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domingo, 22 de fevereiro de 2026

LINGUAGEM, MEMÓRIA E ESCRITA

 

CADERNOS DA GUERRA E OUTROS TEXTOS

MARGUERITE DURAS

ESTAÇÃO LIBERDADE – 1ª ED. – 2009

384 páginas

Cadernos da Guerra e Outros Textos, de Marguerite Duras, reúne escritos que refletem sobre a experiência da guerra, da ocupação e da resistência, abordando os efeitos do conflito na vida individual e coletiva. A obra é marcada pelo estilo conciso, fragmentário e intimista de Duras, que combina memórias, testemunhos e reflexões filosóficas, revelando a dimensão humana da violência e da opressão.

O livro nos conduz pelo olhar sensível da autora sobre o cotidiano da guerra, os dilemas morais e éticos enfrentados por quem resiste, e a forma como a memória da violência molda a subjetividade. Duras explora temas como medo, perda, coragem e solidariedade, mostrando a tensão entre o ordinário e o extraordinário, a vida comum e o momento histórico extremo.

Além do contexto histórico, a obra provoca reflexões sobre linguagem, escrita e memória, revelando como os relatos literários podem capturar experiências traumáticas e oferecer compreensão sobre a condição humana. Cadernos da Guerra e Outros Textos é uma leitura intensa, que combina história, literatura e introspecção, convidando o leitor a refletir sobre os efeitos duradouros da guerra na vida pessoal e coletiva.


Marguerite Duras pseudônimo de Marguerite Donnadieu, nasceu em Saigon (atual Cidade de Ho Chi Minh) em 1914 e faleceu em Paris em 1996. Foi uma romancista, novelista, roteirista, diretora de cinema e dramaturga francesa


segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILME: UMA BARRAGEM CONTRA O PACÍFICO - 2007


Direção: Rithy Panh - 2007
Duração: 111 min
Título Original: Un barrage contre le Pacifique
País: Camboja - França - Bélgica

Adaptação do romance homônimo de Marguerite Duras.

O romance de Duras é uma ficção, porém autobiográfico. Duras escreve sempre sobre sua vida de forma ficcional. 

Indochina 1931 - Região do Sudoeste Asiático que inclui o Camboja, Laos e Vietnã. Em 1931 estava sob a colonização francesa. No Golfo do Siam na beira do Oceano Pacífico, Madame Dufresne (Isabelle Huppert) sobrevive com seus dois filhos, Joseph (Gaspard Ulliel) e Suzanne (Àstrid Bergès-Frisbey). A mãe, uma professora, investiu todas suas economias numa concessão de terras, mas será surpreendida com o alagamento pelo mar de sua plantação de arroz, causando a destruição da mesma. Lutando contra os banqueiros corruptos e contra a administração colonial sob a ameaça de expulsão ela passa a lutar contra estas marés como um último recurso de se recuperar. Para contê-las ela resolve construir uma barragem com a ajuda da população local. Obcecada e arruinada financeiramente ela vive momentos amargos. 


Então surge o Senhor Jo (Randal Douc), um chines, filho de um homem muito rico que se encanta com Suzanne.  Cai por terra todos os preconceitos raciais que tinham e a família vai empurrar a jovem em direção a este milionário, pensando desta forma salvar a situação e sem pensar na jovem que não se sente atraída por ele. 

O filme é uma crítica à colonização francesa da Indochina, mostrando a forma como a população local era tratada, a revolta deles, e todo o sistema de interesses e corrupção que imperava. A mãe tinha um zelo imenso pelo filho, quase incestuoso, e indiferença pela filha, se voltando para ela apenas quando surge o Senhor Jo. Ao final ela se exaure nesta luta contra as marés. 

Em 2009 Marie-Pierre Fernandes descobriu que o sonho da mãe de Marguerite Duras, Marie Donnadieu, se realizou. A Agência Francesa de Desenvolvimento construiu as barragens que possibilitaram a plantação de arroz em Prey Nop - Camboja onde ela possuía sua concessão. Marguerite Duras passou sua infância e adolescência no Camboja.

Rithy Panh nasceu em 1954 em Phnom Penh, Camboja. 

domingo, 14 de junho de 2015

FILME: CET AMOUR-LÀ - 2001


Direção: Josèe Dayan - 2001
Duração: 94 min
País de Origem: França 

Adaptação livre do romance Cet Amour-là de Yann Andréa de 1999, editora Pauvert. 

Yann Andréa (Aymeric Demarigny) leu os livros de Marguerite Duras (Jeanne Moreau) e passou a ter uma admiração incondicional por ela. Durante cinco anos ele escreveu para ela todos os dias. Ela não lhe respondia, e ele não esperava, mas esperava uma carta, até que um dia houve uma resposta. Em julho de 1980 ele decide ir vê-la em Trouville, onde ela vive sozinha, uma solidão feliz como ela diz, e reclusa. Ela o conquista com seu charme e ele se encanta por esta velha mulher caprichosa e tirânica que é alcoólica, bebendo cada vez mais para afogar suas angústias. 
Yann se transforma em seu secretário, datilografa seus escritos, passam a viver juntos. A relação que irá durar até a morte de Duras é de amor e ódio, veneração e repulsa. Yann deseja partir, volta. 



Este filme mexeu muito comigo. Duras tem a capacidade de se mostrar de um lado frágil, apaixonada e entregue como uma mulher, mas de outro é o real que ela fala, não mede palavras para expressar o que realmente é. Luta para se libertar e não consegue. Há um momento onde ela diz à ele- são meus livros que você ama, é a escritora que você ama, não eu. 

Ela é cruel. Será? ou absolutamente real? Uma mulher que viveu muito, teve muitos amantes, que conhece seu corpo, mas também tem consciência de sua idade, da velhice, e da idade do jovem. O contraste. Sua música preferida é Capri c'est fini de Hervé Villard, cuja letra diz que é acabado, que não volta. O que não volta é sua juventude, sua vida que se passou. 


Em um momento Duras é internada, sofre de alucinações. Retorna para sua casa. Quando Yann encontrou Duras ela vivia um momento de total falta de inspiração para a escrita, fazia apenas pequenos textos, mas a relação despertou novamente nela o desejo da escrita. Yann se viu frente a mulher que ele fantasiou durante anos, mas ficou, e sem ambições, ele foi o companheiro que Duras precisava nesta época de sua vida. E desta relação nasceram "filhos", ou seja, a criação literária, livros. 




Marguerite Duras e Yann Andréa

Josèe Dayan nasceu em 1943 em Toulouse, França