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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FILME: MAR ADENTRO - 2005


Direção: Alejandro Amenábar - 2005
Duração: 125 min

Baseado em fatos reais, na vida de Ramón Sampedro

Ramón (Javier Bardem) era um jovem cheio de vida que trabalhava como mecânico em navios e assim andava pelo mundo todo até o dia em que ao pular de uma pedra para o mar bate com a cabeça na areia por não haver calculado o recuo do mar o que lhe causa uma lesão no pescoço tornando-o tetraplégico.



O filme inicia quando ele já está assim há mais de 26 anos e está lutando na  justiça espanhola para conseguir o direito ao que chama de uma morte digna, ou seja, a eutanásia ou suicídio assistido, uma vez que não pode se matar ele mesmo, e considera sua vida indigna e sem felicidade.

No começo ele era atendido por sua mãe, mas após a morte dela é sua cunhada Manuela (Mabel Rivera) quem assume seus cuidados, e Ramón sente-se muito mal dependendo dos outros, e considera seu corpo como uma prisão.



Gené (Clara Segura) faz parte de uma associação que luta pela liberdade das pessoas e ajuda Ramón, e possibilita o encontro dele com Júlia (Bélen Rueda) uma advogada que sofre de uma doença degenerativa e que se identifica com ele se dispondo a ajudá-lo e levar o caso aos tribunais. Ao mesmo tempo ele conhece Rosa (Lola Dueñas) que após vê-lo na TV o procura e acaba se apaixonando por ele, pois é o único homem que foi bom para ela.

Júlia o ajudará a publicar seu livro - Cartas do Inferno - e fará um trato com ele que ao lhe trazer o primeiro exemplar ambos se matarão, mas isto não ocorre, pois o marido de Julia a reterá perto dele. Então será Rosa quem ajudará Ramón. Ele gravará um vídeo onde isenta todos seus amigos que o ajudaram e se suicida.

Ramón não aceitou sua condição, mas era um homem vibrante, que sabia fazer uso de sua imaginação de uma forma que muitos de nós jamais conseguiria. Dono de um humor que muitas vezes era negro, mas ele sabia ouvir e movimentava a vida ao seu redor. Um padre (Josep Maria Pou) que também é tetraplégico o procura e tenta convencê-lo a viver, mas este não é o discurso que teria acesso à Ramón.



Quando penso no filme Os Intocáveis que também retrata um fato real há uma imensa diferença de como lidar com a mesma situação entre os dois casos, mas cada um tem sua história e sua capacidade de sofrer os reveses da vida. Ramón se recusava a usar a cadeira de rodas o que obviamente limitou sua vida à cama. Mas ele desenvolveu um mecanismo que chamava de seu computador através do qual conseguia escrever usando a boca.

Não é fácil, 26 anos sem poder se mover, dependendo de outros para todas as suas necessidades. Os sentimentos que se geram diante desta situação são difíceis, mas cabe a cada um que passa por esta situação aprender a lidar com isto ou preferir a morte como no caso de Ramón.

Na Espanha não se considera o suicídio um crime, mas a eutanásia sim. Considero a eutanásia uma forma de ajudar as pessoas que estão com doenças terminais, sofrendo, com dores, e que irão morrer de qualquer maneira só que um pouco mais adiante. A pessoa tem o direito ao suicídio, pode escolher se deseja ou não viver, como Ramón diz: viver é um direito, não é uma obrigação.

Não estou levando em conta aqui nenhum aspecto religioso ou espiritual que condenaria o suicídio ou a eutanásia, mas lembro que prolongar uma vida com aparelhos também é ir contra os desígnios de Deus, e não é a vontade de Deus que se construa estas máquinas, isto é do ser humano com sua inteligência capaz de criar isto.

Julia no final do filme está em uma cadeira de rodas, perdeu os movimentos das pernas e já não se lembra de quase nada, está caminhando para um estado vegetativo, e isto é vida? Alguns dirão que são as provas pelas quais temos que passar e quando acreditamos nisto, sim, é necessário passar, mas há aqueles que não acreditam, e respeito as escolhas de cada um.

Há aqueles que enfrentam as adversidades com mais facilidade do que outros, há aqueles que aceitam o que lhes acontece e tratam de dar outro rumo a sua vida dentro destas condições limitadas por um lado, mas que podem abrir outros campos se a pessoa se dispuser a descobri-las.

Muitos se suicidam de forma inconsciente, quando aceleram um carro a alta velocidade e sofrem um acidente, quando arriscam a vida para vencer desafios que se impõem, ou até mesmo quando atravessam uma rua e não olham e são atropelados, mas nada disto é considerado suicídio, pois não foi consciente. Ramón está lúcido, é inteligente, e deseja morrer. Na minha opinião ele tem este direito. Para ele é a única saída que ele encontrou que é digna, para outros pode ser outra.

Alejandro Amenábar nasceu em 1972 em Santiago, no Chile. 

Veja um vídeo com Ramón Sampedro 


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FILME: UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE - 2012


Direção: Stéphane Brizé - 2012
Duração: 108 min 
Título Original: Quelques heures de printemps 
País: França 


Após sair da prisão Alain (Vincente Lindon) com 48 anos se vê obrigado a voltar a viver com sua mãe (Hélène Vincent), o que será uma difícil convivência.

Ambos são teimosos e há coisas do passado que interferem, eles discutem muito, mas são calados em tudo mais. Alain é extremamente fechado, apesar de sua imensa carência de afeto e sua capacidade de dar carinho, desde que calado. Sua mãe está doente mas não fala nada, até que ele descobre que ela tem um câncer no cérebro.
Por causa das brigas ele sai de casa, vai morar no vizinho e será necessário que sua mãe se engane ao alimentar o cachorro - Calie - lhe dando veneno de rato ao invés da ração, para que os dois se falem novamente e socorram a cachorra.

Por trás disto tudo há um pai, um marido que foi agressivo, autoritário.

Seu câncer piora e ela opta pelo suicídio assistido o que na França é proibido, mas na Suíça é legal. Acertam todos os detalhes, e o filho a leva. O tempo todo reina o silêncio, e somente após ela tomar o remédio que causará sua morte, naqueles últimos segundos ela lhe dirá que o ama muito e ele consegue gemer um eu também.

Um filme que aborda a relação mãe e filho e o que causa o silêncio, a falta de diálogo e a questão da eutanásia, da morte assistida como uma escolha, o direito a ter uma morte sem dor, antes do corpo se deteriorar totalmente e causar sofrimento a todos como ocorre numa doença terminal. Ela foi até onde acreditou ser possível, quando seu quadro piorou e iria se iniciar o fim ela encerrou antes.


Stéphane Brizé nasceu em 1966 em Rennes, França.