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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FILME: HENRY & JUNE - Delírios Eróticos - 1990


Direção: Philip Kaufman - 1990
Duração: 136 min
Título Original: Henry & June

Adaptação do livro de Anaïs Nin - Heny & June and me

Anaïs Nin (Maria de Medeiros) é casada com Hugo (Richard E. Grant) mas sente uma imensa necessidade de vida, de algo novo, de experiências que seu marido, um banqueiro bem sucedido, não lhe proporciona. Henry Miller ( Fred Ward) vai viver na França e é apresentado à Anaïs por seu marido. No início ela não se sente atraída por ele, mas percebe que ele tem algo de especial, que ele tem alegria de viver. 

Quando conhece June (Uma Thurman), esposa de June, fica fascinada pela relação dos dois, mas também por June. Aos poucos ela se apaixona por ambos, e será amante de Henry, mas também de June, e este triângulo modifica a vida dos três. 

Anaïs queria viver, queria experimentar tudo, para poder escrever. Anaïs se permite viver o desejo, ela experimenta, transforma o sexo em algo tremendamente erótico, algo da pele, do cheiro, do toque, de sensações, que não sacia, que alimenta, que dá prazer e se traduz em vida. 

Philip Kaufman 

domingo, 14 de dezembro de 2014

FILME: O CLUBE DE LEITURA DE JANE AUSTEN - 2007


Direção: Robin Swicord - 2007
Duração: 106 min
Título Original: The Jane Austen Book Club

Adaptação do romance homônimo de Karen Joy Fowler

Um filme para relaxar. Cinco mulheres e um homem se encontram para falar sobre os livros de Jane Austen. Cada um deles tem suas questões pessoais e se utilizam da leitura para tentar encontrar respostas ou soluções para seus problemas. Bernadete (Kathy Baker)  é quem funda o clube de leitura após conhecer Prudie (Emily Blunt), uma professora de francês que se decepciona quando o marido Dean (Marc Blucas) lhe avisa que não irão mais a Paris, mas que ele ficará fora alguns dias devido um jogo. 
Jocelyn (Maria Bello)  é uma criadora de cachorros e acaba de perder seu fiel companheiro, o cachorro, para o qual faz um enterro. Sylvia (Amy Brenneman) fica com ela neste momento delicado, e seu marido Daniel (Jimmy Smits) vai embora. Eles tem uma filha, Allegra (Maggie Grace) que é homossexual. Passado uns dias Daniel avisa à Sylvia que quer se separar porque se apaixonou por outra mulher. Allegra retorna para casa. 
Jocelyn conhece Grigg (Hugh Dancy) e o convida para o clube da leitura pensando que ele pode se interessar por Sylvia, mas ele se apaixona por ela. 

Aos poucos, a cada livro lido, a cada encontro vamos vendo as coisas se acertarem, e cada um encontrar uma forma de ser feliz. 

Filme fraco, as passagens sobre os livros são rápidas, mescladas pelas questões pessoais, que também são pouco desenvolvidas, mas serve como introdução a escritora Jane Austen e não deixa de ser uma ideia boa, esta de forma um clube de leitura para discutir além dos livros as questões pessoais baseado no que se leu no livro. 
Robin Swicord nasceu em 1952 em Columbia, Carolina do Sul, EUA. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

FILME: VIOLETTE - 2013



Direção: Martin Provost - 2013
Duração: 132 min 

Cinebiografia sobre Violette Leduc, escritora francesa. 

O filme se inicia com uma frase de Violette: " A feiura em uma mulher é um pecado mortal. Se você é linda, é olhada na rua pela sua beleza, se você é feia, é olhada na rua pela sua feiura."

Uma cinebiografia de Violette Leduc (Emmanuelle Devos), uma escritora francesa pouco conhecida. Ela sempre se sentiu muito só, bissexual com uma tendência maior pelas mulheres. Tem medo da perda e dificuldade com a recusa. Seu primeiro livro L'asphyxie ( A asfixia) é sobre sua mãe.

Sempre se sentiu abandonada, fez um aborto do qual carrega o fantasma, recusou-se a ajudar um amigo a se salvar dos alemães durante a guerra um pouco por vingança, uma vez que ele a havia abandonado, mas penso que o principal motivo foi que ela teria que se declarar grávida dele e isto a remetia ao trauma do aborto.

Conhece Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain) que a incentiva a escrever sobre sua vida após ler A Asfixia. Simone sempre declara que se deve escrever tudo e Leduc fala de si mesmo, com sinceridade, mas de forma crua e real. É uma das primeiras mulheres a escrever sobre a sexualidade feminina sem censura, sem omitir nada, o que causa desconforto e polêmica. O jornal publica que ela fala do amor como um homem.



Apaixona-se por Simone e escreve um livro sobre isto. Esta se espanta de ser objeto de tal amor, mas não recua diante de sua publicação. Para mantê-la escrevendo Simone paga uma pensão mensal como se fosse a Gallimard, editora francesa, mas ela o descobre.



Sofre uma crise nervosa, é internada, tem alucinações com os mortos, principalmente Maurice que não ajudou a se salvar (ele morreu na guerra), sente culpa. Recebe eletrochoques.

Ficou presa a sua paixão por Simone e lhe obedece, acredita nela quando lhe diz que será uma grande escritora, mas se ressente quando esta ganha o prêmio Goncourt.

Violette é presa ao seu passado, conturbada não consegue se relacionar com ninguém e isto só aumenta sua solidão e carência. Mas a escrita a salva, e que escrita, que lhe angaria a admiração de grandes escritores e intelectuais na França como Sartre, Jean Genet e Camus, mas não a faz popular. Sua consagração como escritora virá com o livro A Bastarda que foi prefaciado por Simone de Beauvoir.

Leduc se muda para a Provence no interior da França onde vive até morrer em Faucon em 28 de maio de 1972 e sua mãe oito meses depois. Escreveu vários livros depois do sucesso de A Bastarda.



Violette Leduc 

Martin Provost 

sábado, 7 de junho de 2014

DOCUMENTÁRIO: RAÍZES DO BRASIL - Uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda - 2003


Direção: Nelson Pereira dos Santos - 2003 
Duração: 148 min 

Cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda

O filme se divide em duas partes. Na primeira vemos o universo afetivo do historiador. Seus sete filhos, sua esposa Maria Amélia, seus netos. Os locais onde viveu, e seu escritório, um lugar sagrado onde ninguém entrava, mas a porta estava sempre aberta. Há o relato de como ele era um apaixonado por livros, e paixão com toda sua força, capaz de fazer loucuras para ter os livros, como deixar de pagar  o aluguel, ter a ajuda da empregada para pegar os livros pela cozinha e voltar para entrar pela porta da frente, deixando a todos mais tranquilos, pois não havia comprado livros. Engraçado, pois eu durante um tempo fiz exatamente a mesma coisa contando com a ajuda da Maria que trabalhava em casa que levava os livros e os deixava em minha janela do quarto. Assim minha família não os via. Só que minha biblioteca é extremamente modesta ao lado da de Sérgio que no final tinha dez mil volumes, mas poderia ter chego a quarenta mil volumes não fosse o fato dele fazer doações e dar de presente os livros.

Na segunda parte temos o cenário histórico do Brasil onde ele viveu e as falas de seu livro Raízes do Brasil lidos por filhos e netos. Fala-se de seus amigos, da boêmia, de seus cargos em instituições, viagens, da alegria que sempre o acompanhava. Era um homem muito sério na intelectualidade, mas com muito bom humor e divertido. Esta parte é uma cronologia de sua vida intelectual e pessoal, e como pano de fundo temos os acontecimentos históricos do Brasil.

Sérgio nasceu em São Paulo em 1902. Foi jornalista, escritor, historiador, sociólogo. Um grande leitor e também escrevia  e nestes momentos algo se apossava dele, como uma febre. Casou-se com Maria Amélia (Memélia) e teve sete filhos, entre eles Chico Buarque e Miúcha. Faleceu em 1982 em São Paulo. Viveu também uma parte de sua vida no Rio de Janeiro. Era carinhosamente chamado de Papyoto pelos filhos e família.

Nelson Pereira dos Santos em 1928 em São Paulo, Capital. Considerado um dos maiores cineastas brasileiros.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

FILME: O NOSSO SEGREDO - 2013


Direção: Ralph Fiennes - 2013 
Duração: 111 min 
Título original: The invisible woman 
Roteiro: Abi Morgan
País: Reino Unido 

Baseado no livro de Calire Tomalin. 

Cineobiografia dos últimos anos de Charles Dickens. 


1883 - Charles Dickens (Ralph Fiennes)  encontra-se no auge de seu sucesso. Casado com Catherine Hogarth com quem teve dez filhos, ele conhece Ellen Ternan (Felicity Jones) a quem chamava por Nelly,  por quem se apaixona. Divorcia-se de sua esposa o que foi um ato corajoso numa Inglaterra vitoriana e cheia de convenções, mas nunca assumiu oficialmente seu caso com Ellen a quem mantinha e que o acompanhou até o fim de seus dias.



Num retorno da França sofre um acidente de trem. Como isto tornaria público sua situação com Ellen, ela diz para que ele vá ajudar com os feridos, o que ele fez com muito zelo e esforço, deixando-a aos cuidados de outras pessoas.

O filme retrata este período da vida do grande escritor, além do contexto social da época, a miséria de Londres, a vida das mulheres naquele tempo e o início de tentar romper com certas convenções sociais. Catherine, a esposa, não consegue acompanhar Dickens em seu sucesso, compromissos, e tinha dez filhos para criar. Ela se afasta deste convívio social. Nelly lutava junto com sua família para sobreviver como atrizes de teatro e tem o apoio de sua mãe (Kristin Scott Thomas) para se unir a Dickens nesta relação não oficial que foi o segredo dos dois.



Dickens faleceu em 1870. O filme dá prosseguimento à vida de Nelly que se casa e terá filhos, mas nunca esquecerá o escritor.

Anos depois Nelly ensaia os filhos para apresentar peças teatrais baseadas nos textos de Dickens, todos pensam que ela conheceu o grande escritor quando era criança. O peso deste segredo é difícil de ser carregado, ela anda, anda muito e rápido pela praia, como se pudesse aliviar este peso, até o dia que ela poderá compartilhar seu segredo com um grande admirador da obra de Dickens que não a julga, e isto lhe possibilita finalmente estar presente, assumir sua vida atual e manter o passado em seu lugar.

Segredos são fardos, enquanto ela o compartilhou com Dickens e sua família ela o suportou, mas depois foi difícil. Quando o compartilhou ele se tornou novamente um "nosso", tinha com quem falar.


CHARLES DICKENS nasceu em 1812 em Landport, Portsmouth e faleceu em 1870 em Gravesham, Inglaterra. Foi casado com Catherine Thompson Hogarth com quem teve dez filhos. Foi um dos maiores romancistas ingleses da era vitoriana. Entre seus livos os mais conhecidos são: Oliver Twist e David Copperfield e também Um conto de Natal.

Ralph Fiennes nasceu em 1962 em Ipswich, Reino Unido. É um ator, diretor e produtor de cinema.

Trilha sonora de IIan Eshkeri 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

FILME: FLORBELA - Perdidamente Florbela - 2012


Direção: Vicente Alves do Ó - 2012 
Duração: 119 min 
Roteiro: Vicente Alves do Ó
País: Portugal 

O filme chega apenas agora no Brasil. Um belíssimo retrato de Florbela Espanca, a poetisa portuguesa, tida como o feminino de Fernando Pessoa.

Florbela nasceu em 1894 em Vila Viçosa, Portugal. Era filha de Antónia Conceição lobo e de João Mayra Espanca, porém este era casado com Mariana do Carmo Toscano. Seu irmão Apeles também é filho de Antónia, e João tirou os filhos de sua mãe e os levou para serem criados em sua casa. A esposa era estéril e os recebe com amor, tornando-se a madrinha deles. João nunca reconheceu o filho como seu, e Florbela somente 18 anos após sua morte foi reconhecida e recebeu o sobrenome Espanca.

Florbela (Dalila Carmo) tem uma imensa sede de viver, de ir mais longe, mas seu primeiro marido Alberto não compreende isto, e ela se divorcia dele indo para Lisboa. Casa-se novamente com Antonio, mas também não dura este casamento, e então casa-se com Mario (Albano Jerónimo), um médico e vai viver em Matosinhos.



Seus primeiros poemas da época de seu primeiro casamento são publicados nos jornais, ela também edita um livro de poemas, mas depois entra num longo período em que não consegue escrever, voltando a fazê-lo somente após a morte do irmão.

O filme foca principalmente neste período de improdutividade, e em seus três casamentos, passando levemente por sua vida intensa em Lisboa, sua sexualidade, tentativas de suicídio e suas questões psíquicas. Sua relação incestuosa com o irmão Apeles (Ivo Canelas) é uma questão controversa entre seus biógrafos, mas no filme ela é visível, a ponto do irmão não suportar seu terceiro marido, a intromissão dele entre os dois.

O que se percebe pelo filme como mais forte é sua eterna insatisfação, ela diz que não sabe viver, suas buscas, a melancolia, a angústia. Florbela carrega um excesso dentro dela, e não encontra onde colocar, nem mesmo a escrita pode suprir isto.  Segue somente suas regras, não leva muito em conta o que os outros sentem, deixa seus maridos apaixonados sem se preocupar com isto, o que importa é sua necessidade de algo novo, diferente, da eterna busca da vida, de viver que não se sacia.

Uma mulher que nasceu em uma época errada, que não teve o que fazer com tudo que tinha dentro de si mesma e com isto se perdeu em si mesma.

Florbela Espanca

Vicente Alves do Ó nasceu em 1972 em Sétubal, Portugal. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

FILME: FLORES RARAS - 2013


Direção: Bruno Barreto - 2013 
Duração: 118 min 
País: Brasil 

Baseado no livro Flores raras e Banalíssimas de Carmem Lúcia de Oliveira e em fatos verídicos sobre a relação de Lota e Bishop entre o período de 1950 e 1960. 

Em 1951 Elizabeth Bishop (Miranda Otto) está diante de uma crise, sente-se cansada, solitária e não consegue escrever seus poemas, decide então viajar e passar uns dias no Rio de Janeiro onde tem uma amiga da faculdade Mary (Tracy Middendorf) que vive com a arquiteta e paisagista Lota de Macedo Soares (Glória Pires).



Elizabeth chega ao Rio e defronta-se com uma cultura muito diferente da sua, ela estranha e se comporta como se estivesse num país atrasado, chegando a temer beber a água da fonte, perguntando se era mineral. Apesar dela viver mais de 20 anos no Brasil ela nunca irá se acostumar totalmente. Lota em princípio não simpatiza muito com ela, principalmente diante destes comportamentos, mas acabará se apaixonando por ela e fazendo um acordo com Mary que permanece vivendo na casa chamada Samambaia em Petrópolis e adota uma menina, da qual Lota se considera a avó.



O filme nos relata então o relacionamento de Elizabeth e Lota principalmente entre os anos 50 e 60, que apesar de conturbado foi algo forte, e que contribuiu para a produção artística das duas. Bishop escreverá poemas e irá ganhar o prêmio Pulitzer pelo seu livro North & South e Lota será a responsável pelo projeto e construção do aterro do Flamengo.



Apesar do filme não mostrar toda sua permanência no Brasil, inclusive o tempo em que residiu em Ouro Preto em MG, consegue relatar de uma maneira bela a relação das duas, que irá terminar com o suicídio de Lota em Nova York muitos anos depois.

Glória Pires está brilhante como Lota, uma mulher determinada, que está acostumada a fazer o que quer e ter o que deseja. Bishop é seu oposto, tímida, alcoólatra, sente ciúmes e insegurança pela relação de Lota com Mary, mas será Lota quem irá sucumbir, envolvida em questões políticas e com a partida de Bishop ela entrará em depressão, e quando finalmente melhora e vai visitar Elizabeth ela se suicida no apartamento desta após tomar uma dose alta de remédios, entrando em coma e falecendo alguns dias depois.

A delicadeza com que o filme retrata o amor das duas já vale o mesmo, pois até pouco tempo atrás não se veria um filme brasileiro sobre a homossexualidade feminina tratado como um sentimento, um laço forte, como qualquer outra relação de amor.

Ambas tiveram infâncias sem muito amor, Lota tem dificuldades com o pai e Bishop com a mãe que foi internada em um hospital psiquiátrico onde passou o resto de sua vida e nunca mais viu a filha. Elizabeth tinha dificuldades em se dar à alguém.

Li o livro "Uma arte - as cartas de Elizabeth Bishop" da Companhia das Letras onde ela relata todo este período.



(Maria Carlota) Lota de Macedo Soares nasceu em 1910 em Paris e faleceu em 1967 em Nova York. Foi paisagista, urbanista e arquiteta autodidata. Durante o governo no Rio de Janeiro de seu amigo Carlos Lacerda projeta o Aterro do Flamengo, retirando-se da obra após a perda do governo por seu amigo. Apoiou o governo militar temendo que o Brasil se tornasse comunista. 


Elizabeth Bishop nasceu em 1911 em Worcester, Massachusetts e faleceu em 1979 em Boston. Considerada uma das maiores poetisas da língua inglesa do século XX. Robert Lowell foi um dos seus melhores amigos até o fim de sua vida. 


Bruno Barreto nasceu em 1955 no Rio de Janeiro. 

Trilha sonora de Marcelo Zarvos 

Kalu - para lembrar 

Marcelo Zarvos nasceu em 1969 em São Paulo, SP. É um compositor brasileiro radicado nos Estados Unidos

quinta-feira, 27 de março de 2014

FILME: PALAVRA E UTOPIA - 2000



Direção: Manoel de Oliveira - 2000
Duração: 133 min 
Roteiro: Manoel de Oliveira
País: Portugal 

Uma cineobiografia sobre o Padre Antônio Vieira.

Pe. Antônio Vieira nasceu em 1608 e veio para o Brasil em 1614. Ficou famoso pelos seus sermões. Ordenado jesuíta seus sermões denunciavam as injustiças principalmente a causa dos índios e dos negros. No ano de 1663 enfrentará o tribunal da Inquisição em Coimbra. É amigo pessoal de Dom João IV e será vítima de intrigas na corte tendo que se refugiar em Roma onde conquistará a confiança do Papa. Será o confessor da Rainha Cristina da Suécia. Retorna à Portugal e será obrigado por Dom Pedro II a passar o restante de sua vida no Brasil.



Lima Duarte representará o Pe. Vieira  na última parte de sua vida. O uso da palavra para defender os índios, negros e judeus através de seus sermões, o aspecto político de Vieira.



Manoel de Oliveira nasceu em 1908 em Porto, Portugal.
Faleceu em 02 de abril de 2015 em Porto.  

FILME: ECLIPSE DE UMA PAIXÃO - 1995


Direção: Agnieszka Holland - 1995 
Duração: 111 min 
Título original: Total Eclipse 
Roteiro: Christopher Hampton 
País: Reino Unido 

Baseado em cartas e poemas o filme reconta a história de dois poetas franceses do século XIX - Paul Verlaine (David Thewlis)  e Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio).



Após a morte de Rimbaud sua irmã Isabelle (Dominique Blanc)  procura por Verlaine e lhe pede os manuscritos dos poemas do irmão para que sejam queimados. Verlaine então irá se recordar da história que viveu com o poeta desde que o conheceu em 1871 quando após receber um poema enviado por ele ficou impressionado e o convida à sua cada onde vive com sua esposa Mathilde que está grávida (Romane Bohringer). Rimbaud ainda adolescente não tem um mínimo de boas maneiras e Verlaine será seduzido por este espírito rebelde e livre. É o início de uma relação de amor violenta entre os dois que terminará com Verlaine dando um tiro na mão de Rimbaud e sendo acusado de tentativa de assassinato e sodomia é condenado e preso.

Após ser libertado Verlaine reencontra Rimbaud na Alemanha, mas este último irá embora e viajará pelo mundo indo para Abissínia (Antiga Etiópia). Devido um ferimento no joelho mal curado resultara num tumor no joelho e o obrigará a retornar à França onde terá a perna amputada, porém já é tarde, a metástase se espalha e ele morrerá aos 37 anos. Sua irmã afirma que ele se arrependeu e se confessou à um padre e por isto quer destruir os manuscritos de seus poemas imorais. Verlaine finge que irá devolvê-los e enviá-los para ela.

DiCaprio está brilhante como Rimbaud. São atuações corajosas e cruas, o relacionamento dos dois poetas, visceral, homossexual, numa época onde isto era crime. O desespero da esposa de Verlaine, a paixão deste por Rimbaud que o leva a largar tudo, e a rebeldia deste último e sua poesia que até hoje influencia escritores. Um belo filme.


Agnieszka Holland nasceu em 1948 em Varsóvia, Polônia. Trabalha nos EUA. 

Trilha Sonora de JAN A.P. KACZMAREK 

Jan A.P. Kaczmarek é um compositor polonês que nasceu em 1953 em Konin. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

FILME: AMOR E INOCÊNCIA - 2007



Direção: Julian Jarrold - 2007
Duração: 120 min 
Título original: Becoming Jane 
Roteiro: Kevin Hood e Sarah Williams 
País: Reino Unido 

Uma cinebiografia da escritora Jane Austen.

Em 1795 Jane Austen (Anne Hathaway) então com 20 anos começa sua vida de escritora. Seus pais  (Julie Walters e James Cromwell) desejam que se case com um homem rico, mas ela se apaixona por Tom Lefroy (James McAvoy). O candidato que seus pais desejam é o Sr. Wisley (Laurence Fox), neto de Lady Gresham (Maggie Smith) e não se conformam, principalmente Lady Gresham com sua recusa. Tom é um malandro que acabará se casando com outra mulher. Jane nunca se casará e viverá sua vida como escritora.

Com a desaprovação familiar Jane e Tom fogem, mas no meio do caminho ela irá se arrepender e retornará para sua casa. A era vitoriana, os casamentos  por interesse, Jane sonhava com um casamento por amor. O Tio de Tom também não aprovava o casamento, e deserdará o sobrinho caso ele insista nisto.

Seus livros se baseiam muito em sua experiência de vida, a ponto de me levarem a pensar qual é a realidade e qual é a ficção quando analiso os filmes baseados em seus livros, principalmente Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade.




Julian Jarrold nasceu em 1960 em  Norwich, Norfolk, Reino Unido.

Trilha Sonora - Adrian Johnston

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

DOCUMENTÁRIO: JOSÉ E PILAR - 2010


Direção: Miguel Gonçalves Mendes - 2010 
Duração: 125 min 
País: Espanha - Portugal - Brasil 

Mendes realizou o filme sobre José Saramago e Pílar Del Rio e o completou com o livro de Conversas Inéditas que também já li e postei aqui no Blog.

O filme me lembra muito Cadernos de Lanzarote escrito por Saramago, são detalhes da intimidade de ambos, seus pensamentos e a rotina de trabalho.



As idéias de Saramago, suas posições frente ao mundo. Um desiludido que sabia que a vida é o que ela é e o ser humano também, demasiado humano. Apesar de melancólico ele tem senso de humor.

Pílar é uma mulher forte, que abre mão de sua carreira de jornalista para assessorar Saramago, mas é uma escolha e o faz com prazer. E ele é dependente dela, a todo instante se ouve Saramago: Pílar! Pílar! Isto lhe dá um lugar que para outros poderia ser sufocante, mas é a beleza do amor que une os dois, um amor maduro entre dois seres que já haviam vivido antes outras experiências em suas vidas.



Havia um Saramago e havia um José, mas Pílar, era única.

Recomendo o documentário seguido do livro. Você encontra o filme completo no Youtube.


Miguel Gonçalves Mendes nasceu em 1978 em Covilhã, Portugal. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

FILME: SAGAN - 2008



Direção: Diane Kurys - 2008
Duração: 180 min 
País: França 

Uma cineobiografia da escritora francesa Françoise Sagan desde o lançamento do seu primeiro livro Bonjour Tristesse aos 18 anos até sua morte aos 69 anos.

Françoise Sagan (Sylvie Testud) escreve um livro em 07 semanas que lhe dá o sucesso e fama, é o seu primeiro livro - Bonjour Tristésse - Bom dia Tristeza.



Era uma jovem mimada, fazia sempre o que queria. Ganhou muito dinheiro e perdeu tudo. Não dava nenhum valor ao dinheiro. Dois casamentos, um filho, algumas relações homossexuais, álcool, drogas - cocaína. Devia muito dinheiro ao fisco sendo condenada a um ano de prisão, quando um amigo escreveu: "ela deve ao Estado, mas a França lhe deve muito mais."


Sagan viveu a primeira parte de sua vida no entre-guerras e depois do fim da Segunda Guerra o que se buscava em um certo clima de euforia era a liberdade, onde tudo era permitido, drogas, sexo, relações livres, álcool. Ela não é diferente da maior parte de sua geração, mas sabia escrever. Uma época onde o importante era negar aqueles anos de guerra, e não ter castração depois de tantas privações, tudo era permitido. O que eu me pergunto é se somos capazes de suportar tal liberdade ou ela acaba nos destruindo?


Ela dizia que escrever era uma pulsão sexual e que não havia idade para aprender a viver. Morreu sozinha, sem dinheiro e não quis ver seu filho no leito de morte. Dizia que não foram feitos um para o outro.

Sagan foi uma mulher do seu tempo, solitária apesar de rodeada de pessoas. Muitos a bajularam e se aproveitaram para curtir a vida com o dinheiro dela e depois desapareceram. E ela reconhecia que quando se está mal as pessoas desaparecem, que a dor afasta as pessoas.


FRANÇOISE SAGAN nasceu em 1935 em Cajarc, França e faleceu em 2004 em Honfleur, França


Diane Kurys nasceu em 1948 em Lyon, França 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

FILME: A ÚLTIMA ESTAÇÃO - 2009



Direção: Michael Hoffman - 2009 
Duração: 112 min 
Título original: The last station ~
Roteiro: Michael Hoffman 
País: Estados Unidos 

Baseado no romance biográfico homônimo de Jay Parini. 


O filme fala dos últimos anos de Tolstói, em 1910. Leon Tolstói (Christopher Plummer) , o grande escritor russo vive em sua propriedade Yasnaya Polyana, no entanto ele rejeita a propriedade privada e defende o pacifismo.
Sua esposa Sofya Andreyevna (Helen Mirren) se opõe ao movimento que cresce e transforma Tolstói em um santo vivo, o movimento mundial Tolstoiano que é dirigido pelo grande amigo de Tolstói,  Vladimir Chertkov (Paul Giamatti). É ele quem entrevista o candidato a secretário do escritor Valentin Bulgakov (James McAvoy) que se tornará também escritor. A intenção de Chertkov e que Valentin seja uma ponte entre ele e Tolstói, uma vez que está impedido de vê-lo.



Sofya não aceita que o marido se dedique ao movimento, e suspeita que ele tenha assinado um testamento cedendo todos os direitos autorais de suas obras a eles. Ela vai lutar para que isto não aconteça, porém Tolstói fugirá dela, acompanhado de sua filha e Chertkov e durante esta fuga contrairá pneumonia vindo a falecer.



Sofya era da aristocracia, e com certeza visava seu patrimônio e de seus filhos, mas o que choca é a forma como a afastam de seu marido que a amava apesar disto e ela à ele. Estavam juntos há 48 anos e tiveram 13 filhos. Ela é afastada de sua vida por ele que acredita que deva se dedicar à sua causa e pela sua filha e o amigo do marido, a ponto de não permitirem que ela o veja quando está em seu leito de morte, apesar dela ter ido até lá. O que eles não queriam era que sua presença destruísse  o ícone que fizeram dele

Quando ela lutava, brigava e falava o que sentia a tratavam como louca e ele acaba assinando o testamento após relutar muito por causa de Sofya e foge. Após sua morte a justiça restituiu os direitos autorais à ela.

Sofya pertencia ao seu mundo, e não poderia concordar em doar tudo aos pobres.  Por outro lado as obras eram de Tolstói, ele as escreveu e lhe pertenciam, tinha o direito de fazer com elas o que desejava, e ele desejava torná-las de domínio público, pois acreditava tê-las escrito para o povo e não para fazer fortuna.

Não havia o certo e o errado, cada um tinha seus motivos e que estavam de acordo com a época e situação em que viviam e que respondiam às suas crenças.

Michael Hoffman nasceu em 1956 no Havaí, EUA.

Trilha sonora de Sergey Yevtushenko