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terça-feira, 21 de abril de 2015

FILME - BAGDA CAFÉ - 1987


Direção: Percy Adlon - 1987
Duração: 108 min
Título Original: Out of Rosenheim - Bagda Café


Perto de Las Vegas no deserto de Mojave, Jasmim (Marianne Sägebrecht) briga com o marido e ele a deixa ali. Empertigada, digna, ela com seus sapatos de salto, uma roupa que não tem nada a ver com o local que está, puxa sua mala e caminha pela beira da estrada. O marido ainda lhe deixa uma garrafa de café que ela ignora. Ele se arrepende, retorna, mas ela se esconde.



Um café a beira da estrada, com um posto de gasolina e um motel, chamado Bagda Café, lá vemos Brenda (CCH Pounder) brigando com seu marido Sal, que é folgado demais, devagar e se esquece de tudo. Ela o manda embora. Brenda é amargurada e briguenta. Está sentada numa cadeira desolada quando vê Jasmim chegando com sua mala. 


A relação inicial das duas mulheres não é das melhores. Brenda desconfia desta alemã perdida ali no meio do nada, e mais ainda quando vai fazer a limpeza do quarto e vê roupas masculinas e itens de higiene masculinos. Ela chama o xerife que nada pode fazer uma vez que os documentos de Jasmim estão em ordem. O caso é que Jasmim pegou a mala do marido na hora da briga, e então ao invés de ter uma crise ela simplesmente aceita aquilo e trata de se virar com isto. 

Hostilizada por Brenda a princípio Jasmim vai se aproximando das pessoas que por ali vivem tocando nos pontos que são mais importantes para cada um, como a música para o filho de Brenda, a pintura para Rudi Coxx (Jack Palance), as roupas para a filha de Brenda. Ela consegue captar o que há de melhor em cada um deles. Jasmim também começa a por ordem em tudo ali, limpar, organizar o que inicialmente deixa Brenda furiosa, mas depois ela reconhece que ficou bem melhor.

Jasmim e Brenda são mulheres que no começo do filme nos parecem um tanto "masculinizadas", mas o trabalho e a convivência irá aproximá-las e transformá-las e as perdas que ambas sofreram lhes dá a oportunidade de fruir de uma nova liberdade e de construir uma vida nova onde o homem se torna uma figura pífia, logo eles que no início do filme nos parecem os responsáveis por todas as dificuldades que ambas enfrentam. 

Brenda é um tanto neurótica, mas se explica através de todas as dificuldades que enfrenta. O filho que tem um bebê e que passa o dia tocando piano, a filha que vive com rapazes para cima e para baixo, toda a responsabilidade é dela, o marido era um inútil que não a ajudava em nada, o funcionário vive dormindo em sua rede.  A desordem de sua vida se reflete no ambiente ao seu redor. É onde justamente Jasmim irá mexer, organizando este caos.

Jasmim apesar de estar passando pelo mesmo problema que Brenda, o marido a deixou, e ela ainda está num país estrangeiro, reage de outra forma, ela lida com os problemas de forma criativa, e isto fica explícito no filme em sua reação ao abrir a mala trocada, ou o que fazer com aquele jogo de mágicas que inicialmente não lhe interessava e que foi justamente uma das formas que ela usou para abrir mais espaço e conquistar as pessoas, com a mágica, que metaforicamente podemos dizer que foi com um toque de mágica, de amor, de compreensão que ela transformou o Bagda Café num lugar alegre, cheio de vida e música.



Mas notamos que Brenda é uma pessoa que precisa do outro para a incentivar, uma vez que quando Jasmim tem que ir embora pois seu visto no país venceu, ela se entrega novamente a desordem, e tudo fica apático novamente. Por outro lado quando Jasmim retorna, tudo se reacende, e todos estão alegres de novo.

Percy Adlon nasceu em 1935 em Munique, Alemanha. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

FILME: QUANDO NOS TORNAMOS ADULTOS - 2004


Direção: Ron Underwood - 2004
Duração: 94 min 
Título original: Back when we were grownups 

Baseado no romance de Anne Tyler 

Rebecca (Blythe Danner) deixou seu namorado e seus sonhos de ser uma intelectual e se formar na Universidade para se casar com Joe que já tinha três filhas, mas ficou viúva jovem, com 26 anos. Agora ela tem 53 anos e questiona sua vida, o que realmente fez por si mesma.

Ela cuida da empresa de eventos, do idoso Poppy (Jack Palance) que vai completar 100 anos, e é o centro de sua família de 04 filhas, pois teve uma de seu casamento. Após uma visita a sua mãe onde relembram momentos passados, ela se decide a procurar por Will Alenby (Peter Fonda) que foi seu primeiro namorado que ela deixou para se casar.

Will está divorciado, tem uma filha e vive sozinho. Os dois se reaproximam, começam um namoro, mas as diferenças são muitas, as que já existiam antes e que fez com que Rebecca escolhesse outro para se casar.

É o momento em que Rebecca percebe que devemos ser felizes com aquilo que podemos ter e que construímos, voltar ao passado nem sempre é uma boa escolha, mas olhar para o futuro, como faz Poppy que após comemorar os 100 anos deseja que no próximo ano a festa seja maior.

Um filme gostoso de assistir, sem grandes dramas, mas que ensina o valor da vida, do viver o que podemos viver, mas também de assumir as escolhas que fizemos. Rebecca escolheu Joe, não Will, e escolheu continuar ali e ser o centro desta família e dar continuidade ao negócio deles. Claro que ela pode mudar, pode buscar outras opções, e ela faz isto, voltando a estudar para dar continuidade a pesquisa que estava fazendo e que abandonou quando se casou.

Não podemos ter tudo na vida, quando fazemos uma escolha perdemos outras oportunidades, mas ficar pensando no como poderia ter sido não leva a nada, o que vale é olhar o que se tem e o que se pode ainda ter.


Ron Underwood nasceu em 1953 em Glendale, Califórnia, EUA.