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terça-feira, 8 de julho de 2014

FILME: A VIDA É BELA - 1997


Direção: Roberto Benigni - 1997
Duração: 116 min
Título original: La vita è bella 

Ganhou três Oscar de melhor ator, melhor filme estrangeiro e melhor trilha sonora

O Filme é dedicado à memória do pai de Roberto Benigni que foi para um campo de concentração e ao relatar sua experiência procurava amenizar as coisas para que os filhos não sentissem o que ele passou.

Anos 30/40, Guido (Roberto Benigni) é um judeu que se muda do campo para a cidade. Apaixona-se por Dora (Nicoletta Braschi)  e se casam tendo um filho chamado Josué Guido. Esta primeira parte do filme é leve, gostosa, cômica. Guido é alegre e brincalhão e diverte a todos. Porém a segunda guerra começa.

Guido e seu filho são capturados e levados para um campo de concentração, a mãe decide ir junto, mas será separada deles. Guido então decide amenizar esta dura realidade para seu filho e lhe diz que é tudo um jogo e que quem fizer 1000 pontos levará para casa um tanque de guerra.

Com isto ele muda a realidade vivenciada para seu filho do horror para a fantasia, da realidade para um jogo. Mas para Guido é o confronto com o Real indizível e que ele leva para a fantasia dentro de um quadro de horror e total desamparo, para que tanto ele quanto seu filho possam ainda de alguma maneira viver, o que ele conseguirá para seu filho.

Fico pensando no que ocorre a um sujeito em uma situação extrema como um campo de concentração, onde tudo que ele tinha antes, onde se sentia seguro, onde havia o familiar, desaparece. Ele não tem mais nenhum poder sobre si mesmo, está totalmente à merce do outro e de sua vontade. A realidade que se transforma num real terrível. Ele perde toda a ilusão que possuía e que dá colorido à vida e se vê diante do total desamparo. Como proteger seu psiquismo disto? a si mesmo e aos que ama?

E Josué? que viveu uma fantasia, onde ao final do filme ele se ilude achando que o tanque dos aliados que libertam o campo é seu prêmio? Mas por outro lado, qual seria o efeito devastador da crueza e o real do campo para uma criança? e quantas passaram por isto.

A questão é que Josué ao crescer irá se defrontar com a história e os relatos dos campos e irá perceber que viveu uma fantasia e pensará em seu pai. Há como escapar apesar de tudo a esta herança psíquica? principalmente quando se viveu ali? Mas ele poderá transformar esta fantasia em uma maneira de dar sentido ao que não tem sentido, ou seja, a vida. Quando se escolhe viver é preciso construir esta vida, é o desejo, e não o por que?.

Podemos tirar uma lição importante do filme, de como tentar sempre construir algo simbólico em torno do real, por pior que seja.

A atriz Marisa Paredes faz o papel de mãe da Dora.

Roberto Benigni nasceu em 1952 em Castiglion, Fiorentino, Itália. 


Trilha sonora de Nicola Piovani 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FILME: O QUARTO DO FILHO - 2001



Direção: Nanni Moretti - 2001 
Duração: 99 min
Título Original: La stanza del figlio 
País: Itália 

Ganhador do Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2001 

Giovanni (Nanni Moretti) é um psicanalista, seu filho Andrea (Giuseppe Sanfelice) morre num acidente.

No dia do acidente ao invés dele ir correr com o filho foi atender ao chamado de um paciente em sua casa que estava mal. Era domingo. Ele irá se culpar, acreditar que se tivesse ido correr poderia ter contido a vida, impedido a morte do filho. Começa a ter problemas com sua profissão, não consegue mais ouvir os pacientes, e sente raiva daquele que o chamou.



O quarto do filho onde ele era ele, Giovanni tenta recuperar o filho pelas coisas que ele gostava, fazia, tem uma imensa dificuldade em lidar com o luto e aceitar a morte. Deixa de ser analista. Não procura ajuda com outro profissional, o paciente de quem sente raiva deixa ele mesmo a análise, pois ele não tem coragem de dizer o que sente e assumir que não podia mais ouvi-lo.



Um filme sobre a dificuldade de aceitar, de compreender que a vida e a morte são faces da mesma moeda, e que não somos Deus, não podemos evitar o que não pode ser evitado. Não somos onipotentes.



Assista ao trailer: está em inglês


Nanni Moretti


Trilha sonora de Nicola Piovani

Nicola Piovani nasceu em 1946 em Roma, Itália. É compositor