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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

FILME: AS SUFRAGISTAS - 2015



Direção: Sarah Gavron - 2015
Duração: 106 min
Título Original: Suffragette
País de Origem: Reino Unido

1912 - Reino Unido, após 50 anos de luta pacífica para obter o direito de voto para as mulheres um grupo de militantes conhecidas como sufragistas decidem partir para a ação com atos mais violentos como quebrar vidraças de vitrines, explodir caixas de correio para chamarem a atenção sobre suas reivindicações. A líder do movimento é Emmeline Pankhurst (Meryl Streep), mas quem realmente luta são mulheres pobres, trabalhadoras, vítimas da opressão masculina e algumas mulheres que possuem educação como Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) que tem o apoio de seu marido. 

Vemos um retrato da vida das mulheres na época. Destinadas ao casamento não tinham nenhum direito exceto o de trabalhar e ganhar menos que os homens, cuidar da casa, do marido e dos filhos. Além disto sofriam assédio sexual e não tinham como se defender disto. 

Maud Watts (Carey Mulligan) é uma destas mulheres, casada com Sonny (Ben Whishaw) tem um filho, Georgie, e trabalha numa lavanderia, no mesmo local onde seu marido trabalha, porém os homens tem trabalhos externos enquanto elas sofrem problemas respiratórios e de pulmão, além de ganhar bem menos. Maud não fazia parte das sufragistas até se aperceber do movimento, aos poucos ela começa a participar e pagará um preço alto por isto. Seu marido a expulsará de casa por se sentir desmoralizado, envergonhado com os atos dela, e depois ele irá dar o filho em adoção alegando que não tem como cuidar dele. Mas ao invés de com isto fazer Maud desistir, ela se dá conta do quanto não pode se defender nem ao seu filho, ou seja, que não tem direitos. É a partir deste momento que ela passa a se considerar uma sufragista e irá lutar junto as outras mulheres. 

Há cenas de violência contra as mulheres pela polícia e elas são presas, várias vezes. O inspetor Arthur Steed (Brendan Gleeson) é o responsável por contê-las o que ele tenta de todas as formas, mas apesar de tudo elas são persistentes e ousadas, e chegam ao ponto de chamar a atenção de todos através de um ato de Violet Miller (Anne-Marie Duff) diante do rei, o que acaba lhe causando a morte. Mas foi neste momento que a comoção foi geral e o passo maior está dado, mas o direito ao voto elas só obterão em 1918. 

A grande questão deste filme é que se ele se passa em 1912 ele trata de um assunto que é absolutamente atual. As mulheres conseguiram muitos avanços e conquistaram muitos direitos, mas mesmo nos países ocidentais até hoje elas ganham menos. Isto para não falar dos países onde ainda nem conseguiram o direito ao voto. Na Arábia Saudita somente no ano passado, em 2015, as mulheres votaram pela primeira vez. 

Sarah Gavron nasceu em 1970 no Reino Unido.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

FILME: A DIFÍCIL ARTE DE AMAR - 1986



Direção: Mike Nichols - 1986
Duração: 108 min
Título Original: Heartburn
País: Estados Unidos 

Após assistir a Villa Amalia este filme parece vim complementar com a outra faceta feminina diante uma infidelidade.

Rachel (Meryl Streep) conhece Mark (Jack Nicholson) em uma festa e logo eles estarão casados apesar de Rachel não acreditar no casamento alegando que nunca dá certo. Mas após estar casada ela logo se acomoda na situação deixando seu trabalho de escritora de matérias culinárias para ser uma perfeita dona de casa, esposa e mãe de sua filha. Tudo parece perfeito, ela engravida de um segundo filho e é então que descobre que Mark está tendo um caso. 

Ela parte com a filha para a casa de seu pai. Mas esta decisão não é definitiva para ela que espera que Mark venha atrás dela, que se arrependa, que lhe diga que a ama. Aqui temos o primeiro ponto divergente com o filme Villa Amalia onde Ann após descobrir a traição e seu marido lhe dizer que a ama não aceita mais isto pois perdeu todo o sentido para ela. 

Rachel volta com o marido, nasceu mais uma filha, porém ela não vai demorar a descobrir que ele não deixou a outra mulher, levando-a a uma nova separação. 

Rachel assumiu um lugar de mulher de Mark, dA mulher de Mark, deixando para trás o que ela era, inclusive sua certeza de que casamentos não dão certo e aceitando se casar com ele. Se transformou na esposa e depois em mãe. Passou a cuidar de uma casa, cozinhar e ser mãe. Mark chega um momento que não suporta mais esta vida, ele que sempre foi o solteirão. Não é que não ame Rachel, mas ele não consegue viver neste cotidiano de um casamento.

O filme Villa Amalia é muito mais profundo e nos fala muito mais da subjetividade de uma mulher diante da perda do amor, da infidelidade, do lugar da mulher. Aqui Rachel ainda sonha com o amor, acredita que ao sair de casa ele vera que a ama e o quanto ela faz falta e com isto irá restabelecer o pacto ilusório. Mas Rachel irá descobrir que isto é impossível. Ao voltar ela nunca mais confiará nele, e passa a se angustiar, olhando os bolsos das roupas, sentindo o cheiro a procura da prova do suposto crime. Ele também não vai abrir mão do que deseja, mesmo que queira a família. 

Há um momento no filme que Mark diz a Rachel o lugar que ela está ocupando: - Se não estamos na casa de minha mãe porque você fala comigo como se fosse minha mãe. Este não é o lugar de mulher que Ann ocupa em Villa Amalia. 

Mike Nichols nasceu em 1931 em Berlim, Alemanha e faleceu em 2014 em Manhattan, Nova Iorque, EUA

domingo, 27 de julho de 2014

FILME: JULIE & JULIA - 2009


Direção: Nora Ephron - 2009 
Duração: 123 min


Baseado no livro Julie & Julia de Julie Powetl e no livro Minha vida na França de Julia Child com Alex Prud'homme. 

Baseado em fatos reais

Julia Child (Meryl Streep)  foi morar na França em 1949 com seu marido Paul (Stanley Tucci), um diplomata. Ela não sabia bem como preencher seu tempo e então resolveu se matricular na famosa escola Cordon Bleu da culinária francesa. Para isto teve que enfrentar o preconceito sobre mulheres ali, e principalmente uma americana, que segundo a dona da escola não tinha nenhum jeito para cozinha. Mas Julia conseguiu. Sua vida então passou a ser dedicada à cozinha e escreveu um livro em inglês para as americanas saberem cozinhar como na França.

Julie Powetl (Amy Adams) é uma jovem nova-iorquina que acaba de se mudar para cima de uma pizzaria e que trabalha num local de atendimento para reclamações, suporte emocional para problemas, e informações, um trabalho que não a satisfaz. Pensa então no que poderia fazer para tornar sua vida mais plena e seguindo a ideia de seu marido para fazer um blog opta por cozinhar e se propõe a dentro de um ano cozinhar 534 receitas do livro de Child.

O filme entrelaça a vida das duas em tempos com diferença de 50 anos.

Inicialmente achei Meryl Streep um tanto forçada, com seus olhares e poses, mas o fato é que Julia Child era uma mulher de 1,90 e tinha um jeito de falar como se estivesse dublando um personagem, o que aparece no filme quando Julie assiste os programas de Julie. Então percebi que Meryl conseguiu incorporar seu personagem.

Duas vidas distantes, duas mulheres casadas com bons maridos, mas ambas sem saber o que fazer de sua vida. A cozinha surge para preencher este espaço e dar um sentido, além do prazer que isto proporciona. A persistência e os desafios que ambas enfrentaram, cada uma a seu tempo, mostra que vale a pena insistir em seu desejo e num sonho. De qualquer maneira, como diria o marido de Julie, todos irão sobreviver caso não desse certo, mas o melhor de tudo foi que deu certo.


Assista a Julia Child apresentando na TV:




JULIA CHILD 

JULIE POWETL 

Nora Ephron nasceu em 1941 em New York,EUA e faleceu em 2012 na mesma cidade.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

FILME: JULIA - 1977


Direção: Fred Zinnemann - 1977 
Duração: 117 min

Baseado no relato autobiográfico Peentimento de Lilian Hellman que se baseou na vida de Muriel Gardiner, uma militante do antifascismo e dos direitos da mulher, especialista em crianças criminosas, que foi analisada por  Ruth Mack-Brunswick e se tornou também uma psicanalista para criar uma suposta amiga que se chama Julia.

Julia (Vanessa Redgrave) e Lilian Hellman (Jane Fonda) eram amigas de infância. Julia era de uma família muito rica, mas era pouco amada. Vai estudar medicina em Viena. Lilian se torna uma escritora e vive com o escritor e intelectual Dashiell Hammett (Jason Robards).

Julia irá militar contra o fascismo e acabará sendo violentamente agredida perdendo uma perna. Ficarão anos sem se ver, mas quando Lilian vai à Moscou sua amiga lhe pede um enorme favor, transportar dinheiro que será usado contra o nazismo.

O filme é a história de duas mulheres diferentes, mas que permaneceram amigas até a morte. Durante o filme Lilian irá se recordar de momentos passados juntas na infância, de seus medos, inseguranças ao lado de Julia que era determinada, corajosa. Aos poucos Lilian irá enfrentando estes medos, mas sempre permanecerá por baixo aqueles sinais originários, como numa tela de pintura onde com o passar do tempo surgem por baixo da tinta que se apaga os traços que não foram seguidos pelo pintor, mas que assim mesmo, ficaram ali.

Meryl Streep faz o papel de Anne Marie.

Fred Zinnemann nasceu em 1907 em Rzeszów, Polônia e faleceu em 1997 em Londres, Inglaterra. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

FILME: UM DIVÃ PARA DOIS - 2012


Direção: David Frankel - 2012
Duração: 100 min 
Título original: Hope Springs 
Roteiro: Vanessa Taylor
País: Estados Unidos 

Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) estão casados há trinta anos. Porém, o casamento já perdeu todo seu romantismo e caiu na rotina, já não há mais erotismo, namoro e Kay faz várias tentativas para estimular e cativar novamente Arnold que não funcionam. Ela compra livros para ver se descobre algo novo até que chega a um terapeuta de casais que parece ter a fórmula mágica.

Ela então compra as passagens e marca a sessão com o terapeuta Dr. Feld ( Steve Carell) e consegue "arrastar" Arnold para lá.

Apesar do cômico do filme ele trata de um assunto sério, pois são muitos os casais nesta situação e a insatisfação se instala, porém conformam-se e passam a viver com este vazio e falta. Não será fácil reavivar a chama da paixão, mas para quem pelo menos tenta, há sempre uma possibilidade.

O importante é não se deixar levar pela rotina e se acomodar, e principalmente não acreditar nos estereótipos de que o desejo acaba com a idade. Ele pode ser mais tranquilo do que a fogosa juventude, porém está ali, e a qualquer momento ele se acende, em qualquer idade. Um filme importante para casais que perderam a magia da união, do erótico, do prazer.



David Frankel nasceu em 1959 em New York, EUA.

Musica do filme: I don't want to be your mother - Rachael Yamagata 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

FILME: A CASA DOS ESPÍRITOS - 1993



Direção: Bille August - 1993
Duração: 145 min 
Título original: The house of the spirits 
Roteiro: Bille August e Isabel Allende 
País: Estados Unidos - Dinamarca 

Baseado no livro homônimo de Isabel Allende. 

O filme nos conta a história da família Trueba no século XX no Chile. Um dos meus filmes preferidos. Esteban Trueba (Jeremy Irons) é um homem rude, que encontra um lugar onde construir sua fazenda. Em sua solidão ele acaba estuprando uma índia do local , Transito (Maria Conchita Alonso) o que lhe trará consequências no futuro. Sua irmã Férula (Glenn Close) sempre se sentiu rejeitada e ressentida por não ter podido se casar e viver sua vida, tendo que cuidar de sua mãe portadora de uma obesidade mórbida. Esteban ao notar que precisa constituir uma família fica noivo de uma linda jovem que tem uma irmã pequena Clara que sabe no momento em que vê Esteban que ele será seu marido.

Clara tem visões, ela consegue prever o futuro e prevê a morte de sua irmã o que a faz sentir-se culpada depois levando-a a fazer um pacto de silêncio e não falar mais o que deixa seus pais (Vanessa Redgrave como a mãe) e  muito preocupados. Esteban então resolve pedir a mão de Clara que já está crescida (Meryl Streep) o que ela aceita de bom grado, uma vez que já havia previsto isto, e a partir deste momento ela volta a falar. Eles terão uma filha - Blanca (Winona Ryder).

Clara simpatiza com a irmã de Esteban e quando a mães deles morre ela a leva para morar com eles o que não irá agradar a seu marido levando-o a expulsar Férula da propriedade. Clara lentamente irá se afastando do marido até morrer.

A segunda parte do filme nos traz a história do Chile e do golpe militar e as perseguições políticas. Blanca tem um namorado (Antonio Banderas) que é perseguido. Esteban apoiou os militares, mas assim que tomaram o poder ele é relegado ao ostracismo, e começa a envelhecer sozinho em sua mansão. É quando Blanca é presa pelos militares e levada à interrogatório feito pelo então filho do estupro que deseja se vingar. Neste momento seu pai terá que fazer de tudo para salvá-la dos porões da ditadura e apesar de sempre ter sido contra a amizade de infância de sua filha com o homem que hoje é seu namorado ele também o irá ajudar a escapar.

Um filme belíssimo que nos conta uma linda história de amor, mas também nos relata a história do Chile, das ditaduras da América-Latina.

Recomendo

Bille August

Trilha Sonora de Hans Zimmer


Hans Zimmer nasceu em 1957 em Frankfurt, Alemanha. É compositor.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

FILME: AO ENTARDECER - 2007


Direção: Lajos Koltai - 2007
Duração: 117 min 
Título original: Evening 
País: Hungria

Baseado no livro de Susan Minot 

Ann (Vanessa Redgrave) está em seu leito de morte. Suas filhas estão ali, Constance (Natasha Richardson) e Nina (Toni Collette) e é quando a mãe lhes revela sobre seu único amor Harris (Patrick Burton) o que as deixa desnorteadas e querendo saber mais sobre isto.

Nina está grávida e cheia de dúvidas, tem problemas com o amor. Não sabe o que fazer, qual seria a melhor escolha, mas isto existe?

Fazemos escolhas na vida, nem sempre acertamos, mas tentamos fazer o melhor no momento e temos que aceitar os erros e viver assim mesmo. É impossível não errar na vida.

Ann recorda o casamento de sua melhor amiga Lila (Mamie Gummer) do qual foi madrinha (Claire Danes) e onde conheceu Harris. O reencontro delas é a cena mais bonita do filme, quando Lila (Meryl Streep) a vem visitar.

Ao entardecer da vida quando nos recordamos de nossa vida, do que fizemos ou deixamos de fazer nos faz pensar nas escolhas que fazemos e que podem mudar uma vida.


Lajos Koltai

Trilha Sonora - Jan A.P. Kaczmarek 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

FILME: ÁLBUM DE FAMÍLIA - 2013


Direção: John Wells - 2013 
Duração: 121 min
Título Original: August: Osage County 
Roteiro: Tracy Letts
País: Estados Unidos 

Adaptação da peça de teatro homônima de Tracy Letts 

Meryl Streep está brilhante no filme no papel de Violet, a mãe de três irmãs que se reencontram por ocasião do desaparecimento do pai delas que acaba sendo encontrado morto.



O filme é dramático, tem um excesso visível, mas por outro lado, o que ele nos mostra e desmistifica é o amor incondicional que supõe-se deva existir numa família, e que por ocasião de um funeral deveriam todos se apoiar mutuamente. Mas apesar do excesso, não foge ao que é a realidade da maior parte das famílias, apenas ocultado por baixo de um verniz, uma máscara, onde todos sorriem, se apoiam, mas assim que viram as costas é um mar de críticas, rancores, mágoas. No filme tudo isto vem a tona ali mesmo, um acusando o outro, um jogando para o outro a responsabilidade, um cobrando do outro e todos querendo ter a última palavra, ser o mais forte, ter o poder de mando.

Um casal, no qual cada um encontra uma fuga, ela nos remédios e ele no álcool e nos livros, seu prazer de viver. A história que se repete, a mãe de Violet irônica, mordaz, cruel, ela idem com as filhas e a família e a filha Barbara (Julia Roberts) que segue os passos.



Todos tem seus problemas, dores e dificuldades. Os segredos de família que sempre aparecem em algum momento. Mas nada disto é suficiente para explicar ou justificar o que se vê no filme, a destruição familiar, sua desagregação, onde todos tem dificuldades de estar em seu lugar, seja o de mãe ou pai, seja o de filha ou filha. Não é porque tenho uma mãe assim que vou destruir minha vida, posso ter os traumas, mas também posso olhar para eles de outra forma, e me parece que seja o que Barbara acaba descobrindo ao final do filme.

John Wells nasceu em 1956 em Alexandria, Virgínia, EUA.