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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

FILME: O HOMEM AO LADO - 2009



Direção: Gastón Duprat e Mariano Cohn - 2009
Duração: 110 min
Título Original: El Hombre de al lado
País: Argentina

Leonardo Kachanovsky (Rafael Spregelburg) e sua família moram em Buenos Aires, na única construção projetada pelo arquiteto Le Corbusier na América Latina, o que leva muitas pessoas a ir ver a casa e tirar fotos. Leonardo também é arquiteto, trabalha como designer e professor. Tudo vai muito bem até o momento em que seu vizinho Victor (Daniel Aráoz) resolve abrir um buraco na parede para obter um pouquinho de sol, conforme ele diz, e que Leonardo e sua esposa Ana (Eugenia Alonso) consideram com uma invasão de sua privacidade, pedindo que ele feche o buraco o que o vizinho não faz. 



Até aqui Leonardo está coberto de razão, afinal Victor nem sequer lhe comunicou isto, ou pediu autorização, e legalmente ele não pode fazer isto, o que então justifica a revolta de Leonardo e Ana, mas a questão não é tão objetiva assim, é muito mais profunda.



Comecemos pela casa, que tem sua visitação proibida mas que está sempre rodeada de pessoas que tiram fotos, o que de certa maneira envaidece os donos da casa, apesar de serem grosseiros com alguns turistas que lhe solicitam uma visita, o que não seria necessário. Então aqui temos um pequeno paradoxo, pois quem deseja privacidade e não ser visto não iria morar justamente numa casa que é objeto de culto, admiração e procurada pelos que desejam vê-la. Mas isto também não é suficiente para justificar que o vizinho possa ter o direito de fazer um buraco na parede. 

O que realmente vai se tornando visível é o preconceito e a intolerância. Leonardo na realidade não consegue se impor, nem ao vizinho e menos ainda à sua esposa Ana que é autoritária, intransigente e que quer apenas seus desejos atendidos. Então ao invés de ser direto e objetivo, ele conta histórias, como a de seu sogro ser dono da casa e não querer o buraco, liga para um advogado que ameaça o vizinho, até chegar a sugerir uma modificação que ficaria bom para todos, com uma janela menor o que Victor aceita e faz, mas Ana não. Por outro lado ele exerce poder e autoritarismo com seu alunos onde ele se sente superior e seguro, não se incomodando de considerar os trabalhos apresentados como primários e cheios de erros e é extremamente grosseiro com uma equipe de televisão durante uma entrevista deixando a mostra seu desprezo pelo o que ele considera massificado e não refinado, que não sabe se diferenciar, como ele e sua esposa. 

Ana é professora de Yoga, muito Zen, e isto é hilário, porque justamente é o que ela não é. A filha passa seu tempo ouvindo música através de fones de ouvido e dançando, sem nunca prestar atenção aos pais. Leonardo e sua família consideram o vizinho um sujeito bruto, sem educação, sem cultura e grosseiro, e isto é o que mais o incomoda. E são eles que acabam espionando o vizinho e fazendo comentários pejorativos. 

Victor é mais autêntico, diz o que pensa, enquanto Leonardo tenta manter uma máscara do que ele acredita ser civilidade e boa educação e com isto é falso e não diz o que realmente pensa e deseja, ele acredita que é um grande artista em sua profissão, e despreza uma pequena apresentação que Victor faz com elementos bem simples como bananas, presunto, e dois dedos vestidos com botinhas, sem perceber que nisto também há criatividade, assim como a escultura que Victor lhe oferece e que Ana manda jogar fora. A cena que mais demonstra isto é quando Victor oferece ao seu vizinha uma conserva de javali feita em casa. Leonardo se preocupa em se mostrar satisfeito em ganhar o presente, isto é de bom tom, mas quando tem que provar.... e se vê obrigado a isto, chega a ser cômico. 





Leonardo faz de tudo para tapar aquela janela que funciona como um Outro para ele e justamente por isto o incomoda e muito. 

O final do filme é impactante. Vale a pena assistir. 

A Casa Curutchet em La Plata, Buenos Aires, foi encomendada a Le Corbusier pelo médico argentino Pedro Domingo Curutchet. Em 1992 a casa tornou-se Sede do Colégio de Arquitetos de Buenos Aires e é considerada patrimônio nacional da Argentina. Em 2014 iniciou-se uma reforma e agora a ideia é criar um centro de documentação tanto do edifício como da obra de Le Corbusier, o arquiteto, urbanista, escultor e pintor de origem suíça e naturalizado francês em 1930. 


 Gastón Duprat nasceu em 1969 em Bahía Blanca, Argentina e Mariano Cohn nasceu em 1975 em Villa Ballester, Argentina 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: MEDIANERAS: Buenos Aires na era do amor virtual - 2011



Direção: Gustavo Tarreto - 2011
Duração: 95 min 
Roteiro: Gustavo Tarreto
País: Argentina 

O mundo de hoje, onde possuímos de tudo para nos comunicar eficazmente e mais rápido, mas o que temos é uma solidão imensa, principalmente nas grandes cidades, onde tudo colabora para isolar as pessoas, a arquitetura, a tecnologia, as redes sociais que sou tentada a chamar de (des)sociais, pois afastam as pessoas do contato frente a frente, do toque, do olho no olho, do calor humano. As vezes observo as crianças nas férias, elas não sabem o que fazer, e penso no meu tempo, onde férias eram fériaaaassss! que alegria.



Me lembra 1984, mas aqui o grande irmão é a mídia, o consumo, o dinheiro. Uma matrix que foi construída assim e onde vivemos sem questionar por que consumimos tanto, por que estamos sempre tão sós, e por que sentimos este vazio dentro de nós. Perdemos a capacidade de nos comunicar? de falar com o outro? Quantas vezes nos vemos sem ter com quem falar, e ao nosso redor, milhares de pessoas.



No filme temos um homem Martin (Javier Drolas) e uma mulher Mariana (Pilar López de Ayala) , ambos moram próximos, se cruzam constantemente em locais, como locadoras, na rua, mas nunca se notam. Ambos são sós. Para quem já procurou o Wally nos livros, vai ver que ela está procurando Waly, mas não o vê, leva muito tempo para o ver.



A linguagem se reduz, passamos a usar códigos e letras, mais fáceis e rápidos nas mensagens virtuais. O prédios tem medianeras, ou seja, aquele espaço onde não se pode abrir uma janela porque tem outro prédio ali ao lado, e então se usa este espaço para outdoors, estimulando mais consumo. Hoje quase que não precisamos mais de vendedores, são as pessoas que querem muito comprar, para suprir faltas, vazios, e dar impressão de sucesso e felicidade. Se tiver o produto, não precisa de nada para o consumidor o leve. Até o sexo é assim, não é mais um desejo, uma pulsão. Ele deve ocorrer, é o que se espera. Tomar remédios para acabar com esta tristeza, solidão e o que chamam de depressão, mas que não é. Ou então, como no filme, fazer o que o cachorro fez, simplesmente se suicidar. Ou, encontrar Wally na multidão.



Assista ao trailer:



Gustavo Tarreto nasceu em 1965 em Buenos Aires, Argentina.

Trilha Sonora de Gabriel Chwojnik.

Gabriel Chwojnik 

FILME: TEMPESTADE DE GELO - 1997


Direção: Ang Lee - 1997
Duração: 112 min
Título original: The Ice Storm
Roteiro: James Schamus 
País: Estados Unidos 

Baseado no livro de Ricky Moody 

Anos 70, Nixon, Watergate, anos da liberação sexual, feminismo, drogas. A sociedade se desintegra, muda, é a fase das experimentações, do novo, o conhecido e tradicional se esvai, e com isto as pessoas não sabem como agir, não tem referências. Tudo é permitido socialmente, mas será que isto é bom? será que conseguimos mudar assim tão rapidamente e de forma tão radical?
Não sei quem está mais perdido em sua sexualidade, se os adolescentes, que vivem a descoberta dentro deste caos, ou se os adultos que revolucionam tudo. E todos se perdem. Tédio!
O filme retrata esta época, muitos divórcios, filhos podendo fazer o que desejam, pais querendo ser modernos. Mas, será que há um bem estar com tudo isto? Há algum sentido?



Atores: Kevin Kline, Joan Allen, Sigourney Weaver, Henry Czerny
Trilha sonora: Mychael Danna

Assista ao filme: http://tocadoscinefilos.net.br/tempestade-de-gelo-1997/

Veja uma crítica e trechos do filme



Ang Lee