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terça-feira, 23 de junho de 2015

FILME: 10 CANOËS, 150 LANCES ET 3 ÉPOUSES - 2006



Direção: Rolf de Heer e Peter Djigirr - 2006
Duração: 87 min
Título em português: 10 Canoas, 150 lanças e 3 esposas
País: Austrália

Prêmio especial do júri na seleção Un certain regard de Cannes. 

Este filme aborda os aspectos da Mitologia Aborígene da Austrália. Um jovem, Dayindi (Jamie Dayindi Gulpilil Dalaithngu) está apaixonado pela terceira esposa de seu irmão mais velho. Durante uma caçada o velho Minygululu (Peter Miyngululu) aproveita para lhe contar uma história que ocorreu há um longo tempo atrás para colocá-lo de volta na linha e de acordo com as leis tribais.



O filme nos faz então navegar entre o destino (filmado em preto e branco) de Dayindi e (filmado em cores)  do guerreiro Ridjimiraril (Crusoe Kurddal) e seu irmão mais novo Yeeralparil (o mesmo ator de Dayindi) que também se apaixonou pela esposa mais jovem do irmão.



Durante uma hora e meia observamos o cotidiano dos aborígenes, seus mitos, lendas, histórias, o feiticeiro, os rituais, mas também as caçadas, a disposição da tribo que separa os solteiros, o dia a dia das mulheres. Tiramos grandes lições, como aprender a paciência, a respeitar os mais velhos, e a ver as consequências dos desejos. 



Na história contada por Minygululu aparecem todas as regras de convivência da tribo, e também o destino atuando. É muito interessante ver que quando os homens sentam para discutir algo eles imaginam a cena ocorrendo. Um dia chega um estranho no local, e o feiticeiro os adverte das possíveis consequências, e vemos eles imaginando as cenas. Quando a segunda esposa de Ridjimiraril desaparece, eles também imaginam todas as probabilidades, e o chefe chega a conclusão que ela foi sequestrada pelo estrangeiro que apareceu em suas terras. Quando reaparece outro desta tribo estranha o chefe atira sua lança contra ele, pensando ser o mesmo de antes, e o mata. Isto vai causar a necessidade de um acerto de contas entre as duas tribos.



O chefe será atingido. Sua primeira esposa tenta curá-lo com ervas, mas não consegue, o feiticeiro também tenta, mas diz que não conhece este tipo de feitiçaria.


Antes de morrer ele fará a dança de sua própria morte até cair no chão exaurido. Quando o irmão mais velho morre é o mais novo que assume seu lugar na família, inclusive as esposas. Seu irmão mais novo após passado o tempo do luto fica então feliz pois finalmente vai poder ter a mulher que ama, só que ela é a mais nova e ele terá que cumprir seus deveres primeiro com as mais velhas.




Rolf de Heer nasceu em 1951 em HeemsKerk, Países Baixos, foi para a Austrália com 08 anos. 

Peter Djigirr nasceu em 1963 na Austrália

sábado, 25 de abril de 2015

FILME: TRACKS - 2013


Direção: John Curran - 2013
Duração:  112 min

Baseado na biografia homônima de Robyn Davidson

Em 1995 Robyn Davidson (Mia Wasikowska) decide atravessar o deserto da Austrália por 2700 quilômetros partindo de Alice Springs. Para conseguir o dinheiro para a travessia ela aceita ser patrocinada pela National Geographic, mas para isto terá que ir acompanhada do fotógrafo Rick Smolan (Adam Driver) que irá documentar a viagem para a revista. Ela parte em 1997 com sua cachorra e mais quatro camelos em direção ao Oceano Índico.



Robyn é uma pessoa solitária que prefere mesmo se manter afastada e ao longo do filme vemos algumas lembranças de sua infância traumática com o suicídio da mãe, sua cachorra que teve que ser sacrificada por não terem onde deixá-la, a Tia que vai buscá-la para ficar com ela após a morte de sua mãe. Compreendemos que esta vida se arriscando, indo as vezes à exaustão nas caminhadas, passando por obstáculos, mas ao mesmo tempo podendo estar consigo mesma, em contato com a natureza é uma maneira de lidar com esta infância difícil.



As paisagens são belas, o deserto é sempre algo que me cativa. 

Roby Davidson nasceu em 1950 em Miles, Austrália 

Roby Davidson e sua cachorra e Mia Wasikowska com a cachorra do filme.

 Capa da National Geographic

Roby Davidson e Rick Smolan 


John Curran nasceu em 1960 em Utica, Nova Yorque, EUA.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

FILME: MARY E MAX - UMA AMIZADE DIFERENTE - 2009



Direção: Adam Elliot - 2009
Duração: 92 min
Título Original: Mary and Max

Animação. Narrado por Dame Edna Everage


Mary Dinkle é uma garotinha gordinha que vive na Austrália, seus pais estão separados e sua mãe é alcoólatra. Ela sofre por não ter amigos. Max Horovitz tem 44 anos e vive em Nova York, é judeu, obeso e também solitário, ele sofre da Síndrome de Asperger. Duas pessoas que nos parecem tão distantes e diferentes, mas será?

Tudo começa quando Mary sentindo um desejo de ter alguém que pudesse lhe responder suas inúmeras perguntas sobre o mundo que a cerca pega ao acaso um endereço numa lista de endereços, rasgando o papel ao ser puxada por sua mãe  e escreve para a pessoa, que é Max. 

Esta dado o pontapé inicial de uma singular amizade que durará alguns anos até a morte de Max. Não será sempre simples, ambos terão que aprender a lidar com as diferenças e principalmente serem capazes de manter um laço com o outro. Ambos tentam dar sentido ao seu mundo incompreensível e onde se sentem inadequados, fora do contexto. Haverá desencontros como em toda relação, haverá momentos tristes e de humor negro, mas estamos vivenciando uma amizade real, onde tudo isto acontece e só será mantida se os envolvidos puderem manter o laço.

Por outro lado vemos a possibilidade da amizade mesmo para aqueles que não seguem o comum, a massa, e são diferentes, sempre há um outro que também é assim e que está solitário em algum lugar no mundo, mas para se chegar a ele é preciso que alguém faça alguma coisa. 

As cartas trocadas entre ambos abrangerá uma série de assuntos como o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a diferença sexual, as diferenças religiosas, o fato das pessoas não serem perfeitas, a depressão, o suicídio. 

Recomendo o filme. 

Adam Elliot nasceu em 1972 em Berwick, Austrália

sexta-feira, 10 de abril de 2015

FILME: PROMESSAS DE GUERRA - 2014



Direção: Russel Crowe - 2014
Duração: 105 min
Título Original: The Water Diviner

Filme dirigido por Russel Crowe que faz o papel do protagonista. Joshua Connor (Russel Crowe) vive na Austrália com sua esposa Ayshe (Olga Kurylenko). Ao regressar para casa à noite ela está limpando as botas de um dos filhos e lhe pede para ler para eles alegando que é o melhor momento do dia. Logo percebemos que os filhos não estão ali. Eles morreram na guerra, na Batalha de Gallipoli em 1919 na Turquia. Ayshe o acusa de nunca os ter trazido de volta. A dor de uma mãe que perde os três filhos é muito forte e ela acaba se suicidando. Diante disto Joshua promete em seu túmulo que vai buscá-los para que sejam enterrados ao lado da mãe.



A partir daqui não leia se pretende assistir ao filme.

Joshua consegue localizar os corpos de dois de seus filhos, porém o mais velho escapou vivo da batalha. Começa então a procura por ele que acabará sendo encontrado. A grande questão do filme é porque ele não voltou? Aqui vou falar em termos psicanalíticos. Quando eram crianças o pai sempre dizia ao mais velho para que não voltasse para casa sem os irmãos. E isto ficou gravado. Como ele poderia voltar? sem os irmãos? Na infância diante de uma tempestade de areia ele havia cumprido sua promessa, e permanecido com os  irmãos até a chegada do pai, mas na guerra ele acredita que falhou. 


O que o filme deixa muito evidente é a força de uma palavra, de uma frase dita seja pelo pai ou pela mãe na infância que fica registrada e não permite modificações, mesmo quando já somos adultos, a menos que consigamos falar disto e encontrar possibilidades de mudar. É o que acontece quando ele o diz para o pai, mas mesmo assim não quer voltar e só o fará quando o pai disser outra frase para ele. 

A Batalha de Gallipoli foi terrível, um massacre, e o filme também relembra um pouco deste triste episódio. 

Russel Crowe nasceu em 1964 em Wellington, Austrália. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FILME: UMA LONGA VIAGEM - 2013


Direção: Jonathan Teplitzky - 2013
Duração: 116 min
Tíítulo Original: The Railway Man

Adaptação da autobiografia de mesmo nome de Eric Lomax.

Um excelente filme. Conta a história real de Eric Lomax (Jeremy Irvine/Colin Firth) que durante a Segunda Guerra Mundial foi capturado pelos japoneses em Cingapura e obrigado a fazer trabalhos forçados na construção da ferrovia da Birmânia. 

Eric sobrevive e volta para a Inglaterra, porém o que se enfoca aqui é como ele está e seus amigos anos depois do fim da guerra, onde os traumas ainda atuam e o silêncio os perpetua. 

O grupo de soldados ao qual Eric pertencia eram engenheiros e por isto foram escolhidos para a construção da Ferrovia, mas foram poupados dos piores trabalhos, porque eles eram necessários devido seu conhecimento. Só que eles desejam fugir, e também constroem um rádio receptor para ouvir as notícias. Quando os japoneses apreendem o rádio começa o inferno deles. Eric se entregará como o responsável e será o que mais sofrerá nas mãos dos japoneses sendo torturado pelo Kempeitai - a polícia militar do Exército Imperial Japonês.


Anos depois Eric conhece Patti (Nicole Kidman) e se apaixona, eles se casam, porém ela logo descobrirá que há algo terrível com ele, que sofre de pesadelos, se ausenta, se torna agressivo. Patti procura Finlay ( Stellan Skarsgard) conhecido como tio, do grupo dos ex-combatentes que se reúne todas as semanas. Ele lhe conta sobre a história de Eric, porém ninguém sabe o que aconteceu quando ele foi levado por Nagase (Tanroh Ishida/Hiroyuki Sanada) para um quarto e também lhe fala que o torturador de Eric está vivo e lhe mostra um jornal. 

A história de Eric é importante no sentido de mostrar e falar dos traumas pós-guerra, onde não há heróis, não há triunfo, mas marcas que não se apagam e destroem vidas. Como diz Finlay - Não podemos amar, Não podemos dormir. Quando Patti lhe fala que Eric precisa falar sobre o que ocorreu no quarto ele responde: há coisas que são tão vergonhosas, humilhantes que não tenho certeza se alguma vez poderemos falar sobre elas, especialmente para que alguém que se ama. 

Ao saber que seu torturador está vivo Eric diz que não irá atrás, agora é um homem casado, mas Finlay lhe mostra que ele está punindo sua esposa com a maneira de tratá-la. Eric diz que durante anos ficou imaginando que tinha encontrado ele, fazendo ele implorar, gritar, me alimentei adormecendo sob esses sons. Após o suicídio de Finlay ele se decide a ir atrás de Nagase que agora trabalha como guia de turismo no museu sobre a estrada de ferro e a guerra. 

O encontro dos dois a sós coloca em palavras o que ambos sentiram e passaram. Eric entrará no quarto onde foi torturado e se recordará de tudo, irá interrogar seu agressor da mesma forma como foi feito com ele. Mas a questão aqui é que a guerra é algo que desvia as pessoas de sua conduta normal, é algo fora do contexto e que leva cada um a acreditar em algo, em seu país, e a ver o outro como um inimigo. Nagase também poderá falar para Eric tudo que sentiu e porque está ali trabalhando no museu, ele se culpa, sente remorsos e tenta com isto uma reconciliação.



É interessante pensar que as guerras acabam, e os países se reconciliam, mas são os que estiveram na guerra, os que sofreram suas consequências, os que acreditaram num causa que carregam os traumas psíquicos disto e irão transmiti-los aos seus descendentes. Geralmente há uma negação no pós-guerra, ninguém quer falar dela, querem esquecer, e isto produz um recalcamento que irá explodir a frente com o retorno de tudo, transformando isto num círculo sem fim. O que aconteceu com Eric e Nagase é um exemplo de força e coragem, onde dois homens enfrentam suas culpas e seus traumas, sua dor, sua vergonha e humilhação, e se redimem um diante do outro, justamente a vítima e o agressor, ali se transformam em homens, em seres humanos dignos. 

Eric diz que nunca falou sobre o que aconteceu, porque ninguém acreditaria. Nagase responde que eles também não. Mas ali, os dois podiam falar e ambos conheciam a verdade. Eric perdoou seu torturador, Nagase se redimiu, e ambos se tornaram amigos até a morte. Isto foi possível porque o que muitos não conseguem ver é que o agressor em determinadas circunstâncias é um ser humano que em outra situação jamais faria o que fez. Esta é a tragédia da guerra. Obviamente há os criminosos de guerra, os que tomaram as decisões, e há aqueles como os nazistas que acreditavam que fizeram o certo e em momento algum se arrependeram ou tinham remorsos. Mas quando há a possibilidade do confronto entre o agressor e a vítima  e o primeiro sabe que errou, carrega uma culpa, um remorso, reconhece o que fez, e se arrepende, aqui temos uma oportunidade de colocar em palavras todo o ódio, a dor, a vingança e a culpa, e isto muda tudo. 

Eric carregou as palavras dos japoneses que lhes disseram que não eram homens, eram covardes, pois eles teriam se matado para preservar sua honra ao invés de se entregarem. Aqui há uma questão cultural também, mas claro que estes soldados britânicos foram marcados por estas palavras, porém, Nagase também não se matou quando os americanos os capturaram, e reconhece que Eric suportou o que ele nunca suportaria, que ele jamais se rendeu. 

Jonathan Teplitzky nasceu em Sidney, Austrália. 

Eric Lomax e Nagase

Eric Lomax
Nagase
Patti Lomax 

terça-feira, 27 de maio de 2014

FILME: DESONRA - 2008


Direção: Steve Jacobs  - 2008
Duração: 120 min. 

Título Original: Disgrace
País: Austrália  

Baseado no livro homônimo de J. M. Coetzee 

O título original é Desgraça. África do Sul, na Cidade do Cabo o professor David Lurie (John Malkovich) leva uma vida solitária, dando aulas sobre poesia numa universidade e tendo encontros sexuais com garotas de programa, até o dia em que ela lhe diz que não irá mais encontrá-lo.

David então se aproxima de uma aluna Melanie (Antoinette Engel) e usando de seu lugar de professor, com sua influência acaba a levando para a cama. Não se trata de um estrupo, mas também não é algo que agrada à garota, até que seu pai ao saber de tudo o denuncia à Universidade. David não se defende, continua usando de seu cinismo e se declara culpado.

Ele então parte ao encontro de sua filha Lucy (Jessica Haines) que vive numa fazenda isolada e acaba de ser abandonada por sua companheira. Eles serão violentamente atacados por três negros da região, um deles ateará fogo em David, enquanto sua filha é violentada.



Enquanto esta na Cidade do Cabo a atitude de David ainda era a de um colonizador, se considerando melhor, porém quando ele chega à fazenda desolada da filha, encontrará outro mundo, onde são os negros que dominam a sua terra.

Lucy nada fará para punir seus agressores o que deixa o pai consternado, ele não consegue aceitar isto, e também não consegue compreender o comportamento da filha. Ela deseja ficar ali, mas para isto precisa viver em paz com a comunidade, e aceita se casar com Petrus que vive ali e lhe dá quase tudo, ficando apenas com sua casa. Ela está grávida do estupro e ele vai assumir a criança que é filho de um parente seu e que também está vivendo ali.



David não compreende tudo isto. Ele quer justiça, quer que ela vá embora, e em momento algum associa o que ocorreu com sua filha com o que ele fez com a aluna na Universidade, até que após uma conversa com a filha que lhe diz que os homens são assim, sentem ódio das mulheres e precisam humilha-la, ter o poder sobre ela, ele procura a família de Melanie e pede perdão.

A questão está nos impulsos, naquilo que alguns não conseguem controlar, ou seja, a pulsão sexual, o desejo. David se declara um servo de Eros para a universidade. Só que ele não é o único que sofre disto, que também deseja e que não mede os limites para atingir o que deseja. Seja usando de persuasão e intimidação como David ou pela violência como os três jovens que os atacaram. Não é pela aparência de civilidade que a natureza do abuso se modifica, no fundo é a mesma coisa. A única diferença é que David sabe que deseja e age para isto, enquanto os jovens agem por impulso, pelo ódio, mas também pelo desejo. Quando o garoto olha pela janela para ver Lucy nua, esta é uma atitude típica de adolescentes. Mas David é mais sutil, ele diz que a mulher bonita tem que ser generosa e partilhar com todos esta sua beleza.

A pergunta que mais nos fazemos é por que Lucy age assim? ela é uma européia, sua mãe está na Holanda, mas ela se submete a lei e cultura local, a ponto de aceitar o estupro e dar todos seus bens ao estuprador para ter paz. Por que ela não o denunciou? por que ela o protege quando seu pai lhe dá uma surra e ainda corre até ele perguntando se está machucado? enquanto ele grita que vai matar a todos eles? Por que não vai embora?

O filme não mostra muito do que aconteceu com Lucy antes, nem o que ela realmente pensa. Mas eu fico pensando até que ponto o fato de ser filha de um homem que age como um estuprador polido e educado e acha isto normal, como seu lado Eros que ele não tem intenção nenhuma de deter, a leva a agir desta forma e não conseguir reagir? É como se em seu inconsciente estivesse atacando o pai? Ela prefere gerar o filho deste estupro, como um desejo inconsciente?

A questão dos cachorros sacrificados, talvez o único lugar que David consegue dar um pouco de amor, e por que sabe que não ficará dependente disto, uma vez que o cachorro vai morrer. Nem mesmo aquele que ele adota por um tempo, ele consegue se dedicar à ele, e acaba desistindo dele e o entregando ao sacrifício. O oposto de Eros é Tânatos, é a morte. Ou será uma metáfora que explicita o que ocorre com os que se aproximam de David? serão sacrificados ao seu amor, eros? aos seus impulsos que não consegue controlar? Ele acaricia, mas sabe que vão ser sacrificados, pelo amor, não é um castigo.

David cita Byron, e diz que a loucura não está na cabeça, mas no coração. Até onde se vai para curar um coração doente assim?

Talvez Lucy saiba que ele só se preocupa com ela e quer vingança por que no fundo ele se sente ultrajado em sua honra, e ao mesmo tempo confrontado consigo mesmo, o que o leva a pedir o perdão à família de Melanie, mas sinceramente, não consegui me convencer de que ele fez isto por realmente estar arrependido, mas pelo contrário, como se isto fosse uma maneira de tentar evitar mais desgraças.




Steve Jacobs nasceu em 1967 na Austrália

domingo, 25 de maio de 2014

FILME: LORE - 2012


Direção: Cate Shortland - 2012
Duração: 109 min  
País: Alemanha - Austrália - Irlanda - Reino Unido

Baseado no livro de Rachel Seiffert - A Câmara Escura - Revelação comovente de uma dolorosa herança nazista. - The dark room. 


1945, a Alemanha é derrotada. Um oficial nazista tem que fugir às pressas e leva sua família para a Floresta Negra, a mulher e seus cinco filhos, entre eles um bebê. Lore (Saskia Rosendahl) é a fiha mais velha e quando sua mãe se entrega a incumbe de levar seus irmãos para a casa da avó em Hamburgo.



Será um longo trajeto em meio as zonas ocupadas. Lore terá que procurar comida e locais para passar a noite. No caminho vê jornais com fotos do holocausto e de seu pai. Hitler se suicidou.

Ela encontrará Thomas (Kai Malina), um judeu que escapou com vida e que irá ajudá-la, mas ainda assim ela terá todos seus preconceitos sua ideologia nazista impedindo que se aproxime ou acredite nele. Para isto terá que vencer toda a educação e ideologia que recebeu em sua formação e será se defrontando com todas as dificuldades durante o percurso que lentamente ela perceberá que os judeus não eram sujos ou mentirosos como sempre acreditou.

Os alemães no filme não demonstram compaixão nem mesmo por crianças, para conseguir comida ela tem que ter algo para oferecer, dinheiro ou jóias que sua mãe lhe deu para a fuga. É sempre pedido algo em troca, até mesmo o corpo, mas nada é gratuito e com generosidade, exceto Thomas que divide com ela o que conseguiu e ainda assim há uma cena que me repugna, mas que é compreensível pela sua formação, quando ele traz comida e ela o afasta, separando a ela e seus irmãos dele para comer.

Os alemães não acreditam nas fotos do holocausto, dizem que é montagem, que são atores, que é obra dos americanos, que nunca o Führer faria isto. A sacralização deste líder como um pai, que não comete erros e que ama a todos seus filhos alemães como se fosse Deus.

Finalmente conseguem chegar a casa da avó graças a ajuda de Thomas que num determinado momento tem que ir embora, pois seus documentos desapareceram. A avó os recebe, dá comida, tomam banho, e uma boa cama. Quando um dos gêmeos pega o pão com a mão recebe uma dura reprimenda da avó, onde aprendeu estes modos? ela é dura, enérgica, autoritária. Diz que seus pais não estavam errados, que Hitler não estava errado, que seus pais não fizeram nada de errado. É neste momento que Lore rompe com toda esta farsa, ideologia fanática. Ela pega o pão com a mão, derruba a água na mesa e a puxa para a mão para beber para total indignação da avó que a manda se retirar imediatamente, o que ela faz de muito bom grado.



Toda esta educação, disciplina e obediência que levam a não pensar, a aceitar tudo como certo e correto, sem avaliar nada. Estas crianças foram educadas para considerar os judeus sujos, mentirosos, ladrões, indesejáveis. Mas foi um judeu quem ajudou Lore, não foi nenhum alemão.

A Lore do início do filme, em sua bela casa, belas roupas, ainda uma criança que acredita em tudo que lhe dizem vai ter que através deste percurso difícil crescer e se tornar uma mulher no final do filme que consegue ver com seus próprios olhos.

O filme tem dois belos momentos simbólicos, logo no início a irmã de Lore brinca de amarelinha, indo do inferno para o céu, e depois quando Lore enterra a foto de seu pai, a do jornal e a que tinham.



Cate Shortland nasceu em 1968 em Temora, New Shouth Wales, Austrália.

Trilha sonora de Max Richter

Max Richter nasceu em 1966 em Hamelin. É um compositor germânico naturalizado na Grã-Bretanha. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

FILME: CONDUZINDO MISS DAISY - 1989



Direção: Bruce Beresford - 1989 
Duração: 99 min
Título original: Driving Miss Daisy 
Roteiro: Alfred Uhry
País: Estados Unidos 

Adaptação da peça teatral de Alfred Uhry

Venceu o Oscar de melhor filme, melhor atriz e melhor roteiro. 

Atlanta, 1948, Miss Daisy (Jessica Tandy)  ao tentar dar ré com seu carro, um packard novo, o joga no jardim do vizinho. Seu filho (Dan Aykroyd) exasperado tenta convencê-la que é melhor ter  um motorista, mas ela não quer. Assim mesmo seu filho insiste e contrata um afro-americano, Hoke (Morgan Freeman).



Miss Daisy inicialmente se opõe e o trata friamente, mas aos poucos seus preconceitos e barreiras sociais irão caindo e ambos se tornarão amigos, uma amizade que durará por mais de vinte anos.



Um belo filme sobre as questões raciais, mas também sobre a amizade entre duas pessoas tão diferentes, mas solitárias, que conseguem se respeitar e compreender e fazer companhia um ao outro. Vale muito o tato que Hoke tem com Miss Daisy, mas ele também não abaixará a cabeça, conquistando sua confiança.


Bruce Beresford nasceu em 1940 em Sydney, Austrália. É um diretor de cinema australiano. 

Trilha sonora de Hans Zimmer