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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

LIVRO: A ARTE DA PEREGRINAÇÃO - Para o viajante em busca do que lhe é sagrado - PHIL COUSINEAU



Cousineau, Phil. Ágora, 1999
259 páginas
Tradução: Luiz Carlos Lisboa

Para quem gosta de viajar em busca de algo transformador este livro é recomendado. Cousineau não nos fala de peregrinações religiosas, apesar de citá-las também, mas principalmente do que ele chama de jornada em busca do sagrado que pode ser uma viagem, uma caminhada perto de casa, uma ida à uma livraria, ou qualquer outra forma que possa nos levar ao que consideramos e sentimos como sagrado.

A viagem é como a vida, tem o antes, o começo, o meio e o retorno. São rituais de passagens como diria o antropólogo Victor Turner. Ele faz uma diferenciação entre o turismo e a peregrinação considerando que o primeiro é uma viagem segura e com conforto que acaba não trazendo grandes transformações interiores, ao contrário da peregrinação, ou como eu chamaria, uma viagem de flaneur, de viver o local, de perceber.

A peregrinação requer um preparo não apenas prático, mas também espiritual ou pela imaginação. Haverá obstáculos a enfrentar e superar, dificuldades, mas também haverá autoconhecimento e inspiração, momentos sagrados. O importante é retornar ao lar trazendo algo de novo em si mesmo, porque a viagem não é externa, mas interior, e por isto mesmo pode inclusive ser feita onde se está. É uma viagem da alma, não do ego.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

LIVRO: HISTÓRIAS QUE CURAM - Conversas sábias ao pé do fogão - RACHEL NAOMI REMEN



Remen, Rachel Naomi. Ágora, 1998
277 páginas
Tradução: Laura Teixeira Motta
Título original: Kitchen table wisdom.

Rachel é médica, ela trabalha com pacientes com câncer, principalmente os terminais, através de uma terapia que os ajuda a enfrentar este momento. Mas o livro nos proporciona um ensinamento que é sábio sobre a vida, sobre como viver e não apenas sobreviver.

Um dos pontos do livro é a questão do treinamento que os médicos recebem de serem profissionais e não se envolverem emocionalmente com os pacientes. Acontece que o médico é um ser humano e ter que se conter pode levá-lo ao que a autora chama de embotamento, ou seja, ficar insensível a dor, o que não quer dizer que ele não sinta, mas justamente porque sente e tem que reprimir ele acaba assim.

A autora defende o ponto que cada doença é única para aquela pessoa e que a cura também é única. Para a medicina a doença é uma só e tem seus recursos para lidar com ela, mas as coisas são muito mais profundas do que isto, pois a doença já é um sintoma de algo que afetou aquele ser humano.

Cada um que ler o livro encontrará algo que lhe fale. Eu pessoalmente me atentei muito à questão do quanto ficamos presos ao outro e com isto deixamos de ser nós mesmos e fazer o que desejamos. Ela nos lembra que um elogio também é uma forma do outro nos julgar e não apenas a crítica como costumamos ver. E do quanto nos dedicamos a atender aos padrões que nos foram impostos na infância ou pela sociedade e o quanto isto gera infelicidade.

Rachel também nos fala sobre o sagrado, aquele lugar interno ou até mesmo externo que nos traz paz, e do quanto precisamos disto.

A força, a determinação, a integridade das pessoas que estão com câncer é algo que nos comove e nos leva a refletir muito sobre a vida.