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sexta-feira, 18 de julho de 2014

FILME: ANTES DO INVERNO - 2014


Direção: Philippe Claudel - 2014 
Duração: 98 min
Título Original: Avant L'hiver. 

Paul (Daniel Auteuil) é casado com Lucie (Kristin Scott Thomas) e é um neurocirurgião e professor extremamente conceituado em sua profissão. Eles estão casados há muitos anos e tem um filho casado e uma neta. O dia a dia é monótono. Lucie cuida do jardim que é visitado pela sua beleza e ele se dedica totalmente a seu trabalho.Ambos tem um amigo, o psiquiatra Gérard (Richard Berry) que é apaixonado por Lucie e joga partidas de tênis com Paul onde sempre perde.

Um dia ele cruza com uma moça, Lou (Leila Bekhti) que lhe diz que o conhece, que ele operou sua apendicite quando ela era criança, o que ele não se recorda, mas a partir deste momento ele irá sempre se cruzar com esta moça. Ao mesmo tempo ele começa a receber buques de flores na clínica e em casa.

Os buques desencadeiam suspeitas e começam a surgir as questões de uma vida em comum onde o dia a dia e a monotonia acabou afastando o casal. Eles não conversam mais, há um vazio ali. Paul começa a pensar no que poderia ter sido sua vida, e Lou é algo que o comove e o faz pensar no antes, no passado, na vida como ele diz. O que ele não sabe é quem é realmente Lou.

Ele inicialmente desconfia desta moça, acha bizarro ela estar sempre onde ele está, e isto o tira de sua zona de conforto onde vivia. Aos poucos ele se aproxima dela, mas não da forma como ela espera, ele não a procura como mulher, para o sexo, mas sim, para tentar olhar para si mesmo e ao mesmo tempo o faz perceber que a velhice se aproxima, que seu casamento é frio, que o desejo sexual está morto.

Mas nem sempre tudo é o que parece e uma surpresa aguarda Paul em relação à Lou, apesar de que ele parece tê-la tocado uma vez que acabará tendo uma saída drástica para evitar que se concretize o planejado em relação à ele.

Há uma bela cena no filme, uma senhora que será operada de um tumor, ela pede à Paul que guarde os nomes de sua família, todos mortos no holocausto, com receio de se morrer estes nomes nunca tenham sido pronunciados, e se viver, eles podem desaparecer pois pode ser que o tumor que ela carrega seja eles.


Philippe Claudel 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FILME: A FONTE DAS MULHERES - 2011


Direção: Radu Mhaileanu - 2011
Duração: 135 min 
Título original: La source des femmes. 
Roteiro: Radu Mhaileanu - Alain-Michel Blanc- Catherine Ramberg 
País: França - Bélgica - Itália e Marrocos 

Selecionado em Cannes 2011 como longa-metragem. 

As mulheres de uma aldeia situada entre o Norte da África e Oriente médio se rebelam contra os maridos por terem que ir buscar água na fonte enquanto eles passam o dia jogando e bebendo. Tudo tem início quando novamente uma das mulheres grávida cai e perde seu filho ao ir buscar água na fonte. O que elas querem é que a água seja canalizada até a aldeia.



O filme começa com um parto e um aborto. Elas festejam o nascimento, cantam e desprezam a que perdeu o filho e isto revolta Leila (Leila Bekthi) que começa a instigar as mulheres a lutarem por melhores condições e sugere uma greve de sexo que é o único poder que elas tem sobre os homens.



O problema é que as tradições islâmicas são seguidas à risca, e a mulher como procriadora é regra, assim como ser de responsabilidade delas ir buscar a água.

Os homens não aceitam isto, e as mulheres também sofrem, pois por mais que haja regras que para nossa cultura são machistas, as mulheres usufruem do sexo com prazer na aldeia, são eróticas. E a tensão vai aumentar no decorrer do filme.

A mulher do Mulá  é contra, quer manter a tradição e os costumes, mas o que percebo é que no fundo ela tem ciúme e raiva. As mulheres mais velhas já não sobem para buscar água e não podem aceitar que as novas escapem a este destino, que de certa maneira é a sua vingança e satisfação após anos passando pelo mesmo, por também terem caído e perdido filhos. O Mulá pergunta a sua mulher: Por que você sempre defende os homens? nem parece que você é mulher.

A sogra também é contra e ainda diz à Leila que ela lhe roubou seus homens, seu filho e até seu marido que a apoia. Seus falos. Esta sogra que não recriou-se como mulher, mas assumiu um papel social de mulher para tentar ser.

Um aldeia arcaica, elas não tem anticoncepcionais, mas tem celulares. O filho homem é o desejado, a maioria dos bebês morrem. A religião, a tradição e o moderno. Há uma cena hilária, de uma delas em cima de um asno na lida diária falando ao celular e que ao perder o sinal xinga o asno para que ele volte ao local onde tem sinal, ou então quando elas penduram o celular no varal que é o único lugar onde tem sinal.



Mas se a greve é uma forma há outra e muito mais eficaz que é fala, que não se dá pela tecnologia, celular ou TV, mas sim pelas canções que elas cantam. As letras destas canções é o mais importante neste filme, é onde cantam suas dores e alegrias e terminam cantando que a mulher não é a origem da vida, ela é o amor. A terra é fértil como a água, a mulher não é a água, é amor.



A  mulher quer ser amada, precisa amar e ser amada. Só assim floresce e passa a ser respeitada deixando de ser um objeto de uso para o sexo e para o trabalho.



Segundo o diretor Radu Mhaileanu o filme foi inspirado na peça "Lisístrata" de Aristófanes. O filme foi rodado no Marrocos em uma aldeia a 50km de Marrakesh.

Radu Mhaileanu nasceu em 1958 em Bucareste, Romênia. Vive na França .

Trilha sonora de Armand Amar


Armand Amar nasceu em 1953 em Jerusalém, Israel de mãe israelense e pai judeu-marroquino com passaporte francês. Emigrou para o Marrocos.