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segunda-feira, 18 de maio de 2015

FILME: TERRAFERMA -2012


Direção: Emanuele Crialese - 2012
Duração: 89 min
País: Itália - França 


Filme atualíssimo sobre a questão da entrada de refugiados na Europa, em especial na Itália, assunto que vem sendo notícia quase que diariamente nos noticiários, divulgando o drama destes refugiados que chegam da África fugindo das guerras civis e da fome,  sendo que muitos morrem no mar e da posição cada vez mais restritiva da Europa em recebê-los ou socorrê-los. 

O filme se passa numa ilha que sobrevive da pesca, mas principalmente do turismo, uma vez que a atividade pesqueira está em declínio. Mas a comunidade dos pescadores tem suas leis próprias, e principalmente a de nunca abandonar ninguém no mar. Com as novas leis restritivas eles entram em choque, uma vez que se sentem entre duas situações, ou obedecem ao que acreditam e sempre fizeram ou cumprem a lei, pois do contrário sofrem as punições. 


Filippo (Filippo Pucillo) acompanha seu avô Ernesto (Mimmo Cuticchio) que insiste em manter a tradição pescando no mar, sendo que a maioria ou vendeu seus barcos ou os utilizam para passeios turísticos como Nino (Giuseppe Fiorello), filho de Ernesto e tio de Filippo, cujo pai morreu no mar e de quem era o barco que eles usam para pescar. Um dia eles avistam uma pequena embarcação lotada de pessoas, refugiados. O avô avisa a polícia costeira, porém recolhe a bordo vários que estavam no mar, entre eles uma mulher etíope grávida , Sara (Timnit T.) e seu filho. Como isto é ilegal eles a levam para a casa de Filippo e sua mãe Giulietta (Donatella Finocchiaro) é quem faz o parto da menina que nasce.




As consequências deste ato virão, uma vez que a polícia descobre que alguns deles foram recolhidos pelo pesqueiro e no dia em que eles estão saindo para levar alguns turistas para passear são abordados pela polícia que confisca o barco. 

Há um conflito moral, principalmente para Filippo entre seguir o que fazem os ancestrais e os mais velhos da ilha ou respeitar a lei. Ele vê os efeitos de desrespeitar a lei que recaem sobre seu avô, o medo de sua mãe de serem descobertos. Sara relata para Giulietta que o bebê é fruto de estupro que ocorria na frente do menino. Que levaram dois anos para chegar à ilha. Em um dado momento Filippo está no mar com uma garota, e ao ver os refugiados se aproximarem de seu barco ele tenta ir embora, precisa bater com os remos nas mãos deles para poder ir embora. É uma cena triste, difícil, pois de um lado temos seres humanos que irão morrer afogados e de outro a lei que manda não socorrer. 

Já Nino se preocupa com o turismo, é seu ganha pão, e diz a todos que ali não há refugiados, o que os turistas não desejam ver uma vez que foram para a ilha para descansar e ver belas paisagens, se divertir. Mas tudo muda no dia em que vários náufragos chegam à praia mais mortos do que vivos.  Os moradores estão divididos entre manter tudo em ordem por causa do turismo e a comunidade dos pescadores que tem um código de ética e de humanidade que os leva a socorrer estas pessoas que estão no mar. 

Apesar do filme não se aprofundar muito ele nos dá uma pequena ideia do drama dos refugiados que chegam à Europa pelo mar. Também nos deixa uma lição de ética e moral, afinal, o que fazer? socorrer seres humanos famintos, sedentos, em desespero ou não? ou seguir a lei que determina que não é para recolhê-los? A polícia o faz e os leva de volta de onde vieram. 

Há outra questão que não aparece no filme, mas se nos aprofundarmos um pouco mais na história veremos a responsabilidade da Europa nas guerras civis da África, sejam por causa da colonização, ou das divisões territoriais que elaboraram, ou seja pela manutenção de grupos militares ou até mesmo ditadores em função de interesses econômicos. A fome que existe em vários destes países, a falta de perspectiva, a violência, à qual o ocidente fecha os olhos. É cada um por si. 

O diretor Crialese decidiu fazer este filme após ler a história de uma africana que foi um dos cinco sobreviventes de um barco lotado que passou 21 dias à deriva no mar sem ajuda antes de chegar a Lampedusa, na Itália. "Fiquei hipnotizado pelo rosto dela, por sua expressão. Ela tinha acabado de passar pelo inferno, três semanas em alto mar, com pessoas que os viam, se aproximavam e jogavam água e então os abandonava novamente. E ela parecia ter chegado ao paraíso." disse Crialese. 

É Sara quem representa esta mulher no filme. O filme é uma denúncia à repressão da imigração ilegal. O que vale mais? o Estado, sua fronteira e leis ou a vida humana? O planeta Terra pertence a todos, mas as fronteiras e as leis foram criadas pelo homem. A situação é delicada com certeza e envolve muito mais do que o humanitarismo, mas com certeza não é deixando morrer as pessoas que isto se resolve.

Emanuele Crialese nasceu em 1965 em Roma, Itália. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FILME: AMOR SEM FRONTEIRAS - 2003


Direção: Martin Campbell - 2003
Duração: 127 min
Título original: Beyond borders
País: Estados Unidos - Alemanha 


O filme fala sobre a luta dos que buscam ajudar aos refugiados nos países em guerra ou que passam por situações de fome e doenças. 

Sarah (Angelina Jolie) conhece Nick (Clive Owen) numa recepção em homenagem ao seu sogro, pai de Henry (Linus Roache) com quem é casada. Ele está sendo homenageado por suas doações a pessoas necessitadas. Nick irrompe no meio da comemoração para expor a realidade da África que está bem longe daquele mundo de luxo e sofisticação onde vivem Sarah e o marido. Nick vem acompanhado de uma criança e lhe jogam uma banana. Eles acabam presos e a criança foge sendo encontrada morta no dia seguinte. Tudo isto afeta Sarah que se dispõe a ajudar Nick.



Ela parte para a Etiópia com um carregamento de medicamentos e comida e começa a descobrir a realidade disto tudo. A corrupção, as negociações para que algo consiga chegar ao campo, ela verá cenas terríveis de morte e fome e isto faz com que mude de vida e passe a trabalhar nas Nações Unidas.



O filme nos mostra além da Etiópia e a fome, o Camboja e depois a Chechênia. Paralelamente vemos o desenrolar da vida de Sarah junto ao marido, um casamento que vai se acabando.

Martin Campbell nasceu em 1943 em Hastings, Nova Zelândia. 

terça-feira, 28 de abril de 2015

FILME: VA, VIS ET DEVIENS - 2005


Direção: Radu Mihaileanu - 2005 
Duração: 143 min 
Título em português: Um herói do nosso tempo
País: Israel - França 

Ganhador de nove prêmios e teve outras seis indicações. No Festival de Berlim ganhou três prêmios. Na França ganhou o César de melhor roteiro. 

Filme em co-produção - França, Bélgica, Israel e Itália. 

Um dos mais belos filmes que assisti nos últimos tempos. Chorei, ri e torci. 

O título em português não é ruim, mas a tradução do título seria: Vá, viva e venha a ser. 

O filme inicia com um narrador que nos fala sobre acontecimentos recentes mas que poucos conhecem. Vemos fotos reais ao fundo enquanto ele introduz a história dos judeus etíopes negros, os falashas que segundo a tradição são descendentes do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Milhares saíram da Etiópia a pé e buscaram refugio no Sudão, um país muçulmano apegado as regras rígidas da sharia. No trajeto até ali morreram em torno de 4 mil pessoas de fome, doenças, assassinados, torturados. Em 1985 o governo de Israel com a ajuda dos Estados Unidos organizou uma operação para retirá-los que foi efetuada pelo Mossad, a polícia secreta de Israel com aviões. Eles conseguiram retirar em torno de 8 mil pessoas levando-os para Jerusalém. Tudo isto nos lembra o êxodo dos judeus do Egito até a terra santa, e a operação recebeu o nome de Moisés.



Após a contextualização histórica o filme começa num campo de refugiados. Uma mulher acaba de perder seu filho de 09 anos, é Hana (Mimi Abonesh Kebede), ele morre em seus braços de fome. Naquela noite há um avião, e Hana é uma das escolhidas para ir. Vemos então uma mãe (Meskie Shibru Sivan) que acorda seu filho e ordena que ele vá. Ele não quer ir, não quer deixar sua mãe, mas ela é taxativa - Vá, viva e venha a ser!


Ele então vai com Hana. Na hora do embarque eles perguntam que garoto é aquele se seu filho morreu naquela manhã, mas o médico a socorre e diz que não, que ele conseguiu salvar a criança. Ele embaca com Hana rumo a Jerusalém. A questão é que este menino não é judeu, é cristão, mas terá que se passar por um judeu. Adota o nome do filho morto de Hana, Salomão - Schlomo (Moshe Agazai). O filme irá acompanhar a vida dele até a vida adulta, já nos anos 2000.


É tocante, é belo, é triste, mas é um hino à vida, exatamente o que sua mãe lhe desejou - Vá, viva e venha a ser!, mas ele nunca esquecerá sua mãe, e sempre olhará para a lua, sempre se direciona para o sul onde fica o Sudão, tem um olhar profundamente triste, de dor. Um dia ele sai do lugar onde está acolhido e se encaminha em direção ao Sul, e todos decidem que ele não pode ficar ali, mas é o psicólogo que diz: ele vai para o Sul, onde está sua mãe. Resolvem então que ele tem que ir para adoção. 

Ele será adotado por um casal Yaël (Yaël Abecassis) e Yoram (Roschdy Zem) que já tem dois filhos. Há uma cena onde Yaël é comunicada pela escola que terá que encontrar outra para o menino porque os pais tem medo que Schlomo transmita doenças aos seus filhos. Ela reage, fala o que precisa ser dito e beija, abraça, lambe o menino mostrando que é um ser humano, uma criança e que não oferece nenhum perigo.

Se apaixonará por Sara (Roni Hadar) e ela por ele e ambos terão que enfrentar o preconceito da família dela.



O filme além de mostrar a vida de Schlomo tem como pano de fundo a história de Israel também, como atentados suicidas em Jerusalém, o medo dos ataques com bombas venenosas, a assinatura dos Acordos de Oslo com Bill Clinton entre Yasser Araft e Yitzhak Rabin em 1993, e o assassinato deste último. 

O final do filme é extremamente emocionante, dolorido e belíssimo. 

Schlomo teve que viver sua vida carregando o segredo de sua origem, de sua família, usando o nome de um garoto morto com 09 anos no campo de refugiados. Ele terá que mentir, aprender sobre o judaísmo, tudo isto para viver. Enfrentará o preconceito racista entre os judeus. Até o dia que vai se abrir e dizer a verdade, então saberemos mais sobre sua história e da culpa que ele também carregava, achando que havia sido castigado pela mãe. Somente então ele vai perceber que ela o mandou embora por amor, para lhe salvar a vida. Mas apesar da dor, da separação, das lembranças traumáticas Schlomo irá aos poucos vivendo e finalmente ele poderá vir a ser, ele mesmo. 

É triste vermos que o preconceito, o racismo está no humano, inclusive no meio de um povo que foi um dos mais vitimados por isto, que também teve que fugir, adotar nomes falsos, teve que se converter forçosamente ao cristianismo para salvar a vida, e infelizmente o que vemos é que tudo se repete, mesmo entre aqueles que sofreram a mesma coisa. 

A trilha sonora é belíssima. 


Radu Mhaileanu nasceu em 1958 em Bucareste, Romênia. É judeu e está radicado na França 

Trilha sonora: Armand Amar


Every Time

Toda vez que você diz adeus
Quebra meu coração um pouco
E, para cada vez que eu fiz você chorar
Você sabe que eu morro um pouco
Porque eu te amo...
Eu te amo como o trovão ama o 
relâmpago...
Como o vento ama a chuva

Toda vez que você diz adeus
Eu vejo o amor é...
Eu vejo o amor é uma força e uma 
fraqueza
E, para cada vez que eu fiz você chorar
Eu sinto a ternura
E o amor que há entre nós

Oh quando você andando 
na sombra do vale
Oh eu vou estar andando a seu lado
Para tirar a escuridão longe

segunda-feira, 27 de abril de 2015

FILME: INCH' ALLAH - 2011


Direção: Anaïs Barbeau-Lavalette - 2011
Duração: 101 min
País: Canadá - França 

Chloe (Evelyne Brochu) é uma médica canadense que trabalha para as Nações Unidas e vive na Cisjordânia ocupada por Israel atendendo palestinas que vivem do outro lado do murro que separa os palestinos dos israelenses. Ela se sensibiliza com a situação as pessoas que vivem ali e acaba se envolvendo mais do que seu chefe acha que deva fazer lhe lembrando que deve ser fria. 

Ela é amiga de Ava (Sivan Levy), uma israelense que trabalha no posto de controle para a passagem entre o campo de refugiados onde vivem os palestinos e o lado israelense. Acaba se aproximando de Rand (Sabrina Ouazani) uma de suas pacientes e com ela convive mais de perto com os refugiados conhecendo seu drama. 

O filme retrata o conflito entre israelenses e palestinos sob a ótica de uma mulher, tanto a diretora do filme como a médica Chloe. Apesar de mostrar o conflito e o drama das pessoas o foco do filme é o olhar da médica, uma estrangeira ocidental e como ela reage a tudo isto.



Chloe acaba se envolvendo com o irmão de Rand, Faysal (Yousef Sweid) que faz parte da resistência Palestina, ou como alguns chamariam, de grupo terrorista.  Se no início do filme Chloe procura se manter neutra transitando entre os dois lados sem tomar partido, é após ver um jipe israelense atropelar e matar uma criança de forma proposital que ela repensa sua posição e tende mais para o lado palestino. 

Não vou entrar aqui na questão deste conflito, de quem está certo ou não, fato é que Israel tomou posse do território e deslocou inúmeros palestinos de suas casas, construindo o murro que divide a cidade. Mas vou focar na questão de uma estrangeira no meio disto tudo. Da dificuldade de se olhar para um outro ser humano e ter que ser fria com ela, o que Chloe não consegue mais ser após a morte do menino envolvendo-se com a família. Ela consegue inclusive uma permissão para que eles possam ir ver onde moravam antes, os escombros da casa, onde nasceram e viveram em paz durante anos antes do conflito.

Porém quando Rand dá a luz, Chloe está em Tel Aviv, e demora para chegar. Eles não conseguem transpor a barreira israelense para chegar ao hospital e a criança nasce no carro vindo a morrer em seguida por falta de oxigênio. Neste momento Rand se volta contra Chloe alegando que foi devido sua demora que a criança morreu, dizendo que quem está dos dois lados não está de nenhum lado. Rand acaba se transformando numa mulher bomba. 

Se por uma lado temos a humanidade, e estamos diante de outro ser humano que sofre, de outro há toda uma questão cultural, histórica e de guerra que separa, e isto faz com que Chloe não possa se aproximar de Rand como uma amiga. É a dificuldade e o drama que enfrentam os que trabalham nestes campos de refugiados em todo o mundo. Até que ponto posso me aproximar e me envolver, se é que posso? Até que ponto vai minha humanidade neste caso diante de outro ser humano? Uma linha tênue, tão tênue quanto o murro construído para separar os dois lados. 

Anaïs Barbeau-Lavalette nasceu em 1979 em Quebec, Canadá

sábado, 25 de abril de 2015

FILME: SAMBA - 2014


Direção: Eric Toledano e Olivier Nakache - 2014
Duração: 118 min
País: França

Festival Varilux de cinema francês 2015 

Samba (Omar Sy) está na França há 10 anos, mas não tem o visto permanente. Ele veio do Senegal e vive com seu tio que já conseguiu a permanência no país. Ele vai a uma ONG que procura ajudar estas pessoas e lá conhece Alice (Charlotte Gainsbourg) que está ali como parte de sua recuperação após surtar em seu trabalho durante uma reunião. Apesar de sua colega Manu (Izïa Higelin) lhe avisar que é preciso manter distância e não se envolver não é o que acontece e Alice se sente atraída por Samba. 

O filme retrata o que é a vida de um imigrado clandestino que precisa viver e comer e para isto se disponibiliza para os trabalhos mais simples ou perigosos que outros não querem fazer. Há toda uma conivência da sociedade nisto, pois eles são procurados pelos contratadores para os trabalhos temporários que fazem. Estão sempre usando uma carteira falsa, e mudam de nome constantemente, e isto é sabido pelo que contrata. Até o momento em que a polícia chega para uma averiguação e começa a corrida para se safarem e não serem presos.



Samba em sua tentativa para obter o visto não consegue, ele não tem família na França, não é casado, não tem filhos. Ele teria que deixar o país, mas nenhum deles faz isto. Continuam nesta vida. Ele acaba conhecendo Wilson (Tahar Rahim) que se faz passar por um brasileiro, mas que é árabe e se ajudam. Apesar de tudo eles também tem momentos de diversão, e a ONG também promove festas onde uma das que lá trabalham se diverte muito (Hélène Vincent).

O Brasil aparece sutilmente durante o filme de várias formas, em músicas que são tocadas, em uma frase dita em português, e no nome do protagonista se referindo ao samba. 

O assunto é sério, porém o filme o trata mais com humor, não tem a intenção de ser político nem de fazer denúncias, apesar de ser um tema polêmico, principalmente na França e também neste momento com a questão na Itália. 

Eric Toledano e Olivier Nakache

Jorge Ben Jor - Take it easy my brother Charles

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FILME: EM UM MUNDO MELHOR - 2010



Direção: Sussane Bier - 2010
Duração: 113 min 
Título Original: Haevnen
Roteiro: Sussane Bier e Anders Thomas Jensen
País: Suécia - Dinamarca

Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Golden Globe Award

Um filme excelente que permite várias leituras e sobre vários temas.

Talvez o nome do filme seja significativo sobre se referir à Dinamarca, supostamente um país de primeiro mundo, de bem estar social, superior até, mas que se mostrará que não é quando se trata do humano, pois se há algo que é universal é o ser humano. O contexto pode ser outro, mas ao final os sentimentos, as paixões, o ódio, a raiva, o amor, estão presentes em todos.
O ponto forte do filme é mostrar como respondemos ao mal e suas raízes na infância.
Anton (Mikael Persbrandt) é um médico e está na África no meio dos confrontos e da guerra local, onde a população é aterrorizada por um bando armado que comete vários estupros para se divertir e depois apostam se o filho gerado na violência será menino ou menina, e para ver quem ganhou capturam a vítima e lhe abrem o ventre.Cabe a Anton tentar salvar suas vidas.


Enquanto isto sua família está na Dinamarca e seu filho mais velho Elias (Markus Ryggard) enfrenta uma situação difícil na escola de Bulling. O chamam de cara de rato, sueco que ali é pejorativo devido à história da Dinamarca, Suécia e Noruega, até que chega à cidade um garoto, Christian (William Johnk Nielsen) ,  que acaba de perder a mãe e vai morar na casa da avó. Este irá defender Elias de seus agressores e irão se tornar amigos.



Anton  volta para casa para um tempo de descanso.



Ele e sua esposa são chamados na escola, a mãe tenta defender seu filho e acusa a escola de não tomar providências em relação ao bulling. O pai tenta amenizar as coisas.
Num passeio com os filhos e Christian, Anton é agredido pelo pai de outra criança quando tenta acalmar os ânimos de uma briga de criança. Ele não revida e tenta ensinar aos filhos e ao amigo que cada um pode ter sua escolha, ser violento gera violência e que o mundo pode ser um lugar melhor. Depois ele retorna em busca deste pai, o provoca, mas na esperança que ele peça desculpas, o que este não faz, e novamente ele se vai com os meninos sem ter dado uma resposta ao outro. E aí está a questão. Por mais errado que seja, o pai do outro menino deu uma resposta à violência, e Anton não. Para os meninos, ele foi humilhado. Eles não tem a percepção de Anton, que estaria sendo melhor que o outro, e isto por que a cultura e o social colocam desta forma, é o que se espera. E esta ação de Anton irá ter consequências.



Ele volta para a África e se vê numa situação extremamente complicada. O chefe do bando está ferido, entre a vida e a morte e o levam até ele. E agora? Ele acabará agindo de acordo com a ética médica e salvará a vida do monstro. A população local ficará revoltada.
Quando o chefe se recupera ele vai até a tenda onde Anton está tentando salvar a vida de mais uma jovem, e debocha, ri, então ele reage e o joga para o povo lhe dar o que merece, ele é linchado.
E eu fico com a pergunta: ele não estaria lavando as mãos como Pilatos durante todo o filme? tentando conter uma agressividade que todos nós temos? para dar um exemplo ao filho, por acreditar num mundo melhor, ele acaba sendo de certa forma omisso. Ao ser agredido pelo pai do outro garoto, ele não precisa revidar da mesma maneira, mas uma resposta é necessária, e por que não chamar a polícia como disse Christian? esta seria uma maneira de ensinar a dar uma resposta sem revidar na mesma moeda e teria tranquilizado os garotos.
No caso do bulling, se ele tivesse agido com firmeza, apoiado sua esposa, e exigido da escola uma ação, colocando nela sua parte de responsabilidade?
Christian também tem seus problemas, seu pai está sofrendo a perda da esposa, o menino pensa que poderia ter salvo a mãe, falta diálogo, falta verbalizar o que sentem.
O filme nos mostra que muitas vezes as boas intenções nos levam a omissão, ao calar, e que nem sempre isto leva a um mundo melhor. Que o mundo é feito de coisas boas e de coisas ruins, que o mau existe, e que a agressividade também faz parte de nós, e que mesmo num mundo melhor ainda teremos que lidar com isto e que é necessário uma resposta melhor a estas situações.



Ainda resta muito a se falar sobre este filme, mas não damos conta de tudo, portanto o que escrevo aqui é o que me marcou, o que o filme deixou em mim.

Assista ao trailer




Sussane Bier nasceu em 1960 em Copenhagen, Dinamarca. 

Curiosidade: O título do filme é Haevnen em Dinamarquês, e significa Vingança.