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segunda-feira, 6 de julho de 2015

FILME: TESTAMENT OF YOUTH - 2015


Direção: James Kent - 2015
Duração: 128 min
Título Original:
País: Reino Unido

Baseado no livro autobiográfico homônimo de Vera Brittain 

Não conhecia nada sobre ela e ao procurar pelo livro também não encontrei nada traduzido no Brasil escrito por ela. Infelizmente ainda carecemos de muitas traduções. 

Trata-se da história da vida de Vera Brittain (Alicia Vikander) quando jovem até logo depois da Primeira Guerra. Seu maior desejo era entrar em Oxford, porém naquela época isto não era exatamente o que os pais sonhavam para suas filhas, queriam que elas se casassem, mas Vera dizia que não iria se casar. Precisou contar com a ajuda de seu irmão Edward (Taron Egerton)  para conseguir convencer seu pai a deixá-la tentar.

O filme inicia-se em sua juventude onde costumava nadar num lago com seu irmão e o amigo deste Victor (Colin Morgan) que se apaixonou por Vera. Roland (Kit Harington) também chega e justo num momento em que ela está enfrentando seu pai devido os estudos, pois ele havia comprado um piano, o que ela não desejava. Vera e Roland se apaixonarão. Ela é admitida em Oxford contras as expectativas, mas seu sonho de ir para lá com os rapazes é desfeito pela guerra. Ela irá sozinha.

É triste ver o entusiasmo que se apodera dos jovens diante de uma guerra, e se não for assim é devido uma questão do social, o que dizer aos amigos se você também não for, os três rapazes acabam indo para a guerra e Vera pelo desejo de também ser útil se torna enfermeira. Roland é o primeiro a morrer, seguido de Victor. Então Vera pede para ir para o front na França onde ela consegue salvar seu irmão já considerado morto, mas a guerra irá pegá-lo novamente. Os três morreram. Vera retoma seus estudos e inicia sua vida de pacifista, vindo a se tornar uma escritora mais tarde.

A guerra é algo que modifica totalmente a vida das pessoas, a juventude que se perde, a alegria de viver, é preciso se recuperar depois quando é possível. Algumas pessoas não conseguem aceitar, como a mãe de Vera (Emily Watson) que entra em crise porque a cozinheira foi embora, pela falta de alimentos para comprar, o que diante do horror do front não é nada.

O interessante é a vida desta mulher, que soube fazer da guerra uma causa, o pacifismo, e também de seu feminismo, a busca da liberdade da mulher, que naquela época era destinada ao casamento. Quando prestou os exames em Oxford para os quais estudou sozinha foi surpreendida por uma prova de latim, não sabia nada, mas não desistiu e acabou escrevendo em alemão. A coordenadora (Miranda Richardson) inicialmente a desprezou como uma filha mimada, mas acabou aprovando-a por verificar sua capacidade e originalidade. Vera novamente enfrentará esta questão com a chefe das enfermeiras que a julgava intelectual demais para isto, e conseguirá mostrar de que era capaz.

Vera Brittain 

Edward , Roland e Victor 

Vera Brittain 

Vera Brittain e Alicia Vikander 


James Kent 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

FILME: AS CINZAS DE ANGELA - 1999



Direção: Alan Parker - 1999
Duração: 139 min 
Título original: Angela's Ashes 
País: Estados Unidos 

Baseado no livro auto-biográfico de Frank McCourt. 

1935 - uma família irlandesa vive nos Estados Unidos com dificuldades. Após a morte de sua filha bebê eles retornam para a Irlanda justamente num momento onde os irlandeses estão indo para a América fugindo da fome e da falta de trabalho. Angela (Emily Watson) e seu marido Malachy (Robert Carlyle) com seus filhos chegam à Irlanda e são recebidos pela mãe de Angela e sua tia e tio. Porém o marido de Angela é protestante e a família dela é católica o que logo de início já coloca uma situação delicada com a avó e a tia se recusando a lhe dar a mão.

Um filme sobre a dura realidade as famílias pobres na Irlanda onde apesar de todo o catolicismo não há muito misericórdia ou bondade, mesmo quando a igreja ajuda é em tom de deboche, mas ela também bate a porta na cara das pessoas, contradizendo seu belo discurso de amor a Deus e aos próximos.



Para complicar tudo o pai não consegue emprego e não para de beber, e quando consegue um trabalho vai comemorar logo no primeiro dia gastando tudo que ganhou ao invés de levar para a família. Com toda a dificuldade que passam ainda tentam manter um orgulho, como o pai se recusando a pegar carvão no chão como um mendigo, preferindo deixar a família passar frio, ou Angela que ao conseguir ajuda para comprar móveis reclama que serão de segunda mão.

A vida é dura, logo eles perdem um dos filhos gêmeos, Oliver, e não demora morre também o segundo gêmeo, Eugene. Mas, apesar de toda esta dor, tristezas e dificuldades o filho mais velho Frank (Joe Breen (5-8anos; Ciaram Owens - 10 anos e Michael Legge - adolescente)  e seu irmão conseguem ainda manter a alegria de criança, com as brincadeiras, aprontações, mas não deixam de perceber tudo que se passa, e se por um lado amam o pai que conta histórias, odeiam o pai que bebe.



Angela engravida novamente e mais uma vez, mas ela se cansa de um marido que ela chama de inútil, que nunca arruma um trabalho e não consegue ajudar em nada para sustentar os filhos. Um dia ele parte para a Inglaterra como muitos faziam prometendo mudar e parar de beber, mas obviamente isto não acontece, até que no Natal ela o recebe friamente e ele parte de vez e nunca mais voltou ou deu notícias.

Frank irá trabalhar como entregador de carvão e acabará tendo uma conjuntivite extremamente séria. Serão expulsos do quarto onde moravam e terão que morar com um primo onde este os transforma em seus serviçais em troca da moradia de graça, sendo tarefa de Frank esvaziar o urinol e sua mãe deve cozinhar, mas não só isto, os meninos irão perceber que toda noite ela sobe e não volta, e Frank logo perceberá o que acontece. Um dia ele perderá a cabeça e agredirá o homem que é muito mais forte que ele. Nesta noite, após sua mãe nem lhe agradecer e subir direto ao quarto dele, Frank arruma suas coisas e parte. Vai viver na casa de seu tio e começa a trabalhar no Correio para juntar dinheiro e partir para a América.

Ele também aceita trabalhar para a odiada agiota escrevendo cartas de cobrança assustadoras e as entregando, mas um dia quando chega ela está morta e ele então pega o dinheiro que ela guardava e o livro onde estavam anotados todos os nomes de quem lhe devia, inclusive sua mãe e sua tia, e o joga no rio, apagando para sempre estas dívidas, e vai comprar sua passagem para a América para onde segue num navio e retornando ao ponto de partida, só que desta vez é dando alô à Estátua da Liberdade e não adeus como no começo do filme.

Um filme sobre uma vida difícil, cheia de dor, fome, luta pela sobrevivência, retratando a Irlanda daquele tempo, onde muitos morriam de fome e doenças, devido à umidade, sempre chovia ali. A questão dos católicos e protestantes, aqui é retratado mais no aspecto das questões familiares, e perante a igreja católica. A discrepância com o que se prega e o que se faz, os preconceitos. A bebida como forma de fuga.

Apesar de Frank parecer repetir seu pai quando chega em casa bêbado pela primeira vez e cantando as mesmas músicas que ele o que exaspera sua mãe que o acusa de ser igual, não será assim. Ele neste momento irá dar um tapa no rosto da mãe e a chamará de prostituta, mas depois ele irá rezar para São Francisco e um padre novo lhe dirá que ele tem que amar a Deus e a si mesmo primeiro, para depois amar aos outros, e ele então segue adiante com sua vida. No caso da mãe não devemos julgar, o que poderia fazer na situação que estava com 04 filhos, não tendo dinheiro nem onde morar, abandonada pelo marido, se viu numa situação difícil e precisava proteger os filhos que lhe restavam, ela já havia perdido três. Mas para o filho, perceber isto foi tremendamente doloroso, ele também precisava por isto para fora. Ele a vira se negar ao pai para não ter mais filhos e agora a via ir para a cama com aquele homem asqueroso, e de qualquer maneira um filho não consegue aceitar isto, e ele tentou defendê-la, assumindo o lugar do pai, mas não pode. Mas o que Angela quis fazer ela também conseguiu, seu segundo filho também segue a vida, e com certeza os dois menores também.

Provavelmente o título do livro e filme é uma homenagem à esta mãe.


Alan Parker nasceu em 1944 em Islington, Reino Unido, mas fez a maioria de seus filmes nos Estados Unidos.


MÚSICA DE JOHN WILLIAMS

John Williams nasceu em 1932 em Floral Park, New York, EUA. É um compositor.  

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

FILME: ONDAS DO DESTINO - 1996


Direção: Lars Von Trier - 1996
Duração: 159 min 
Título original: Breaking the waves 
Roteiro: Lars von Trier - Peter Asmussen - David Pirie
País: Dinamarca 

Ganhou o César de Melhor filme estrangeiro 

Uma comunidade pesqueira num país nórdico (norte da Escócia) , uma plataforma de petróleo com outsiders.

Bess (Emily Watson) cresceu nesta comunidade extremamente religiosa e onde seu avô é um dos anciões que governam as regras no local. Ela vivia dedicada à Igreja, uma igreja sem sinos, após ter sido internada quando seu irmão morreu. Os anciões são os guardadores da moral e dos costumes, tudo passa por eles. As mulheres não podem assistir aos enterros, somente os homens, e o ancião quando julga o morto um pecador manda para o inferno todos que não vivem segundo suas regras.

Bess se apaixona por Jan ( Stellan Skarsgard) um dinamarquês que trabalha na plataforma de petróleo e se casa com ele. A comunidade não gosta, prefere os casamentos entre si, tem medo do diferente e não o aprovam.

O filme é dividido em partes e no início de cada parte toca uma música alegre que destoa até da vila e tem uma paisagem com tons sempre ocres e verde escuro predominando. A sensação que tive é que há algo que incomoda ali, não é natural e então me pareceu que era um mundo pintado, colorido por nós, cores que nós escolhemos para colocar na vida e no mundo onde sempre sobra um pedaço sem cores e um outro muito ilusório.

No dia do casamento uma demora da chegada do  helicóptero que traz o noivo da plataforma desencadeia uma crise histérica de Bess. O médico dirá que ela quer tudo, mas por outro lado ela é totalmente submissa ao Outro, seja Deus, seja o amor na figura de Jan. Ela fica entre a obediência e o sarcasmo.



Na festa do casamento ela leva Jan para o banheiro e quer ser possuída ali mesmo, nada de romantismo, de lua de mel. E temos depois uma cena linda onde ela descobre o corpo do outro.



Bess fala com Deus, mas ela mesma é Deus, que responde engrossando sua própria voz e usando uma voz infantil para ser ela mesma. Neste delírio Deus atende seus desejos e como ela não suporta a ausência de Jan quando está na plataforma trabalhando ela pede a Deus que o traga para casa, mesmo percebendo seu egoísmo ela não consegue agir de outra forma.



E justo aí é que acontece o acidente na plataforma que o traz para casa. Ela fica feliz, o que importa é que está vivo e vai ficar ali, não o estado dele que não pode mais se movimentar. Para aliviar sua culpa pois acredita que foi ela quem causou tudo isto pois desejou que ele ficasse ali, ela passa a acreditar que o salvaria. Deus o salvaria, aquele Deus que era ela mesma. Acreditou que tinha o poder sobre a vida e a morte.



Jan lhe diz que deve arrumar um amante, que ele não pode mais fazer amor, que isto ficaria entre eles, já que não podiam se divorciar pois a comunidade nunca aceitaria isto. Sua virilidade está em jogo. Ele lhe pede para ter relações sexuais com outro e lhe contar, que seria como eles dois. E o mais perverso é que quando ela inventa ele ao invés de aceitar a desmascara.

Ela atende ao desejo dele se prostituindo, acredita que o está salvando. Quando após sofrer uma violência ela ainda não o curou, resta o sacrifício, resta morrer por ele. E eu me pergunto por quem os sinos dobram no filme.

E ele se recupera. Milagre? por causa do sacrifício? Não! iria se recuperar de qualquer maneira. Ela sentia culpa pelo acidente, mas o amigo não, e se este não tivesse feito uma brincadeira estúpida de se fazer de morto naquele momento, o acidente não teria ocorrido. Mas há culpa? os acidentes acontecem, não temos o poder de detê-los, mesmo que sempre haja uma escolha antes.

Um tribunal. Qual foi o crime? quem é o criminoso? Neurótica? psicótica? o médico diz que ela era boa. Ser bonzinho é ser alienado ao desejo do outro?

Recomendo este filme, o meu preferido de Lars Von Trier.

Lars Von Trier nasceu em 1956 em Kongens Lyngby, Dinamarca.

Trilha sonora de Joachim Holbek 


Joachim Holbek nasceu em 1957 na Dinamarca. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

FILME: A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS - 2014


Direção: Brian Percival - 2014
Duração: 131 min 
Título original: The book tief
País: Reino Unido 

Adaptação do livro de Markus Zusak 

Primeiro filme que assisto este ano, e não poderia ter sido melhor. Já havia me apaixonado pela história de Liesel que a Morte nos conta no livro de Markus Zusak e ao assistir tudo o que imaginei lendo pude finalmente ver. Os personagens ganharam rostos, feições, os sons e as palavras ganharam mais vida.



Singelo e triste, mas uma bela história sobre a Segunda Guerra vista pelo lado alemão, onde nem todos eram nazistas ou odiavam os judeus.



A morte que só comparece quando é a hora e nunca antes não resiste e estará ao lado de Liesel (Sophie Nélisse)  por três vezes antes de realmente ir buscá-la, e nos contará sua história.

Numa rara vez o filme consegue fazer uma adaptação quase perfeita do livro, só senti a falta de se acentuar mais estes encontros da Morte com a menina. Ela aparece no filme, mas uma vez que ela é a narradora deveria estar mais presente, mas mesmo assim, é possível compreender sua presença.



Liesel é deixada por sua mãe aos cuidados de um casal de alemães. Seu pai adotivo (Geoffrey Rush) irá lhe ensinar a ler e ajudará sua mãe (Emily Watson) nas tarefas de casa. Mas sua vida não será apenas isto, com a guerra haverá muitas perdas que ela terá que enfrentar.



Como já falei do livro no blog, não serei repetitiva aqui. Mas recomendo o filme.

Brian Percival é um cineasta inglês

Trilha Sonora de John Williams

John Williams