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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

FILME: CAROL - 2015


Direção: Todd Haynes - 2015
Duração: 118 min
País de Origem: Reino Unido - Estados Unidos


Este filme é de uma delicadeza ímpar, e a parte o amor homossexual, o que mais me chamou a atenção foi o enfoque no amor feminino. Therese Belivet (Rooney Mara) trabalha numa loja de departamentos na sessão de brinquedos infantis, vive sozinha e tem um namorado. É época de natal, e Carol (Cate Blanchett), uma mulher elegante e refinada vai até a loja em busca de uma boneca para sua filha e é atendida por Therese. 

Carol é casada com Harge (Kyle Chandler) de quem está se divorciando. Há uma troca de olhares entre ela e Therese logo no início do filme, mas a aproximação das duas se dará pela solidão de ambas, pela insatisfação com suas vidas, pelas restrições que a sociedade impõe e pelo que espera da mulher, o que nem sempre está de acordo com ela deseja. 

Quando o marido de Carol a impede de passar o natal com sua filha, exigindo que ela vá junto passar com sua aristocrática família que condena o comportamento de Carol e sua amizade com Abby, madrinha da menina, ela se revolta e decide convidar Therese para fazer uma viagem com ela.

Carol está passando pelo processo de divórcio e a questão da guarda da filha, sendo que foi acusada de comportamento imoral devido sua relação com Abby. Esta viagem aproximará de vez ela com Therese, mas elas não sabem que estão sendo seguidas. 

O que toca é o singelo, a delicadeza, a busca de ser feliz, de poder viver sua vida. O que enfrentam, principalmente Carol, numa época onde o homossexualismo era condenado pela sociedade, o que talvez não difira muito de hoje no sentido do moralismo, uma vez que ainda é tabu. Sem apelos ao erótico, apesar de sua presença sutil, sem apelos ao vulgar, o filme nos traz duas mulheres apaixonadas que encontram uma na outra um sentido para suas vidas tão vazias até aquele encontro. O quanto esta relação transforma as duas. 


Todd Haynes nasceu em 1961 em Encino, Los Angeles, Califórnia, EUA. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

FILME: BABEL - 2006


Diretor: Alejandro González-Iñárritu - 2006
Duração: 142 min
País: Estados Unidos - México - França
Roteiro: Guillermo Arriaga

Babel é um filme denso e extremamente atual que pode ser visto sob várias perspectivas. Um ônibus com turistas travessa uma região do Marrocos, nele estão Richard (Brad Pitt) e sua esposa Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos, e outros europeus. Eles fazem esta viagem numa tentativa de reconciliação. No alto das montanhas estão dois garotos, Ahmed e Youssef que são pastores de cabras. Eles acabam de ganhar um rifle do pai para proteger os animais dos chacais. Eles competem entre si para ser o melhor atirador e duvidam do alcance do tiro da arma, para tirar a dúvida atiram primeiro contra um carro que passa na estrada, não acerta, e depois contra o ônibus. Susan é atingida.

Os filhos de Richard e Susan ficaram nos Estados Unidos aos cuidados de Amélia ( Adriana Barraza) que é a babá dos dois desde pequenos. Ocorre que é o dia do casamento de seu filho e não há ninguém para cuidar das crianças. Richard lhe diz que sente muito, mas que ela não poderá ir. Amélia porém não quer deixar de ir ao casamento que é numa cidade no México, e decide levar as crianças junto. Seu sobrinho Santiago (Gael García Bernal) vem buscá-la de carro.

No Japão um homem tenta superar a morte trágica de sua esposa que se suicidou e ajudar sua filha (Rinko Kinkuchi) que foi a primeira a encontrar a mãe e é surda. Ela é jovem, e vive a adolescência com toda a efervescência da sexualidade.

Partindo deste roteiro estas vidas irão se entrecruzar de alguma maneira, e o tiro dado nas distantes montanhas do Marrocos de alguma maneira afetará a todos. O interessante é que isto nos leva a pensar justamente no fato de vivermos num mundo global, onde algo que ocorre num lugar distante afeta a vários outros lugares e pessoas, mas o paradoxo é que se por uma lado tudo parece ligado e próximo, o isolamento é cada vez maior. Podemos também ver a história em dois planos familiares, dos pais e dos filhos. O casal americano que tenta se reconciliar no Marrocos e seus filhos que estão nos Estados Unidos e que com a babá irão para o México. O japonês que deu a arma a um guia marroquino que é o pai da jovem que é surda, e a família marroquina e seus filhos de onde parte o tiro inicial da trama.

Há também todos os aspectos culturais e do medo do estranho e os preconceitos. Aqui também novamente vemos também a falta de comunicação em função seja de ideias preconcebidas em relação ao outro ou pela própria língua falada, onde quando um marroquino fala a um americano, não há muita diferença da surdez da jovem em Tóquio. 

O comportamento dos europeus no Marrocos e do casal americano. Eles sentem medo das pessoas, se sentem em perigo na aldeia marroquina, estranham tudo e querem ir embora. Susan antes de ser atingida tem um gesto com o gelo quando almoçam jogando fora, dizendo que não se sabe de onde vem a água. Já os Marroquinos estão curiosos com o que está acontecendo, é uma vila do interior, algo de diferente está ocorrendo. Eles são prestativos, mas com sua aproximação assustam ao estrangeiro. Porém serão eles que serão solidários com Richard e seu drama, pois os europeus irão embora com o ônibus abandonando-os a sua sorte. O guia marroquino fará de tudo que for possível para ajudar e eles serão acolhidos na casa dele. 

Nos Estados Unidos o sobrinho de Amélia não se agrada dela levar as crianças, mas aceita. O menino diz que sua mãe lhe falou que o México é perigoso. Mas apesar do receio inicial, dos sustos, como crianças, acabam brincando com as outras crianças e se divertem muito na festa de casamento. O problema é na volta, quando o sobrinho embriagado cria confusão na alfandega diante da desconfiança do policial que ali está. Aqui vemos nitidamente os dois lados, o policial que desconfia dos mexicanos e os considera de alguma maneira um problema, e o mexicano que por saber que são vistos assim não é nada simpático e inclusive um tanto revoltado. Ele fura a barreira e se dá início uma perseguição que o levará a abandonar a tia e as crianças em pleno deserto. Amélia tenta encontrar ajuda, mas é presa. Apesar disto as crianças são encontradas, mas afastadas do perigo chamado Amélia, que ao ver da polícia é perigosa para elas, justo ela que as criou desde pequenas. O resultado é sua deportação para o México. A lei é fria e não leva em conta nada, as relações humanas que existiam ali, os 16 anos de vida de Amélia nos Estados Unidos, tudo isto é desconsiderado.

Os meninos marroquinos logo no início percebemos a rivalidade dos irmãos e que se acentua quando o pai designa o menor para dar o primeiro tiro o que faz com que o mais velho reaja. Ele pode dar o primeiro tiro, mas erra e isto é comentado. Youssef também observa a irmã se trocando, e depois acaba se masturbando nas montanhas. É esta rivalidade que irá levar ao tiro que dá início ao que ocorre no filme, é o gatilho. Youssef ainda é uma criança, mas que já se interessa por seu corpo e pelo o que sente. Seu irmão que é mais velho se contém, mas provavelmente também desejaria ver a irmã nua, que por sua vez é conivente com o irmão. Isto virá a tona quando o pai descobrir o que eles fizeram e que foram responsáveis pelo tiro, e ao inquiri-los Ahmed falará tudo, inclusive sobre isto, onde percebemos a raiva e a inveja que sentia de seu irmão mais novo e entregando-o se ilude ao acreditar que agora será o bom filho amado.

O tiro irá se transformar num atentado terrorista, principalmente com o incentivo da imprensa. De um acidente, de uma rivalidade entre irmãos que acabam cometendo um grande erro, chegamos ao terrorismo, e a polícia procura os terroristas. Um absurdo neste contexto, mas que demonstra a paranoia que é muito atual em relação ao outro, e principalmente do Ocidente em relação aos muçulmanos  confundindo pessoas que tem uma religião com pessoas desta mesma religião, mas que são terroristas. 

Enquanto isto a jovem no Japão se defronta com suas questões de sexualidade, ela tem dificuldades em lidar com isto, e acaba apelando para formas simbólicas ou gestuais para sinalizar seu desejo, de uma forma errônea, sem saber como agir. Como isto é recebido ou com risadas ou com rejeição ela se sente cada vez mais só em seu mundo. Ela tenta chamar a atenção, ser desejada, ser amada. Apesar de seu pai tentar ajudá-la há uma distância entre eles, primeiramente a típica de jovens em relação aos pais, mas também há uma frieza, uma falta de afetos, de aproximação maior, até que finalmente diante de algo que talvez desperte em seu pai um medo do suicídio, ele se rende a abraçá-la com amor. 

Poderíamos questionar o que leva um pai a dar uma arma a duas crianças? Ali trata-se de um ritual masculinizante, e para proteger o rebanho, matar os chacais que atacam as cabras. Mas a imaturidade dos dois os leva a competir entre si para dar tiros. A jovem no Japão apesar de surda tem um grupo, ela é inserida socialmente, mas lhe falta a mãe e outra mulher mais velha para lhe servir de espelho em sua feminilidade e como atuar com ela. Eles vivem num belíssimo apartamento com conforto, mas este espaço é frio e silencioso. 

Há também a questão do enfoque do filme. Em alguns momentos senti que o Marrocos e o México estariam sendo enfocados por um ângulo de muita pobreza, promiscuidade, como por exemplo, alimentos cheio de moscas em cima, mas se pararmos para analisar o filme veremos que o enfoque do europeu e dos americanos nos mostra uma suposta demonstração de superioridade , que estão amedrontados, são preconceituosos, tentando preservar-se longe de tudo que eles consideram uma civilização inferior, mas são tão sozinhos e desamparados quanto os outros. O Japão e sua bela cidade moderna, belos apartamentos, e a solidão, o vazio das vidas. Já o Marrocos com sua aparência de pobreza, não se esquecendo que as vilas de montanhas são assim, nos mostra um povo muito mais caloroso e hospitaleiro. Assim como os mexicanos e toda sua festa em torno do casamento. Como poderia uma mãe mexicana deixar de ir ao casamento de seu filho? A cena que mais me tocou foi quando Richard ao ir embora abre a carteira e retira dinheiro para pagar ao guia, que por sua vez recusa. Há uma incapacidade do americano em ver no outro alguém que foi solidário e que o acolheu em seu momento de dor e dificuldade, é como se ele considerasse que o outro lhe prestava um serviço e que teria que ser pago, e com isto também não há uma dádiva ali, mas ele quitaria sua dívida pagando.

Também me chama a atenção que apesar de Richard não dar queixa de Amélia, em momento algum ele se dispõe a defendê-la perante as autoridades levando em conta que ela estava com eles desde que seus filhos eram pequenos. O que vejo é a repetição do ato com o guia, ela era paga, ele não devia nada à ela. E por um lado não deixa de ser correto, é um trabalho, mas por outro me pergunto se caso fosse uma pessoa americana se ele não agiria de outra forma. De qualquer maneira talvez o fato de não dar queixa já seja uma maneira de demonstrar que ele aprendeu algo com tudo que ocorreu, seja o possível para ele dentro da cultura que vive. 

Ao final o que vemos são acontecimentos da vida, não há nenhum terrorismo, nenhum sequestro de crianças, nenhum tráfego de drogas nem de armas, exceto os criados pela mente humana dentro de seus preconceitos, medos, intolerância ao outro, dificuldades em lidar com o diferente, e a arrogância de alguns de se considerarem superiores ao outro e os efeitos que isto provoca. E é muito válida a crítica à imprensa que sempre sensacionaliza tudo, apelando para estes jargões e deduzindo em tudo um ato terrorista. 



Alejandro González Iñárritu nasceu em 1963 na Cidade do México, México. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

FILME: NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO - 2006


Direção: Richard Eyre - 2006
Duração: 92 min 
Título Original: Notes on a scandal

Baseado no livro de Zoe Heller

Barbara (Judi Dench) é uma professora de história em uma escola pública de Londres. Pessoa solitária que vive com sua gata, possui muitos preconceitos, é inflexível, e autoritária. Por tudo isto não é amada pelos seus alunos que a temem. Ela também não se esforça nem um pouco para ser simpática ou agradável com seus colegas. Sheba (Cate Blanchet)  é a recém contratada professora de artes da mesma escola. É jovem, bonita, casada com Richard (Bill Nighy) com quem tem dois filhos, sendo que o menino é portador da síndrome de Down.

Barbara escreve diários, diz que sempre ouviu os segredos de todos, mas os dela,somente o diário os conhece. Sheba se encontra em apuros por causa da briga de dois alunos e então Barbara se intromete e acaba com a confusão. É assim que começa a amizade das duas. Sheba a convida para um almoço em sua casa onde Barbara se surpreende com seu marido bem mais velho e com as crianças fazendo comentários ácidos em seu diário. Neste dia Sheba a leva conhecer seu refúgio no jardim, um atelier. Ali as duas conversam, ou melhor, Sheba fala de sua vida, da mãe difícil, de ter passado dez anos cuidando de seu filho e que só agora ele está indo para uma escola e que por isto ela quer trabalhar.

Tudo parece ótimo, Barbara a solitária encontrou uma amiga que a convida, a traz para o convívio de sua família e Sheba também encontrou uma mãe que a ouve e acolhe. Até que Barbara descobre o segredo de Sheba, ela está tendo um caso com um aluno de 15 anos, o mesmo da briga. Chocada e com ciúme Barbara pensa em denunciá-la, mas percebe que se não contar vai se beneficiar muito mais, pois Sheba ficará presa a ela pelo segredo e lhe devendo isto. Para não denunciá-la impõe que ela se afaste do garoto, mas isto não vai ocorrer apesar da promessa de Sheba.

Um dia ela vai atrás de Sheba porque seu gato está sendo sacrificado e então quer que ela volte junto ao veterinário para buscá-lo, mas é o dia da primeira apresentação de teatro do filho de Sheba, e ela não irá abrir mão de seu filho em prol de Barbara o que a outra não aceitará e com isto resolve se vingar o que fará. O escândalo estoura.

Barbara é uma pessoa que busca um gozo, ela não ama Sheba, vê nela um objeto de  desejo, quando não consegue o que quer se vinga. Depois ela novamente irá ficar ao lado de Sheba que vai morar com ela por um tempo, até que esta irá descobrir os diários de Barbara. Barbara então não sofre como poderíamos imaginar que iria acontecer, pelo contrário, ele segue sua vida e no final do filme já está procurando outro objeto de desejo. No filme é a terceira mulher que ela assedia, a primeira chegou a procurar ajuda na justiça e se mudou de cidade.

Sheba tem uma mãe que também só quer que seu desejo seja atendido, a relação com sua filha é difícil e se nota que ela compete. Numa passagem muito rápido vemos a mãe falando sobre quando o pai de Sheba morreu, e também fala que ela é muito bonita, mas não tem conteúdo. É notório a questão do édipo, seja em seu casamento com um homem mais velho e que era seu professor, seja em sua relação com o garoto.

Quando há o encontro destas duas mulheres inicialmente parece perfeito. Barbara tão solitária encontrou finalmente uma amiga e que a introduz no convívio de sua família, pelo menos é assim que Barbara o vê, família esta que é um obstáculo aos desejos de Barbara, tanto que ela os menospreza. Mas isto Sheba não sabe. Mas os indícios estão por ali, e Sheba os nega, ou não vê. Ela busca um apoio protetor de mãe, alguém que a ouça e proteja, como faria uma mãe, e Barbara percebe isto quando ela diz que a noviça foi buscar ajuda com a madre superior. Barbara vive um delírio sobre a vida que as duas teriam juntas, como se tivesse certeza de que é isto que Sheba também deseja, por isto diz que perdoa-a sobre o garoto, pois ela vale a pena. Vale a pena como qualquer objeto que se cobiça.

Sheba não está satisfeita com sua vida amorosa, sexual e pessoal. Dedicou-se ao filho durante 10 anos e deixou de viver sua vida. Seu marido é um paizão, exatamente o lugar que inconscientemente ele ocupa para Sheba também. Um garoto se interessa por ela, ela se sente viva, desejada, e não pensa nos aspectos éticos disto, se entrega com o corpo e o desejo. Não é uma relação de amor, nem para um nem para o outro.

Richard Eyre

sábado, 26 de julho de 2014

FILME: BLUE JASMINE - 2013


Direção: Woody Allen - 2013 
Duração: 98 min 

Jasmine (Cate Blanchett) era casada com um milionário, Hal (Alec Baldwin) e vivia num mundo cor de rosa, tinha tudo que queria, era mimada pelo marido, nunca olhava para o que não queria ver como as escapadas do marido com outras mulheres ou os negócios dele, assinando papéis sem nunca se preocupar com nada, até o dia que Hal se apaixona por outra mulher e quer se separar dela. Seu mundo cai, e na incapacidade de enfrentar a realidade e sair de seu mundo imaginário onde tudo é perfeito, ela tem uma crise de raiva e liga para o FBI e entrega o marido que é preso e se suicida na prisão. O Estado lhe toma todos seus bens e dinheiro. Sem nada, ela procura sua irmã Ginger (Sally Hawkins) que é seu oposto, é funcionária de um supermercado, tem dois filhos e leva uma vida simples ao lado de seu novo namorado com quem pretende morar junto.

Jasmine acha tudo deplorável, acha que a irmã é um fracassada, que nunca procurou um homem decente e que tivesse sucesso, critica seu namorado, criticava seu ex-marido. Ela sempre fala sozinha, no avião indo para São Francisco onde mora Ginger, na rua, não se dirige a ninguém, não há outro. Mas parece que algo se modifica e ela tenta mudar sua vida, acaba aceitando trabalhar como recepcionista de um dentista, faz um curso de informática e quer ser uma design de interiores, mas para isto precisa fazer o curso online. Apesar de que novamente ela desejava voltar ao seu mundo anterior, não conseguindo se separar dele.

Até o momento em que conhece Dwight (Peter Sarsgaard) numa festa. Ele é um diplomata e que está viúvo, ele acaba de comprar uma casa e a convida para decorá-la. Os dois começam uma relação, mas Jasmine mente, diz que ficou viúva de um médico, que não tem filhos, esquecendo do enteado, e já se diz formada em decoração. Ele a pede em casamento o que ela aceita. Nesta mesma festa Ginger também conhece um homem e influenciada pelas opiniões da irmã ela acaba se envolvendo com ele, e deixa o namorado, até descobrir que ele é casado.

Dwight leva Jasmine para escolher o anel de noivado e neste dia encontram na rua o ex-marido de Ginger, que magoado e ressentido com o Hal que o fez perder o único dinheiro que teve na vida acaba falando de tudo isto na frente de Dwight que desiste de se casar pois perde a confiança nela. Ginger por seu lado percebe que prefere sua realidade, seu mundo, aquele onde é possível para ela viver e volta com seu namorado. Jasmine não consegue enfrentar a vida, crescer, e aceitar a realidade, e sozinha volta a andar pela rua e falar para ninguém.

Jasmine negava sua realidade, mesmo a de rica, onde não via as traições do marido, as armações e a desonestidade dele, se esconde atrás de ações humanitárias, de ajuda aos pobres, mas no momento em que perde o marido que representa esta proteção ela se vinga dele, de tirá-la da alienação e jogá-la na vida, entregando-o ao FBI. Por um momento parece que vai conseguir construir uma vida para si mesma, mas logo cai na mesma situação com outro homem, mas acaba perdendo este também. Ela não consegue aceitar que não é mais rica, que não está protegida pelo dinheiro e pela posição social. Vive num mundo irreal, onde pensa que estaria protegida e não consegue se confrontar a si mesma, ela prefere então outra alienação, indo para a insanidade.

Woody Allen 

domingo, 4 de maio de 2014

FILME: CAÇADORES DE OBRAS-PRIMAS - 2014



Direção: George Clooney - 2014
Duração: 118 min 
Título original: The monuments men 
Roteiro: George Clooney e Grant Heslov 
País: Estados Unidos 

Baseado em fatos reais e no livro de Robert M. Edsel.

O nazismo roubou obras de arte em todos os países invadidos. Algumas foram salvas e escondidas, mas principalmente as de coleções particulares desapareceram. A intenção não era apenas colecionar e fundar um museu do führer, mas o mais importante era destruir a história e as criações dos países que estavam submetidos ao nazismo. Apagar a simbolização de uma tradição, expressão, idéias, que encontramos na arte, a significação que isto tem para um povo.

Já no final da guerra um grupo de 13 especialistas em arte de vários países se reúnem para tentar salvar as obras, comandados por George Stout (George Clooney) um conservador de obras de arte.

O grupo formado por curadores, museólogos, arquitetos e historiadores é interpretado por Matt Damon, Bill Murray,  John Goodman, Jean Dujardin e Bob Baladan além de Cate Blanchett como Claire.

O filme é bom, porém não retrata o que realmente foi a recuperação destas obras e todo o simbolismo delas, apesar da tentativa ao se falar disto durante o filme. Há uma cena em que um especialista começa a olhar telas legítimas e não as reconhece de imediato, mas somente após verificar à qual coleção pertencia, o que não ocorreria com um connaisseur de arte. O filme também anda devagar, mas ao mesmo tempo parece correr contra o tempo, para que se consiga recuperar o máximo de obras, que estavam em sua maioria escondidas em minas de sal e cobre. Além disto havia uma ordem para que se Hitler morresse todas fossem destruídas.

Os russos também estavam em busca destas obras, mas com a intenção de utilizá-las para pagar indenizações e não para devolvê-las aos seus legítimos donos.

Espero que desperte o interesse, pois trata-se de um aspecto da guerra que ainda foi pouco tratado e levado ao conhecimento das pessoas.


George Clooney nasceu em 1961 em Lexington, Kentucky, EUA. É um ator e diretor de cinema e televisão.

Trilha sonora de Alexandre Desplat