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segunda-feira, 13 de julho de 2015

FILME: REMBRANDT - 1999


Direção: Charles Matton - 1999
Duração: 99 min
País: França - Alemanha - Holanda

Uma cinebiografia do pintor Rembrandt van Rijn desde sua chegada quando jovem à Amsterdam até sua queda e morte. 

Rembrandt (Klaus Maria Brandauer) chega à Amsterdam em 1631 e já é um pintor célebre, que pinta retratos e gravuras com seu talento reconhecido. Ele se casa com Saskia Uylenburg (Johanna ter Steege) que tenta lhe dar um filho, dos seis que nasceram apenas Titus irá sobreviver. Em seu último parto Saskia morre e o luto e o sofrimento por que passaram com a perda dos filhos atinge Rembrandt. Ao invés dos quadros com cores fortes passa a pintar com um misticismo que os nobres irão condenar, principalmente devido a religião e ao puritanismo. 

Retrato de Saskia Uylenburg 

Rembrandt pintou a Lição de anatomia do doutor Nicolaes Tulp (Jean Rochefort), uma de seus quadros mais famosos. O corpo que aparece no quadro é de um homem que havia sido condenado à morte no dia anterior por assalto a mão armada. 


O doutor Nicolaes Tulp será um dos mais aguerridos perseguidores do pintor quando após a morte de sua esposa ele se envolve com as criadas da casa além de mudar seu estilo de pintura para o misticismo. 

Durante a enfermidade de Saskia, Geertje Dircx foi contratada para cuidar de Titus e se torna amante de Rembrandt. Como ele não se casou com ela, acabou por processá-lo, mas ao descobrir que ela havia penhorado jóias de Saskia, Rembrandt conseguiu que ela fosse internada por doze anos em um asilo. Ele então iniciou um romance com Hendrickje Stoffels (Romane Bohringer) e em 1654 tiveram uma filha, Cornelia, o que provocou a intimação da mãe pela Igreja Reformada Holandesa para responder a acusação de que cometera atos de uma prostituta com o pintor. Como ela confessou a verdade foi excomungada, já ele não passou por isto pois não fazia parte de nenhuma igreja. 

Tulp conseguirá que a hipoteca de sua casa seja cobrada e Rembrandt terá que sair de lá, foi feito um leilão com todas as suas coisas que rendeu uma miséria. Mas ele nunca se dobrou a esta sociedade puritana e continuou a pintar. Hendrickje morrerá e depois será a vez de Titus, o que abalará profundamente Rembrandt, que morrerá um ano depois. 

O filme termina com a frase de Van Gogh diante da obra de Rembrandt - "É preciso estar morto várias vezes para poder pintar assim". 



É um belo retrato da sociedade dos países baixos desta época, com sua opulência de um lado e a miséria de outro. Rembrandt sempre se manteve livre, nunca se curvou aos desejos dos poderosos e pagou o preço por isto. Como vemos até hoje as pessoas não aceitam que o outro seja como quer, desejam que sigam o que elas querem. Rembrandt em uma cena do filme desenha uma gravura de dois negros numa taverna, e responde ao homem que está ao lado que critica com racismo os dois homens. Em agradecimento eles lhe dão um macaco que se torna o animal de estimação, até que o matam. 




Charles Matton nasceu em 1931 em Paris e faleceu em 2008 na mesma cidade, França

Rembrandt nasceu em 1606 em Leida e faleceu em 1669 em Amsterdam,  Países Baixos 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

FILME: O ARTISTA E A MODELO - 2012


Direção: Fernando Trueba - 2012
Duração: 105 min
Título Original: El artista y la modelo
País: Espanha e França 

Um filme sublime! Logo no início vemos Marc (Jean Rochefort) caminhando pela natureza, e ficamos encantados com sua capacidade de ver coisas onde a maioria não vê nada. A capacidade de ter a mente e o olhar livre, como uma criança, que vê formas em tudo, cores diferentes, capaz de uma percepção absolutamente sensível ao mundo. A alma de um artista, mas que todos nós poderíamos e deveríamos ter. Marc senta-se no Café do vilarejo, observa as pessoas passando, vê principalmente as mulheres e observa sempre suas pernas e tornozelos. Ele senta em sua cadeira e olha a natureza ao seu redor. Quase não há som, é o olhar que conta. 

Marc tem 80 anos, está aposentado, é um cultuado escultor que vive com sua mulher Léa (Claudia Cardinale) em um vilarejo no interior da França perto da fronteira com a Espanha. Estamos em 1943, plena Segunda Guerra Mundial. Léa vai ao mercado e vê nas ruas uma jovem (Aida Folch) dormindo, é uma fugitiva do regime de Franco na Espanha. Ela então a acolhe. Marc logo se encanta com a beleza de seu corpo e sente despertar em si mesmo o desejo de retomar a escultura. Mercé passa a viver no ateliê de Marc no alto da montanha e posa para ele. 

O filme é preto e branco, mas é justamente o que valoriza a arte, podemos ver nitidamente o corpo e as sombras, as dobras, o contorno que vai se esculpindo, e aos poucos os formatos, a posição, os músculos. São poucas falas, mas as que ocorrem valem o filme inteiro. Em dado momento Marc fala sobre o equilíbrio e a plenitude. Sobre o equilíbrio nos diz que quando o encontramos é para destruí-lo, como uma pedra que joga na água. Sobre a plenitude diz que vê uma árvore que cresceu no meio de uma pedra, é violento mas belo, a natureza triunfa sempre. A beleza se revela em lugares que pareciam impossíveis, vilarejos bombardeados e árvores crescendo ele diz. 



Uma das mais belas cenas é quando Marc que durante todo o tempo vê a nudez de Mercê com olhos de artista de repente tem uma ereção. Ele parte, caminha. No dia seguinte Mercê o deixa tocar seu corpo, aquelas mãos que seguem as curvas para senti-las também em sua escultura, mas o quadro se inverte, e Mercê passa a tocar o velho com suas mãos. Fiquei pensando no quanto seria belo também uma escultura de um velho ou uma velha, e não apenas a beleza perfeita que tanto se busca e que no final não existe, é inatingível. 



Para Marc um modelo não é para fazer uma cópia, mas sim para consultar a natureza. Ele busca a essência da mulher brotando da natureza. Em dado momento ele relata sua visão do gênesis, diz que Deus não seria tão idiota a ponto de criar o homem à sua imagem, mas sim, que ele criou a mulher e então tiveram um filho que chamaram de Adão. Só havia uma proibição, de Adão se deitar com sua mãe e ele o fêz e por isto foram expulsos do paraíso. Eis o pecado original. A mulher para Marc é a primeira forma, a forma essencial. 

Um filme espetacular!

Fernando Trueba nasceu em 1995 em Madri, Espanha. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

FILME: O MARIDO DA CABELEIREIRA - 1990


Direção: Patrice Leconte - 1990 
Duração: 82 min 
Título original: Le mari de la coiffeuse 


Ganhou o César de melhor filme


Qual o traço que nos marca e que iremos procurar sempre ao nos apaixonarmos?

Antoine (Jean Rochefort) quando criança viu uma cabeleireira com os seios a mostra, e isto o marcou, fazendo com que adorasse ir cortar os cabelos, ia mais até do que necessário. Já adulto se apaixona por Mathilde (Anna Galiena), também cabeleireira.

O objeto perdido e o traço do amor, que permanece e aparece em toda busca amorosa. O filme irá falar da descoberta da sexualidade, do erotismo, da velhice e da morte. O que faz uma mulher quando descobre o real, quando se dá conta que o traço que carrega e que faz com que o outro se apaixone nada tem a ver com ela em si mesma? mas que é algo que ficou marcado em algum momento da infância?

Vale a pena assistir.


Patrice Leconte nasceu em 1947 em Paris, França