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domingo, 22 de fevereiro de 2026

LINGUAGEM, MEMÓRIA E ESCRITA

 

CADERNOS DA GUERRA E OUTROS TEXTOS

MARGUERITE DURAS

ESTAÇÃO LIBERDADE – 1ª ED. – 2009

384 páginas

Cadernos da Guerra e Outros Textos, de Marguerite Duras, reúne escritos que refletem sobre a experiência da guerra, da ocupação e da resistência, abordando os efeitos do conflito na vida individual e coletiva. A obra é marcada pelo estilo conciso, fragmentário e intimista de Duras, que combina memórias, testemunhos e reflexões filosóficas, revelando a dimensão humana da violência e da opressão.

O livro nos conduz pelo olhar sensível da autora sobre o cotidiano da guerra, os dilemas morais e éticos enfrentados por quem resiste, e a forma como a memória da violência molda a subjetividade. Duras explora temas como medo, perda, coragem e solidariedade, mostrando a tensão entre o ordinário e o extraordinário, a vida comum e o momento histórico extremo.

Além do contexto histórico, a obra provoca reflexões sobre linguagem, escrita e memória, revelando como os relatos literários podem capturar experiências traumáticas e oferecer compreensão sobre a condição humana. Cadernos da Guerra e Outros Textos é uma leitura intensa, que combina história, literatura e introspecção, convidando o leitor a refletir sobre os efeitos duradouros da guerra na vida pessoal e coletiva.


Marguerite Duras pseudônimo de Marguerite Donnadieu, nasceu em Saigon (atual Cidade de Ho Chi Minh) em 1914 e faleceu em Paris em 1996. Foi uma romancista, novelista, roteirista, diretora de cinema e dramaturga francesa


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Os grandes debates — e as grandes ausências

 


A SAGA DOS INTELECTUAIS FRANCESES VOL I 1944 – 1989

A prova da história – (1944 – 1968)

François Dosse

Estação Liberdade – 1ª ed. 2021. 

701 páginas 

Este é o primeiro volume de A Saga dos Intelectuais Franceses e cobre o período logo após o fim da Segunda Guerra até 1968. O historiador François Dosse nos conduz pela filosofia, pela antropologia e pela literatura, mas principalmente pelas revistas e jornais onde se davam os grandes debates intelectuais na França.

Logo após o fim da guerra, temos o grande momento de Jean-Paul Sartre e do existencialismo, uma filosofia que devolve certa esperança após a total desolação. Em 1949, Simone de Beauvoir lança O Segundo Sexo. É também o momento em que a grande maioria dos intelectuais se volta para o comunismo e louva Stálin, até que a invasão da Hungria, em 1956, provoca um colapso dessas ilusões.

A antropologia e o estruturalismo passam então a ocupar o lugar do existencialismo — correntes incompatíveis entre si. É o momento de Lévi-Strauss e Lacan. Surge a semiologia com Roland Barthes. Na sequência, entram em cena a Guerra da Argélia, o Vietnã, o maoísmo, até chegarmos ao nouveau roman, ao cinema da nouvelle vague e ao início das revoltas estudantis.

O livro tem mais de 600 páginas, portanto não é possível fazer um resumo aqui. No entanto, é preciso fazer uma crítica: o livro fala muito pouco sobre as mulheres, o que revela a posição do autor ao relegar a maior parte das intelectuais ao esquecimento. Onde estão Simone Weil, Violette Leduc, Colette, Françoise Dolto? Apenas para citar algumas.



François Dosse nasceu em Paris em 1950. É um historiador e sociólogo francês, especialista em História dos Intelectuais

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LIVRO: SYNGUÉ SABOUR Pedra-de-paciência - ATIQ RAHIMI



Rahimi, Atiq. Estação Liberdade, 2009
147 páginas
Tradução: Flávia Nascimento
Título Original: Syngué Sabour: pièrre de patience

Ganhador do prêmio Goncourt de 2008

O livro é em homenagem a uma dupla libertação. A primeira é do autor em relação à língua, quando ao escrever em francês ele se liberta da autocensura e do pudor inconsciente ancorados nele desde a infância, e a segunda é a libertação da dor que lhe causou o assassinato da poeta afegã Nadia Anjuman, espancada até a morte por seu marido com a conivência da mãe pela acusação de ser liberal demais, e causar vergonha na família. Ela andava sem o véu.

Um livro belíssimo. É o relato de uma mulher que cuida de seu homem numa cidade do Afeganistão que levou um tiro na nuca e está em estado vegetativo. Ela ouviu de seu sogro a história da pedra-da-paciência, a Syngué sabour, onde contamos tudo que nos aflige e angustia, nossos segredos para uma pedra que acabará por explodir quando receber tristezas demais e libertará a pessoa de suas dores e tormentos. Al-Sabour é também o último nome de Deus, o paciente!

No início a mulher cuida do homem inerte, com seus olhos vidrados fixos em algum lugar, ele não tem nenhuma reação, apenas respira. Ela reza, a cada dia um dos nomes de Deus, na esperança que ele volte para ela, mas nada acontece. Do lado de fora há conflito, tiros, bombas e as chamadas do Mulá para as rezas. O bairro vai se esvaziando após os ataques, ela leva as filhas embora, mas não consegue levar ele. Está sozinha, a família do marido também a abandonou.

Aos poucos ela começa a falar, a colocar para fora suas dores, angústias, seus segredos, transforma o marido em sua Syngué sabour. Conta-lhe coisas que jamais teria contado se ele não estivesse inerte, ele a teria matado. Todo o universo feminino vem a tona, quando um homem é duro com sua mulher, uma mulher também é dura com seu homem. Por baixo do véu há muita vida, tristeza, desejos, angústias, medos. E ela vai ficando cada vez mais ousada relatando tudo que estava enterrado dentro dela e lhe causando uma dor imensa, enchendo a sua pedra até que ela exploda e a liberte.

Atiq Rahimi nasceu em 1962 em Cabul, Afeganistão. Durante a guerra nos anos 80 exilou-se na França onde vive  e hoje tem dupla nacionalidade. 

Nadia Anjuman