Mostrando postagens com marcador Arte e Estética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte e Estética. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de maio de 2017

FILME: EDVARD MUNCH - A vida do pintor de O Grito - 1974



Direção: Peter Watkins - 1974
Duração: 221 min
País de Origem: Noruega - Suécia

São 4 horas de duração que apreciei a cada minuto. A arte de Munch sempre me interessou e mesmo não sendo quadros que se poderia chamar de bonitos são de uma beleza imensa e intensa, retratando o interior do pintor, o que via e sentia. Acompanhamos toda a criação artística que reflete sua vida. Aliás o filme é considerado um dos melhores filmes já realizados sobre o processo de criação artística. 

Marcado pela infância que o persegue que o filme nos traz com constantes flash backs. Uma família puritana, a mãe morre quando ele era pequeno de uma hemorragia no pulmão. Neste momento antes de morrer ela o faz prometer que continuará seguindo e amando Jesus. Depois é a morte do mesmo modo de sua irmã Sophie. 

Os desencantos amorosos e com as mulheres que define serem de três tipos: a sedutora, a inocente e a mãe, mas que estão em uma só. 

O filme mostra sua trajetória e também um painel da história e dos artistas e intelectuais, escritores e filósofos. É o retrato de uma época onde os intelectuais se rebelam contra a burguesia e seus valores. Niilistas, anarquistas, Marx escreve "O Capital". A mulher e a sexualidade. 

A pintura de Munch é escura, melancólica, incomoda. Me lembram os quadros dos pacientes de Nise da Silveira. É o psiquismo que se projeta ali. Seu quadro mais famoso é "O Grito". 

Peter Watkins nasceu em 1935 no Reino Unido

06/06/16 

quarta-feira, 9 de março de 2016

DOCUMENTÁRIO: LOUISE BOURGEOIS Une vie - 2008



Direção: Camille Guichard -
Duração: 52 min
País de Origem: França 

Louise Bourgeois nasceu em Paris em 1911, mas viveu em Nova Yorque a partir de 1938. É reconhecida internacionalmente por seu trabalho de escultas nos anos 70. 

Sou fã desta escultora. Sua obra traduz o feminino, a infância, a sexualidade. O documentário sob forma de entrevista com ela nos fala de seu percurso e de como cada obra se constituiu para ela, qual a essência de cada uma e é justamente nisto que vemos vir a tona o feminino. 

Sua infância foi dolorosa em função de ter um pai que era infiel a sua mãe chegando a levar suas amantes a viver com a família como preceptora das crianças. Ela nos relata também de forma bem freudiana, ela leu os livros de Freud, a castração da menina no complexo de Édipo. Seu pai descascava uma laranja com as mãos e ao retirar a casca por completo e segurá-la aberta nas mãos fica um formato de corpo de uma mulher com um pênis. Bourgeois se considerada desconstruída por seu pai e sua obra o reflete. Ela nos diz que o presente destrói o passado e é muito difícil recriá-lo. Seus traumas de infância são inseparáveis de sua obra, não há como não associá-los. É através da arte que ela passa do passivo da infância como vítima para o ativo reparador, realizando um trabalho de recriação de seu passado. As ameaças que sentimos não podemos mudar, mas sempre é possível negociar com elas. 

Trabalhando com vários materiais, Bourgeois faz esta reconstrução pela arte, suas figuras são deformadas ou mutiladas, as angústias viram totens, ela revive as emoções da mulher, do feminino. 

sábado, 8 de agosto de 2015

FILME: LA SAPIENZA - 2015


Direção: Eugène Green - 2015
Duração: 104 min
País: França - Itália

O filme atraiu-me por tratar de arte, da bela arquitetura das igrejas na Itália, mas fui surpreendida por outro aspecto. Alexandre (Fabrizio Rongione) é um arquiteto e totalmente racional, sua esposa Aliénor (Christelle Prot) trabalha com o lado humanitário das construções e estudou sociologia e psicanálise. E ambos irão encontrar dois irmãos que são voltados para a espiritualidade. São três formas de ver o mundo que no filme irão se encontrar e oferecer possibilidades diferentes para cada um deles.

Alexandre encontra-se em crise, está em dúvida em relação a tudo que fez e seu casamento não está bem. Ele resolve ir para a Itália e sua esposa o acompanha. Irão primeiro para Stresa, a beira do lago Maggiore,
Será ali que encontrarão os irmãos Goffredo (Ludovico Succio) e Lavínia (Arianna Nastro) num momento onde a jovem se sente mal e Aliénor se prontifica imediatamente a levá-los de táxi para casa.

Alexandre parte para Roma e Aliénor sugere que leve Goffredo com ele, ela deseja ficar para tentar ajudar Lavínia. A viagem se transformará em um aprendizado para ambos e significará a libertação para Alexandre que poderá enfrentar seus fantasmas e a culpa que sente.

As visitas às igrejas e as explicações sobre a arquitetura com a visão de Alexandre e a de Goffredo são extremamente interessantes. Se inicialmente Alexandre estava arredio, aos poucos ele se abre e simpatiza com o jovem e passa a escutá-lo.







Aliénor ao tentar ajudar Lavínia através da psicanálise acabara também compreendendo outras maneiras de ver a vida, por um lado espiritual onde seu conhecimento não pode ajudar muito, apesar do interesse de Lavínia. Há um momento no filme em que o diretor Eugène Green aparece no papel de um imigrante e fala para Aliénor sobre seu destino que leu nas estrelas. 

Um filme interessante que mostra como os saberes podem se mesclar e criar novas possibilidades, o que era impossível enquanto cada um estava em sua própria maneira de ver o mundo e a si mesmo. Um enriquece o outro e abre novas portas, ou como a metáfora do filme, deixa a luz entrar. 

O título do filme deriva de Sant'Ivo alla Sapienza, uma igreja católica que foi construída pelo arquiteto Francesco Borromini, em Roma nos anos 1642-1660, e é considerada uma obra prima do Barroco. 

Francesco Borromini nasceu em 1599 em Bissone, Lago Lugano que hoje pertence à Suíça e faleceu em Roma, Itália em 1667. Foi um arquiteto barroco que competia com o grande mestre Gian Lorenzo Bernini. A morte de Borromini foi algo inesperado, ele queimou todos seus desenhos e se matou com sua própria espada. 

Eugène Green nasceu em 1947 em Nova Yorque, EUA.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

FILME: UMA ALMA ASSOMBRADA POR UMA PINTURA - 1994


Direção: Shuqin Huagn e Zhang Yimou - 1994
Duração: 135 min
Título Original: Hua Hun
País: China - França - Taiwan

Cinebiografia da pintora chinesa Pan Yu-liang baseado no livro escrito por Shih Nan intitulado Hua Hun. 

Um dos grandes feitos de filmes assim é nos apresentar a artistas sobre os quais pouco ou nada sabemos. É o caso desta pintora chinesa, Pan Yu-liang,  que eu não conhecia e que é a maior representante da arte ocidental na China.

Início do século XX, Yuliang (Gong Li) após a morte de seus pais encontra-se num bordel onde deve se tornar prostituta. Quis o destino que seu primeiro cliente fosse Chan-hua Pan um inspetor da alfândega a quem todos queriam agradar e lhe levam Yuliang. Ele se recusa a isto, mas ela implora que a salve e ele aceita pagando sua dívida ao bordel. Eles irão se casar, ela será a segunda esposa dele. Após Pan se afastar da Revolução de Yunnan eles se mudam para Xangai onde ela aprende a pintar e tem aulas no Art Institute de Xangai.

O que acabará interferindo entre eles é que Pan deseja um filho, mas por haver tomado uma droga ainda no bordel ela nunca poderá ser mãe. Os desenhos de nus com modelos vivos são condenados e os alunos do Instituto se dispersam, alguns irão para Paris e Yuliang também vai, deixando Pan com sua primeira esposa para que possa ter um filho.



Em Paris ela ganha um prêmio por um auto-retrato nu. Em 1930 ela retorna para a China e se torna professora, mas a inveja de um colega que não aceita uma mulher e jovem como professora o leva a por a público seu passado no bordel. Yuliang retorna pela segunda vez à Paris e lá permanecerá pelo resto de sua vida. Ao final terá uma grande exposição pelo seu trabalho.

Em 1985, depois de sua morte, a China levou muitos de seus trabalhos para o Museu Nacional de Arte em Beijing.


Pan Yu-Liang nasceu em 1895 em Anhui, República Popular da China e faleceu em 1977 em Paris, França





Shuqin Huang nasceu na República Popular da China 

Zhang Yimou nasceu em 1951 em Xian, República Popular da China 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

FILME: FOTÓGRAFO - 2015


Direção: Irena Pavlásková - 2015
Duração: 120 min
Título Original: Fotograf
País: República Tcheca

Não conhecia nada sobre o fotógrafo Tcheco Jan Saudek, mas ele me lembrou Lucian Freud, neto do psicanalista, que desenha e pinta também as pessoas que não correspondem exatamente ao ideal de beleza e de corpos magros que a sociedade nos impõe atualmente, e penso que isto é importante, pois a beleza está muito além destes estereótipos. 

A vida de Jan Saudek (Karel Roden) é centrada nas mulheres, desde as que pousavam para ele até as que a rodeavam em sua vida, o que nem sempre dava bons resultados para sua vida pessoal, uma vez que uma mulher quando se sente rejeitada ou trocada por outra é capaz de ser extremamente vingativa e é o que faz Líba (Marie Málková) se apoderando de tudo que ele possui. Jan apesar de lutar para tentar reaver seus bens e os negativos de suas fotos não se dá por vencido, e recomeça sua vida de artista e também de eterno amante das mulheres. 



Jan Saudek é filho de judeus e esteve num campo de concentração quando criança escapando por pouco das experiências de Josef Mengele, ele sobreviveu. Sua arte talvez reflita inconscientemente esta parte trágica de sua infância, quando conheceu de perto o horror, os limites humanos e a extrema magreza e fome. Ele tem uma percepção crítica e ácida sobre a sociedade que se finge de moralista enquanto em suas mentes são devassos e desejosos. 

Saudek é pouco conhecido no Brasil, mas é o mais importante fotógrafo da República Tcheca e reconhecido na Europa como um dos maiores fotógrafos. Ele tira fotos principalmente de mulheres gordas com um fundo marrom claro e depois as pinta à mão deixando-as com tons sépia e aparência do século XIX. Ele representa uma sociedade livre e erótica. 



Em suas palavras: "Para mim a diferença entre Arte e Pornografia é simples. Você pode olhar a Arte por uma eternidade, enquanto a pornografia você olha rapidamente e coloca de lado, porque tudo é explícito; não há mistério, a fantasia não tem espaço ali." 



Uma definição perfeita entre o real e o imaginário, e o amor e o sexo necessitam do imaginário e da fantasia. Sem o véu, o mistério, ele é como diz Saudek , algo que se olha rapidamente, ou nem se olha. 

Suas fotos são realmente impressionantes e interessantes.Fotografa modelos nuas ou vestidas, ou semi cobertas, captura cenas belas e estranhas, mas podemos ver em suas fotos algo como quando olhamos um homem ou uma mulher e o despimos mentalmente, ou imaginamos algo diferente do que está ali. É o imaginário, a fantasia atuando sobre o real. É o que desejamos fazer e não temos a coragem ou audácia para fazer, é o que desejamos ver. Seria como o que o inconsciente deseja. 

Coincidentemente ontem vi um artigo na internet sobre uma fotógrafa brasileira, Mariana Godoy, que também faz ensaios com fotos com mulheres gordas. Ela fiz que gosta e usa a palavra gorda justamente para combater a gordofobia. Já Saudek ao ser questionado sobre sua preferência por mulheres gordas e se isto estaria relacionado a sua passagem pelos campos e concentração o nega dizendo que gosta de mulheres gordas e que a maioria dos homens é assim, apenas não o admitem. 



Irena Pavlásková nasceu em 1960 em Frýdek-Místek, República Tcheca


Jan Saudek nasceu em 1935 em Praga, República Tcheca





segunda-feira, 20 de julho de 2015

DOCUMENTÁRIO: GUERNICA - 1950


Direção: Alain Resnais e Robert Hessens - 1950
Duração: 13 min
País: França

Um documentário curto de 13 min sobre Guernica. Logo no início temos uma breve narração por Jacques Pruvost sobre a atrocidade de Guernica em abril de 1937. María Casares recista um poema de Paul Eluard sobre o assunto ilustrando com pinturas e desenhos de Pablo Picasso.



Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937, medindo 350 por 782 cm é uma tela pintada a óleo representativa do bombardeio sofrido pela cidade Espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães apoiando o ditador Francisco Franco.







O quadro encontra-se atualmente no Museu Nacional centro de Arte Reina Sofia em Madrid na Espanha. Foi feita com as cores preto e branco, como repúdio ao bombardeio, em estilo cubista.




Alain Resnais nasceu em 1922 em Vannes e faleceu em 2014 em Paris, França 

FILME: ARTEMISIA - 1997



Direção: Agnès Merlet - 1997
Duração: 95 min
Título Original: Artemisia passione estrema 
Roteiro: Agnès Merlet - Christine Miller e Patrick Amos 
País: França - Itália - Alemanha

Uma cinebiografia romanceada da pintora Artemisia Gentileschi 

Itália, 1610. Artemisia (Valentina Cervi) é uma jovem talentosa de 17 anos filha do pintor Orazio (Michel Serrault) apaixonada pela pintura, só que naquela época uma mulher não pode entrar para a Academia e menos ainda pintar corpos nus, principalmente um homem nu. Na falta de modelos ela se retrata a si própria através de espelhos. 



Seu pai então pede ao pintor Agostino Tassi (Miki Manojlovic) que dê aulas a sua filha. Artemisia aprenderá então a pintar paisagens ao ar livre o que naquela época era uma novidade e principalmente ele lhe ensinará a perspectiva.



O filme irá deformar a partir daí o que realmente aconteceu com a jovem pintora. No filme vemos surgir uma relação entre Artemisia e Agostino que acabará deflorando a jovem, mas ela o deseja. Seu pai ao descobrir o que está ocorrendo procura a polícia, Agostino será preso e julgado por estupro. O filme retrata estes dois anos da vida da pintora de 1610 à 1612, com o fim do processo. 



Ao contrário do que o filme mostra quando Artemisia é torturada como vemos ela irá manter as acusações de estupro conforme consta nos arquivos do processo, e com isto o filme não faz jus ao verdadeiro sofrimento pelo qual passou a jovem. 

Na realidade Artemisia foi estuprada por Agostino. Ele a acusa de ser uma mulher fácil, mas a diretora do filme optou por deformar a realidade transformando a relação dos dois em uma história de amor, o que não foi na realidade. A tortura foi bem retratada, é o suplício dos "sibilli" e se trata de passar uma corda entre os dedos e apertar, o que poderia tê-la impedido de pintar para sempre. 




Agnès Merlet nasceu em 1959 na França 




Artemisia Gentileschi nasceu em Roma no dia 08 de Julho de 1593, filha do pintor Orazio Gentileschi, que era amigo pessoal de Caravaggio e de Prudentia Montone que morreu quando ela tinha doze anos. Teve uma grande reputação na Europa e levou uma vida independente, trabalhou em várias cidades da Europa e acabou fixando-se em Nápoles em 1630. O julgamento do estupro durou sete meses quando Artemisia foi humilhada e severamente torturada, enquanto Agostino, apesar de ter sido condenado ao exílio por cinco anos, nunca cumpriu a pena, tendo retornado a Roma quatro meses depois.

Seus quadros ferozes de decapitação talvez sejam reflexos deste episódio. Ela se casou com um pintor desconhecido, numa casamento arranjado por seu pai.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: MR. TURNER - 2014


Direção: Mike Leigh - 2014
Duração: 150 min
País: Reino Unido

Não conhecia o pintor J.M.W. Turner e fiquei literalmente encantada com a luminosidade de seus quadros.

Turner (Timothy Spall) é um pintor inglês impressionista. É fascinado pelas luzes e pelo efeito que produz sobre o mar, as cidades, nas paisagens.
Ele vive com seu pai William Turner (Paul Jesson) em Londres, tem duas filhas, mas não é casado, e está sempre renegando-as. Sua vida é dedicada a pintura. É interessante ver o procedimento de preparo de tintas que seu pai faz ou ele mesmo. Turner está sempre a procura de lugares onde ele possa vislumbrar a iluminação para projetá-la em seus quadros.  Não há muito para falar do filme, é necessário assisti-lo para compreender a beleza de seus quadros, compreender o que ele viu e depois pintou e que muitas vezes ninguém compreendia do que se tratava.


Ele tem uma senhorinha, Hannah Danby (Dorothy Atkinson) que mora na casa dele com a qual mantém relações sexuais, um pouco abusivo de sua parte, mas de qualquer maneira ela aceita, pois é apaixonada por ele, e cuida de tudo para ele.  Quando ele conhecer a Sra. Booth (Marion Bailey) e for morar com ela, apesar de manter seu atelie antigo, ela irá sofrer ao descobrir. A Sra. Booth será uma nova luz na vida de Turner após a morte de seu pai. 


O belo do filme é a maneira como Turner capta a natureza, as paisagens, e principalmente a luz. Como por exemplo, ao se deparar com uma locomotiva a vapor.



Seu atelie era um lugar que sempre precisava de luz, grandes janelas.



Seus últimos anos foram felizes ao lado da Sra. Booth. Ele compra uma casa em Londres onde eles passam a maior parte do tempo e onde ele virá a morrer.


Em uma ocasião lhe fizeram uma oferta milionária por todos seus quadros, ele, porém recusou, pois seu desejo é que sua pintura fosse vista por todos e ficasse exposta e não oculta na coleção de algum milionário. Sorte nossa!



Mike Leigh nasceu em 1943 em Welwyn, Reino Unido

Joseph Mallord William Turner - J.M.W. Turner nasceu em 1775 em Covent Garden, Londres, Reino Unido e faleceu em 1851 na mesma cidade.