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quarta-feira, 11 de maio de 2016

FILME: POESIA - 2010


Direção: Lee Chang-Do - 2010
Duração: 139 min
Título Original: Shi
País de Origem: Coréia do Sul

Um belíssimo filme sobre a velhice, solidão e de como a arte pode ajudar a viver. Mija (Yun Jeong-Hie) vive com seu neto adolescente cuja mãe está distante em outra cidade. Ela trabalha para um senhor de idade como faxineira, além de lhe dar banho uma vez que ele supostamente deve ter sofrido um AVC já que tem dificuldades em falar e se locomover. 

Ao procurar um médico devido uma dor na coluna acaba descobrindo que tem alzheimer o que ela não conta para ninguém, nem mesmo para a filha com quem diz manter contato direto e que contam tudo uma para a outra. Mija resolve aprender a fazer poesia num centro cultural. 

Ela é ativa, dinâmica, mas é notório sua solidão. Passa pelas pessoas em sua rua e tenta falar com elas e não obtém respostas, conversa com a filha de seu patrão e esta mal lhe dá atenção. O neto por sua vez não quer saber de nada, somente de computador e dos amigos, é mal educado, não ajuda em nada, por mais que Mija o chame as suas responsabilidades. O que se nota é que não há protagonismo para os velhos, não são escutados, a médica acha estranho ter que falar para ela do que tem, pergunta se ninguém veio com ela, que preferia falar com outro, como se ela fosse incapaz, quase uma criança. 

O filme começa com um rio, o Han, e um corpo de uma jovem é encontrado. Mija ao ir ao hospital para ver sobre sua dor nas costas verá o desespero da mãe quando chegam com o corpo da jovem. Mal sabe ela o quanto isto irá interferir em sua vida e de seu neto. 

Mija inicia seu curso de como fazer poesia. Ela quer compreender de onde surge a inspiração para conseguir escrever um poema. Seu primeiro momento virá após um encontro com os pais dos meninos envolvidos no estupro de uma jovem na escola que se suicidou no qual seu neto está envolvido. Estes pais querem pagar à mãe da menina que é uma pobre camponesa para que não denuncie os garotos, ato com o qual a escola também é conivente. Mija ouve tudo aquilo com angústia, e sai do local, do lado de fora há uma flor vermelha, uma flor vermelha como sangue, algo sangra nela, é uma metáfora. 

Mija não parece concordar com o que os pais e a escola desejam. Ela está angustiada, ela recorda a mãe da menina, consegue se colocar no lugar dela. O Alzheimer progride lentamente, ela esquece nomes de coisas simples. Mas ela não desiste, e será a poesia seu veículo para falar, dizer o que sente, o ato poético é uma nomeação à algo interno, produzindo diferenças. O suicídio é a falta de palavras, vem dizer algo que não se pode falar. 

A doença não é igual à velhice, e Mija é uma protagonista de sua vida através da poesia. Ela irá tomar duas decisões fortes ao final do filme, e as expressará através de uma poesia, a canção de Agnes, nome da menina que se matou, dando voz a ela e fundindo sua trajetória com a dela. 

O filme é longo e denso, extremamente rico, há muito neste filme para ser dito, mas deixo a cada um que o assista suas possibilidades de interpretação e compreensão. 

Lee Chang-Do nasceu em 1954 em Daegu, Coreia do Sul 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

FILME: AS PALAVRAS DE MAX - 1978


Direção: Emilio Martínez Lázaro - 1978
Duração: 92 min
Título Original: Las palabras de Max
País: Espanha

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 1978

É um filme antigo, mas que tem muito a nos dizer sobre a maturidade e a solidão. Logo no início vemos Max sozinho ao telefone, ele tenta seguidamente falar com alguém para driblar sua solidão, mas não consegue, liga até mesmo para seu dentista e para um padre que foi seu professor há muitos anos atrás e que nunca mais viu. Só este início valeu o filme, pois retrata o que é solidão e o mundo atual, onde não encontramos mais ninguém para conversar, trocar uma ideia, todos estão ocupados, ou em busca de uma conversa boba que não o faça pensar. 

Max é um sociólogo, aliás interpretado por Ignacio Fernandez de Castro que foi um sociólogo e jurista espanhol , está separado de Clara e tem uma filha (Gracia Querejeta). Ele conhece uma mulher e tenta se relacionar com ela, mas as relações não são fáceis. 

Max sempre seguro de suas opiniões começa a se questionar de como é visto pelos outros, sua filha e a amante lhe dizem algumas coisas, mas é interessante pensar como sempre temos que estar de acordo com o que os outros desejam que sejamos, ou então, a solidão.... 

Emilio Martínez Lázaro nasceu em 1945 em Madri, Espanha

sexta-feira, 24 de abril de 2015

FILME: MARY E MAX - UMA AMIZADE DIFERENTE - 2009



Direção: Adam Elliot - 2009
Duração: 92 min
Título Original: Mary and Max

Animação. Narrado por Dame Edna Everage


Mary Dinkle é uma garotinha gordinha que vive na Austrália, seus pais estão separados e sua mãe é alcoólatra. Ela sofre por não ter amigos. Max Horovitz tem 44 anos e vive em Nova York, é judeu, obeso e também solitário, ele sofre da Síndrome de Asperger. Duas pessoas que nos parecem tão distantes e diferentes, mas será?

Tudo começa quando Mary sentindo um desejo de ter alguém que pudesse lhe responder suas inúmeras perguntas sobre o mundo que a cerca pega ao acaso um endereço numa lista de endereços, rasgando o papel ao ser puxada por sua mãe  e escreve para a pessoa, que é Max. 

Esta dado o pontapé inicial de uma singular amizade que durará alguns anos até a morte de Max. Não será sempre simples, ambos terão que aprender a lidar com as diferenças e principalmente serem capazes de manter um laço com o outro. Ambos tentam dar sentido ao seu mundo incompreensível e onde se sentem inadequados, fora do contexto. Haverá desencontros como em toda relação, haverá momentos tristes e de humor negro, mas estamos vivenciando uma amizade real, onde tudo isto acontece e só será mantida se os envolvidos puderem manter o laço.

Por outro lado vemos a possibilidade da amizade mesmo para aqueles que não seguem o comum, a massa, e são diferentes, sempre há um outro que também é assim e que está solitário em algum lugar no mundo, mas para se chegar a ele é preciso que alguém faça alguma coisa. 

As cartas trocadas entre ambos abrangerá uma série de assuntos como o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a diferença sexual, as diferenças religiosas, o fato das pessoas não serem perfeitas, a depressão, o suicídio. 

Recomendo o filme. 

Adam Elliot nasceu em 1972 em Berwick, Austrália

quarta-feira, 22 de abril de 2015

FILME: VIAGEM SOLITÁRIA - 2013


Direção: Maria Sole Tognazzi - 2013
Duração: 85 min
Título Original: Viaggio sola


Irene (Margheritta Buy) trabalha como inspetora de hotéis de luxo viajando sempre sozinha e em segredo. O filme me remeteu aos meus anos de hotelaria e todas as questões que ela vai se colocando ao chegar a um hotel eu mesma o fiz muitas vezes em minha vida profissional. Sim é um trabalho fascinante que nos proporciona viagens e a ilusão de uma vida requintada e luxuosa, porém esta já é uma primeira questão que se coloca, esta não é nossa vida, não podemos nos hospedar nestes hotéis com a freqüência que Irene faz, ou eu mesma o fiz a trabalho, e temos que voltar para nossa realidade que no caso do filme é um apartamento grande, bem localizado, mas vazio, com poucos móveis e onde ela acumula coisas que traz dos hotéis, como sabonetes, cremes etc. É o momento que o filme confronta a vida pessoal dela com a vida profissional, porque o apartamento não corresponde as questões que ela coloca sobre os hotéis. 

Ela tem um irmão casado com Silvia (Fabrizia Sacchi) e que tem duas filhas que de alguma maneira completam um pouco a vida de Irene que não é casada nem tem filhos, mas ela está sempre viajando e tem pouco tempo para eles. Um antigo namorado Andrea (Stefano Accorsi) é seu melhor amigo e único, só que ele está envolvido com outra mulher que espera um filho dele. Apesar de ambos ainda se sentirem atraídos um pelo outro e se procurarem a cada problema que surge, não conseguem ficar juntos porque ela nunca está ali, está sempre em algum lugar do mundo. 

Em um momento Irene irá dizer a verdade, que este trabalho que oferece a ilusão da liberdade para quem o faz e para quem não o faz, na realidade é uma escolha para a solidão. Pessoas solitárias podem optar por um trabalho assim para camuflar esta solidão que sentem. É uma fuga, mas também pode ser a alternativa para uma vida onde não se consegue ficar num único lugar, ser gregário e manter uma família com tudo que isto envolve. E há pessoas assim, porque nem sempre devemos atender ao padrão social onde devemos formar uma família. 

Em uma de suas viagens Irene conhece uma antropóloga que fala de intimidade. Isto mexe com ela. Sim, o que mais falta no mundo é isto, intimidade. Quantas relações superficiais temos? ninguém quer se envolver a este ponto. Parece que há medo disto. A nova namorada de Andrea declara que deseja um filho, mas que ele não precisa se preocupar com isto, que ela vai criá-lo. Só que ele se envolve, e deseja também este bebê que está a caminho, e ela também deseja que ele se envolva, mas como é difícil assumir isto. 

Esta antropóloga também diz algo muito interessante, que todos os cirurgiões plásticos são em sua enorme maioria homens, que parece que inconscientemente desejam que as mulheres se pareçam, moldá-las, e poder talvez com isto responder ao grande mistério do que quer uma mulher? o que é uma mulher? o que é impossível, pois cada uma é uma. E é isto que Irene percebe, ao finalmente assumir que gosta de sua vida e de viajar, inclusive por si mesma, não apenas profissionalmente, mas que ao mesmo tempo ela pode ter mais intimidade com os que ama. 

Maria Sole Tognazzi nasceu em 1971 em Roma, ItáliaI

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

FILME: CAKE uma razão para viver - 2014


Direção: Daniel Barnz - 2014
Duração: 102 min
Título original: Cake

Claire (Jennifer Aniston) frequenta um grupo de terapia, percebe-se logo que ela sofre, está traumatizada, a sua dor é grande e também percebe-se que sofreu um acidente devido sua situação física. Mas será somente ao longo do filme que iremos descobrir o que aconteceu com ela. 

O grupo de terapia está reunido, uma das integrantes se suicidou e a terapeuta se coloca no papel da morta para que todas possam lhe dizer o que sentem e ela tenta responder. Claire não foi gentil, o que na minha opinião é bem mais real do que tentar ser solidária com uma suicida, pois ninguém consegue compreender este ato que nos coloca numa posição de culpa, de impotência, e sem poder explicar, não há o que dizer, nem mesmo "Deus quis assim" não cabe neste caso. Claire é convidada a deixar o grupo, ela se tornou inconveniente ali. 

Claire faz uso de muitos remédios, ela não consegue enfrentar sua dor e ninguém consegue ajudá-la, ela expulsou o marido de casa, se desentende com sua fisioterapeuta, mente para sua médica. Somente Silvana (Adriana Barraza), sua empregada, permanece ao seu lado e a ajuda. Ela não consegue se desligar do ocorrido e fica obcecada pelo o que poderia ter levado Nina (Anna Kendrick) a se suicidar. Se aproxima de seu marido Roy (Sam Worthington) e filho e se tornam amigos, ambos com sua dor. 

Há algo mais difícil do que enfrentar uma dor muito forte? Sim, talvez o suicídio tenha sido uma saída mais fácil para Nina, apesar de que no filme não se revela o motivo dela, mas Claire começa a ter alucinações e vê Nina que conversa com ela, é uma tentativa de compreender. Ela vai ao local onde Nina se matou, tenta se imaginar fazendo a mesma coisa, mas ela não consegue, o que Claire busca é uma razão para viver. 

Um belo filme sobre a dor de uma tragédia e de como reagimos a isto e lidamos com a situação. Claire consegue, ela vai se levantar e olhar a vida de frente novamente ao perceber que é incapaz do suicídio. 

Daniel Barnz nasceu em 1970 em Gladwyne, EUA.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

FILME: FILHOS DA NATUREZA - 1991


Direção: Friörik Pór Friöriksson - 1991
Duração: 82 min
Título original: Börn Náttúrunnar

País: Islândia 


Um filme para refletir sobre a velhice, a solidão e a morte.

Thorgeir (Gísli Alldórsson) é um homem idoso, vive sozinho num local isolado da Islândia e logo no início sentimos sua solidão por seus atos. Ele então decide partir e vai ao encontro de sua filha que vive na capital em Reijavic, porém a recepção não é o que podemos chamar de agradável. O marido apesar de o receber bem no primeiro dia depois mal fala com ele, mas o pior é a neta que grita com ele e o despreza.Ele está tão só ali como estava em sua casa.  Sua filha sugere então que ele vá viver em uma casa de idosos.



Lá ele encontra Stella (Sigridur Hagalín), uma velha conhecida da infância que ele vê assim que chega sendo arrastada pelas enfermeiras pois havia tentado fugir. Stella quer voltar ao local da infância e deseja ser enterrada lá.

A vida na casa de idosos não é ruim, mas o que sempre me chama a atenção é como tratam os idosos, como se eles não pudessem mais fazer escolhas, tomar decisões, vivem como se fossem loucos ou doentes, sem liberdade. A velhice não é sinal de demência, então porque não podem sair? ir a um cinema? fazer compras, visitar pessoas? fazer escolhas? São tratados como crianças ou até pior que isto, uma vez que a criança tem o futuro a sua frente, mas o idoso vive seus últimos momentos de uma vida onde ele já teve escolha e cuidou daqueles que hoje são adultos e os tratam assim. Há uma cena onde servem chá e a moça pergunta à filha se era leite ou açúcar para ele, como se ele fosse incapaz de escolher e ter gostos e desejos, incapaz de falar e responder.

Thorgeir percebe que no cemitério tem um portão aberto e vê um carro parado na rua. Resolve então fugir com Stella e voltar ao local da infância.







O filme tem um lado que poderia ser chamado de fantástico, mas estamos na Islândia, a terra dos Elfos. O carro quando é perseguido pela polícia desaparece na neblina, é visto em vários locais do país e reaparece sozinho no mesmo local de onde foi levado. A magia que acompanha a vida daqueles que acreditam que ela pode ser muito mais do que o materialismo e a objetividade que se impõem os adultos.

Bruno Ganz faz uma aparição no filme como um anjo.

Friörik Pór Friöriksson nasceu em 1953 em  Reykjavík, Islândia. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

FILME: A MELHOR OFERTA - 2013


Direção: Giuseppe Tornatore - 2013
Duração: 125 min
Título Original: La Migliore Offerta

Virgil Oldman (Geoffrey Rush) é um bem sucedido leiloeiro de obras de arte e antiguidades. É um homem só, com manias como usar luvas para não se contaminar, tem um armário repleto de luvas, e as usa inclusive para comer, ele não toca em nada nem em ninguém. Vive alheio aos outros, sem amigos, sem convívio social. Sai para jantar só, e no dia do seu aniversário o restaurante de onde é um cliente fiel lhe ofertam uma torta com uma vela acesa que Virgil fica olhando queimar, até explicar ao garçom que é supersticioso, e que seu aniversário é só no dia seguinte e ainda são 22:35hs. Ele se levanta e vai embora.

Sua grande paixão são as obras de arte, pinturas e as antiguidades, mas principalmente ele coleciona quadros de mulheres que ele guarda num cofre atrás do armário de luvas. Ele tem um colega, Billy, um pintor frustrado, que nunca foi reconhecido por Virgil que o ajuda na compra destas obras nos leilões que ele dirige.

Um dia ele é contatado por uma jovem órfã, Claire Ibetson (Sylvia Koeks)  que vive num velho casarão repleto de obras de arte e que deseja que ele seja o leiloeiro. A relação inicial é difícil, ele finge que é o assistente, mas acaba indo e fica intrigado porque a jovem que liga nunca aparece até que descobre que ela sofre de agorafobia. Ele será sensibilizado por isto, e tentará se aproximar dela.

Ir adiante tiraria o prazer de quem vai assistir ao filme e de seu desfecho que irá surpreender, mas o filme nos mostra o quanto pode ser cruel a solidão humana. Virgil sempre teve medo das mulheres, não sabia como se relacionar com elas, e ao mesmo tempo desconfiava de todos que se aproximavam dele. Claire irá mudar isto, mas a mesma sensibilidade e conhecimento que ele tem para ver se uma obra de arte é verdadeira ou não, será que ele terá com os sentimentos e com as pessoas?

A identificação entre eles, Virgil um solitário obsessivo, Claire sofre de agorafobia, ambos vivem sós e como que isolados do mundo e dos outros. Ele se dedica a colecionar quadros de mulheres que ficam num cofre onde somente ele pode admirá-las, ela uma escritora que usa um pseudônimo , tudo isto leva a uma transferência e projeção que cria representações e ilusões também. Quando a paixão se instala vem a idealização e a cegueira, pequenos detalhes passam desapercebidos, e somente depois serão notados.

Giuseppe Tornatore nasceu em 1956 em Bagheria, Itália. 


Trilha Sonora de Ennio Morricone 

Ennio Morricone nasceu em 1928 em Roma, Itália. É um compositor, arranjador e maestro

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: ENCONTROS E DESENCONTROS - 2003



Direção: Sofia Coppola - 2003 
Duração: 104 min 
Título Original: Lost in Translation 
Roteiro: Sofia Coppola
País: Estados Unidos 

Ganhou o Oscar de melhor roteiro original.

Bob Harris (Bill Murray), um ator que já fez muito sucesso chega à Tóquio para filmar um comercial de uísque. Ao ser levado para o Hotel num táxi ele fica olhando Tóquio com todas as suas luzes, out doors, e cartazes em uma língua que ele não compreende. Passou-me uma sensação de claustrofobia neste momento, de ser esmagado por tantas luzes, propagandas que impossibilitam de ver realmente os prédios, a rua, as pessoas. Bob fica impressionado com tudo isto, e procura tentar se adaptar, mas tem dificuldades até com o fuso horário e não consegue dormir.



No bar do Hotel ele conhece Charlotte (Scarlett Johansson) que como ele se sente só, pois seu marido está sempre muito ocupado. Juntos eles irão passear por Tóquio e falar de suas questões.

O filme mostra claramente, mas sem críticas, as diferenças culturais e as situações que isto pode acarretar. Bob enfrenta um momento de desencanto com a vida, está ali para fazer um comercial ao invés de estar atuando como ator, em troca de uma soma considerável. Sua relação com a esposa é fria e distanciada, ela não se preocupa com ele, apenas com a reforma da casa, e o mais triste é quando ela percebe que ele está triste e se limita a perguntar se deveria se preocupar com ele. Como responder a isto? Ele diz - só se você quiser, e claro que ela não quer.

Charlote é formada em filosofia e não gosta do superficial que tanto atrai seu marido, há diferenças entre eles e ela se sente atraída pela experiência que Bob transmite, ele topa seus programas, vai com ela aos lugares que ela deseja ir. Aos poucos cria-se uma tensão sexual entre os dois, mas o que realmente conta é o elo entre os dois por estarem juntos ali vivendo.



Mas chega o dia em que Bob deve partir e eles se despedem rapidamente, porém no caminho para o aeroporto ele a vê caminhar entre a multidão e pede ao taxista que pare o carro, vai até ela e lhe sussurra algo ao ouvido.

A vida é feita de encontros e desencontros, não há um final feliz no filme, mas um final que pode ser real, verdadeiro. Ninguém fica sabendo o que ele lhe diz, isto pertence aos dois.

Tóquio é high Tech demais, um excesso, em contrapartida com seus templos e o silêncio. Como se os personagens do filme também se refletissem nisto, os que estão a mil, envolvidos em seus trabalhos, em sucesso, ganhar dinheiro, e os que estão sentindo um vazio, uma falta de dimensão em suas vidas. Mas a visão de Bob ao chegar e ao partir são diferentes, algo mudou, e ela não se torna mais um rosto na multidão a partir do momento que ele a identifica ali e vai até ela para lhe dizer algo que só aos dois interessa.


Sofia Coppola nasceu em 1971 em New York, EUA. É filha do cineasta Francis Ford Coppola e prima do ator Nicolas Cage. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN - 2001



Direção: Jean-Pierre Jeunet - 2001
Duração: 122 min
Título Original: Le fabuleux destin d'Amélie Poulain
País: França  

Um filme singelo, maravilhoso.

A criança solitária que cresce numa cidade do interior e depois vai para Paris. A dificuldades que sente, a falta de um amor de ser amada.



Nos mostra o lado imaginário de uma criança que cresce sozinha, e me identifiquei muito, pois sou filha única. O mundo se transforma naquilo que ela imagina, as pequenas vinganças, a criatividade, a solidão.
No fim ela encontra o amor, mas será necessário um outro para que a empurre a agir, vencer sua timidez e o medo.



Amélie (Audrey Tautou) deixa seu pai e vai para Paris onde trabalha como garçonete. Um dia encontra uma caixa no banheiro de sua casa e resolver devolver ao seu dono. Pensando que era do antigo morador da casa conhece Dominique (Maurice Bénichou). Diante de sua alegria ela percebe como é bom ajudar aos outros e decide ajudar outras pessoas.

Lindo! e divertido, ri muito em várias cenas.

Assista ao trailer




Jean-Pierre Jeunet nasceu em 1953 em Roanne, França.

Trilha Sonora Alexandre Desplat 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: MEDIANERAS: Buenos Aires na era do amor virtual - 2011



Direção: Gustavo Tarreto - 2011
Duração: 95 min 
Roteiro: Gustavo Tarreto
País: Argentina 

O mundo de hoje, onde possuímos de tudo para nos comunicar eficazmente e mais rápido, mas o que temos é uma solidão imensa, principalmente nas grandes cidades, onde tudo colabora para isolar as pessoas, a arquitetura, a tecnologia, as redes sociais que sou tentada a chamar de (des)sociais, pois afastam as pessoas do contato frente a frente, do toque, do olho no olho, do calor humano. As vezes observo as crianças nas férias, elas não sabem o que fazer, e penso no meu tempo, onde férias eram fériaaaassss! que alegria.



Me lembra 1984, mas aqui o grande irmão é a mídia, o consumo, o dinheiro. Uma matrix que foi construída assim e onde vivemos sem questionar por que consumimos tanto, por que estamos sempre tão sós, e por que sentimos este vazio dentro de nós. Perdemos a capacidade de nos comunicar? de falar com o outro? Quantas vezes nos vemos sem ter com quem falar, e ao nosso redor, milhares de pessoas.



No filme temos um homem Martin (Javier Drolas) e uma mulher Mariana (Pilar López de Ayala) , ambos moram próximos, se cruzam constantemente em locais, como locadoras, na rua, mas nunca se notam. Ambos são sós. Para quem já procurou o Wally nos livros, vai ver que ela está procurando Waly, mas não o vê, leva muito tempo para o ver.



A linguagem se reduz, passamos a usar códigos e letras, mais fáceis e rápidos nas mensagens virtuais. O prédios tem medianeras, ou seja, aquele espaço onde não se pode abrir uma janela porque tem outro prédio ali ao lado, e então se usa este espaço para outdoors, estimulando mais consumo. Hoje quase que não precisamos mais de vendedores, são as pessoas que querem muito comprar, para suprir faltas, vazios, e dar impressão de sucesso e felicidade. Se tiver o produto, não precisa de nada para o consumidor o leve. Até o sexo é assim, não é mais um desejo, uma pulsão. Ele deve ocorrer, é o que se espera. Tomar remédios para acabar com esta tristeza, solidão e o que chamam de depressão, mas que não é. Ou então, como no filme, fazer o que o cachorro fez, simplesmente se suicidar. Ou, encontrar Wally na multidão.



Assista ao trailer:



Gustavo Tarreto nasceu em 1965 em Buenos Aires, Argentina.

Trilha Sonora de Gabriel Chwojnik.

Gabriel Chwojnik