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domingo, 29 de maio de 2016

DOCUMENTÁRIO: SIMONE DE BEAUVOIR E O FEMINISMO - 1959/2007



- Uma mulher atual - Dominique Gros - 2007
- Porque sou feminista - Jean-Louis Servan-Schreiber - 1975
- Simone de Beauvoir fala - Wilfrid Lemoine - 1959 

Este DVD da Versátil nos traz três documentários de Simone de Beauvoir com raras entrevistas com a filosofa, escritor e ativista política francesa.

- Uma mulher atual eu já havia assistido e está postado aqui no Blog. 

- Porque sou feminista (Pourquoi je suis feministe)  - neste documentário Simone é entrevistada por Jean-Louis para o programa "Questionnaire". Fala sobre as mulheres, de como se deu conta da condição destas e sobre a escrita do Segundo Sexo. Lembra que mesmo os da esquerda não olham as mulheres como vulneráveis, uma vez que a luta deles é a de classes não de gênero, e a esquerda também é composta por homens. Diz que nunca se sentiu ela mesma tolhida, porém foi olhando ao seu redor que percebeu a opressão, a maneira como uma sociedade constitui o gênero. 

- Simone de Beauvoir fala - Esta é uma entrevista filmada em Paris pela Radio-Canada, que censurou sua difusão por pressão do arcebispo de Montreal. Aqui ela fala sobre suas ideias, sobre o existencialismo, religião, o casamento, o amor livre. 


Os três documentários nos trazem o perfil de Simone por ela mesma, sua liberdade, curiosidade, sua relação com Sartre e com os intelectuais franceses, a literatura, seus engajamentos políticos. 

Jean-Louis Servan-Schreiber nasceu em 1937 em Boulogne-Billancourt, França.

Wilfrid Lemoine nasceu em 1927 em Québec, Canadá e faleceu em 2003. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

DOCUMENTÁRIO: SIMONE DE BEAUVOIR - UMA MULHER ATUAL - 2008



Direção: Dominique Gros - 2008 
Duração: 51 min 
Título original: Simone de Beauvoir une feme actuelle 


Documentário sobre Simone de Beauvoir com alguns apanhados de momentos de sua vida enfocando mais o período do pós-guerra, a guerra da Argélia, sua ida para os Estados Unidos, e principalmente seu livro O Segundo Sexo e sua autobiografia que ela escreveu em vários volumes.


Escolhi iniciar meu blog com Simone de Beauvoir devido sua forte influência em minha vida e formação intelectual quando eu tinha 20 e poucos anos. Li toda sua autobiografia a começar por Memórias de uma moça bem comportada onde fala de sua infância até seu encontro com Sartre e a morte de Zaza, sua melhor amiga.

O documentário fala sobre sua militância política e suas posições a favor da independência da Argélia indo contra a vontade da França o que a colocou numa posição delicada perante os franceses, mas ela não recuou, era contra o colonialismo. Também se opôs a guerra do Vietnã. Na segunda guerra ela era contra os nazistas e os colaboradores, porém não encontrou uma forma de agir contra isto, o que não ocorre mais depois quando se manifesta, assim como Sartre.

Simone escreveu O Segundo Sexo que foi um dos marcos iniciais, senão o principal, do movimento feminista defendendo a liberdade da mulher. Ela dizia que uma mulher oprimida e em casa também oprime seu marido que ao invés de estar engajado irá ficar em casa e ver televisão, alegando desta forma que era de interesses políticos a manutenção da opressão. Sua famosa frase "Não se nasce mulher, torna-se mulher" ela irá estendê-la aos homens também, dizendo com isto que não é um destino biológico, mas social e cultural e que é possível romper e construir sua própria vida.

O Documentário também falara de sua vida amorosa, e traz a tona o fato de que ela e Sartre deixaram de ter relações sexuais depois de 7/8 anos juntos, mas mantiveram uma vida sexual ativa com outras pessoas. Se por um lado Simone irá se relacionar com mulheres para oferece-las à Sartre, por outro viverá um grande amor com Nelson Algren, um escritor americano. Terá também relacionamentos amorosos com Bost e Claude Lanzmann.

São feitas leituras de suas obras, escritos, cartas, mas ela também surge no documentário falando. Pela primeira vez vi Simone com os cabelos soltos e pude perceber uma beleza que ainda não havia notado, uma vez que normalmente suas fotos ela está de turbante ou com um coque. Há uma beleza delicada em seu rosto com os cabelos soltos.

Ela sempre dizia que se devia dizer tudo, toda a verdade. Acreditava que podia encontrar a verdade, o que eu pessoalmente não acho possível. Não se constrangia para dizer ao outro tudo, mas esquecia que o outro nem sempre se sentiria bem com isto, da mesma forma que ela reconhece que o acordo que ela tinha com Sartre e que faria com que nunca se separassem havia esquecido o outro, e isto trouxe sofrimento, principalmente para Nelson Algren e para algumas mulheres na vida de Sartre.

Simone também escreveu sobre a Velhice. Quando ela se viu diante deste momento opta por então apreender tudo sobre isto e ficará chocada com o que vai ver e depois escreverá em seu livro.

Seu pior momento foi a morte de Sartre. Foi internada e muitos acreditaram que ela não sobreviveria, mas ela conseguiu e retomou a vida. A vida que quando jovem ela pensava que a tinha toda para viver, para descobrir na velhice que ela não é algo que temos, mas algo que passa.

Foi uma filosofa existencialista e foi uma grande pensadora. Escreveu romances onde se expunha de outra forma, escreveu sobre sua vida e escreveu livros sobre a Mulher, a Velhice que foram marcos iniciais em grandes mudanças que  teriam início e continua atual, pois ainda não podemos dizer que a mulher atingiu sua emancipação, e nem podemos dizer que os velhos são considerados como pessoas sábias que merecem todo o respeito, e que são capazes de decidir e também de desejar.


Assista: http://tvhumana.com/2014/05/28/selecao-humana-simone-de-beauvoir-pensadora/

Dominique Gros nasceu em 1951 na França.