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terça-feira, 1 de setembro de 2015

FILME: OS REFORMADOS - 2013


Direção: Bogdan Dreyer Dumitresco - 2013
Duração: 90 min
Título Original: A Farewell to fools
Roteiro: Anusavan Salamanian 
País: Romênia - Estados Unidos

Em uma aldeia da Romênia vive Ipu (Gérard Depardieu), considerado como louco, ele vive imaginando cenas heroicas de guerra e junto de Alex (Bogdan Iancu)  eles brincam de guerra. Alex é conhecido de um soldado alemão que gosta dele, e o deixa andar em sua motocicleta, mas desta vez quando o menino retorna o que ele encontra é o alemão morto, assassinado. 

Os alemães querem o culpado, como o delegado não consegue desvendar o que ocorreu, são colocados na praça da aldeia dez cadeiras, onde serão fuzilados as 10 principais autoridades da vila com seus familiares, caso não apresentem o culpado até as 5 horas da manhã do dia seguinte. 

As autoridades se reúnem para pensar, estão desesperados e com muito medo. É então que surge a ideia de convencer Ipu a se entregar como culpado. Liderados pelo pastor da aldeia Pai Johanis (Harvey Keitel) e sua esposa Margherita (Laura Morante) eles armam uma farsa para convencer Ipu. 

O filme é a farsa vista pelos olhos de Alex, onde se testemunha toda a comédia e o horror da condição humana, a manipulação, a encenação, as rixas entre eles mesmos e a presença de espírito do que é considerado louco, o único ali fora o garoto que é digno e ético. 


Bogdan Dreyer Dumitresco nasceu em Bucareste, Romênia

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FILME: JEAN DE FLORETTE - 1986



Direção: Claude Berri - 1986
Duração: 120 min

Baseado na obra de Marcel Pagnol 

1ª Parte

Meados de 1920 na região da Provence. Ugolin (Daniel Auteuil) retorna para suas terras onde vive seu padrinho César (Yves Montand) com o sonho de plantar cravos, mas há um problema, a água para regar esta plantação. Seu vizinho tem uma nascente no terreno, mas não se dá bem com os Saubeyran, mas mesmo assim eles o procuram para fazer uma oferta pelo terreno com a nascente. Brigam e o vizinho morre. 

O herdeiro é Jean de Florette (Gérard Depardieu) que é um coletor de impostos. Os Sabeyran pensam que ele vai vender, mas não, Jean resolve tomar posse da propriedade e chega ao local cheio de ideias sonhando com uma vida no campo. Ele chega com sua esposa (Elisabeth Depardieu) e sua filha pequena Manon. Sabendo disto Ugolin e Cesar resolvem bloquear a saída da fonte para forçá-lo a vender. 

Não é possível falar mais do filme sem tirar o prazer de quem quer vê-lo. É um retrato da vida rural da França na Provence em 1920 e de como são os comportamentos numa pequena vila, onde um não se envolve nos negócios do outro, mesmo diante de algo que está errado. Mas os segredos que envolvem estas famílias só virão a tona na segunda parte do filme: A vingança de Manon. 

Claude Berri nasceu em 1934 em Paris, França e faleceu em 2009 na mesma cidade. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

FILME: A MULHER CANHOTA - 1978



Direção: Peter Hadke 
Duração: 119 min 
Título original: Die Linkshändige Frau 

Baseado no livro homônimo de Peter Hadke 

Marianne (Edith Clever) é casada com Bruno (Bruno Ganz) e tem um filho Stephan. Sem expor nenhum motivo Marianne pede que Bruno vá embora após passarem a noite juntos, ela não quer mais viver com ele. Durante todo o filme não haverá uma explicação por parte dela sobre isto.

O que dizer sobre o filme? Fui tomada por uma sensação de monótono, de dia a dia, de melancolia. Estamos no pós-guerra, as paisagens são melancólicas, poucas pessoas nas ruas, bosques com árvores caídas, sem folhas, tudo é cinza com pouco colorido.

Bruno fica pasmo, não quer acreditar e tem dificuldade em aceitar. Ela não se incomoda. O filho parece sentir tudo isto, diz em um momento que ele também está triste, mas permanece em sua rotina, exceto pelo fato que toma o lugar do pai para proteger a mãe do editor que vem fazer uma visita. O pai escreve para o filho, e quando vai à casa não há cenas dele com o Stephan.

Marianne olha tudo e parece sempre estar fazendo uma reflexão, mas nada que altere sua vida de forma notória. Os outros não compreendem e insistem para que ela volte para o marido, o que ela não faz.

O filme mostra uma realidade, sem grandes feitos, o que ocorre no dia a dia. Nada de grandes encontros, festas, sonhos e ilusões, mas simplesmente o vazio inicial de uma separação, as dúvidas, os medos, mas também as descobertas que se faz pouco a pouco. Não concordo com alguns comentários sobre o filme que Marianne se torna independente,uma vez que permanece no seu conforto de sua casa e com uma conta bancária conjunta que lhe proporciona o que precisa, mas ela pode finalmente ocupar este espaço de forma independente, mudando as coisas de lugar, jogando fora o que não lhe interessa, mas há algo que me toca, ela sempre olha para fora, como se buscasse algo lá fora.

Ela passa a trabalhar como tradutora, e acaba se afastando das pessoas uma vez que elas a julgam e insistem para que volte para o marido. Ela passará pelo momento de reavaliar quando percebe outros casais juntos, famílias, sejam os vizinhos, na rua ou num filme que assiste. Mas permanecerá determinada em sua decisão.

É um filme que trata do real dentro da realidade, uma vez que não se trata da busca de uma ilusão de felicidade, mas apenas de uma decisão de uma mulher que precisa estar consigo mesma, sentir uma certa liberdade, poder fazer o que deseja, o que não significa o paraíso que muitos fantasiosamente buscam.

Talvez por isto seja um filme difícil de assistir e que causa incomodo, não nos vemos diante projeções de felicidade e sucesso, mas simplesmente diante da realidade sem fogos de artifício.

Gerard Depardieu faz uma pequena aparição no filme.



Peter Handke nasceu em 1942 em Griffen, Caríntia, Áustria. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FILME: PIAF - UM HINO AO AMOR - LA MÔME - 2007



Direção: Olivier Dahan - 2007
Duração: 140 min 
Título Original: La Môme 
País: França 

Venceu o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.

Cinebiografia da cantora Piaf de seu nascimento à sua morte.

A vida de Piaf (Marion Cotillard) não foi fácil. Foi abandonada pela mãe e criada pela avó num bordel na Normandie. Ficou cega durante um período na infância e depois seu pai alcoólatra  vai buscá-la para cantar nas ruas. Abandona seu pai e continua cantando nas ruas de Paris junto com sua amiga Mômone (Sylvie Testud)  Descoberta por Louis Leplée (Gérard Depardieu) fica famosa. Seu grande amor o pugilista Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins) morreu num acidente de avião.



Morreu jovem, aos 47 anos. Teve uma vida desregrada, álcool e drogas. Mesmo famosa nunca deixou de ser quem era, amiga fiel, simples e malcriada. Não ligava para os outros, só queria cantar. Era devota de Saint Thérese de Lizieux.


Amava viver e fazer o que desejava. Foi destruída quando seu grande amor morreu, começa sua derrocada, continuou viva enquanto pode cantar, cantar era viver para ela, se não pudesse cantar morreria. E foi assim.

Piaf canta a vida, Paris, seus becos, a miséria humana e o amor. Piaf de pássaro, canta como um pássaro.



Cantava e tricotava, Piaf, maravilhosa!


A última canção


Olivier Dahan nasceu em 1967 em La Ciotat, França.

Trilha Sonora de Christopher Gunning

Christopher Gunning nasceu em 1944 em Cheltenham, Gloucestershire, Inglaterra.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: CAMILLE CLAUDEL - 1988



Direção: Bruno Nuytten - 1988 
Duração: 166 min
Roteiro: Bruno Nuytten e Marilyn Goldin 
País: França 


Baseado no livro de Reine-Marie Paris

Ganhou o César de melhor filme de 1989.

Paris - 1885

Ela tinha um dom maravilhoso, mas viveu em uma época onde as mulheres não podiam se destacar, tinham que viver à sombra dos homens no que diz respeito a ser reconhecidas publicamente. Sua mãe a invejava, tinha ciúmes por causa do pai e não aceitava sua escolha de ser uma escultora.



Camille (Isabelle Adjani) se apaixona por Rodin (Gérard Depardieu) , grande escultor. Trabalha com e para ele até que percebe que seu trabalho não aparece. Ele vive com uma mulher com quem tem filhos, mas se recusa a abandoná-la para viver com Camille apesar de estar apaixonado por ela. Ela está grávida, e diante de sua recusa não lhe conta nada e aborta, e o deixa. Começa sua decaída e cai em desgraça na sociedade parisiense, mesmo tendo amigos como Claude Debussy (Maxime Leroux).



Eles discutem, e Rodin lhe diz que ela é uma escultora de terceira, que deve tudo à ele. Que ela a fez e que lhe deve obediência. É o início da paranóia. Sente-se roubada e irá acusá-lo de um complô contra ela até o fim de sua vida.



É o preço que pagou por assumir o seu desejo e ir contra o desejo do outro, de sua mãe. Quando não optamos pela neurose estamos caminhando na beira do abismo.

Ela não suportou não conseguir ser uma escultora reconhecida, não aceitou ser a sombra de Rodin, não suportou o rompimento. Passa a pensar que ele nunca a amou e queria apenas suas obras, e se fixa nisto.

Claudel esculpia a dor, a morte, isto chocava. Não consegue expor na Exposição, não consegue seu lugar no mundo da arte. Ela destrói a maior parte de sua criação, e depois dirá que foi Rodin que a roubou. Ela caminha para a loucura. Seu irmão Paul (Laurent Grévill)  escapa do desejo da mãe pela religião, mas não perdoa Camille ter feito um aborto.

Enquanto seu pai viveu ele a protegeu e tentou defendê-la da mãe, lhe possibilitar o acesso ao desejo, mas após sua morte, a primeira coisa que sua mãe fará é internar Camille com a ajuda de Paul Claudell.



Não encontrei o trailer legendado, o que segue é em francês





Bruno Nuytten nasceu em 1945 em Melun, Île de France, França.

Trilha sonora de Gabriel Yared

Claude Debussy - Reverie

Gabriel Yared em 1949 em Beirute, Líbano. É compositor

Claude Debussy nasceu em 1862 em Saint-Germain-en-Laye, França e faleceu em 1918 em Paris. Foi um músico e compositor francês. 

sábado, 28 de dezembro de 2013

FILME: AS AVENTURAS DE PI - 2012




Direção: Ang Lee - 2012
Duração: 127 min 
Título original: Life of Pi 
Roteiro: David Magee
País: Estados Unidos 

Venceu o Oscar de melhor diretor em 2013 

Adaptação do livro A vida de Pi de Yann Martel 

Talvez o melhor filme que assisti para abordar o trauma. Pi ( Suraj Sharma/Irrfan Khan)  se utiliza de uma metáfora para falar o que não consegue contar de outra forma e com isto superar um trauma.
A viagem ao inferno se transforma numa aventura, e Richard Parker não precisa ser vencido, ele se torna um aliado, que ajuda-o a sobreviver, após ser domado. Mas não esqueçamos que isto se passa dentro de Pi, é uma luta interior com este lado tigre que todos nós temos e que às vezes vem á tona e nos assusta.




Quando assisti ao filme senti que havia algo em mim que se angustiava, e eu não compreendia o que. Cheguei a sentir vontade de sair do cinema, o que nunca me ocorreu antes. O que era isto? Somente uma semana após ver o filme as coisas foram se acomodando e revelando a imensa riqueza do filme, onde ao não podermos falar de algo, no caso de PI, sobre sua mãe e tudo que ele viu e sentiu, e também o confronto com o agressor introjetado ou aquele que todos temos e aparece, é que pude perceber o motivo do meu mal estar inicial.

O filme oferece várias versões de compreensão, e cada um pode escolher a sua. Há a religião, há o pensar positivo e seguir em frente, e quantas se desejar mais. Porém, a minha foi esta, a metáfora para falar de algo e poder tirar de si toda a dor e o ódio que ele por um momento carregou dentro dele mesmo. A viagem de Pi é no fundo uma grande luta com ele mesmo, até que o Tigre se vá, e ainda assim, ele deixa um resto, um pequeno traço em Pi.



Assista ao trailer





Ang Lee nasceu em 1954 em Chaojhou , Pingtung - Taiwan. Primeiro de origem asiática a ganhar o Oscar de Melhor Diretor. Vive nos Estados Unidos. 


TRILHA SONORA 


MÚSICA DE MYCHAEL DANNA - trilha sonora 


Mychael Danna nasceu em 1958. É um compositor canadense

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: MINHAS TARDES COM MARGUERITTE - 2010


Direção: Jean Becker - 2010 
Duração: 82 min 
Título original: La Tête en friche 
Roteiro: Jean Becker e Jean-Loup´Dabadie

Baseado no livro "La tête en friche de Marie-Sabine Roger

Adorei este filme.

Mostra o conflito de Germain ( Gérard Depardieu) com sua mãe. Ele quase não tem vocabulário, não sabia ler direito, insistia em escrever seu nome no monumento das crianças mortas na guerra. 
A mãe grita com ele, diz que é um nada, o professor zomba dele. 
Então... ele conhece Margueritte (Gisèle Casadesus) , uma simpática senhora de 95 anos que lê muito, mas está ficando cega. E a partir daí muita coisa irá mudar.



Um filme que nos mostra o valor da palavra e do quanto ela transforma e muda. 

Depardieu está fantástico neste filme. 


Assista ao trailer:


Jean Becker nasceu em 1933 em Paris, França.