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domingo, 12 de abril de 2015

LIVRO: O SENHOR AGORA VAI MUDAR DE CORPO - RAIMUNDO CARRERO



Carrero, Raimundo. 1ª ed. Record, 2015
111 páginas

Na madrugada de 18 para 19 de outubro de 2010 o escritor Raimundo Carrero sofreu um AVC, que o deixaria com o lado esquerdo comprometido. Após sair do hospital o que mais o atormentava era se ainda conseguiria ser um escritor, se conseguiria escrever. E conseguiu. 

Mas este livro sobre o que lhe aconteceu demorou mais. Ele escreveu três versões e não se satisfez com nenhuma delas. Ele não conseguia escrever na primeira pessoa, então optou por escrever na terceira pessoa e através de metáforas, e o resultado é este pequeno imenso livro. 

Belíssimo! a medida que vamos lendo sentimos em nós mesmos a angústia que ele sentiu, o medo, mas junto a isto tudo também as recordações da vida, do antes, e novamente a angústia, do agora. São sonhos e pesadelos, a verdade e a invenção. 

Mudar de corpo, mas como o autor nos diz, o corpo está sempre mudando, desde que nascemos. Por outro lado costumamos imaginar que a vida se passa fora do corpo, não o sentimos ali junto vivendo junto com nossos pensamentos, sensações, dores, por mais paradoxal que seja, uma vez que a dor e as sensações só as conseguimos captar e sentir através do corpo. 

Fiquei emocionada, me tocou profundamente este livro. 

Raimundo Carrero nasceu em 1947 em Salgueiro, Pernambuco, Brasil

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LIVRO: A ÚLTIMA GRANDE LIÇÃO - O sentido da vida - Mitch Albom



Albom, Mitch. Sextante, 1998
159 páginas
Tradução: José J. Veiga
Título Original: Tuesday with Morrie

Mitch Albom teve um professor que foi um mestre em sua vida, Morrie Schwartz, mas apesar da promessa de ir visitá-lo nunca mais o fez até o dia que Morrie estava a beira da morte. Foram 14 encontros, sempre as terças-feiras, que mudaram a vida de Mitch. Este livro é o relato destes encontros e das mudanças que ocorreram para Mitch, mas que também podem mudar as nossas vidas. Morrie sofria de ELA (esclerose lateral amiotrófica), uma doença degenerativa e fatal. Em seus encontros com o antigo professor que ele chama de treinador Morrie irá falar de amizade, família, medo, perdão, morte.

Infelizmente na maioria das vezes nós só nos damos conta de que nossa vida não foi o que sonhamos e desejamos quando estamos envelhecendo e temos a percepção da morte que se aproxima ou diante de uma doença fatal que nos dá pouco tempo de vida. Não poderia ser diferente?

Deixamos de lado o que realmente é importante na vida para cuidarmos de coisas pequenas e materiais, como status, sucesso, dinheiro, consumo, bens. E para isto sacrificamos nossos amigos, nossa família, nosso lar e as pequenas alegrias e satisfações da vida.

O sentido da vida não é algo que se encontra ou que exista, a vida é a vida, o sentido cabe a cada um de nós construir. Mas as pessoas acabam enclausuradas no sistema competitivo e materialista e se esquecem que viver não é isto, isto é um sistema que nos enreda e ilude, não tem compaixão, e se você bobear perde tudo que pensa ter construído com tanto esforço e sacrifício. Vale a pena?

Somos dominados pelo Ego e pela competição e perdemos o sentido da solidariedade, compaixão, e hospitalidade. O narcisismo sempre fala mais alto, e queremos sempre ser o melhor e vencer, mas como diz Morrie: qual o problema de ser o segundo?

Todos nós de certa maneira sabemos que vamos morrer, mas deletamos isto. Não levamos isto em conta durante nossa vida.Por um lado isto é bom, pois poderíamos sofrer muito com este sentimento sendo constante, mas por outro, ao esquecer que vamos morrer como todos e que não levamos nada de material daqui, levamos uma vida que foca coisas que não tem importância nenhuma ao invés de nos preocuparmos com o que realmente conta.

O que precisamos é aprender a viver dentro deste sistema, mas sem se deixar afetar por ele a ponto de perdemos o que a vida tem de melhor.

Mitch Albom e Morrie Schwartz

Assista ao filme no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=8j6k_I7nlKw

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

LIVRO: UM SÉCULO DE SABEDORIA - CAROLINE STOESSINGER


Stoessinger, Caroline. Seoman, 2013
Tradução: Martha Argel e Humberto Moura Neto
215 páginas

A vida de Alice Herz-Sommer, um século de vida. Ela tem atualmente 110 anos.

Alice nasceu em Praga em 1903, teve uma infância feliz. Conheceu Franz Kafka por quem tinha um imenso carinho e o chamava de Tio Franz,  Max Brod que escreveria a biografia de Kafka e foi responsável pela publicação de sua obra, que Kafka queria destruir, além de através das amizades de sua mãe ter conhecido Gustav Mahler, Sigmund Freud e Rainer Maria Rilke.

Porém seu mundo iria mudar radicalmente com a ascensão de Hitler ao poder. Sua família era judia e Alice seria deportada junto com seu marido e filho para Theresienstadt. Suas duas irmãs, sendo que uma era gêmea de Alice conseguiram ir para a Palestina, mas Alice ficou para cuidar da mãe que também morreu no campo de concentração. Na época venderam a maior parte de suas propriedades para possibilitar a ida das irmãs. Os britânicos cobravam uma taxa de desembarque que equivale atualmente a US$ 100 mil para cada pessoa que entrasse na Palestina.

Alice e seu filho Rafi sobreviveram ao holocausto e retornaram à Praga onde encontraram seu apartamento ocupado por outras pessoas, o que ocorreu com muitos judeus que conseguiram sobreviver. Depois ela se mudará para a Palestina para ficar próxima às suas irmãs e onde será amiga de Golda Meir.

Alice é uma grande pianista, sua vida foi dedicada ao filho e à música, e foi isto que a salvou. No campo de concentração de Teresin ou Theresienstadt como era chamado pelos alemães ela continuou ensinando piano e até dando concertos, pois este campo era usado pelos nazistas como propaganda para ser apresentado ao mundo como um lugar muito bom onde os judeus eram bem tratados e estavam bem. Era aí que a Cruz Vermelha fez suas visitas de inspeção.

Seu filho também se tornou um músico, tocava violoncelo e como morava em Londres, Alice acabou se mudando para lá, mas sempre manteve sua independência vivendo sozinha e dando aulas de piano. O maior desafio de Alice foi quando seu filho faleceu prematuramente. Muitos temeram por ela e pensaram que não iria se recuperar, mas um dia ela voltou a tocar, devagar, e aos poucos foi retomando sua vida.

Alice também nos ensina sobre a velhice " Você não pode ver meu eu verdadeiro dentro desta pele enrugada, a vida que há em minhas emoções. O que enxerga é só a aparência externa de uma mulher muito velha." Aos 83 anos ela teve um câncer de mama, fez a cirurgia que o médico achava até desnecessário em função de sua idade, e continua entre nós mais de 20 anos depois. Em Londres foi estudar filosofia na Universidade da Terceira Idade.

Ela é uma fortaleza, um exemplo de vida, passou pelo século XX todo, sobreviveu a muitas perdas, ao holocausto e ao câncer e sempre se manteve otimista e sorridente. Rir é a melhor cura para a dor.

Como ela fez isto? vivendo para a música, a música a salvou. Se mantendo sempre ocupada e independente.  "Aprecie as tarefas simples, elas ajudam a transpor os maiores desafios da vida". Vive em Londres até hoje.








 Caroline Stoessinger com Alice. Caroline é uma pianista e vive em New York e apesar de já haver escrito e produzido roteiros para programas de TV sobre música este é seu primeiro livro.