Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo.
Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
Direção: Joe Wright - 2012 Duração: 129 min País: Reino Unido Adaptação do romance homônimo de Leon Tolstoy
O filme é uma adaptação do romance de Tolstoy e o interessante é que ele é feito em forma de teatro, com os cenários sendo erguidos e os atores circulando para sair e entrar em cena.
A história se passa no século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law). Sua cunhada passa por uma crise no casamento devido a infidelidade do marido e Anna decide ir vê-la para conversarem e tentar acalmá-la. Nesta viagem ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson) que passa a cortejá-la. Anna inicialmente resiste, mas depois irá se entregar e apaixonada pede o divórcio. Porém seu marido não aceita e a irá impedir de ver o filho, mas Anna não desiste de sua paixão.
O filme traz um pequeno apanhado do que é o grande livro de Tolstoy. Como é encenado como um palco falta muito do campo que está muito presente no livro, e de todo o entorno e história da Rússia e como era sua sociedade naqueles tempos. Mas ainda assim é válido, me recordou o livro, e para os que não o leram é um perfeito apanhado do livro. Mas falta muito para que se possa realmente compreender Anna Karenina e o que a leva ao seu desfecho trágico.
Direção: Joe Wright - 2007 Duração: 123 min. Título original: Atonement Roteiro: Christopher Hampton País: Reino Unido Venceu o Oscar de melhor trilha sonora e Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme dramático e de melhor trilha sonora.
Baseado no livro Reparação de Ian McEwan
Briony Talles (Romola Garai) tinha 13 anos quando viu algo que não compreendeu da forma correta e isto irá desencadear mudanças radicais na vida de várias pessoas, e principalmente de sua irmã mais velha Cecilia (Keira Knightley) e de seu amante Robbie Turner (James McAvoy). Ela acusará Robbie de um crime que ele não cometeu.
Robbie era filho do caseiro onde moravam as irmãs e tinha muito carinho por Briony que era uma criança solitária, imaginativa e que escrevia. Ao ver de sua janela uma cena na fonte com sua irmã e Robbie ela vai interpretá-la como uma violência, mas também veremos a cena pelo olhar dos dois onde há um flerte, um jogo de sedução. Para a criança, pois nos anos 40 ter 13 anos é ainda ser bem infantil, a sexualidade lhe surge aos olhos como uma agressão, ao contrário do que ocorre com sua irmã.
Podemos deduzir que Briony tem uma paixão infantil por Robbie ou até mesmo ciúmes de sua irmã ou dele. Ela também os surpreendera em uma relação sexual o que a chocará profundamente, além de uma carta infeliz com palavras mais vulgares que Robbie escreve sobre o que sente por Cecilia. Tudo isto se somará para ter o desfecho que teve quando uma das convidadas da casa é estuprada e não quer dizer quem foi. Talvez Briony deseje realmente defender sua irmã, mas pode ser também sua vingança, e ela contará para sua mãe tudo o que imagina ter visto o que resultara na prisão de Robbie acusado de estupro.
Inicia-se a Segunda Guerra mundial, Robbie terá que lutar e morrerá e sua irmã após deixar a casa dos pais busca refúgio em um túnel para se esconder das bombas e também morrerá ali. Mas também veremos o casal Robbie e Cecília vivendo juntos e quando Briony já adulta, uma enfermeira vai visitá-los terá que enfrentar o ódio dele e será expulsa dali.
Muitos anos depois Briony é uma mulher idosa (Vanessa Redgrave) , escritora, e esta segunda versão faz parte de um livro que ela escreveu onde procura reparar o mal que causou fazendo com que os dois vivam juntos e ela seja tratada como pensa merecer devido sua culpa. Na realidade os dois morreram.
Não foi Robbie que estuprou a convidada e ele pagou por isto por causa do que Briony contou à sua mãe, assim como sua irmã.
Claro que escrever uma nova versão para os dois não os traz de volta nem muda o que lhes aconteceu, mas para ela é uma forma de lidar com isto. Ela cometeu um erro, enxergou algo de acordo com o que lhe era possível ou desejado ver naquele momento, e quantas vezes não fazemos isto? eu diria que quase diariamente vemos cenas na rua, em casa, no trabalho e pensamos algo a respeito que nada garante ser a realidade que está ocorrendo ali. O erro foi falar sobre isto causando com isto a prisão de alguém. Mas como julgar uma menina de 13 anos que se vê no meio de um tumulto, com policiais, diante de uma violência, de um suposto crime de estupro? E se ela não falasse e ele realmente fosse tudo aquilo que ela pensou dele? Mas, quando fazemos uma escolha temos que assumir a responsabilidade por ela.
A escrita é uma forma que temos de lidar com os fantasmas e também de se redimir de algo, reparar algo, de dizer que não havíamos feito antes. Quantos relatos temos de sobreviventes, de traumatizados? que justamente buscam desta forma dar um destino e um lugar para o que carregam dentro de si? E esta foi a forma que Briony encontrou de reparar o que ocorreu antes antes e de amenizar a culpa que carregou por toda sua vida. Porém, há um detalhe, quem poderia ter evitado tudo isto, a suposta vítima de estupro, se calou.
Direção: David Cronenberg - 2011 Duração: 99 min Título original: A Dangerous Method Roteiro: Christopher Hampton País: Canadá
Baseado no livro homônimo de John Kerr e na peça de teatro The Talking cure de Christopher Hampton.
Já falei sobre a biografia de Sabina que li, agora retomo o filme que foi feito baseado num momento de sua vida que é mais conhecido, sua relação com Jung e Freud.
Sabina (Keira Knightley) sofre crises histéricas e é internada na Suíça onde um jovem se interessa por seu caso pensando em ser a oportunidade perfeita para aplicar o que vinha aprendendo com Freud (Viggo Mortensen) . É Carl Jung (Michael Fassbender).
Sabina tem uma questão com o pai, que para bater nela como castigo e repreensão a fazia tirar sua roupa, e isto a excita tremendamente, só que ela não pode aceitar isto, e com isto só terá prazer com a humilhação e apanhando. Ela precisa se humilhar e se punir.Sabina admite que gostou e se sentiu excitada em apanhar do pai, o corpo da criança é erógeno e a lembrança recalcada do prazer irá se tornar erótico mais tarde, mas é cortado pela culpa e pela vergonha, pela moral. Jung irá curá-la desta questão.
Sabina então irá se interessar pela psicanálise, e decidirá ser médica tendo o apoio de Jung para isto. Irá também se analisar com Freud que neste momento tem em Jung seu sucessor.
Freud e Jung irão se desentender como é conhecido e se afastarão. Freud está preocupado com o futuro da psicanálise e não aceita pensamentos diferentes neste momento e Jung dirá que ele se porta como um pai diante de seus discípulos e os trata como pacientes infantilizados. Freud por seu lado dirá que Jung quer ser como Deus, e o mundo é o que é.
O filme foca mais este momento e principalmente a relação entre Sabina e Jung que se tornou um escândalo para a psicanálise. Eles se apaixonam, mas não irão ficar juntos. Sabina irá se tornar uma freudiana, mas sempre irá apoiar Jung. Ela se casa, terá duas filhas, mas acabará vivendo mais distante do marido do que com ele, até se separarem. Enfrentará muitas dificuldades tanto por causa da guerra, da Revolução Russa como por ser mulher. Acabará esquecida como psicanalista sendo resgatada somente após serem encontrados seus textos e diário.
Sabina foi assassinada em 1942 junto com suas duas filhas na Rússia pelos nazistas.
A questão de que também os profissionais precisam de ajuda aparece no filme e fica mais evidente com Otto Gross (Vincent Cassel) que defendia a ideia de que ninguém deveria reprimir seus desejos.
Assista ao trailer
David Cronemberg nasceu em 1943 em Toronto, Canadá