Os livros sempre fizeram parte de minha vida, meus pais liam muito e na minha casa sempre teve uma biblioteca. Leio pelo prazer de ler, mas também para estudos e o mais importante, para me refletir no outro e muitas vezes encontrar respostas para minhas dúvidas, medos, conflitos. E gosto muito de filmes, pelo mesmo motivo.
Este blog surgiu para compartilhar minhas leituras e filmes que assisti, mas sem me estender muito nem efetuar uma análise crítica.
Direção: Julian Jarrold - 2007 Duração: 120 min Título original: Becoming Jane Roteiro: Kevin Hood e Sarah Williams País: Reino Unido
Uma cinebiografia da escritora Jane Austen.
Em 1795 Jane Austen (Anne Hathaway) então com 20 anos começa sua vida de escritora. Seus pais (Julie Walters e James Cromwell) desejam que se case com um homem rico, mas ela se apaixona por Tom Lefroy (James McAvoy). O candidato que seus pais desejam é o Sr. Wisley (Laurence Fox), neto de Lady Gresham (Maggie Smith) e não se conformam, principalmente Lady Gresham com sua recusa. Tom é um malandro que acabará se casando com outra mulher. Jane nunca se casará e viverá sua vida como escritora.
Com a desaprovação familiar Jane e Tom fogem, mas no meio do caminho ela irá se arrepender e retornará para sua casa. A era vitoriana, os casamentos por interesse, Jane sonhava com um casamento por amor. O Tio de Tom também não aprovava o casamento, e deserdará o sobrinho caso ele insista nisto.
Seus livros se baseiam muito em sua experiência de vida, a ponto de me levarem a pensar qual é a realidade e qual é a ficção quando analiso os filmes baseados em seus livros, principalmente Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade.
Julian Jarrold nasceu em 1960 em Norwich, Norfolk, Reino Unido.
Direção: Kevin MacDonald - 2006 Duração: 122 min. Título Original: The last king of Scotland Roteiro: Peter Morgan e Jeremy Brock País: Reino Unido Baseado no livro de Giles Foden
A história sobre Idi Amim Dada ditador de Uganda de 1971 à 1979 é baseada em fatos históricos e verídicos, mas é relatada por um médico fictício.
Nicholas Carrigan (James McAvoy) acaba de se formar médico, mas ao invés de ficar na Escócia e seguir a carreira ao lado do pai decide que vai para outro lugar. Roda o globo terrestre com a decisão de onde parasse seria o local para onde iria. Primeiramente para no Canadá, mas ele resolve rodar novamente e cai em Uganda, na África.
O país acaba de sofrer um golpe de estado e Amim (Forest Whitaker) assumiu o poder. Inicialmente é ovacionado pelo povo que o recebe de braços abertos. Nicholas está em um lugar no interior trabalhando com outro médico quando Idi Amim vai fazer uma visita ao local e sofre um acidente machucando a mão e é socorrido pelo jovem médico. Após isto o ditador o convida para ser seu médico pessoal e ele apesar de relutante acaba aceitando e se vê sendo eleito conselheiro pessoal do presidente.
A juventude e a vontade de viver novas experiências deixam Nicholas cego no início. Acredita que Uganda tem um bom presidente e que está se libertando do jugo dos britânicos, os quais o médico como escocês não aprecia muito, e por isto se recusa a ajudá-los com informações. Mas aos poucos ele irá percebendo que nem tudo é flores, e que o ditador está eliminando qualquer um que se oponha a ele, e também é um tanto quanto insano e infantil. Quando percebe que deve ir embora é impedido e tem seu passaporte confiscado. Ele está retido ali.
O pior virá quando Nicholas se envolver com uma das esposas de Amim, o que levará a ela à morte e ele sofrerá o castigo ancestral de ser pendurado pela pele para que a maldade saia de seu corpo. Isto ocorre no aeroporto enquanto reféns de um sequestro estão ali. Um avião está para decolar levando parte dos reféns e com a ajuda do outro médico ele consegue embarcar e fugir para poder falar ao mundo o que está acontecendo ali.
O filme mostra um lado mais humano de Amim, deixando para o final do filme o sanguinário ditador que ele foi. Durante seu regime é estimado que ele tenha matado em torno de 300 mil a 500 mil pessoas. Exilou-se na Arábia Saudita e faleceu em 2003.
Kevin MasDonald nasceu em 1967 em Glasgow, Escócia, Reino Unido.
Trilha sonora de Alex Heffes
Alex Heffes nasceu em 1971 em Beaconsfield, Buckinghamshire, Inglaterra. É um compositor
Direção: Joe Wright - 2007 Duração: 123 min. Título original: Atonement Roteiro: Christopher Hampton País: Reino Unido Venceu o Oscar de melhor trilha sonora e Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme dramático e de melhor trilha sonora.
Baseado no livro Reparação de Ian McEwan
Briony Talles (Romola Garai) tinha 13 anos quando viu algo que não compreendeu da forma correta e isto irá desencadear mudanças radicais na vida de várias pessoas, e principalmente de sua irmã mais velha Cecilia (Keira Knightley) e de seu amante Robbie Turner (James McAvoy). Ela acusará Robbie de um crime que ele não cometeu.
Robbie era filho do caseiro onde moravam as irmãs e tinha muito carinho por Briony que era uma criança solitária, imaginativa e que escrevia. Ao ver de sua janela uma cena na fonte com sua irmã e Robbie ela vai interpretá-la como uma violência, mas também veremos a cena pelo olhar dos dois onde há um flerte, um jogo de sedução. Para a criança, pois nos anos 40 ter 13 anos é ainda ser bem infantil, a sexualidade lhe surge aos olhos como uma agressão, ao contrário do que ocorre com sua irmã.
Podemos deduzir que Briony tem uma paixão infantil por Robbie ou até mesmo ciúmes de sua irmã ou dele. Ela também os surpreendera em uma relação sexual o que a chocará profundamente, além de uma carta infeliz com palavras mais vulgares que Robbie escreve sobre o que sente por Cecilia. Tudo isto se somará para ter o desfecho que teve quando uma das convidadas da casa é estuprada e não quer dizer quem foi. Talvez Briony deseje realmente defender sua irmã, mas pode ser também sua vingança, e ela contará para sua mãe tudo o que imagina ter visto o que resultara na prisão de Robbie acusado de estupro.
Inicia-se a Segunda Guerra mundial, Robbie terá que lutar e morrerá e sua irmã após deixar a casa dos pais busca refúgio em um túnel para se esconder das bombas e também morrerá ali. Mas também veremos o casal Robbie e Cecília vivendo juntos e quando Briony já adulta, uma enfermeira vai visitá-los terá que enfrentar o ódio dele e será expulsa dali.
Muitos anos depois Briony é uma mulher idosa (Vanessa Redgrave) , escritora, e esta segunda versão faz parte de um livro que ela escreveu onde procura reparar o mal que causou fazendo com que os dois vivam juntos e ela seja tratada como pensa merecer devido sua culpa. Na realidade os dois morreram.
Não foi Robbie que estuprou a convidada e ele pagou por isto por causa do que Briony contou à sua mãe, assim como sua irmã.
Claro que escrever uma nova versão para os dois não os traz de volta nem muda o que lhes aconteceu, mas para ela é uma forma de lidar com isto. Ela cometeu um erro, enxergou algo de acordo com o que lhe era possível ou desejado ver naquele momento, e quantas vezes não fazemos isto? eu diria que quase diariamente vemos cenas na rua, em casa, no trabalho e pensamos algo a respeito que nada garante ser a realidade que está ocorrendo ali. O erro foi falar sobre isto causando com isto a prisão de alguém. Mas como julgar uma menina de 13 anos que se vê no meio de um tumulto, com policiais, diante de uma violência, de um suposto crime de estupro? E se ela não falasse e ele realmente fosse tudo aquilo que ela pensou dele? Mas, quando fazemos uma escolha temos que assumir a responsabilidade por ela.
A escrita é uma forma que temos de lidar com os fantasmas e também de se redimir de algo, reparar algo, de dizer que não havíamos feito antes. Quantos relatos temos de sobreviventes, de traumatizados? que justamente buscam desta forma dar um destino e um lugar para o que carregam dentro de si? E esta foi a forma que Briony encontrou de reparar o que ocorreu antes antes e de amenizar a culpa que carregou por toda sua vida. Porém, há um detalhe, quem poderia ter evitado tudo isto, a suposta vítima de estupro, se calou.
Direção: Michael Hoffman - 2009 Duração: 112 min Título original: The last station ~ Roteiro: Michael Hoffman País: Estados Unidos Baseado no romance biográfico homônimo de Jay Parini.
O filme fala dos últimos anos de Tolstói, em 1910. Leon Tolstói (Christopher Plummer) , o grande escritor russo vive em sua propriedade Yasnaya Polyana, no entanto ele rejeita a propriedade privada e defende o pacifismo.
Sua esposa Sofya Andreyevna (Helen Mirren) se opõe ao movimento que cresce e transforma Tolstói em um santo vivo, o movimento mundial Tolstoiano que é dirigido pelo grande amigo de Tolstói, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti). É ele quem entrevista o candidato a secretário do escritor Valentin Bulgakov (James McAvoy) que se tornará também escritor. A intenção de Chertkov e que Valentin seja uma ponte entre ele e Tolstói, uma vez que está impedido de vê-lo.
Sofya não aceita que o marido se dedique ao movimento, e suspeita que ele tenha assinado um testamento cedendo todos os direitos autorais de suas obras a eles. Ela vai lutar para que isto não aconteça, porém Tolstói fugirá dela, acompanhado de sua filha e Chertkov e durante esta fuga contrairá pneumonia vindo a falecer.
Sofya era da aristocracia, e com certeza visava seu patrimônio e de seus filhos, mas o que choca é a forma como a afastam de seu marido que a amava apesar disto e ela à ele. Estavam juntos há 48 anos e tiveram 13 filhos. Ela é afastada de sua vida por ele que acredita que deva se dedicar à sua causa e pela sua filha e o amigo do marido, a ponto de não permitirem que ela o veja quando está em seu leito de morte, apesar dela ter ido até lá. O que eles não queriam era que sua presença destruísse o ícone que fizeram dele
Quando ela lutava, brigava e falava o que sentia a tratavam como louca e ele acaba assinando o testamento após relutar muito por causa de Sofya e foge. Após sua morte a justiça restituiu os direitos autorais à ela.
Sofya pertencia ao seu mundo, e não poderia concordar em doar tudo aos pobres. Por outro lado as obras eram de Tolstói, ele as escreveu e lhe pertenciam, tinha o direito de fazer com elas o que desejava, e ele desejava torná-las de domínio público, pois acreditava tê-las escrito para o povo e não para fazer fortuna.
Não havia o certo e o errado, cada um tinha seus motivos e que estavam de acordo com a época e situação em que viviam e que respondiam às suas crenças.