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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

FILME: LOURDES - 2009


Direção: Jessica Hausner - 2009
Duração: 96min 

Lourdes é um santuário na França nos Pireneus onde a Nossa Senhora apareceu para Bernadete na gruta. As peregrinações ao local são constantes em busca de uma cura milagrosa e também de conforto espiritual.

Christine (Sylvie Testud) é jovem e  sofre de uma doença degenerativa e participa de viagens organizadas pelos obreiros da Cruz de Malta e voluntários. Desta vez ela vai para Lourdes. Não consegue se mover, utiliza uma cadeira de rodas e depende dos outros para tudo, comer, beber, se locomover, vestir. Ela não consegue nem mover as mãos. Nesta viagem ela reencontra um rapaz da Cruz de Malta (Bruno Todeschini) que conheceu em outra viagem, para Roma. Christine está sob os cuidados de uma voluntária, Maria (Léa Seydoux) que também se interessa pelo mesmo rapaz da Cruz de Malta.




Acompanhamos o olhar de Christine por Lourdes, ela fala muito pouco e não é devota, apenas participa de tudo. Ela gostaria de ter uma vida "normal" e olha para os que podem andar, comer sozinhos com uma certa inveja. Sempre que a olham ou falam com ela dá um pequeno sorriso. Ela também será ajudada por Madame Hartl (Gilette Barbier) que não está ali em busca de uma cura, mas para preencher o vazio de sua vida, a solidão e por isto deseja ser útil e passa a cuidar de Christine e a rezar por sua cura.

O grupo com o qual Christine viaja é liderado por Cécile (Elina Lowensohn) que é metódica e séria. Ela diz que ali não se cura o corpo, mas sim a alma.

Em um dado momento Christine conseguirá mover suas mãos e os braços até levantar-se e andar. Esta cura surtirá inveja dos que não foram curados e questões sobre porque ela e não um outro. Ela terá que ser avaliada por uma junta médica que lhe dirá que esta recuperação pode não ser permanente, que pode ocorrer em sua doença. Mas Christine está feliz, ela pode então acompanhar o grupo ao passeio externo do qual estava excluída por ser cadeirante, e passa a ter uma esperança com o jovem da Cruz de Malta, com o qual dançará na festa de despedida. Mas ali ela cairá, e apesar de se levantar e ficar parada um pouco, assim que o jovem se vai, ela se senta novamente na cadeira de rodas e se deixa levar por Madame  Hartl.

O filme nos mostra o que é Lourdes ou qualquer outro santuário onde as pessoas movidas pelo desespero, pela doença, pela solidão vão em busca de um milagre. Mas Deus escolhe os que cura, e seus desígnios são insondáveis. Por que justamente Christine que nem devota é? A esperança de todos ali é encontrar a felicidade, mas esquecem que ela é efêmera e vai e volta. Buscam algo que na verdade está dentro de cada um, a liberdade, mas a maioria fica presa a uma cadeira de rodas ou a uma muleta.

Vemos as pessoas no filme que falam em Deus, rezam, esperam, mas também estão invejando, comentando, falando do outro, criticando, competindo. Sentem raiva e ciúmes. Então temos o palco do ser humano diante dos olhos. Eles não crêem com a fé, eles perguntam o que devem fazer para obter um milagre, para ter sucesso. Então acreditam que aquele que mais rezou, mais pediu é que deveria ser beneficiado com o milagre, como a menina na cadeira de rodas cuja mãe vai todos os anos à Lourdes em busca da cura, e não compreendem que Christine que foi ali para poder sair de casa, viajar é quem recebe a cura. Por outro lado Christine sabe que esta cura pode não durar.

Pessoalmente ainda vou um pouco mais longe, saindo da questão religiosa e da fé, Christine que fala tão pouco durante o filme vai á confissão e diz ao padre que sente raiva, diz o que deseja, e a palavra também tem o poder da cura. Além disto há o desejo e o amor, ela gostaria de poder estar ao lado do rapaz, de ser "normal" acreditando que assim poderia conquistá-lo, como vê Maria fazendo. Esta por sua vez ao perceber o interesse dos dois se afasta de Christine, não lhe dando mais a atenção devida, na hora de se alimentar ou a deixando parada num local na cadeira e indo embora.

Christine traz a força de dentro de si mesma para se levantar, do divino que tem em si, ela não espera uma cura de fora, e talvez esta seja a diferença.

Jessica Hausner nasceu em 1962 em Viena - Áustria 

sábado, 26 de abril de 2014

FILME: ADEUS, MINHA RAINHA - 2012



Direção: Benoît Jacquot - 2012 
Duração: 100 min 
Título original: les adieux à la reine. 
Roteiro: Benoît Jacquot e Gilles Taurand
País: França 

Baseado no livro de Chantal Thomas 

No início da Revolução Francesa o dia a dia no palácio de Versailles onde vivem os reis Maria Antonieta (Diane Kruger) e Luis XVI (Xavier Beauvois). Sidonie Laborde (Léa Seydoux) é a leitora da rainha e totalmente devotada à ela, porém não mantém um relacionamento próximo juntos aos outros serviçais do palácio e nunca fala de si mesma. A Bastilha é tomada e muitos começam a fugir e a abandonar o palácio. Sidonie será incumbida pela rainha a ajudar a mulher pela qual se apaixonou, a Duquesa Gabrielle de Pontignac (Virginie Ledoyen) a fugir do país.

Inicialmente a vida não se altera no palácio com a queda da Bastilha, mas será por muito pouco tempo. O filme não mostra o desfecho dos reis que foram guilhotinados, mas foca principalmente na vida do palácio, nas intrigas, amores, desejos, cobiças, invejas, não apenas entre os nobres, mas entre os serviçais também, deixando bem a mostra um estilo de vida palaciano, onde uma rainha não abre sequer uma porta e os que os servem apesar de todas as formalidades como nunca se virar de costa para sua majestade, também são espertos, roubam, se aproveitam da situação.

Nada é secreto, nada é íntimo, não há nada que se faça num palácio assim que outros não vejam ou não saibam, há olhos e ouvidos em todos os lugares.

O filme foi rodado quase que inteiro no Palácio de Versailles. É a visão de Sidonie que aparece no filme, e também é o seu final que conta, quando ela deixa de ser a leitora da rainha e volta a não ser nada, ou seja, ser do povo, daquele povo que passava fome e necessidades, e que estava desprotegido e foi levado pela burguesia a lutar na Revolução Francesa, e depois, como Sidonie, retornou ao seu lugar.


Benoît Jacquot nasceu em 1947 em Paris, França. 

Trilha sonora de Bruno Coulais. 

Bruno Coulais nasceu em 1954 em Paris, França. É um compositor francês.