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terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FILME: OS 33 - 2015


Direção: Patricia Riggen - 2015
Duração: 120 mim
Título Original: The 33
País de Origem: Chile - Estados Unidos

O filme retrata a angústia dos 33 mineiros que ficaram durante 69 dias presos a mais de 700 metros embaixo da terra  em Capiapó, Chile após uma explosão na mina onde trabalhavam em 05 de agosto de 2010. Abrigaram-se num lugar chamado refúgio que deveria estar preparado para emergências, mas o rádio nem estava instalado e um baú com comida continha muito pouco o que fez com que tivessem que racionar o alimento.Mario Sepúlveda (Antonio Banderas) assume a liderança para manter o precário equilíbrio mental e coordenar a distribuição do alimento. 

Na superfície a mineradora faz uma ligeira busca e decide que não há sobreviventes, porém, para sorte dos mineiros, Laurence Golborne (Rodrigo Santoro), o jovem Ministro da Energia resolve agir e graças a sua insistência junto ao Presidente do Chile consegue que a procura continue. Andre Sougarret (Gabriel Byrne) é o engenheiro encarregado da operação. 

Paralelamente vemos o drama das famílias dos mineiros que tem a frente María Segovia (Juliette Binoche) cujo irmão está lá embaixo e não desiste em momento algum de exigir que se faça algo. O filme inicia antes do acidente e nos introduz ligeiramente na vida de cada mineiro, suas famílias, ou sua solidão como o do boliviano que era seu primeiro dia na mina. Um deles era casado e tinha uma amante, (Paulina García e Adriana Barraza). 

Acompanhamos o drama que eles viveram e que na época foi acompanhado pelo mundo todo. Os momentos de desânimo, desespero, a coragem, a determinação. O filme também retrata bem a indiferença de uma empresa que considera como custo alto demais agir para o resgate, principalmente porque os considera mortos. 

Todos foram salvos, porém nunca receberam sequer uma indenização da empresa. O cruel lado do capitalismo que considera os trabalhadores como objetos para uso e exploração. Não precisa ir longe, atualmente vemos a Samarco no Brasil atuando da mesma forma com o povo de Mariana e toda região atingida pela lama e detritos de sua barragem.

No filme podemos ver como reage o ser humano em situações extremas. Soterrados, há momentos de união, porém é necessário um líder para impedir que um devore o outro, coma toda a comida em detrimento do outro, mas até mesmo este líder é humano e em determinado momento se acha superior aos outros, e pensa em tirar alguma vantagem do que está ocorrendo, até mesmo dando entrevistas e escrever um livro sobre o que ocorreu, sem envolver os outros, ficando desta forma com a fama. Tudo absolutamente humano. Do lado de fora vemos as famílias, as questões de cada uma, e a frieza do governo e das empresas, pois não fosse a juventude e a posição moral do ministro das energias, provavelmente estes mineiros teriam morrido ali embaixo de inanição, isto se não se matassem ou matassem ao outro.


Patrícia Riggen nasceu em 1970 em Guadalajara, México

quarta-feira, 3 de junho de 2015

FILME: MUCIZE - 2014


Direção: Mahsun Kirmizigül - 2014
Duração: 136 min
País de origem: Turquia 

Baseado em fatos reais. 

Belíssimo filme, poético, paisagem deslumbrante. Em tempos onde o que mais vemos é violência, conflitos, insegurança, doenças, um filme como este é uma dádiva. 

Um professor (Talat Bulut) na Turquia é transferido para uma aldeia. Sua esposa se recusa a acompanha-lo. Ele então parte, primeiro de trem, depois de ônibus até o ponto final. Mas ali não tem nada, então o motorista lhe explica que atrás daquela montanha que ele aponta, há outra, e depois fica a aldeia. O professor então parte e chegando à aldeia é inicialmente recebido por vários homens que lhe apontam um rifle, até descobrirem que é o professor. 

Após ser recebido com alegria, o professor descobre que ali não tem nenhuma escola. Eles então vão à cidade para pedir a construção da mesma, o que não é possível. Na ida eles encontram os bandidos das montanhas, um grupo armado, mas que não é violento, eles são os leões da montanha. O professor então decide que tem que voltar para tristeza do chefe da aldeia que o acompanhou. A noite é difícil, o professor pensa nas crianças que ficaram tão felizes com sua chegada. Ele então toma uma decisão e liga para sua esposa dizendo que foi sequestrado pelos bandidos da montanha e que ela precisa lhe enviar uma soma urgente, o que ela acaba fazendo. De posse do dinheiro para a construção da escola eles compram o material e retornam. Os bandidos da montanha chegam para ajudar na construção. 

Na aldeia vive Aziz (Mert Turak) , que é filho do chefe da aldeia. Ele tem problemas, não consegue falar, não anda direito, seu corpo é torto, ele baba. Seu único amigo é seu cavalo que está sempre com ele. O professor se interessa por ele, e quando percebe que Aziz tem interesse na escola o convida para participar. É o primeiro passo na direção de uma recuperação dele. 

Os casamentos são acertados entre as famílias, é a mãe, mulher do chefe da aldeia que faz a escolha, mas tem todo um ritual para isto. E quando ela parte o filho corre em sua direção para expor seu desejo. O primeiro deseja uma mulher com dentes bonitos e uma silhueta fina. Os outros riem, e dizem que no fim será a escolha da mãe que prevalecerá. E a esposa não tem dentes bonitos. O segundo pede olhos azuis, e a esposa é estrábica. 

Um dos filhos do chefe da aldeia vive nas montanhas pois cometeu um assassinato para defender a honra de seu pai. Faz 10 anos e sua esposa e filho já não aguentam isto e lhe pedem para se entregar, o que ele acaba fazendo. No dia do julgamento os homens da aldeia estão presentes e na saída na calçada um homem tira uma arma mirando outro, o chefe da aldeia impede que o tiro acerte e o homem lhe fica eternamente grato. Tenta lhe retribuir e a única forma que encontra é dar sua filha (Seda Tosun) em casamento para o único filho solteiro dele, ou seja, Aziz. 

Não vou continuar pois é um filme que precisa ser experienciado, eu me deixei levar por ele. 

O filme é maravilhoso, daqueles filmes que te faz rir, chorar, torcer. Não há tragédias, mas tem tristezas, não tem violência, mas tem atos criminosos, ele retrata a vida, sem extremos. Apesar de haver a presença da religião, o milagre (mucize é milagre) que se opera no filme não vem de Deus, é terreno mesmo. Um filme que fala do amor e do que ele pode fazer pelo ser humano, de sua força, desde que seja uma doação, não uma cobrança ou troca. 

Rituais, roupas lindas, montanhas, a velhice, os jovens e as crianças. As mulheres, sua união, mas também sua maledicência. 

Recomendo! 

Veja o trailer:





O ritual do pedido do filho à mãe sobre sua esposa



Mahsum Kirmizigül nasceu em 1969 em Diarbaquir, Turquia

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FILME: 50% - 2011


Direção: Jonathan Levine - 2011 
Duração: 100 min
Título Original: 50/50 

Inspirado em fatos reais

Adam (Joseph Gordon-Levitt) tem 27 anos e mantém uma vida saudável, não fuma, não bebe, e corre para manter a forma. Aparentemente tem um certo receio de tudo que ofereça riscos e por isto nunca tirou sua habilitação para dirigir, apesar de possuir um carro, porque o índice de acidentes é muito alto. Tem uma namorada que não parece muito apaixonada, o que seu melhor amigo Kyle (Seth Rogen) já notou.

Como vinha sentindo dores em sua coluna procura um médico e faz uma descoberta terrível, está com um câncer raro que oferece 50% de chances de cura. Ele fica estupefato já que não faz nada que é considerado como fator desencadeante de câncer. Ele não consegue entender por quê?

Para enfrentar tudo isto ele terá o apoio incondicional de seu amigo e também a ajuda de uma analista Katherine (Anna Kendrick), além de Esqueleto, o cachorro que sua namorada lhe deu como forma de ajudá-lo neste momento.

Aos poucos Adam percebe que se morrer ficarão muitas coisas que ele nunca fez como por exemplo dizer que ama uma mulher. Na vida nunca faremos tudo, mas a mensagem é que devemos pelo menos fazer o máximo que pudermos e sem se bloquear ou boicotar em função de crenças que adquirimos.

Ele se confronta com a morte quando um dos que fazem quimioterapia com ele morre e isto o faz pensar muito sobre tudo.

É interessante como o ser humano precisa de situações drásticas para enxergar algo diferente, novas possibilidades, e perceber o quanto se boicota a si mesmo e deixa de viver coisas boas em função dos outros, das crenças ou das aparências. Adam passa a experimentar e viver mais justamente quando tem apenas 50% de chances de viver.

Por outro lado vemos claramente no filme a imensa dificuldade que as pessoas tem de lidar com estas situações. O que dizer ao que está doente? como lidar com isto? O medo de falar sobre a realidade leva as pessoas a usar frases educadas e politicamente corretas como : isto vai passar, você vai se curar, quando não acreditam nisto, e o efeito disto na pessoa é pior do que a verdade. Ele se sente meio otário, sendo consolado como uma criança.

O filme não tem grandes novidades sobre o tema, é mais um filme sobre alguém com câncer e que luta pela sua vida, mas ele não é apenas o trágico, tem uma veia cômica também.

Jonathan Levine nasceu em 1976 em New York, EUA. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

FILME: UMA CARTA AO PAI - 2009


Direção: Johnny Remo - 2009 
Duração: 90 min
Título original: A letter to dad

Baseado em fatos reais

Dan (Thom Mathews) está prestes a se casar e percebe que há algo não resolvido em relação a si mesmo que interfere na sua relação e casamento e que precisa se libertar do passado para poder continuar sua vida e ser feliz. Resolve então escrever uma carta ao seu pai Mike (John Ashton)  falando sobre tudo que sente, do abandono na infância e de suas dores em relação à isto.

Um filme que nos mostra que não se livra do passado tão facilmente, que ele permanece ali atuando de alguma forma e que é preciso enfrentar isto para se libertar.


Johnny Remo 

domingo, 8 de junho de 2014

FILME: O MÉDICO ALEMÃO - 2013


Direção: Lucía Puenzo - 2013 
Duração: 93 min
Título original: Wakolda 

Baseado em fatos reais.

Após a queda do Terceiro Reich muitos nazistas fugiram para a América do Sul. A região de Bariloche era um reduto de fugitivos nazistas.

1960 - A família de Lilith (Florencia Bado) está indo para Bariloche para cuidar da Hospedaria que os pais de sua mãe deixaram. Um médico, Helmut Gregor (Alex Brendemühl), pede para seguir atrás deles em caravana para atravessar o deserto da Patagônia e depois quando chega à Bariloche se torna o primeiro hóspede deles. Aos poucos ele ganha a confiança de Lilith e de sua mãe Eva (Natalia Oeiro).

Ele observa a menina que tem doze anos e um corpo de oito anos, conversa com sua mãe e lhe diz que está no momento certo para um tratamento de crescimento. O pai é contra, e não simpatiza com o hóspede. Lilith entra para uma escola alemã, e começa a sofrer um bullying por ser menor que todos. Os meninos dão zero para seu corpo quando passa para ir à piscina. As meninas a chamam de nanica. Em função do sofrimento da filha a mãe aceita o tratamento, mas não conta ao pai. Ela está grávida, e ele começa a lhe dar vitaminas e depois passa a cuidar dela ao descobrir que ela espera gêmeos.

Para conquistar a confiança do pai Enzo (Diego Peretti) ele irá investir em suas bonecas que ele fazia artesanalmente, transformando-as em bonecas arianas, com olhos azuis e cabelos loiros e produzidas em massa. Lilith começa a sentir dores em seu corpo e ter febre, o médico diz que é normal. Na volta da viagem que fazem para ver a produção das bonecas os gêmeos nasceram e o pai já está furioso pois descobriu que sua filha vinha sendo tratada pelo médico.

A partir daí vemos o verdadeiro Helmut, que é o fugitivo nazista Josef Mengele , conhecido por suas experiências genéticas com prisioneiros em Auschwitz, conhecido como Anjo da Morte. Ele não era um médico que tratava de pessoas, mas um experimentador, louco, que usava os seres humanos para suas experiências, e que gostava muitos de gêmeos, deixando sempre um para controle de sua experiência no outro.

Eva ainda confia nele, o pai não, mas é neste momento que Eichmann é preso em Buenos Aires e Mengele tem que fugir, a fotógrafa Nora, que é uma agente de Israel é quem descobre com quem eles estão lidando. É tarde, Mengele foge, Nora será assassinada dois dias depois e a família de Enzo arcou com as consequências.

Mengele fugiu para o Paraguai e depois veio para o Brasil passando por várias cidades e vindo a falecer em uma praia de Bertioga por afogamento.

É interessante ver um paralelo entre a criação de bonecas de Enzo e as experiências de Mengele, só que Enzo está lidando com um objeto e não vidas humanas. Ele quer que a boneca tenha um coração que bata, e de certa maneira desta forma se tornar única. E esta é uma lição do filme, se aceitar, como somos. Para uma criança/adolescente é difícil enfrentar as gozações dos colegas que são cruéis, chamando de nanica, ou de gorda, ou de dois olhos e assim vai. É neste momento que os pais tem que dar suporte para isto, o que o pai de Lilith fez, mas sua mãe quis mudar o que Lilith era.

Eva vê em Helmut a lembrança de sua infância, do alemão, da escola, de sua família, ela confia nele, e foi seu maior erro. Ele não tem humanidade nenhuma, atende unicamente ao seu desejo de criar um ser puro, perfeito, corrigir defeitos, testar geneticamente possibilidades de mudanças, para criar o super homem, que era o ideal de Hitler.

Os cadernos de Mengele com as anotações sobre a família são perturbadores, causam mal estar, e ele seguiu fazendo suas experiências, nunca foi preso.



Josef Mengele 

Lucía Puenzo nasceu em 1976 em Buenos Aires, Argentina 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

FILME: O IMPOSSÍVEL - 2012



Direção: Juan Antonio Bayona - 2012 
Duração: 113 min 
Título original: The impossible  / Lo imposible 
Autora: María Belon 
País: Espanha 

Baseado em fatos reais

26 de dezembro de 2004 o tsunami atinge a costa Asiática. Maria (Naomi Watss), Henry (Ewan MacGregor) e seus três filhos passam o Natal num resort na Tailândia. Na manhã seguinte estão todos na piscina quando um tsunami devastador atinge a costa.





A família se separa, uns não sabem dos outros. Maria e seu filho Lucas (Tom Holland) estão juntos, lutam para sobreviver, são arrastados pelas águas até que conseguem subir numa árvore. Encontram o pequeno Daniel e o levam junto. Maria está muito ferida. O socorro chega de forma precária, ela é arrastada pela ilha, não há macas ou padiolas, até chegar a um lugar onde arrancam uma porta para levá-la ao hospital. Os dois pensam que o pai e os dois menores estão mortos.



Maria é socorrida, Lucas a pedido de sua mãe procura ajudar aos outros, todos estão desnorteados, perdidos, procurando pelos seus familiares. Quando ele volta para perto da mãe para contar que havia ajudado um menino a encontrar o pai ela não está mais lá. Uma enfermeira o leva, sua mãe morreu enquanto ele estava fora. Sua dor e desamparo é imensa.

O local está devastado, mas seu pai e seus irmãos não estão mortos. O pai os encontrou e agora procura por Maria e Lucas. Enquanto isto Lucas descobre que sua mãe não morreu, ela havia sido levada para uma cirurgia. Finalmente o pai vai ao hospital onde eles estão, mas não os encontra. É Lucas que encontra seus irmãos e então finalmente o pai.



A mãe se salva, passa por nova cirurgia e finalmente eles vão embora. O impossível aconteceu, todos estão ali, juntos.

O filme traz cenas doloridas, o desamparo, o medo, a dor, o inferno que é um local após um desastre destas proporções. Os que perderam sua família, filhos, mulher, marido. Um retrato do que ocorreu ali, depois do tsunami.

Lucas amadureceu, passou por coisas difíceis, o garoto do início do filme que não queria falar com os irmãos menores, que dizia não ter medo, aprendeu o que é o medo. Quando ele conta para sua mãe que viu Daniel, e que ele estava nos braços de alguém que deveria ser seu pai, ela diz que o ama muito e que está muito orgulhosa dele. Lucas finalmente chora, liberta todo o medo que sentiu, o garoto que ele ainda é.

Uma experiência que trouxe lições a todos, de valorizar o que realmente é importante, e não a obsessão que Henry tinha com sua casa, emprego, ele aprendeu que o mais importante é sua família.


Juan Antonio Bayona nasceu em 1965 em Barcelona, Espanha.

Trilha sonora de Fernando Velázquez

Fernando Velázquez nasceu em 1976 em Bilbao, Espanha. É um compositor espanhol. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

FILME: ACUSADOS - 1988


Direção: Jonathan Kaplan - 1988
Duração: 111 min 
Título original: The Accused 
Roteiro: Tom Topor
País: Estados Unidos 

Baseado em fatos reais: o estupro ocorreu em 06 de março de 1983 no bar Big Dan em New Bedford no estado de Massachusetts. 

O filme relata a forma como o sistema penal e jurídico, assim como a sociedade trata um caso de estupro. Sarah Tobias (Jodie Foster) é estuprada por vários homens em um bar e irá buscar justiça, mas isto não é tão fácil quanto parece.



Logo após o estupro ela passa pela situação constrangedora do exame médico, a assistente social e a promotora Kathryn (Kelly McGillis) que irão lhe fazer perguntas e dar orientação. Quando a câmara foca em seus olhos neste momento a leitura é como se ela estivesse tatuada para sempre, como se as imagens do que sofreu jamais se apagassem. A maneira como as pessoas olham para a vítima, seja com piedade ou com acusação velada, ou pura indiferença, num momento que ela mais precisa de apoio, compreensão. É muito diferente daquele que foi agredido num assalto, numa briga, em qualquer outro ato de violência. O Estupro carrega em si mesmo a condenação da vítima pelo olhar da sociedade. O que ela fez para isto lhe acontecer? onde estava? que roupas usava? ela provocou? É um total absurdo, mas é a realidade.



O filme retrata  como são tratadas as vítimas de estupro, seja nos Estados Unidos ou na maioria dos países, quando não é pior ainda, expulsas de casa, mortas, consideradas apátridas.



Kathryn decide ajudá-la, e vai ter que lutar muito, inclusive contra outros advogados, com o sistema penal e judicial, uma vez que o que importa é não perder uma causa em função do prestígio da justiça e dos seus defensores ou acusadores. É um caso muito difícil, até mesmo a amiga de Sarah acaba depondo de uma forma desfavorável à vítima, uma vez que se leva em conta não o que ocorreu, mas quem ela é, e portanto, pressupondo de início que ela provocou isto.

Sarah é jovem, usa roupas provocantes, fuma, usa drogas, bebe, não tem uma boa relação com seu companheiro, mas apesar de tentar se levar isto em conta para defender os agressores, isto não justifica jamais um estupro.

A cena na loja de fitas cassetes, é extremamente cruel, e representa o que sente uma pessoa que foi estuprada perante a sociedade. O homem ri, zomba, faz gestos obscenos e a trata como um objeto. O ódio dela, a raiva, a vergonha.

Ela não consegue relatar o estupro, falar, é necessário que uma testemunha resolva falar e contar cruamente o que presenciou. Os homens incentivavam os outros, mesmo aqueles que não iriam estuprá-la, se sentem intimados para garantir seu lado viril. Eles fizeram fila de espera. Ela gritava Não! Não! e depois foi questionada no julgamento se falou para pararem, é um absurdo.Os agressores se defendem dizendo que ela provocou, flertou, dançou de forma provocando e que era óbvio o que ela queria. Se não fosse o testemunho de um irmão de um dos agressores a causa não teria sido ganha.

Um filme cru, real que lança um olhar forte mas verdadeiro sobre o crime de estupro e de como a sociedade e a justiça reage à ele. Um filme que convida a uma reflexão sobre a consciência moral das pessoas.

E deixa uma questão: Por que as pessoas reagem desta forma ao estupro?

Assista ao trailer em inglês


Jonathan Kaplan nasceu em 1947 em Paris, França. Estudou cinema na Universidade de New York. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

FILME: CAPTIVE - EM NOME DE DEUS - 2012



Direção: Brillante Mendoza - 2012 
Duração: 120 min 
Título original: Captive 
País: Filipinas 

Baseado em fatos reais ocorridos em 2001 no brutal sequestro de missionários e turistas nas Filipinas.

O sequestro num Resort nas Filipinas pelo grupo separatista Abu Sayyaf que exigiam a independência da Ilha Mindanao, em 2001. A história é contada por Thérèse Bourgoin (Isabelle Huppert), uma francesa que trabalhava para uma organização humanitária nas Filipinas e é sequestrada por engano junto com outros estrangeiros.



O filme aborda questões que são sempre difíceis de compreender, como o refém que simpatiza com o sequestrador, outro que aceita se converter ao islã acreditando com isto estar mais protegido junto aos sequestradores, o estupro de uma delas que teve o marido morto pelo grupo, a libertação dos que pagaram o resgate, e após mais de um ano a inquietude dos que ficam por ninguém fazer nada por eles.



Thérèse enfrentará os sequestradores quando sua amiga morre para poder enterrá-la, e quando ocorre o estupro e a decisão de que ela deve casar com o agressor. Vemos os raptores culpabilizando o governo por não libertarem os reféns, e Thérèse tentando convencer uma das moças sequestradas que se interessa pelo seu captor que ele é mau, sendo que ela não o vê assim.

O exército das Filipinas tenta várias vezes o resgate, mas é um fracasso porque acabam atirando também nos reféns, e alguns morreram assim. Ao final numa operação maior resgatam os poucos que restam, mas ainda assim morrem reféns durante a ação. O sequestro acabou sendo um fiasco para os sequestradores.


Brillante Mendoza nasceu em 1960 em San Fernando City, Filipinas. 

sábado, 8 de março de 2014

FILME: HOTEL RWANDA - 2004


Direção: Terry George - 2004 
Duração: 121 min
Roteiro: Terry George e Keir Pearson
País: Reino Unido 

O filme é sobre a guerra civil em Ruanda e sobre a história real de  Paul Rusesabagina, gerente de um hotel que acolheu no Hotel mais de 1200 pessoas salvando-lhes a vida no genocídio de 1994.

O Hotel Mille Collines ficava em Kigali, capital de Ruanda e era de propriedade da empresa belga Sabena.

Paul (Don Cheadle) é gerente do Hotel e é da etnia Hutu casado com Tatiane (Sophie Okonedo) que é tutsi. Esta diferença foi criada pelos belgas durante a colonização do país diferenciando os habitantes através de detalhes como o tamanho das narinas, por exemplo, criando assim dois grupos e dando cargos e poderes a um deles o que geraria o ódio do outro grupo e resultaria nesta guerra civil que começa logo após a assinatura de um acordo de paz e o assassinato do presidente de Ruanda em um atentado. A única maneira de diferenciar as duas etnias era através de seus documentos.

Os hutus iniciam o genocídio matando todos os tsunis que encontram que eles chamavam de baratas e principalmente as crianças para evitar que se propagassem. Paul inicialmente tenta proteger sua família, mas ao ver que foi abandonado por todos que lhe diziam ele ser um igual aos ocidentais, passa a acolher todos que procuram proteção e ajuda no hotel.



O filme é triste, chocante, e nos faz pensar no que leva o ser humano a tanta crueldade, a sentir tanto ódio do outro. Apenas um pequeno grupo da Onu permanece no país, todos os outros se retiram e nenhum país tem interesse em ajudar, como se diz no filme: esta guerra não lhes rende votos.

Finalmente com a ajuda da Onu eles conseguem atravessar a linha entre os hutus e os rebeldes tsunis e de lá partem para a Tanzânia. Atualmente Paul e sua família e suas duas sobrinhas que perderam seus pais no genocídio vivem na Bélgica.




O conflito durou cem dias e deixou atrás de si aproximadamente milhão de mortos, e o mundo virou as costas, não fez nada para impedir.


Paul Rusesabagina


Terry George nasceu em 1952 em Belfast, Irlanda do Norte,  Reino Unido. 

domingo, 2 de março de 2014

FILME: EU, PIERRE RIVIÈRE, QUE DEGOLEI MINHA MÃE, MINHA IRMÃ E MEU IRMÃO - 1976



Direção: René Allio - 1976 
Duração: 124 min 
Título original: Moi, Pierre Rivière, ayant égorgé ma mère, ma soeur et mon frère. 
País; França 

Baseado no livro de Michael Foucault com o mesmo título

As relações entre a psiquiatria e a justiça penal.

Em 1835 em Aunay no interior da França - Normandie, um jovem camponês, Pierre Rivière assassinou sua mãe grávida de 7 meses, sua irmã de 18 anos e seu irmão de 7 anos a golpes de foice degolando-os. O que o teria levado a cometer tão horrível crime que chocou a França?

A reconstrução do episódio filmado no mesmo local com a participação de camponeses locais, é realista e impactante.

Pierre representando por Claude Hébert,  cometeu o crime e pensa em se entregar e receber a gloria com isto por ter livrado seu pai, mas acaba fugindo pela floresta até ser preso. Na prisão ele pede papel para escrever sua história que começa com Eu, Pierre Rivière, que degolei minhã mãe,minha irmã e meu irmão....

Uma parte do filme vai ser o relato de Pierre, mostrando segundo o que ele escreve o que aconteceu. Paralelamente haverá os interrogatórios e as testemunhas que serão chamadas para falar de Pierre. A história chama a atenção dos principais magistrados e médicos entre eles Esquirol, mas só tomará a dimensão atual após ser encontrado por Michael Foucault este manuscrito escrito pelo jovem que vemos no filme.

O relato de Pierre conta que ele odeia sua mãe por ela humilhar seu pai. É uma mulher briguenta que se desentende muito com a mãe e com o marido, vive comprando e gerando dívidas para serem pagas pelo marido, está sempre num vai e vem da casa que herdou dos pais para a casa do marido, acusa-o de roubá-la, de levar seus filhos, inclusive de um que morreu que ela alega se pudesse estar ao seu lado não teria morrido. O pai é um homem de bem, mas é fraco, acaba sempre fazendo as vontades da mulher e paga todas as suas dívidas. Pierre acredita que todos debocham dele, que estão ao lado da mãe, que a justiça protege as mulheres e que elas sempre ganham mesmo estando erradas. Ele tem dificuldades com as mulheres, e não consegue se relacionar com as moças da vila onde mora. Acaba sendo um solitário. O interessante é que enquanto assistimos ao seu relato ele está de cabeça erguida, acredita estar fazendo o bem e protegendo ao pai.

Os relatos dos moradores falam de um Pierre que olhava sempre para baixo ou de soslaio, pratica maldades horríveis com animais como pássaros e sapos, trata mal o cavalo da família, tem opinião forte e não aceita ser contrariado, se comporta de forma estranha, foge das pessoas, principalmente das mulheres. Não há relatos sobre sua mãe ou seu pai, sobre como eram. Eles haviam acabado de se separar legalmente quando ocorreu o triplo assassinato.

Seria ele um alienado ou teria cometido um assassinato frio? É condenado mas tem sua pena comutada ficando em prisão perpétua. Acabará se matando enforcado.

Foi a primeira vez que a justiça se uniu à medicina, à ciência para tentar desvendar um crime.


Assista um trecho



René Allio nasceu em 1924 em Marseille, França e faleceu em 1995 em Paris. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

FILME: JIMMY P. Psicoterapia de um índio das planícies - 2013


Direção: Arnaud Desplechin - 2013 
Duração: 117 min 
Título original: Jimmy P. Psychothérapie d'un indien des planes. 
País: França

Indicado no Festival de Cannes 2013 para longa-metragem

Baseado em fatos reais e no Estudo de Georges Devereux - Realidades e Sonhos 

Jimmy Piccard (Benecio del Toro) é um índio americano da etnia Blackfoot que lutou na Segunda Guerra Mundial na França. Ele sofre de dores de cabeça muito fortes, vertigens e perda de audição que inicialmente são atribuídas ao acidente que sofreu na Guerra quando teve uma fratura no cérebro. Sua irmã o leva para o melhor hospital sob os cuidados do exército, em Kansas, nos Estados Unidos.

Chegando lá ele passará por uma bateria de exames que nada revelarão de anormal em seu físico e por uma avaliação psicológica pensando nos traumas de guerra que levará o psicólogo a pensar numa esquizofrenia. Mas a equipe é competente, e não acreditam de imediato num diagnóstico de psicose. Chamam então um colega, o antropólogo Georges Devereux (Mathieu Amalric) que faz análise e espera poder ser também um psicanalista. Georges é divertido e de bem com a vida, viveu entre os índios, mas oculta que na verdade ele é húngaro e não francês como faz crer a todos.



Aos poucos vamos vendo a antropologia se unir à psicanálise e desvendar os traumas deste sujeito, mostrando inclusive que a psicanálise é aplicável aos índios desde que se possa compreender que eles tem outros costumes, parentesco, linguagem, rituais, o que não requer que o psicanalista seja um deles. Devereux irá trabalhar com as duas ciências e acabara percebendo que os traumas de Jimmy não são da guerra como todos acreditavam, mas sim de sua infância.

O filme demonstra bem como um trauma psíquico se reativa pelos traços e geralmente a causa, o fato que causou o trauma está oculto, e nem mesmo o paciente sabe qual é. O trauma se forma no momento em que se vê pela primeira vez o traço e não no momento do ocorrido. Nunca é o real, mas sim sua representação que causa o trauma. E será através dos sonhos de Jimmy que o recalcado surgirá.



O que será que Jimmy percebia ou via no momento que dava inicio em sequência às suas insuportáveis dores de cabeça? o que causou o acidente dele na guerra? Aos poucos as respostas vão surgindo e sua alma vai se curando.

Recomendo a todos que se interessam pela psicanálise e principalmente àqueles que como eu acreditam que a Antropologia e a psicanálise devem trabalhar juntas, não apenas por ser um índio neste caso, mas porque todos nós somos formados pela linguagem e pela cultura.

Também vale ressaltar que há os traumas de guerra, mas Jimmy não participou da guerra, quando ele chegou os alemães já haviam ido embora. Ele fez parte dos soldados que foram para ajudar a libertação e limpeza do terreno.



Georges Devereux nasceu em 1908 na Hungria e faleceu em 1985. Estudou no Instituto de Etnologia de Paris e fez estudos de campo na América do Norte, Melanésia, Nova Guiné e no Vietname. Nos Estados Unidos fez doutoramento em Filosofia e se especializou em Psicologia e Psicanálise onde lecionou por muitos anos. Retornou à França em 1963 onde dirigiu a Escola Prática de Altos Estudos à convite de Claude Lévi-Strauss. É considerado um dos fundadores da Etnopsiquiatria. Ele foi aluno de Marcel Mauss. Foi durante sua temporada entre os índios Mohave que Devereux aprendeu com eles a dar importância aos sonhos levando-o para a psicanálise.
Foi analisado por Marc Schlumberger e por Robert Jokl e completou sua formação analítica em 1952 na clínica Menninger, em Topeka, Kansas onde se passa o filme.


Arnaud Desplechin nasceu em 1960 em Roubaix, Nord de France, França.

Trilha sonora de Howard Shore

Howard Shore nasceu em 1946 em Toronto, Canadá. É um compositor e já compôs mais de 40 trilhas para filmes. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

FILME: O PIANISTA - 2002


Direção: Roman Polanski - 2002 
Duração: 150 min. 
Título original: The pianist
Roteiro: Ronald Harwood
País: Polônia 


Baseado na autobiografia com o mesmo título de Wladyslaw Szpilman, um músico polonês. 

Indicado a sete oscars, ganhando o de melhor ator, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Também ganhou 02 Baftas, 06 Césars e a Palma de Ouro. 

O pianista Wladyslaw (Adrien Brody)  quando ocorre a ocupação alemã da Polônia é enviado para os campos de concentração junto com sua família, porém no último momento antes do embarque é salvo por um amigo que não é judeu e que o retira da fila que segue para o vagão de trem.

Wladyslaw vivia com sua família e tocava piano em uma rádio quando começam as primeiras restrições aos judeus, tendo que usar a estrela que identificava os judeus é obrigado a se mudar com sua família para o gueto de Varsóvia. Após a deportação de sua família ele se vê sozinho, vivendo escondido e tendo ajuda no início de resistentes, mas ele se verá sozinho e após o bombardeamento terá que se esconder em casas destruídas, passará fome e frio. Será descoberto no final da guerra por um oficial alemão que ao saber que ele era um pianista vai protegê-lo.

Após a libertação o oficial estará preso em um campo e pedirá que peçam a Wladyslaw que testemunhe a seu favor por tê-lo protegido. Quando fica sabendo ele vai até o campo, mas já não há mais ninguém.

O filme retrata o que se passou em Varsóvia quando os nazistas entraram, como enganavam os judeus com promessas falsas fazendo com que não acordassem a tempo e terminassem num trem com destino para o extermínio. Wladyslaw assistiu de sua janela a cenas chocantes quando os alemães chegavam após terem recebidos denúncias e entravam nos apartamentos onde havia judeus matando a todos ou levando-os para serem deportados.O filme também tem relações com o diretor Roman Polanski que escapou do Gueto de Varsóvia após a morte de sua mãe. 

Ele volta a tocar após o fim da guerra e viveu em Varsóvia até morrer em 2000.

Roman Polanski nasceu em 1933 em Paris, França. Iniciou sua carreira na Polônia. O filme O Pianista se passa no Gueto de Varsóvia onde o diretor esteve na infância por ser judeu.

Wladyslaw Szpilman nasceu em 1911 em Sosnowiec, Polônia e faleceu em 2000 em Varsóvia.

Trilha Sonora de Wojciech Kilar


Wojciech Kilar nasceu em 1932 em Lviv, Ucrânia e faleceu em 2013 em Katowice, Polônia. Foi um compositor. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

FILME: PHILOMENA - 2013


Direção: Stephen Frears - 2013
Duração: 98 min
País: Reino Unido 

Baseado em fatos reais ocorridos na Irlanda nos anos 50 e no livro escrito pelo jornalista Martin Sixmith - The lost child of Philomena Lee ( o filho perdido de Philomena Lee) 

Philomena Lee ( Judi Dench) uma enfermeira aposentada procura por seu filho Anthony que lhe foi tomado e entregue para adoção a um casal americano pelas freiras de um convento na Irlanda, em troca de altas somas em dinheiro, ou falando mais objetivamente, eram vendidos.

Moças que engravidavam fora do casamento se tornavam vergonha para as famílias e encaminhadas ao convento que as colocava para expiarem o seu pecado de haver se entregue ao amor e ao sexo. Eram exploradas nos trabalhos mais pesados como a lavanderia, só podiam ver seus filhos uma hora por dia, e não eram comunicadas quando as crianças eram adotadas. Além disto não podiam deixar o Convento a menos que pagassem uma alta soma pelo "acolhimento" ou trabalhassem um certo número de anos.

Philomena só sairá depois de cumprir estes anos. Uma das freiras mais caridosa tirou uma foto de seu filho e era a única coisa que lhe restou dele. Ela terá outros filhos, mas nunca se esquecerá deste. Tentará inúmeras vezes obter informações no Convento mas será sempre ludibriada. Manteve este segredo por 50 anos e finalmente o contará a sua filha que travará contato com um jornalista que passa por um momento difícil em sua carreira, Martin Sixmith (Steve Coogan) e lhe pedirá para ajudar nesta busca.

Duas pessoas tão diferentes, ele cínico, ateu, ela apesar de tudo não perdeu sua fé, e acredita realmente que cometeu um pecado, adora romances com final feliz, mas ela não é tão simplória assim o que se revelará no final.

Juntos eles irão descobrir o paradeiro do filho dela que passou a se chamar Michel mas infelizmente já morreu. Será através de seu companheiro que ela irá descobrir que ele está enterrado no Convento que lhe negou a história de seu filho e também negou a este a de sua mãe, uma vez que ele foi a sua procura lá.

O filme denuncia os crimes  praticados por estes conventos católicos que retiravam as crianças de suas mães solteiras obrigando-as a assinar a doação da criança, queimando depois todos os documentos que comprovariam a adoção, mas mantendo o da entrega da criança para adoção. Este "comércio" duraria até os anos 60.

O moralismo, as freiras que aderem ao celibato e o exigem de outras mulheres considerando um pecado o sexo pelo qual elas devem pagar. O parto de Philomena foi terrível, a criança não estava em posição e a frieza da freira em dizer que ela estava pagando por seu pecado.

Philomena foi recebida pelo Papa Francisco e continua lutando para que outras mães que tiveram seus filhos retirados delas nestes conventos onde eram encaminhadas pelas suas famílias para evitar a vergonha, para que consigam reencontrar seus filhos.

Um belo filme.

Philomena Lee e Martin Sixmith 


Stephen Frears nasceu em 1941 em Leicester, Reino Unido.

Trilha Sonora - Alexandre Desplat