Mostrando postagens com marcador Mikael Persbrandt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mikael Persbrandt. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de novembro de 2014

FILME: MOMENTOS ETERNOS DE MARIA LARSSONS - 2008


Direção: Jan Troell - 2008
Duração: 131 Min
Título Original: Maria Larssons Eviga Ögonblick

País de origem: Suécia 

Baseado na vida da avó da mulher do diretor, a primeira fotógrafa profissional da Suécia

Suécia - 1907

Maria Larssons (Maria Heiskanen)  ganha num bilhete de loteria uma câmera fotográfica. Seu noivo diz que ela devia dar para ele já que o dinheiro com que comprou o bilhete era dele, ela lhe responde que só a dará se ele se casar com ela, e eles se casam. Quem nos conta a história é uma de suas filhas, Maja. 

Esta história de amor logo logo se defrontará com a dura realidade da vida pobre e com um marido que começa a chegar bêbado em casa e se envolve com outras mulheres. Além disto ele é violento e várias vezes baterá em Maria que procura a ajuda de seu pai, mas tem que voltar para casa em função da moral da época que não permitia que uma mulher se separasse e ela teria que viver com Sigfrid ( Mikael Persbrandt) até que a morte os separe. 

Será uma vida difícil, mas Maria não desanima e lutará para manter seus sete filhos alimentados e tendo onde morar. Em determinado momento diante de uma situação difícil Maria tenta vender sua câmera ao fotógrafo da cidade, Sebastian (Jesper Christensen) , que ao invés de comprá-la a ensina a usá-la, e lhe dá o material que precisa dizendo que é uma penhora. Maria aceita. 

A partir deste momento ela olha o mundo pela lente da câmera e descobrirá coisas que não via antes. Este mundo lhe pertence e nada de toda tristeza, violência e pobreza pode invadir, nem mesmo seu marido. 

O filme retrata a vida das mulheres no início do século XX, sempre grávidas, trabalhando, limpando, criando filhos e sofrendo com as bebedeiras e violência dos maridos. Maria encontra em Sebastian um amigo, alguém que a ouve e que a compreende. 

Um dia Sigfrid perde a cabeça e tenta matá-la e acaba preso. Ao contrário do que todos esperavam, inclusive seus filhos, Maria não o deixa e faz de tudo para sobreviver. É quando ela começa a tirar fotos para ganhar algum dinheiro e assim acabará se tornando uma das maiores fotógrafas da Suécia, e a primeira mulher a sê-lo. 

Aos poucos a vida deles melhora, Sigfrid consegue abrir um negócio e seus filhos poderão realizar seus desejos de estudar. Eles mudarão para uma casa no campo. Maja também começará a tirar fotos. 

A vida de Maria não foi fácil, era cheia de tristezas e muita luta, mas ela conseguiu fazer o que era possível, e dentro disto achar algo que lhe permitia olhar o mundo de outra forma, e lhe dar alegrias e prazer. E isto é uma grande lição, ao invés de sonhar com o impossível, fazer aquilo que se pode, e transformar a vida em algo mais do que sofrimento. 


Jan Troell nasceu em 1931 em Limhamn, Suécia. 

Fotos de Maria Larssons 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: EM UM MUNDO MELHOR - 2010



Direção: Sussane Bier - 2010
Duração: 113 min 
Título Original: Haevnen
Roteiro: Sussane Bier e Anders Thomas Jensen
País: Suécia - Dinamarca

Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Golden Globe Award

Um filme excelente que permite várias leituras e sobre vários temas.

Talvez o nome do filme seja significativo sobre se referir à Dinamarca, supostamente um país de primeiro mundo, de bem estar social, superior até, mas que se mostrará que não é quando se trata do humano, pois se há algo que é universal é o ser humano. O contexto pode ser outro, mas ao final os sentimentos, as paixões, o ódio, a raiva, o amor, estão presentes em todos.
O ponto forte do filme é mostrar como respondemos ao mal e suas raízes na infância.
Anton (Mikael Persbrandt) é um médico e está na África no meio dos confrontos e da guerra local, onde a população é aterrorizada por um bando armado que comete vários estupros para se divertir e depois apostam se o filho gerado na violência será menino ou menina, e para ver quem ganhou capturam a vítima e lhe abrem o ventre.Cabe a Anton tentar salvar suas vidas.


Enquanto isto sua família está na Dinamarca e seu filho mais velho Elias (Markus Ryggard) enfrenta uma situação difícil na escola de Bulling. O chamam de cara de rato, sueco que ali é pejorativo devido à história da Dinamarca, Suécia e Noruega, até que chega à cidade um garoto, Christian (William Johnk Nielsen) ,  que acaba de perder a mãe e vai morar na casa da avó. Este irá defender Elias de seus agressores e irão se tornar amigos.



Anton  volta para casa para um tempo de descanso.



Ele e sua esposa são chamados na escola, a mãe tenta defender seu filho e acusa a escola de não tomar providências em relação ao bulling. O pai tenta amenizar as coisas.
Num passeio com os filhos e Christian, Anton é agredido pelo pai de outra criança quando tenta acalmar os ânimos de uma briga de criança. Ele não revida e tenta ensinar aos filhos e ao amigo que cada um pode ter sua escolha, ser violento gera violência e que o mundo pode ser um lugar melhor. Depois ele retorna em busca deste pai, o provoca, mas na esperança que ele peça desculpas, o que este não faz, e novamente ele se vai com os meninos sem ter dado uma resposta ao outro. E aí está a questão. Por mais errado que seja, o pai do outro menino deu uma resposta à violência, e Anton não. Para os meninos, ele foi humilhado. Eles não tem a percepção de Anton, que estaria sendo melhor que o outro, e isto por que a cultura e o social colocam desta forma, é o que se espera. E esta ação de Anton irá ter consequências.



Ele volta para a África e se vê numa situação extremamente complicada. O chefe do bando está ferido, entre a vida e a morte e o levam até ele. E agora? Ele acabará agindo de acordo com a ética médica e salvará a vida do monstro. A população local ficará revoltada.
Quando o chefe se recupera ele vai até a tenda onde Anton está tentando salvar a vida de mais uma jovem, e debocha, ri, então ele reage e o joga para o povo lhe dar o que merece, ele é linchado.
E eu fico com a pergunta: ele não estaria lavando as mãos como Pilatos durante todo o filme? tentando conter uma agressividade que todos nós temos? para dar um exemplo ao filho, por acreditar num mundo melhor, ele acaba sendo de certa forma omisso. Ao ser agredido pelo pai do outro garoto, ele não precisa revidar da mesma maneira, mas uma resposta é necessária, e por que não chamar a polícia como disse Christian? esta seria uma maneira de ensinar a dar uma resposta sem revidar na mesma moeda e teria tranquilizado os garotos.
No caso do bulling, se ele tivesse agido com firmeza, apoiado sua esposa, e exigido da escola uma ação, colocando nela sua parte de responsabilidade?
Christian também tem seus problemas, seu pai está sofrendo a perda da esposa, o menino pensa que poderia ter salvo a mãe, falta diálogo, falta verbalizar o que sentem.
O filme nos mostra que muitas vezes as boas intenções nos levam a omissão, ao calar, e que nem sempre isto leva a um mundo melhor. Que o mundo é feito de coisas boas e de coisas ruins, que o mau existe, e que a agressividade também faz parte de nós, e que mesmo num mundo melhor ainda teremos que lidar com isto e que é necessário uma resposta melhor a estas situações.



Ainda resta muito a se falar sobre este filme, mas não damos conta de tudo, portanto o que escrevo aqui é o que me marcou, o que o filme deixou em mim.

Assista ao trailer




Sussane Bier nasceu em 1960 em Copenhagen, Dinamarca. 

Curiosidade: O título do filme é Haevnen em Dinamarquês, e significa Vingança.