentiu, o que introjetou, mas que não quer dizer que foi assim para os dois.
A mãe interna que Eva tem dentro de si não é uma mãe amorosa que cuidou dela. Ela não teve este modelo com o qual se identificar.
Se por um lado um filho não pode odiar a mãe, esta também não pode odiar o filho, mas o que o filme nos mostra e o que é a realidade tão difícil de ser aceita é que o amor e o ódio são faces da mesma moeda, onde um está com certeza tem o outro, do contrário é a indiferença. E mesmo sendo mãe ou filha, há sempre a alteridade de cada um, portanto o que Eva tem certeza de ser assim, não é para Charlote, nem para o pai dela. E esta mãe que Eva odeia, e que acha culpada pelo estado de Helena, é amada por esta filha que é desprezada, ou melhor, afastada pela falta de coragem da mãe de enfrentar isto.



Mas Charlote pede perdão à Eva, que só depois consegue pedir o mesmo, lhe escrevendo uma carta. Que este momento difícil e dolorido possa então abrir novas possibilidades para todos.



Vale ler o roteiro também onde é possível acompanhar o confronto com mais vagar, mas o filme tem que ser visto, pois as expressões faciais não podem ser descritas.

Assista ao trailer:







Ingmar Bergman nasceu em 1918 em Uppsala e faleceu em 2007 em Farö, Suécia. Seus temas são a existência, a solidão, a fé, a mortalidade. Para Bergman filmar é encontrar respostas. 



Frédéric Chopin