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domingo, 29 de março de 2015

FILME: FREUD ALÉM DA ALMA - 1962


Direção: John Huston - 1962
Duração: 140 min
Título Original: Freud, the secret passion

Filme em preto e branco

O filme faz uma cinebiografia do período inicial da psicanálise e demonstra como Freud (Montgomery Clift) desenvolveu o que veio a se chamar de Édipo na psicanálise. 

O filme reúne fatos verídicos como a ida de Freud para Paris e as aulas de Charcot sobre a histeria, seu casamento com Martha (Susan Kohner), a morte de seu pai, mas também condensa em Cecily ( Susannah York) várias pacientes histéricas, entre as quais a principal foi Anna O. tratada pelo Dr. Breuer (Larry Parks) que criou o talking cure, ou seja, a cura pela palavra.

O filme condensa 15 anos da vida de Freud quando ele desenvolve o Complexo de Édipo e a teoria da sexualidade, onde toda criança deseja inconscientemente a mãe ou pai, dependendo de sua posição masculina ou feminina. Cecily deseja o pai, mas não pode admitir isto conscientemente, é incestuoso e portanto perigoso e proibido. Quando ela se volta para a mãe encontra uma mulher incapaz de lhe dar amor o que a faz se voltar novamente para o pai e passar a persegui-lo tentando se tornar o objeto de desejo dele, levando-a inclusive a ir para um bordel onde Freud a resgata. O boneco que ela ganha do pai representa inconscientemente o filho que desejaria dar ao pai. O filho do general relata sob hipnose que matou o pai porque amava a mãe, o que também choca Freud que manda que ele não se recorde de nada quando acordar. Aqui vemos o efeito da contratransferência, uma vez que Freud também trazia em si mesmo o Édipo e não conseguiu lidar com isto naquele momento.

Freud irá perceber tudo isto se auto-analisando, pensando em si mesmo em relação à sua mãe, de uma lembrança que tem de tê-la visto nua em um trem e depois de seu pai a levando para seu compartimento deixando-o sozinho.

Na época acreditava-se que a histeria era uma farsa que as mulheres encenavam, ou então uma possessão demoníaca, o que Freud demonstra não ser. Ele ouve as mulheres, lhes dá crédito e com isto descobre o que causa a histeria. A histeria era considerada algo da mulher, mas na verdade ela também aparece nos homens, o que no filme fica demonstrado quando seu mentor inicial , Dr. Mayers, assume que o desacreditou perante todos por estar colocando a mostra o que ele sentia o que o desmoralizaria naquela sociedade.

Quando o pai de Freud morre ele tem um sonho que não consegue entrar no cemitério. Será o caminho para que ele descubra que uma das formas do inconsciente aparecer são os sonhos que precisam ser interpretados.

O DVD traz em seguida uma entrevista com o psicanalista Renato Mezan que fala sobre o filme e sobre o impacto destas descobertas e do repúdio que causou tanto no meio médico como diante da sociedade. Toda descoberta que vai contra o aceito, o comum, normalmente sofre este tipo de reação.

Para os que se interessam pela psicanálise é um filme que não pode deixar de ser visto. 
John Huston nasceu em 1906 em Nevada, Missouri, EUA e faleceu em 1987 em Middletown, Rhode Island, EUA. 

sábado, 28 de junho de 2014

FILME: CLÉO DAS 5 ÀS 7 - 1962


Direção: Agnès Varda - 1962
Duração: 90 min
Preto e Branco

Cleo (Corinne Marchand) é uma cantora que está aguardando o resultado de um exame médico, e durante este tempo de espera o filme se desenrola mostrando seus pensamentos, medos, angústias enquanto anda por uma Paris dos anos 60.

O filme inicia com uma sessão de tarô em cores e depois passa para o preto e branco, fazendo uma distinção entre o que é real e imaginário, ilusório. Não apenas na consulta ao tarô, mas há outras superstições, como nunca usar nada novo numa terça-feira, um espelho que se quebra e significa morte, o número do táxi, o que aumenta sua angústia e medo dos resultados pois os sinais confirmam que será algo muito ruim e sério e mortal.

Ela anda por Paris, os cafés, cartazes nas paredes anunciam o filme Um cão Andaluz de Buñuel, vai se encontrar com uma amiga que posa para escultores e depois ao estúdio de seu namorado onde roda o curta  "Os noivos da Ponte MacDonald" com Jean-Luc Godard e Anna Karina, até que conhece Antoine (Antoine Bourseiller)  que está partindo para a Argélia como soldado.

Durante estas duas horas que ela perambula pela cidade algo se transforma nela. Cleo vivia uma vida mimada, por sua assistente, seu amante ausente, mas sempre sendo atendida em seus caprichos, mas o que fazer diante do real, da doença, contra a qual ela nada pode nem ninguém pode protegê-la? Eis sua agonia, mas que ao andar por Paris, observar, ouvir, olhar para o outro, esquecer um pouco dos espelhos e de sua imagem criada, aos poucos ela vai se transformando.

Ela inicia o processo quando deixa a casa tirando sua peruca, se vestindo de preto e indo para a rua. Ela vê a cidade como se fosse a primeira vez, as pessoas, e começa a se relacionar com elas ao invés de se manter ao abrigo, protegida. E ao final ela se sente feliz e capaz de enfrentar a doença que se confirma.

Ela se transforma através da cidade e das pessoas, que por seu lado também estão constantemente mudando no filme, são fragmentos de conversas, são vários locais, são pequenos pedaços que formam a cidade, que a constitui, como vai constituindo também Cleo.

Assista a Cleo cantando

Musicas do filme: Michel Legrand que participa do filme 



Agnès Varda nasceu em 1928 em Bruxelas, Bélgica e está radicada na França. 

MICHEL LEGRAND - MÚSICA - nasceu em 1932 em Paris é um pianista, compositor e arranjador.