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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

FILME: AMAR BEBER E CANTAR - 2014


Direção: Alain Resnais - 2014
Duração: 108 min 
Título Original: Aimer boire et chanter 

Um grupo de teatro fica sabendo que um amigo está com câncer. A partir daí o filme gira em torno de George que não aparece em momento algum durante o filme. O filme é uma peça dentro do filme, eles ensaiam uma peça, mas o filme também se utiliza de cenários de teatro. Diferente e interessante, o que vale são os diálogos com fundos que representam onde estão os personagens. Gostei muito da forma como ele apresenta as casas com desenhos. A história se passa na Inglaterra.

Logo no início Colin (Hippolyte Girardot) que é médico recebe a notícia de um colega e não consegue se conter passando a informação a mulher Kathryn (Sabine Azéma) que logo conta para Jack (Michel Vuillemoz) que é o melhor amigo de George que fala para sua esposa Tamara (Caroline Sihol). Estes por sua vez falam com Monica (Sandrine Kiberlain) a ex-mulher de George que agora vive com Simon (André Dussollier).

Tudo gira em torno destes personagens que começam a recordar passagens de suas vidas com George e a pensar no futuro sem ele. A presença da morte faz com que todos repensem muitos aspectos de suas vidas, e todos sempre falam de George como um homem feliz e que sabia viver, ele parece o modelo que nenhum deles atingiu. O filme é um grande diálogo sobre o viver e o morrer. Tudo se passa num teatro e palco, o que é uma referência também a vida que atuamos sempre, os atores e os papéis que assumimos e da dificuldade de sair disto e poder ser o que se é realmente.

Alain Resnais filmou Amar Beber e Cantar aos 91 anos e foi seu último filme.

Alain Resnais nasceu em 1922 em Vannes na França e morreu em 2014 em Paris. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

FILME: VIOLETTE - 2013



Direção: Martin Provost - 2013
Duração: 132 min 

Cinebiografia sobre Violette Leduc, escritora francesa. 

O filme se inicia com uma frase de Violette: " A feiura em uma mulher é um pecado mortal. Se você é linda, é olhada na rua pela sua beleza, se você é feia, é olhada na rua pela sua feiura."

Uma cinebiografia de Violette Leduc (Emmanuelle Devos), uma escritora francesa pouco conhecida. Ela sempre se sentiu muito só, bissexual com uma tendência maior pelas mulheres. Tem medo da perda e dificuldade com a recusa. Seu primeiro livro L'asphyxie ( A asfixia) é sobre sua mãe.

Sempre se sentiu abandonada, fez um aborto do qual carrega o fantasma, recusou-se a ajudar um amigo a se salvar dos alemães durante a guerra um pouco por vingança, uma vez que ele a havia abandonado, mas penso que o principal motivo foi que ela teria que se declarar grávida dele e isto a remetia ao trauma do aborto.

Conhece Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain) que a incentiva a escrever sobre sua vida após ler A Asfixia. Simone sempre declara que se deve escrever tudo e Leduc fala de si mesmo, com sinceridade, mas de forma crua e real. É uma das primeiras mulheres a escrever sobre a sexualidade feminina sem censura, sem omitir nada, o que causa desconforto e polêmica. O jornal publica que ela fala do amor como um homem.



Apaixona-se por Simone e escreve um livro sobre isto. Esta se espanta de ser objeto de tal amor, mas não recua diante de sua publicação. Para mantê-la escrevendo Simone paga uma pensão mensal como se fosse a Gallimard, editora francesa, mas ela o descobre.



Sofre uma crise nervosa, é internada, tem alucinações com os mortos, principalmente Maurice que não ajudou a se salvar (ele morreu na guerra), sente culpa. Recebe eletrochoques.

Ficou presa a sua paixão por Simone e lhe obedece, acredita nela quando lhe diz que será uma grande escritora, mas se ressente quando esta ganha o prêmio Goncourt.

Violette é presa ao seu passado, conturbada não consegue se relacionar com ninguém e isto só aumenta sua solidão e carência. Mas a escrita a salva, e que escrita, que lhe angaria a admiração de grandes escritores e intelectuais na França como Sartre, Jean Genet e Camus, mas não a faz popular. Sua consagração como escritora virá com o livro A Bastarda que foi prefaciado por Simone de Beauvoir.

Leduc se muda para a Provence no interior da França onde vive até morrer em Faucon em 28 de maio de 1972 e sua mãe oito meses depois. Escreveu vários livros depois do sucesso de A Bastarda.



Violette Leduc 

Martin Provost