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terça-feira, 21 de julho de 2015

FILME: LE LIVRE DE MARIE - 1984


Direção: Anne-Marie Miéville - 1984 
Duração: 35 min
País: França - Suíça 

O filme vem antes de Je vous Salue Marie. Trata-se da história de Marie, uma menina de onze anos que vive momentos difíceis, pois seus pais (Bruno Cremer e Aurore Clément)  estão se separando e tudo irá mudar para ela. 

Marie tenta se consolar ouvindo Réssurection de Gustav Mahler, mas não obtém êxito. A dificuldade para qualquer criança ou jovem diante da separação dos pais que rompe com o imaginário infantil dos pais perfeitos e ao mesmo tempo abala a segurança da criança. 

A diretora Anne-Marie Miéville é a terceira esposa de Jean-Luc Godard e o curta foi escrito como um complemento para o filme Je vous Salue Marie.



Anne-Marie Miéville nasceu em 1945 em Lausane, Suíça 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

FILME: À PROPOS DE VENISE - 2014



Diretor: Jean-Marie Straub - 2014
Duração: 23 min

Cinema experimental e diferente. Condensa. A questão que se coloca é se a Europa vai ou não sobreviver da forma tal qual a conhecemos e concebemos, ou tudo mudará. Em apenas 23 minutos vemos uma analogia com Veneza e sua história, mas também o papel do humano nisto tudo. Em dois planos, primeiro temos a leitura de textos de Maurice Barrès (Amori et Dolori sacrum: la mort de Venise, 1903). 


No segundo plano a lembrança de uma Cantata de Bach - Cantata 205



É o segundo filme experimental que assisto deste diretor, o primeiro já postei aqui - Dialogue d'ombres". Pessoalmente não aprecio muito o tom de voz das falas, falta o sensível, parece uma leitura muito formal, sem inspiração. Mas o texto vale a pena.

Jean-Marie Straub nasceu em 1933, Metz, França. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

FILME: AS QUATRO VOLTAS - 2010


Direção: Michelangelo Frammartino - 2010
Duração: 88 min
Título Original: Le Quattro volte
País: Itália - Alemanha - Suíça 

Uma vila medieval na Calábria, Itália onde as tradições são mantidas e há o pastoreio das cabras. Também produzem carvão de forma artesanal. 

Um filme para se sentir, pois não há falas, mas os sons da vila, das pessoas, dos animais e da natureza. É uma experiência única e para cada um é diferente.


Começa com um velho (Giuseppe Fuda) que pastoreia suas cabras junto com um cachorro. O dia a dia monótono dele, repetitivo, mas é um momento em que nos damos conta que também fazemos isto, em outro lugar, em outro tempo e contexto, mas repetimos diariamente as mesmas coisas da mesma forma. E o tempo passa, as estações mudam, os anos avançam, a vida se vai. O velho morre sozinho e somente o cachorro pode avisar a todos e o faz de forma brilhante e inteligente no dia da encenação da Paixão de Cristo. O enterro e a pedra que fecha o túmulo, ficamos do lado de dentro do túmulo, escuridão, alguns míseros sons.


As cabras, e no ritmo da vida se um  morre outro nasce, e nasce um cabritinho. Acompanhamos as cabras, o crescimento dos pequenos, até o dia em que este que nasceu se perde, e acaba se abrigando embaixo de uma imensa árvore. Novamente a escuridão e os sons.


Árvore imensa, majestosa. As estações passam, e quis que ela fosse a escolhida para a festa daquele ano,  assistimos sua derrubada, é levada para a vila, sobem nela, quem consegue ganha o prêmio. É derrubada, em seu topo vários presentes. Fim de festa, ela é serrada e levada para a carvoaria.





Vemos como se produz carvão artesanalmente. E a árvore imensa, agora tocos de madeira, é colocada por primeiro, e finalmente a escuridão novamente. Fim de mais um ciclo.



E tudo se repete na vila, o pequeno caminhão que já passava no tempo do velho sobe novamente a rua, carregado de carvão para vender ao povo. Vemos a fumaça saindo da chaminé. 

Tudo sempre se reorganiza, nada para, morrem uns mas a vida continua, nascem outros, e a vida continua. Voltas e mais voltas e tudo recomeça e tudo termina, e recomeça. O que vemos é a natureza, incluindo o ser humano, o que vemos é a vida como ela é, sem enfeites ou eufemismos, ela segue. Mesmo que a religião se faça presente, ela se faz como ritual, como parte da vida, esta vida que segue, e não como ordenadora da vida. E o homem também é formado de sais, é um mineral, que retorna à terra. O filme homenageia o ciclo da vida em suas quatro manifestações: humana, animal, vegetal e animal, e estão todos interligados. 

Belíssimo!

Veja o trailer: 




Michelangelo Frammartino nasceu em 1968 em Milão, Itália

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: TREM NOTURNO PARA LISBOA - 2013



Direção: Bille August - 2013 
Duração: 111 min 
Título original: Night train to Lisbon
Roteiro: Ulrich Herrmann e Greg Latter
País: Suíça - Portugal - Alemanha 


Baseado no livro homônimo de Pascal Mercier, pseudônimo de Peter Bieri, escritor e filósofo suíço. 

Um livro difícil de transpor para a tela uma vez que se baseia muito nas leituras que o professor Raimund Gregorius (Jeremy Irons) faz do livro de Amadeu do Prado (Jack Huston), um português que escreve sobre a Revolução dos Cravos em Portugal mas também faz uma introspecção filosófica sobre sua vida.

Raimund é um professor suíço que vive só e dá aulas de grego e latim. Uma manhã chuvosa ao se encaminhar para a escola ele se depara com uma mulher que está para se atirar de uma ponte em Berna. Ele corre e a impede de fazer isto. Ela o acompanha até a escola, assiste um pouco de sua aula e se retira, deixando para trás seu casaco. É o suficiente para Raimund ficar interessado e tentar descobrir algo sobre ela. No bolso do casaco ele encontra um livro em português de Amadeu Prado e um bilhete de trem para este mesmo dia. Ele toma uma decisão e corre até a estação de trem e embarca em direção à Lisboa.



Raimund deixa para trás sua vida monótona, determinada e metódica, o que surpreende a todos que o conhecem. É o início de sua jornada por um mundo diferente daquele que sempre conheceu. No rastro de Amadeu irá conhecer várias pessoas e tentar compreender Amadeu e conhecer a história de Portugal, mas não será apenas isto, o livro irá mudar sua vida.



Um de seus principais encontros é com Adriana (Charlotte Rampling) irmã do escritor e médico Amadeu e o outro é com Jorge (Bruno Ganz) que lhe fala sobre a ditadura. Ele também reencontrara Estefânia (Lena Olin e Mélanie Laurent quando jovem) que foi o grande amor de Amadeu e de Jorge e conhecerá Mariana (Martina Gedeck) que é sobrinha de Jorge e o levará até ele.



Recomendo a leitura do livro, pois o filme, apesar de ser bom, não consegue abarcar todo o conteúdo filosófico e vivencial do livro e acaba deixando a desejar, principalmente para quem leu o livro antes de ver o filme.


Bille August nasceu em 1948 em Brede, Dinamarca. 

Musica de Annette Focks 

Annette Focks nasceu em 1964 em Thuine, Alemanha. É música e compositora