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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

LIVRO: FRIDA KAHLO para-além da pintora - MARLI BASTOS


Bastos, Marli Miranda. Mauad X, 2010
115 páginas

Bastos faz uma análise da obra de Frida Kahlo para além da pintora pelo olhar da psicanálise.

O que se evidencia é que Frida se tornou pintora para da conta do real, o real do acidente, do seu corpo esfacelado, das suas dores. O que ela não conseguia dizer pela palavra ela pintava. Mas Frida foi além disto também, porque escrevia cartas e poesias.

Devido o acidente e diante de um corpo traumatizado que lhe restringia vários aspectos ela dá um destino a sua pulsão sexual que ao invés de se dirigir para o sexo, para o objeto sexual, se sublima e ao invés de ser recalcado se dirige para a arte.

Bastos nos faz um breve resumo da vida de Frida Kahlo, desde a infância onde sofreu com a poliomelite que lhe deixou uma perna mais fina que a outra e um pouco manca, o acidente, seu amor-paixão por Diego Rivera, sua militância política, seu amor pela cultura mexicana, e todos os casos amorosos que teve ao longo da vida. Ela não desistiu de viver após o acidente, ela não se entregou ao drama e trágico de seu estado, mas também não o negou. Ela o transpôs para a arte. Por isto os quadros de Frida Kahlo são em sua maioria autorretratos e expressões do que sentia. Ela se utiliza de cores vivas, que representam a vida, mas também a alegria do México e toda sua cultura em relação à morte. O vermelho sangue que ao mesmo tempo representa todo o sangue seja do acidente, seja dos abortos que sofreu, também é a cor da vida, a cor da paixão.

A arte nasce em torno de uma vazio, o contorna. Todo o excesso que não consegue ir a algum lugar se expressa na arte, a pulsão que poderia ficar perdida e rodopiando se canaliza para algo. A arte lhe possibilitou seguir sua vida apesar de todos os sofrimentos pelos quais passou, levando tudo que era inefável para o simbólico.

Marli Bastos é psicanalista, Mestre em psicanálise, saúde  e sociedade  pela Universidade Veiga de Almeida (UVA-RJ), é formada em Psicologia pela Universidade São Marcos-SP, com especialização em Psicologia Clínica pela PUC-Rio. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

FILME: FRIDA, NATUREZA VIVA - 1986


Direção: Paul Leduc - 1986
Duração: 108 min
Título Original: Frida, Naturaleza viva

Já havia assistido ao filme Frida de Julie Taymor de 2002 que já postei aqui no blog. Agora encontrei este que é anterior e o primeiro filme sobre a pintora mexicana Frida Kahlo.



Diferentemente do segundo filme este nos mostra fragmentos da vida de Frida nos remetendo à própria pintora que teve seu corpo fragmentado e invadido por inúmeras cirurgias após o acidente que a vitimou ainda bem jovem.

Toda sua pintura se remete a ela mesma, a sua dor e vazio que ela expressa na arte.

No filme temos Frida (Ofelia Medina) que se recorda de sua vida quando está beirando a morte. Através de seus quadros ela recorda seu grande amor por Diego Rivera (Juan José Gurrola), suas participações políticas , sua vida sentimental incluindo alguns casos com mulheres e também seu caso com Trotsky (Max Kerlow) que graças as intervenções de Diego conseguiu asilo no México e ficou na casa dos Rivera onde se encantou com a beleza e personalidade da pintora.



A solidão de Frida é profunda e o vazio de seu ventre diante do desejo de ter um filho que a leva a pintar o aborto, seu corpo mutilado, uma pessoa cindida, dividida desde a infância, pai alemão e mãe mexicana, se retrata no quadro das duas Frida(s) .

Gosto muito dos quadros de Frida, apesar da dor que está ali são vivos, coloridos, sempre com fundos de natureza, plantas ou animais. A mexicanidade de Frida que aparece na maneira como ela olha para a morte e para a dor. Uma vida que sofreu reveses desde a poliomelite que teve na infância, o acidente, sua paixão por Diego Rivera, a traição deste com a irmã da pintora, mas Frida continuou e não se entregou a uma depressão ou desistência, a dor ia para os quadros mas aquelas cores fortes ainda mostravam que estava viva.



Paul Leduc nasceu em 1942 na Cidade do México



segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: FRIDA - 2002




Direção: Julie Taymor - 2002
Duração: 123 min 

País: Estados Unidos 

Baseado no livro da Hayden Herrera sobre a biografia de Frida.

A história de Frida Kahlo, eu já a conhecia, li seu diário, que também recomendo.

O filme fala de sua adolescência, o acidente que mudou sua vida, todo seu sofrimento físico, até sua morte, mas também de toda sua vontade de viver e de sua arte.

Novamente temos uma mãe que não aceita como é a filha. Ela não é submissa, não segue sua religião, o que vão pensar os outros? as despesas devido seu acidente são altas. A mãe declara que ela não é bonita e ainda lhe diz: Quem sabe se um dia você casa! E no entanto Frida  é uma mulher bela, marcante, exuberante até.
Quando Frida (Salma Hayek)  se casa com Diego Rivera (Alfred Molina) , pintor, e que é divorciado isto é um escândalo para sua mãe. O pai a ama muito e a incentiva. Novamente a rivalidade da mãe com a filha, como com Camille Claudel e agora Frida Khalo. Uma  mãe que quer que a filha siga seu desejo, seja ele algo que ela nunca conseguiu realizar para si mesma, ou seja, ser como ela, o destino que se impõe as mulheres na sociedade em que vivem. Não conseguem ver a filha brilhar mais. Por outro lado, elas tem pais que a defendem, e incentivam. Chego a pensar que elas são o "filho homem", aquele com o qual o pai se identifica e o projeta no futuro.



Frida pinta o que não consegue falar. Sua dor, sua solidão. Se volta para si mesma, não reflete o exterior, assim como Claudell.



Seus quadros são ela mesma, seus desejos, seu sofrimento. Mas apesar de suas limitações físicas, Frida tem uma vida intensa e cria muito, nos deixa um legado fantástico e rico.
Recomendo também a leitura de seu diário.




Assista ao trailer





Julie Taymor nasceu em 1952 em Newton, Massachussets, EUA.

Trilha Sonora de Elliot Goldenthal




Elliot Goldenthal nasceu em 1954 em New York, EUA. É um compositor e companheiro de Julie Taymor.