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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

FILME: RELATOS SELVAGENS - 2014


Direção: Damián Szifron - 2014
Duração: 122 min
Título Original: Relatos Salvajes
Produzido por Pedro Almodóvar
País: Argentina - Espanha

Indicado para o Festival de Cannes 2014 como longa-metragem 

Impactante! São seis pequenas histórias curtas sobre um momento que devido a alguma ocorrência seja cotidiana ou de surpresa acaba em descontrole das pessoas. É apenas o momento que o filme retrata, diferente do filme Um dia de fúria. 
O que vem a tona é o que muitas vezes desejamos fazer, é o desejo de vingança, a pulsão agressiva que sai do controle e atua ao invés de falar ou se voltar contra nós mesmos em muitos casos, ou se transformar em algo mais criativo. 

A primeira história se passa num avião onde de repente todos descobrem que conhecem Pasternak, que sem eles saberem reuniu naquele avião todos seus desafetos, todos aqueles que um dia o traíram, não lhe atenderam ao desejo e pior, o disseram e ainda zombaram dele como sua ex-namorada que o traiu com seu amigo e Salgado (Dario Grandinetti), um crítico musical, que lhe disse o que pensava de sua música. É o dia da vingança. 

A segunda - Las Ratas, se passa num restaurante a beira da estrada num dia chuvoso. Um homem entra no local, Moza (Julieta Zylberberg) o reconhece de imediato, é um agiota que emprestou dinheiro a seu pai que não conseguiu pagar e que por isto se suicidou, em seguida o agiota flerta com sua mãe e agora para o cúmulo ele é candidato a um cargo no governo. A cozinheira Cocinera (Rita Cortese) sugere colocar veneno de ratos em sua comida. 

A terceira tem inicio numa estrada vazia com um belo carro, Diego (Leonardo Sbaraglia) o dirige, ouve música. Em seu caminho surge um carro velho, o motorista parece bêbado ou está provocando, pois dança na pista de um lado para outro impedindo a ultrapassagem. Quando Diego consegue ele abre o vidro e o xinga. Mais adiante o pneu do carro de Diego fura e ele será alcançado pelo outro. 

A quarta - La Bombita - traz Simon (Ricardo Darín), um engenheiro especialista em explosivos, que tem seu carro guinchado por supostamente ter estacionado em local errado. Ele está atrasado para o aniversário de sua filha, mas vai retirar o carro, tenta alegar que não havia nenhuma faixa pintada no local, mas é ignorado. Sua esposa se cansa do que ela diz ser seu pouco interesse pela família e se separa dele, no tribunal ele está perdendo a possibilidade de ver a filha, perde o emprego. O dia de um azarão. Mas vemos que ele tem razão, e percebemos a corrupção do sistema de trânsito, o pouco caso. No dia em que ele vai se candidatar a um novo emprego é tratado como se fosse um idiota, e quanto retorna seu carro foi novamente guinchado. Esta armado o cenário para sua total perda de controle, mas ele o fará com calma e estratégia. 

A quinta história - La propuesta nos mostra uma família rica tentando proteger um filho de responder pelo seu crime, seu pai Mauricio (Oscar Martinez) irá tentar comprar a liberdade do filho, e com isto irá despertar a ganância em seu jardineiro, seu advogado e o inspetor da polícia. 

E por fim a sexta história - Hasta que la muerte nos separe - é sobre uma festa de casamento onde a noiva   Romina (Erica Rivas) descobre que seu noivo convidou uma amante que está ali. É o estopim para uma crise onde ela não sabe o que fazer, o desejo de se vingar que a leva a assumir sua raiva e loucura do momento. 

Muito bom! Um humor negro que nos mostra a faceta das pulsões agressivas e vingativas, mas também deixa claro que em duas histórias temos realmente um bom motivo para estar com raiva e desejar fazer algo, e nas outras quatro há um lado infantil que atua. Seja a moça que culpa o agiota pela morte de seu pai e por terem que se mudar, mas se esquece que foi seu pai quem procurou um agiota e não conseguiu pagar. O belo homem rico que debocha do pobre e o xinga o que não justifica a ação do ofendido que também o havia provocado antes. Pasternak que não aceita que lhe digam Não e um pai e mãe que retiram do filho a responsabilidade por seus atos o protegendo, mesmo que ele queira assumir o que fez, e com sua proposta despertando a ganância de todos o que não terá um bom final. 
No caso de Simon é revoltante ver a corrupção e o roubo, e fica visível que não há o que fazer, uma vez que ele tenta, procura os responsáveis, quer fazer uma queixa, quer provar que está certo. Lembrou muito o Brasil também. E a noiva, bom, qualquer um que descubra que foi traído está sujeito a ter reações inesperadas. 

Estamos diante do Humano, demasiadamente humano, como diria Nietzsche. Aqui não há redenção, provações, aprendizado interior. Aqui temos o dia a dia onde algo vem a ocorrer e eis que de dentro de nós mesmos surge este personagem que muitas vezes nem conhecíamos, o vingador! o que deseja descontar no outro o que sofreu, muitas vezes devido suas próprias fraquezas e erros. 

Damián Szifron nasceu em 1975 em Ramos Mejía, Argentina 

sábado, 11 de outubro de 2014

FILME: INEVITÁVEL - 2013


Direção: Jorge Algora - 2013 
Duração: 95 min 
Título original: Inevitable 

Baseado numa peça de teatro de Mario Diament

Nas ruas de Santiago de Compostela uma mulher caminha com lágrimas nos olhos. Na mesma rua caminha um homem e que quando a vê algo nele se anuncia. Ela também, mas ao invés dele lhe oferecer o lenço e ela olhar para ele, nada disto acontece e cada um segue seu caminho, mas aquele momento ficará para sempre na vida dos dois.

Há coisas na vida que são inevitáveis, como o amor, a morte, as crises pelas quais passamos, os encontros e desencontros, os acasos que nunca são por acaso fazendo parecer que o destino trama seus fios, e mesmo que leve anos esses fios se cruzam novamente. E há coisas que sempre retornam, como o verdadeiro amor.

Fábian (Darío Grandinetti) é um executivo de um banco casado com Mariela (Carolina Peleritti) com quem tem uma filha. Logo no início vemos um mundo capitalista onde o presidente do banco diz que ali eles são como um galinheiro, que os que estão mais alto no poleiro sujam os que estão embaixo. Um dos executivos é chamado após a reunião à sala do presidente, ele e Fábian se conhecem há 20 anos, mas nunca foram amigos, antes de ir ele pede para falar com Fábian que lhe diz que depois falariam e sai da sala, neste momento ele sofre um ataque do coração e morre ali mesmo diante de todos.

Fábian é o escolhido para falar no enterro representando o banco, depois ele está sentando num banco no parque e chega um senhor cego (Federico Luppi) que ele reconhece como um escritor famoso e começam a conversar. A partir destes fatos Fábian começa a questionar sua vida, se é feliz, se é o que sonhou ser. Sua vida em casa é fria, todos são distantes, reúnem-se à mesa, mas mal falam uns com os outros e estão sempre apressados.

No consultório Mariela é confrontada por uma paciente (Mabel Rivera) o que a acorda para sua vida também. Então ela propõe ao marido fazerem uma viagem juntos para a Europa.

Fábian não irá, pois ele acaba de conhecer Alícia (Antonella Costa) uma escultora por quem irá se apaixonar perdidamente a ponto de se tornar obcessivo. Já Alícia em momento algum se apaixonou por ele, mas em troca do cheque pelo quadro diz que lhe deu sexo, o que pode ter um preço alto a pagar.

O final é inesperado, mas nada que fuja ao humano quando temos emoções e da loucura que muitas vezes a vida produz em nós. Eu fico me perguntando, independentemente do final, se um momento não pode valer muito mais do que uma vida inteira que é vivida mecanicamente e sob controle, como aquele momento que vemos logo no início do filme. Por outro lado, podemos ficar presos a estes momentos e impossibilitados de seguir em frente e viver intensamente outras coisas, ou será porque nossa vida não é intensa que ficamos presos?



Jorge Algora nasceu em 1963 em Madrid, Espanha