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domingo, 30 de novembro de 2014

FILME: O SEGREDO DOS SEUS OLHOS - 2010



Direção: Juan José Campanella - 2010
Duração: 129 min
Título Original: El secreto de sus ojos

País de Origem: Argentina

Benjamín Espósito (Ricardo Darín) se aposenta após trabalhar a vida todo no Tribunal Penal em Buenos Aires. Para preencher seu tempo ele começa a escrever um romance sobre um fato verídico que se passou 25 anos antes, quando em 1974 foi encarregado de investigar um violento estupro seguido de assassinato de uma bela mulher, Liliana Calotto (Carla Quevedo) casada há um ano com Ricardo Morales (Pablo Rago). 

O filme se passa entre digressões entre o presente e o passado e aos poucos vamos conhecendo toda a trama do que ocorreu naqueles anos. Somos então apresentados à Irene (Soledad Villamil), que iniciava sua carreira jurídica e à Sandoval (Guillermo Francella), assistente de Espósito que sofre de alcoolismo, mas é brilhante em solucionar casos. Este é o enredo policial do filme. 

Espósito é apaixonado por Irene, mas nunca ousa lhe dizer nada e ao investigar o caso de Liliana se envolve cada vez mais com a vida da vítima, pelo marido apaixonado, que alega não desejar a morte do assassino, mas sim, que ele passe a vida toda preso e tenha que se haver com o nada. Logo no início do filme Espósito anota num papel "Temo", ao acordar. Ao escrever sobre a investigação ele procura Irene para lhe falar sobre isto, sobre tudo que aconteceu naqueles tempos, sobre o que nunca mais falaram. 

A escrita de Espósito é uma história real com fatos, mas nas entrelinhas deste romance há todo o aspecto psicológico dele, de tudo que se passou dentro de ele e que nunca foi expressado. Após solucionarem o caso e prenderem o assassino, a Argentina entra num momento político difícil, e um desafeto de Espósito libertará o assassino e o colocará numa posição dentro do executivo do país, e a justiça nada poderá fazer. Agora todos correm risco de vida. Espósito irá embora e deixará para trás Irene, mas levará consigo um amor represado dentro de si, pelo simples motivo que ele teme amar. E é isto que o fascina em Morales, o amor que ele sente por Liliana e como pode ter vivido 25 anos sozinho, no nada? 

Sandoval irá dizer num momento que há algo que nunca podemos nos livrar, podemos mudar de rosto, de religião, de emprego,de casa, mas a paixão, esta permanece, e é assim que eles chegam ao assassino. Como viver com uma paixão assim? como Morales sem  Liliana, como Espósito sem Irene? Como preencher uma vida e lhe construir um sentido com este imenso vazio dentro de si? 

Tudo o que não se diz o olhar expressa, e é brilhante a atuação dos olhares no filme, que falam mais que qualquer palavras. Ambos sabem do amor que nutrem um pelo outro, mas estão ali, a espera que algo aconteça, um milagre talvez? Também será pelo olhar que Espósito através de fotografias irá descobrir o assassino de Liliana. Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas o que eles com certeza fazem é falar, os olhos falam, e deletam nossos segredos. 

Já Ricardo tem um olhar perdido, um olhar de quem não pode mais realizar o que deseja, mas que acalenta a vingança. Ele quer encontrar o assassino que lhe tirou o grande amor de sua vida. Seu olhar de amor é um olhar de puro amor, mas sem objeto palpável, ela já não existe. Ricardo não pode mais amar porque a morte se interpôs, mas Espósito pode, não é a morte que o impede, é o temor, o medo. 

Durante o filme várias vezes há a questão da máquina de escrever que falha na letra "A", justo a letra que falta, a letra que impede Espósito de escrever o seu amor, o Temo em Te A Mo. 

Morales ficará no passado, preenchendo o vazio com o nada, nem mesmo falando, já Espósito consegue encontrar a letra que falta e a falar. 
Juan José Campanella 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

FILME: O FILHO DA NOIVA - 2001


Direção: Juan José Campanella - 2001 
Duração: 123 min
Título original: El hijo de la novia

Rafael Belvedere (Ricardo Darín) tem 42 anos e cuida do restaurante que foi de seu pai, vive sozinho, e sempre correndo, totalmente estressado. Tem uma ex-mulher que lhe cobra maior atenção para a filha e sua namorada Naty (Natalia Verbeke) que lhe solicita atenção e companhia. Sua mãe está internada, está perdendo a memória, está com Alzheimer, e ele raramente a visita. Seu pai Nino (Hector Alterio) o visita no restaurante e está com uma idéia que Rafael reluta em aceitar, ele quer realizar o sonho de Norma (Norma Aleandro) de se casar na igreja.

Com toda esta correria ele acaba tendo um enfarte. É o momento para repensar toda sua vida e ele acaba aceitando a ideia do pai sobre o casamento.

O filme nos mostra um Rafael cheio de conflitos e angústias. Ele não consegue se relacionar com as pessoas, tem dificuldade com tudo que seja íntimo, e mergulha no trabalho no restaurante, mas mesmo ali, nem tudo corre tão bem assim. Ele foge da mãe, não vai visitá-la e somente depois de muita insistência de seu pai acaba indo. Se depara com a fragilidade dela, já não é sua mãe da infância, onipotente. A morte, os conflitos não resolvidos emergem.

Vemos um Rafael ainda infantil, que aos poucos vai atravessando a dor do crescimento, da separação, de aceitar que é um ser único, solitário mas que depende dos outros. A cena quando ele pensa em vender o restaurante, e que seu pai lhe diz que foi a vida deles, mas que ele, Rafael, tem que ter a sua vida.

O casamento esbarra em dificuldades, sua mãe tem Alzheimer, não está de posse de suas faculdades mentais, mas Rafael acaba resolvendo isto, e encenam o casamento com a ajuda de um amigo.

Um filme sobre o crescimento, sobre a separação do infantil rumo para a maturidade, sobre a separação que todos nós devemos fazer dos pais simbolicamente, rompendo com o que nos ilude na infância, as fantasias, o Zorro de Rafael.


Juan José Campanella nasceu em 1959 em Buenos Aires, Argentina.