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domingo, 17 de maio de 2015

FILME: O FIO DE ARIANE - Uma fantasia de Robert Guédiguian - 2014


Direção: Robert Guédiguian - 2014
Duração: 92 min
Título original: Au fil d'Ariane 
País: França 

O filme é um sonho mas sem se desprover de lógica apesar de cenas oníricas como uma tartaruga falante. Mas quem já não conversou com animais? e lhes colocou uma resposta sendo dada? 

É o dia do aniversário de Ariane (Ariane Ascaride), ela está em sua moderna casa preparando um bolo enquanto chegam flores e o telefone não para com sua família e amigos lhe desejando um Feliz Aniversário, porém todos eles alegam que infelizmente estão impossibilitados de comparecerem para lhe dar os parabéns pessoalmente.

Assisti o filme na véspera do meu aniversário, já me preparando para justamente passá-lo sozinha. Porém como no filme isto acabou não acontecendo. Mas voltando a Ariane, quando ela percebe que ninguém virá ela deixa o bolo com as velas acesas e sai, decide comemorar sozinha seu aniversário. Na ponte levadiça enquanto espera a passagem de um navio acaba conversando com um jovem que se oferece para levá-la até um lugar muito bom para comer, o restaurante Café L'Olympique onde diariamente vão excursões de idosos para comer. Quando decide ir embora tem que chamar um táxi pois o rapaz da moto saiu com uma garota. Ela não sabe direito o endereço de onde deixou o carro, mas no caminho vê seu carro sendo guinchado, eles voltam, vão atrás mas quando chegam ao local o portão é fechado na cara dela. Bom ela saca dinheiro para pagar o taxista ( Jean-Pierre Darrousin) e neste momento é roubada por dois que passam numa moto. O taxista a leva de volta ao Café. 

Ariane vive a realização de seus desejos, ela se reencontra. Ao relembrar seus sonhos que foram apagados ou deixados de lado diante do dia a dia de sua vida de casada, mãe de dois filhos, ela revive. E o que nos mostra o filme é que temos que manter a capacidade de sonhar, de desejar, e que mesmo que não seja possível realizar os desejos na realidade ainda assim podemos sonhar. Ao final Ariane terá que retornar, como no mito, ela segue seu fio de volta a sua realidade. Acorda quando tocam a campainha e eis que chegam todos para lhe fazer uma surpresa após enganá-la dizendo que não poderiam ir.





Robert Guédiguian nasceu em 1953 em Marselha, França. É casado com Ariane Ascaride.

Musica cantada no filme por Ariane - Comme on fait son lit. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

FILME: CONVERSAS COM MEU JARDINEIRO - 2007


Direção: Jean Becker - 2007
Duração: 109 min 
Título Original: Dialogues avec mon jardinier 
Roteiro: Jean Becker - Jean Cosmos - Jacques Monnet 
País: França 

Roteiro baseado no livro de memórias do pintor Henri Cueco. 

Um pintor (Daniel Auteuil) que vivia em Paris e está se separando de sua mulher Hélene (Fanny Conttençon). Resolve então retornar ao vilarejo onde nasceu há 50 anos e morar na casa da infância que se encontra um tanto abandonada. Ele contrata então um jardineiro (Jean-Pierre Darroussin) para cuidar do jardim.



O jardineiro é um velho amigo de infância, estudaram juntos e logo se estabelecerá uma sólida amizade entre os dois que partilharão as experiências de suas vidas, que neste caso, é a vida em Paris e a vida no campo, deixando a mostra as diferenças entre a dita "civilização" e o dito "primitivo".

Ficam evidentes as diferenças entre os dois e justamente aí está a beleza do filme, que demonstra que a amizade não é feita de iguais, mas que saber lidar com a diferença leva a uma relação muito mais enriquecedora e forte. Eles se nomeia de Dupincel - o pintor e Dujardin - o jardineiro. Muito mais do que uma divisão social, uma visão econômica o filme trabalha com o simbólico e o subjetivo, o que a nomeação dos dois já demonstra, para trabalhar com as diferenças das classes sociais, entre a burguesia e o operário e o abismo que normalmente há entre os dois.



É na voz do jardineiro que teremos uma crítica social, para ele a escola existe até quando não temos que trabalhar, depois é ganhar a vida. Ele fará várias observações sobre a atual situação social da França, mas que também encontramos em vários outros lugares. O pintor que sempre teve uma vida boa, sem preocupações financeiras, mas que não enxerga as questões sociais, aos poucos irá abrindo seus olhos para tudo isto, e verá que seu amigo, que tem um passado comum, ou pelo menos próximo, não teve e não tem as mesmas chances e condições que ele, inclusive médicas.

O filme consegue abordar uma situação que geralmente resulta em debates calorosos, críticas ácidas, protestos e revolta de uma forma mais humana, através do diálogo, da troca e do que cada um pode ensinar ao outro.


Jean Becker