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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FILME: A VINGANÇA DE MANON - 1986


Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 113 min
Título Original: Manon des sources 

2ª Parte - continuação de Jean de Florette 

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

Os anos se passaram, Ugolin (Daniel Auteuil) agora é o proprietário da fazenda que foi de Jean, pai de Manon e cuida de seus cravos. César (Yves Montand) deseja que ele se case, pois são os únicos dois que sobraram da família Soubeyran, para ter um herdeiro de tudo que acumularam.

Ugolin vê Manon (Emmanuelle Béart) que agora é uma jovem muito bonita e cuida dos cabritos no campo. Sua mãe voltou para a cidade. Ele se apaixona perdidamente por ela e irá fazer de tudo para conquistá-la, mas o que ele não sabe é que Manon quer vingança pela morte de seu pai.

As revelações finais serão surpreendentes, vale assistir aos dois filmes. Limito-me a falar sobre o filme para não tirar o prazer de assisti-lo.

Claude Berri 

FILME: JEAN DE FLORETTE - 1986



Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 120 min

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

1ª Parte

Meados de 1920 na região da Provence. Ugolin (Daniel Auteuil) retorna para suas terras onde vive seu padrinho César (Yves Montand) com o sonho de plantar cravos, mas há um problema, a água para regar esta plantação. Seu vizinho tem uma nascente no terreno, mas não se dá bem com os Saubeyran, mas mesmo assim eles o procuram para fazer uma oferta pelo terreno com a nascente. Brigam e o vizinho morre. 

O herdeiro é Jean de Florette (Gérard Depardieu) que é um coletor de impostos. Os Sabeyran pensam que ele vai vender, mas não, Jean resolve tomar posse da propriedade e chega ao local cheio de ideias sonhando com uma vida no campo. Ele chega com sua esposa (Elisabeth Depardieu) e sua filha pequena Manon. Sabendo disto Ugolin e Cesar resolvem bloquear a saída da fonte para forçá-lo a vender. 

Não é possível falar mais do filme sem tirar o prazer de quem quer vê-lo. É um retrato da vida rural da França na Provence em 1920 e de como são os comportamentos numa pequena vila, onde um não se envolve nos negócios do outro, mesmo diante de algo que está errado. Mas os segredos que envolvem estas famílias só virão a tona na segunda parte do filme: A vingança de Manon. 

Claude Berri nasceu em 1934 em Paris, França e faleceu em 2009 na mesma cidade. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

FILME: ANTES DO INVERNO - 2014


Direção: Philippe Claudel - 2014 
Duração: 98 min
Título Original: Avant L'hiver. 

Paul (Daniel Auteuil) é casado com Lucie (Kristin Scott Thomas) e é um neurocirurgião e professor extremamente conceituado em sua profissão. Eles estão casados há muitos anos e tem um filho casado e uma neta. O dia a dia é monótono. Lucie cuida do jardim que é visitado pela sua beleza e ele se dedica totalmente a seu trabalho.Ambos tem um amigo, o psiquiatra Gérard (Richard Berry) que é apaixonado por Lucie e joga partidas de tênis com Paul onde sempre perde.

Um dia ele cruza com uma moça, Lou (Leila Bekhti) que lhe diz que o conhece, que ele operou sua apendicite quando ela era criança, o que ele não se recorda, mas a partir deste momento ele irá sempre se cruzar com esta moça. Ao mesmo tempo ele começa a receber buques de flores na clínica e em casa.

Os buques desencadeiam suspeitas e começam a surgir as questões de uma vida em comum onde o dia a dia e a monotonia acabou afastando o casal. Eles não conversam mais, há um vazio ali. Paul começa a pensar no que poderia ter sido sua vida, e Lou é algo que o comove e o faz pensar no antes, no passado, na vida como ele diz. O que ele não sabe é quem é realmente Lou.

Ele inicialmente desconfia desta moça, acha bizarro ela estar sempre onde ele está, e isto o tira de sua zona de conforto onde vivia. Aos poucos ele se aproxima dela, mas não da forma como ela espera, ele não a procura como mulher, para o sexo, mas sim, para tentar olhar para si mesmo e ao mesmo tempo o faz perceber que a velhice se aproxima, que seu casamento é frio, que o desejo sexual está morto.

Mas nem sempre tudo é o que parece e uma surpresa aguarda Paul em relação à Lou, apesar de que ele parece tê-la tocado uma vez que acabará tendo uma saída drástica para evitar que se concretize o planejado em relação à ele.

Há uma bela cena no filme, uma senhora que será operada de um tumor, ela pede à Paul que guarde os nomes de sua família, todos mortos no holocausto, com receio de se morrer estes nomes nunca tenham sido pronunciados, e se viver, eles podem desaparecer pois pode ser que o tumor que ela carrega seja eles.


Philippe Claudel 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO - 2007


Direção: Jean Becker - 2007
Duração: 109 min 
Título Original: Dialogues avec mon jardinier 
Roteiro: Jean Becker - Jean Cosmos - Jacques Monnet 
País: França 

Roteiro baseado no livro de memórias do pintor Henri Cueco. 

Um pintor (Daniel Auteuil) que vivia em Paris e está se separando de sua mulher Hélene (Fanny Conttençon). Resolve então retornar ao vilarejo onde nasceu há 50 anos e morar na casa da infância que se encontra um tanto abandonada. Ele contrata então um jardineiro (Jean-Pierre Darroussin) para cuidar do jardim.



O jardineiro é um velho amigo de infância, estudaram juntos e logo se estabelecerá uma sólida amizade entre os dois que partilharão as experiências de suas vidas, que neste caso, é a vida em Paris e a vida no campo, deixando a mostra as diferenças entre a dita "civilização" e o dito "primitivo".

Ficam evidentes as diferenças entre os dois e justamente aí está a beleza do filme, que demonstra que a amizade não é feita de iguais, mas que saber lidar com a diferença leva a uma relação muito mais enriquecedora e forte. Eles se nomeia de Dupincel - o pintor e Dujardin - o jardineiro. Muito mais do que uma divisão social, uma visão econômica o filme trabalha com o simbólico e o subjetivo, o que a nomeação dos dois já demonstra, para trabalhar com as diferenças das classes sociais, entre a burguesia e o operário e o abismo que normalmente há entre os dois.



É na voz do jardineiro que teremos uma crítica social, para ele a escola existe até quando não temos que trabalhar, depois é ganhar a vida. Ele fará várias observações sobre a atual situação social da França, mas que também encontramos em vários outros lugares. O pintor que sempre teve uma vida boa, sem preocupações financeiras, mas que não enxerga as questões sociais, aos poucos irá abrindo seus olhos para tudo isto, e verá que seu amigo, que tem um passado comum, ou pelo menos próximo, não teve e não tem as mesmas chances e condições que ele, inclusive médicas.

O filme consegue abordar uma situação que geralmente resulta em debates calorosos, críticas ácidas, protestos e revolta de uma forma mais humana, através do diálogo, da troca e do que cada um pode ensinar ao outro.


Jean Becker 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FILME: A FILHA DO PAI - 2011


Direção: Daniel Auteuil, 2011.
Duração: 107 min 
Título original: La fille du puisatier 
País: França 

Adaptação do romance de Marcel Pagnol numa regravação. 

La fille du puisatier. O título em português chega a estar mais de acordo, pois trata-se de um filme quase antropológico. Ele trata do nome. A filha do puisatier, ou seja, quem constrói poços artesianos, Patricia (Astrid Bèrges-Frisbey) engravida de um rapaz (Nicolas Duvauchelle) de uma família rica que vai para a guerra. O pai (Daniel Auteuil) procura a família dele, mas é mal recebido pela mãe e também pelo pai. Vai embora e manda sua filha  para a casa da irmã, por causa da vergonha e do falatório.

Nasce um menino e isto mexe com ele, um homem. Mas... e o nome? bom ele recebeu o nome da mãe, mas o nome da mãe é o nome do pai. E aí começa toda a questão do nome e da filiação.
O avô então vai buscar aquele que leva seu nome. Ele que só teve filhas mulheres, tem neste bebê o primeiro a ter seu nome para uma  descendência.
O pai do bebê é dado como morto, e então a família dele tenta se aproximar do neto. A estas alturas o avô materno já tomou "posse", está ciumento, mas acaba aceitando a presença dos avós paternos.
Felipe (Kad Merad) , que trabalha com ele, havia desejado se casar com a filha e teve que desistir diante da negativa dela por estar apaixonada por outro. Porém, ele ainda quer casar com ela e dar seu nome à criança.

Quantos nomes!
Mas irá ocorrer algo que vai alterar tudo isto, o rapaz não morreu na guerra e retorna. O pai dele então pede a mão dela em casamento para seu filho que inicialmente recusa por achar que ele estava fazendo isto por obrigação, mas ele diz que não. Então... agora o bebê passa a ter o nome do pai e do outro avô.

Felipe decide se casar com a irmã dela, e ao invés de pedir sua mão ao pai, a pede ao cunhado. São as relações de parentesco que ditam as regras.
Uma história de amor entre pessoas diferentes, a segunda guerra mundial e o que ela pode trazer de mudanças.
Lembrando que na França o nome é o sobrenome e principalmente o primogênito sempre será chamado pelo sobrenome, enquanto outros irmãos serão chamados pelo primeiro nome.


Daniel Auteuil nasceu em 1950 em Argel, Argélia.

Trilha Sonora - Alexandre Desplat