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quinta-feira, 2 de abril de 2026

O ASSASSINATO DE MARIELLE E ANDERSON


 

MATARAM MARIELLE: COMO O ASSASSINATO DE MARIELLE FRANCO E ANDERSON GOMES ESCANCAROU O SUBMUNDO DO CRIME CARIOCA

CHICO OTAVIO – VERA ARAÚJO

INTRÍNSECA – 1ª ED. – 2020

208 páginas

O livro relata a investigação sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes. Nesse ponto, não acrescenta muito ao que já sabemos, pois a narrativa vai apenas até o estágio em que a investigação se encontrava no momento da publicação, ainda sem revelar quem mandou matar. No entanto, mostra as dificuldades enfrentadas e os erros cometidos ao longo do processo investigativo. Por outro lado, o livro traz um panorama importante do que é o Rio de Janeiro no contexto das milícias e do domínio que essas organizações exercem sobre determinadas áreas da cidade.  

Sobre a vida de Marielle, o livro apresenta poucas informações, mas o suficiente para revelar a mulher de coragem e determinação que ela foi.

Em 2026 o STF condenou os irmãos Domingos (conselheiro do TCE-RJ) e Chiquinho Brazão (Deputado Federal) a 76 anos de prisão por serem os mandantes e planejarem o crime.


Chico Otavio nasceu em 1962. É jornalista e professor.

Vera Araújo nasceu no Rio de Janeiro em 1965. É jornalista. 


 


quarta-feira, 1 de abril de 2026

O DIA EM QUE TUDO FOI ARRASTADO

 

ARRASTADOS: OS BASTIDORES DO ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE BRUMADINHO

O maior desastre humanitário do Brasil

DANIELA ARBEX

INTRÍNSECA – 1ª ED. – 2022

328 páginas

“QUANDO A VIDA HUMANA ENTRA NO CÁLCULO DO LUCRO.”

O livro de Daniela Arbex traz depoimentos e detalhes da investigação efetuada após a tragédia. Os sobreviventes são conhecidos, assim como seu salvamento para quem acompanhou os acontecimentos pela televisão na época, mas no livro ouvimos deles próprios o que sentiram e pensaram no exato momento. Também acompanhamos o drama das famílias e parentes em busca de informações e, finalmente, o enfrentamento da realidade da morte de seus entes queridos.

O novo neste livro é acompanhar também os bombeiros: o que sentiram, como agiram, e conhecer toda a estratégia montada para o resgate, inclusive o trabalho do IML (Instituto Médico Legal) e as ações da própria população.  Seguimos, assim, o pós-tragédia, que além de toda a dor do luto revelou outras fraturas.

 As ações indenizatórias da Vale provocaram situações conflituosas entre os moradores. Surgiram abusos de pessoas que nada tinham a ver com a tragédia, ao mesmo tempo em que apareceram movimentos de resistência e reivindicação. Os laços sociais foram rompidos. Houve a perda do lugar, do pertencimento, de ser parte de algo ou de algum lugar. Permanece a pergunta daqueles que perderam tudo - casa, familiares, história – como seguir vivendo?

O livro também expõe as depressões, a angústia, mas igualmente a força de enfrentar tudo isso.

A narrativa termina com o resultado da investigação:  o levantamento de provas de que a Vale sabia que a barragem poderia romper a qualquer momento. A empresa chegou inclusive a calcular quanto teria de gastar em indenizações. Ainda assim, seu lucro continuaria maior – eis o ponto.

E, de fato, se no primeiro momento houve uma queda nas ações na bolsa de valores, ao final do ano a empresa fechou em alta e com lucro.

Duas tragédias - as duas maiores do Brasil: esta, humanitária; a outra, ecológica. em Mariana. E o que foi feito?

Mariana Nunca Mais.... Brumadinho Nunca mais....????


Daniela Arbex nasceu em Juiz de Fora – MG, em 1973. É uma jornalista e documentarista brasileira, dedica-se à defesa dos direitos humanos


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

VER A GUERRA É TAMBÉM UMA RESPONSABILIDADE ÉTICA


 

É ISSO QUE EU FAÇO: Uma vida de amor e guerra

LYNSEY ADDARIO

INTRÍNSECA – 2016

352 páginas 


Nesta autobiografia, a fotógrafa de guerra Lynsey Addario nos conduz por alguns dos cenários mais violentos do mundo contemporâneo. Fome, miséria, medo, mortes, lutos, deslocamentos forçados. O livro nos expõe a realidades que, muitas vezes, só conhecemos por imagens rápidas nos noticiários. A leitura provoca uma pergunta incômoda e inevitável: e se fosse eu? O que significa viver em meio a conflitos armados, com bombas explodindo sobre casas, com a morte como presença cotidiana?

Addario nos aproxima de guerras que parecem distantes, mas cujas consequências atravessam fronteiras. Ela narra estupros em campos de refugiados, a vulnerabilidade extrema de mulheres e crianças, a precariedade absoluta da vida quando o Estado deixa de existir como proteção. Suas palavras e imagens desmontam qualquer tentativa de romantização da guerra.

O livro também nos obriga a confrontar nossas próprias contradições. Vemos, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, manifestações contra imigrantes e refugiados — mas o Brasil não está à margem desse processo. Houve e ainda há revoltas contra venezuelanos, haitianos e outros povos que fogem da fome, da violência e do colapso social. A pergunta que o livro insiste em nos fazer é simples e devastadora: para onde essas pessoas deveriam ir?

Ao dedicar sua vida a fotografar dor, destruição e morte, Addario não o faz por voyeurismo, mas por uma ética do testemunho. Seu trabalho parte da esperança de que aqueles que não vivem a guerra, aqueles que acreditam estar protegidos por fronteiras e privilégios, consigam, ao menos, enxergar. Enxergar que, mesmo em pleno século XXI, mesmo após o horror do Holocausto nazista, violências extremas continuam acontecendo.

É Isso Que Eu Faço nos lembra que ainda não podemos dizer, com honestidade, “Nunca Mais”. O mundo segue produzindo zonas de exceção, corpos descartáveis e vidas consideradas sacrificáveis. O livro é um chamado incômodo à responsabilidade: ver, saber e não fingir que não é conosco.


Lynsey Addario nasceu em Westport, Connecticut, EUA, em 1973. É fotojornalista. 


terça-feira, 4 de novembro de 2014

LIVRO: GRANDE IRMÃO - LIONEL SHRIVER


Shriver, Lionel. 1ª ed. Intrínseca, 2013
336 páginas
Tradução: Vera Ribeiro
Título Original: Big Brother

Iniciei a leitura deste livro pensando em como age o psiquismo de alguém que começa a comer sem parar e engorda muito, o que o levaria à isto, mas acabei não atingindo esta expectativa o que não tira o mérito do livro que é brilhante, mas no sentido de nos mostrar como se sentem as pessoas que convivem com pessoas obesas e o que isto reflete nelas.

Pandora é a filha do meio, mas se considera a caçula em relação ao irmão, uma vez que sua irmã nasceu em um época diferente onde não compartilhou junto aos dois mais velhos de várias coisas da família. Então Edison e Pandora eram muito unidos.

Cada um seguiu seu rumo, Edison partiu cedo, aos 17 anos para tentar uma carreira de músico. Pandora foi para a faculdade e depois mais tarde conheceu seu marido com quem casou e recebendo junto os dois filhos do primeiro casamento dele que ela passa a considerar como seus. Fletcher o marido de Pandora em determinado momento vira um adepto de uma vida natureba, passando a proibir em sua casa comidas que ele considera maléficas, como por exemplo, pizza ou tortas com creme, mas adora dar uma garfada escondida nos quitutes que Pandora deixa propositalmente na bancada da cozinha quando ela faz algo assim. Ele também é obcecado por andar de bicicleta.

Pandora diante disto um dia faz um boneco que ao puxar o cordão recita tudo do jeito que seu marido fala, o que inicialmente o zanga, mas com as gargalhadas de todos ele acaba aceitando. E sem querer ela acaba descobrindo uma forma de ganhar muito dinheiro, pois aos poucos começam a chegar pedidos. Seu marido por sua vez é um marceneiro, mas faz móveis que acabam ficando muito caros e não tem mercado, então ele trabalha no porão da casa deles, mas não é o provedor do lar.

Tudo caminha desta forma até o dia que um amigo de Edison liga para Pandora pedindo ajuda em relação a ele, e esta imediatamente se propõe a recebe-lo em sua casa o que não irá agradar ao seu marido. No dia da chegada ela vai ao aeroporto buscá-lo e se surpreende diante de algo que jamais poderia imaginar, o gordo dos quais alguns passageiros falavam coisas horríveis é seu irmão.

A convivência com seu marido não será fácil o que levará Pandora a ter que tomar uma decisão.

Não posso falar mais sobre o livro pois isto tiraria o prazer de quem quiser lê-lo.

Pandora parece oscilar entre o desejo de cuidar de sua vida e deixar ao irmão a questão sobre sua obesidade e saúde, ou assumir esta responsabilidade e assim evitar a culpa que ela sente se lhe voltar as costas. Ela parece não saber encontrar uma alternativa entre estas duas situações. Ao mesmo tempo percebemos que ela tem dificuldades em aceitar seu sucesso com a empresa dizendo sempre que isto vai acabar, mas talvez no fundo o que sinta é um incomodo por ser a provedora da família enquanto seu marido faz seus móveis artesanais, mas não ganha dinheiro com isto. Ela então para amenizar isto age sem ocupar o lugar que é dela, e evita qualquer posicionamento onde ela teria que conduzir as coisas como deseja.

Ao mesmo tempo vemos no relato da história que seu irmão acabou engordando por ter perdido seu lugar no mundo do jazz e  ter se confrontado com o sucesso da irmã, que saiu até na capa de um importante revista. Pandora por outro lado não consegue sustentar isto, ela vive dizendo que não aguenta OUTRA sessão de fotos, só que ao dizer isto ela já revela seu sucesso que não consegue suportar.

A questão é:  Pandora é responsável pela obesidade de seu irmão? A meu ver não, por mais que ele tenha compensando suas frustrações que em parte ocorreram por ter perdido seu lugar no mundo musical e em parte ter perdido seu lugar como irmão mais velho o que indiretamente envolve Pandora, ela não é a responsável por isto. Mas ela não consegue lidar com a culpa que sente e isto faz o livro ser brilhante, pois ao criar uma ficção ela se expressa, expressa seus desejos, medos e culpas. Também faz uma revisão de toda sua história familiar, infância e a questão do pai que era um famoso astro da TV.

O final surpreende quando nos damos conta de como Pandora vai encontrar uma saída para seu dilema.

Lionel Shriver nasceu em 1957 em Gastonia, Carolina do Norte, EUA. É autora de Precisamos falar sobre o  Kevin que virou filme.

segunda-feira, 31 de março de 2014

LIVRO: OS LADRÕES DE CISNE - ELIZABETH KOSTOVA


Kostova, Elizabeth. Intrínseca, 2011
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
536 páginas
Título original: The swan thieves

Andrew Marlow é um psiquiatra de meia idade que é reconhecido por fazer falar até mesmo as pedras, mas quando ele aceita tratar de Robert Oliver verá que nem sempre é assim.

Robert havia tentado atacar uma obra de arte - Leda, na National Gallery em Washington, mas foi impedido pelo guarda do museu sendo preso. Sua justificativa é que havia feito isto por ela.

Diante da negativa de seu paciente em falar Marlow decide investigar indo contra sua ética profissional e procura pelas pessoas com quem Robert conviveu, sua ex-mulher, sua namorada após o divórcio, na tentativa de desvendar a mente de seu paciente e descobrir porque ele fez aquilo.

Aos poucos ele irá descobrir que seu paciente sofre de uma obsessão por uma mulher que já está morta, ele a ama e passa seus dias pintando seu rosto ou a retratando em diversas situações. Ele também possui um maço de cartas antigas escritas por esta mulher que foi uma pintora no século XIX próxima dos impressionistas, Béatrice de Clerval.

Um livro que nos fala destes pintores e da arte, de artistas, mas que também busca compreender a mente do artista além da obsessão que Robert tem por esta pintora em especial.  Marlow desvendará a mente de seu paciente e o que lhe ocorreu, mas para isto terá que ir também ao México e à França, juntando aos poucos as peças deste imenso quebra-cabeça até descobrir por que Béatrice parou de pintar já que possuiu um dom maravilhoso e pintava quadros extremamente vivos e juntar tudo isto com o ato de Robert no museu.

Quem eram os ladrões de Cisne? e porque tentaram roubá-lo? Ao descobrir esta resposta ele compreende finalmente o que levou Robert a tentar destruir uma obra de arte no museu.

Um livro gostoso de ler, que abrange um mistério, mas também penetra na mente do artista, nos levando a um passeio pela arte.


Elizabeth Kostova nasceu em 1964 em New London, Connecticut. É uma romancista.Fez pós-graduação em Yale e é mestre em Belas-artes pela Universidade de Michigan, onde recebeu o prêmio Hopwood.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

LIVRO - A LEBRE COM OLHOS DE ÂMBAR - EDMUND DE WALL


De Waal, Edmund. Intrínseca, 2011
Tradução: Alexandre Barbosa
318 páginas
Título original: The hare with amber eyes

Prêmio Costa Book Award 2010 (Biografia)
Prêmio Ondaatje 2011


Edmund de Wall é um conceituado ceramista, um dos mais importantes do mundo. Ele recebe de herança de seu tio-avô a coleção de miniaturas japonesas, os netsuquês que pertencem a sua família há várias gerações, e parte em busca da história destes pequenos objetos reconstruindo conjuntamente a história de sua família e também dos principais eventos que ocorreram no mundo no final do século XIX e século XX.

Um livro delicioso de ler, um mergulho na história, mas também nos costumes sociais de cada época, falando do convívio social, de arte, da política, mas também da vida da mulher e de todas as sutilezas que envolvem estas vidas.

De Waal não se contentará em levantar a história, ele irá aos locais, irá reviver, sentir, perceber, ele precisa também imaginar e ter a percepção dos netsuquês em todos os locais onde ficaram. Ele nos fala muito do tato, que estas miniaturas precisam ser manipuladas, e algo que me chamou a atenção no livro é a textura de sua capa, é impossível pegar o livro e não sentir algo diferente, uma capa que parece um feltro como o que estava na vitrine dos netsuquês.

A história começa em Paris no século XIX, 1871-1899, onde Charles os adquiriu em uma loja em Paris. Iremos entrar em contato com uma época de artes, Renoir, Proust, Manet entre outros, a Belle Époque. Charles dará as 264 miniaturas como presente de casamento ao primo Viktor, então é a hora de Viena - a Viena fin-de-siècle, de 1899 a 1938. Passamos pela Primeira Guerra Mundial e até a Segunda Guerra quando a família será despojada de tudo por serem judeus. Neste momento se dispersam pelo mundo, mas os Netsuquês são salvo pela fiel Anna, que permanecerá em Viena e os esconderá dos nazistas. Anos depois eles serão entregues a Elisabeth, avó de Edmund e ficarão com Iggie seu tio-avô que os levará de volta ao Japão onde ficarão até a morte deste e serem entregues a Edmund que inicia esta busca e história que nos conta neste livro. Ele ainda irá a Odessa onde tudo começou, onde se formou a fortuna da família Ephrussi.

Um livro extremamente interessante, que nos mostra a história vista de vários ângulos, pelo lado dos homens da família, e pelo lado das mulheres, que nos fala da Europa, mas também do Japão, para nos contar a história de 264 miniaturas, pequenos objetos que rodaram o mundo e sobreviveram as guerras sem se dispersarem. A cada procura que De Wall empreende, ele sempre levará um deles em seu bolso, pois foram feitos para serem tocados, para estarem na vida.

Recomendo a leitura.




Edmund De Wall nasceu em 1964 em Nottingham na Inglaterra. Sua avó paterna, Elisabeth,  era nascida Ephussi, família sobre a qual nos relata em seu livro. É um ceramista, e já foi curador, professor, crítico de arte, historiador de arte e professor de cerâmica. Mora em Londres com a família.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

LIVRO: A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS - MARKUS ZUSAK



Zusak, Markus. Intrínseca, 2007
Tradução: Vera Ribeiro
500 páginas

"Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler."

Li este livro quando foi lançado, e é um dos que mais aprecio.

A morte sofre com o fato das pessoas não gostarem dela, ainda mais que há um pequeno fato: você vai morrer! e não tem como não encontrar com ela que ressalta que não é preciso fugir, ela só vai ao encontro de alguém quando é a hora, exceto, uma única vez em que ela esteve ao lado de uma pessoa: Liesel Meminger, por três vezes, e justamente este fato a impressiona e ela resolve então nos contar a história da menina que roubava livros.

Segunda Guerra mundial, a mãe de Liesel está a caminho para entregar os filhos para adoção, ela é comunista e perseguida pelos nazistas. No caminho o irmão de Liesel morre. O primeiro livro que ela irá roubar é o Manual do Coveiro, através do qual aprenderá a ler. Liesel é entregue a um casal alemão, Rosa e Hans Hubermann.

Será através do livros que ela roubava, ou melhor, emprestava, que Liesel dará sentido a sua vida, através das palavras e do que podem significar, palavras que irão possibilitar ao judeu Max, escondido no porão dos Hubermann a ver com seus olhos como está o dia lá fora. Será contando histórias que ela irá diminuir o medo dos que estão abrigados no porão enquanto a cidade é bombardeada.

O livro nos retrata a Alemanha durante a guerra, onde nem todos eram nazistas. Aos poucos Liesel irá se sentindo amada, e terá um melhor amigo Rudy, além de Max que está escondido dos nazistas.

Somente a morte poderia nos relatar esta história com tanta simplicidade e singeleza. Ela se espanta com o ser humano, e com a capacidade de ser bom e cruel ao mesmo tempo. Finalmente no quarto encontro com Liesel irá para buscá-la. Ela estará com 90 anos.

Markus Zusak nasceu em 1975 em Sidney, Austrália. Ele cresceu ouvindo histórias de sua mãe que era alemã sobre os nazistas, os bombardeios e os judeus e sabia que era esta história que teria que contar.