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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O RETRATO DA ALMA: MORAL, DESEJO E CONSCIÊNCIA

 


O RETRATO DE DORIAN GRAY

OSCAR WILDE

PENGUIN-COMPANHIA – 1ª ED. - 2012

264 páginas 

O Retrato de Dorian Gray é um mergulho fascinante na estética, na moralidade e na condição humana. Oscar Wilde constrói uma narrativa em que beleza, arte e ética se entrelaçam, desafiando o leitor a refletir sobre os limites entre aparência e essência, prazer e consciência.

A história gira em torno de Dorian Gray, jovem de beleza singular, cujo retrato passa a carregar os sinais do tempo e da corrupção de sua alma, enquanto ele permanece exteriormente inalterado. Wilde utiliza esse enredo para explorar questões filosóficas profundas: a sedução do hedonismo, o culto à beleza, a relação entre o indivíduo e a sociedade, e a tensão entre moralidade e desejo.

O livro é também um ensaio sobre artificialidade e natureza, sobre como as convenções sociais e os julgamentos estéticos moldam comportamentos, muitas vezes à custa da verdade interior. A escrita de Wilde é refinada, irônica e poética, repleta de aforismos que soam como sentenças universais, capazes de permanecer na mente do leitor muito depois da leitura.

Além disso, a obra problematiza a ideia de duplicidade: o que mostramos ao mundo e o que somos intimamente. Esse diálogo entre o visível e o invisível, o público e o privado, transforma o romance em um espelho literário da própria condição humana, com suas contradições e ambiguidades.

Mesmo sendo uma narrativa ambientada na sociedade vitoriana, os temas de Wilde permanecem surpreendentemente atuais: a obsessão com a aparência, o culto à juventude, a hipocrisia social e a constante tensão entre ética e prazer são questões que atravessam séculos.

O Retrato de Dorian Gray é, portanto, muito mais do que uma história sobre vaidade e decadência; é uma obra que desafia o leitor a encarar a profundidade da alma, a estética da vida e o preço das escolhas individuais.


Oscar Wilde nasceu em Westland Row, Dublin, Irlanda, em 1854 e faleceu em Paris, França, em 1900. Foi um escritor, poeta e dramaturgo irlandês. Foi preso acusado de homossexualismo em um dos primeiros julgamentos de celebridades da história moderna


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

LIVRO - LUZ ANTIGA - JOHN BANVILLE



Banville, John. Globo, 2013
Tradução: Sergio Flaksman
334 páginas
Título Original: Ancient light

Talvez por ter criado uma expectativa eu esperasse mais deste livro que mesmo assim tem seus méritos.

Alex é um ex-ator que aos sessenta e cinco anos se recorda de seu primeiro amor pela mãe de seu melhor amigo ao mesmo tempo que no presente é convidado para atuar em seu primeiro filme. Ele era um ator de teatro que abandonou após sofrer um branco de memória no palco.

A primeira paixão de um adolescente aos 15 anos e por uma mulher mais velha, a mãe de seu melhor amigo Billie. Algo bem edipiano, onde se confunde a mulher com a mãe. Por outro lado temos uma mulher que também tem uma castração mal resolvida e acaba se envolvendo com um garoto que poderia ser seu filho. Este suposto amor, já que fica bem nítido que ele não a ama, mas a si mesmo e à imagem que faz dela, onde ficam evidentes a onipotência infantil em relação à mãe que deve atender aos seus desejos e olhar apenas para ele e mais ninguém. Ele salta algo em sua formação, no desenvolvimento de sua sexualidade, lhe faltando a primeiro amor por uma outra adolescente, a descoberta conjunta do corpo um do outro ainda se formando e tudo que isto nos ensina e traz para nosso crescimento e desenvolvimento, tanto que Alex é um homem que tem um certo medo das mulheres e suas questões não se resolvem.

A sensação que tenho é que Alex nunca cresceu, amadureceu. Ele inventa seu mundo e cria os quadros imaginários que lhe convém. Ele mesmo nos diz no livro que não se pode fiar ao que pensa ou recorda. A memória é sempre uma representação do que nós pensamos ter visto e onde nos fixamos, ela nos engana, tece um romance e nada garante que é o que realmente aconteceu, mas é o que pensamos ter acontecido. Quantas vezes ao contar uma história para outro que também participou ouviremos que não foi assim, que alguém não estava lá e temos certeza de que estava?  A cada um sua versão.

Alex se fixa apenas no que lhe interessa em relação a Sra. Gray, ele nunca a ouve, não se preocupa com o que pode lhe ocorrer desde que ele se sinta seguro e a tenha. O final desta história apenas mostra o quanto ele estava distante da realidade e a imaginou. Nunca havia percebido que ela poderia estar doente e criou todo um final onde teríamos um escândalo que não deixaria de envaidecê-lo, uma vez que o garoto havia conquistado uma mulher como ela. Também fica evidente que apesar de tudo há o medo que paralisa e a consciência de que era algo que não era correto e que seria reprovado por sua mãe, pela sociedade e pelo padre. O estranho é que ninguém diz nada, o que pode ser um alívio mas também uma frustração para aquele ego tão centrado em si mesmo.

Lydia, sua esposa, é tão distante quanto sua mãe foi no começo da história. A atriz com quem contracena Dawn Devonport tenta o suicídio como sua filha que morreu assim. E apesar de haver na orelha do livro a informação de que ele estaria vivendo o personagem que estava com sua filha quando esta se suicidou, nada o comprova no livro, e podemos ficar com a opção que ele novamente estava criando um mundo para si, como se tentasse reparar sua falta de presença como pai e a crença de que poderia ter evitado este desfecho, uma onipotência que se revela novamente.

No fim o que rege sua vida é o medo, a insegurança que o faz buscar o colo de uma mulher, de uma mãe.


John Banville nasceu em 1945 em Wexford na Irlanda.

sábado, 4 de janeiro de 2014

LIVRO: A LUZ DO FAROL - COLM TÓIBÍN



TÓIBIN, Colm. Companhia das Letras, 2004
Tradução: Alexandre Hubner
280 páginas.

Este livro eu o li no ano passado, mas ainda não havia escrito sobre ele no meu blog. Helen, sua mãe e sua avó mantém distância, vivem no desencontro, culpas, medo, solidão, raivas que não conseguem enfrentar. A doença do irmão de Helen, que está com AIDS  irá fazer com que elas tenham que se reencontrar e viver na casa da avó por um tempo , que fica na beira de um penhasco com o mar abaixo e um farol, para onde o irmão quis ir após ter a doença fatal diagnosticada.
Aos poucos vão ter que se confrontar, descobrir que no fundo se amam, mas não conseguem viver juntas apesar de que a separação é impossível, pois não é uma questão física e sim psíquica, de laços afetivos. 

Colm Tóibín nasceu em 1955 em Enniscorthy, Irlanda. É escritor, jornalista e crítico literário.