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segunda-feira, 23 de maio de 2016

FILME: O BALÃO VERMELHO - 1956


Direção: Albert Lamorisse - 1956
Duração: 34 min
Título Original - Le Ballon Rouge
País de Origem - França

Paris, anos 50, um garoto encontra um balão vermelho indo para a escola. Ele o pega e o leva junto. É o início de uma história mágica. O balão é quem o segue, lhe obedece. Porém logo o ciúme dos outros meninos irá estragar esta amizade diferente entre o menino e o balão. Um professor também não gostará nada disto e o castigará. 

O ciúme, o preconceito, a rivalidade, a não aceitação de algo diferente levará a um final trágico, mas também especial e mágico. A solidão de uma criança excluída dos bandos que se apega a um balão, pode parecer fantasioso, mas é comum, a criança solitária se apegar a algo inanimado e lhe dar vida para ter companhia. 

Recomendo!!

Albert Lamorisse nasceu em 1922 em Paris, França e faleceu em 1970

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FILME: NINA! - 2014



Direção: Rafael Botta - 2014
Duração: 10 min


Curta-metragem de Rafael Botta, diretor bauruense é uma mostra do que sente uma mulher intensa e apaixonada. Toda a dor e angústia de uma separação. Ela está desnuda, despiu-se de todo o imaginário amoroso e cai num real de dor e também de paralisação de vida. A cena onde ela caminha pela rua vestida apenas com um casaco e nua por baixo, nua como está naquele momento. 

Ao nos apaixonarmos nos perdemos, mas estamos no outro, onde vemos ilusoriamente o que desejamos, vemos a nós mesmos. E entre este se perder e se achar paralisamos. Sensação de completude que não suportamos. Nos sentimos dominados pelo outro, mas no fundo somos nós mesmos nos dominando, o outro não tem este poder. E vem o desejo de escapar disto, respirar. É quando nos sentimos tentados ao suicídio para que o outro morra, este outro que somos nós e que está em nós, e que não toleramos mais. Chorar! talvez seja a melhor forma para sair disto, pelo menos é um passo. O choro tira algo de nós, ele escorre, é salgado, mas é bom.

Nina (Renata Sarmento)  nestes curtos 10 minutos vive tudo isto, sozinha, a dor é somente dela. Mas quando ela resolve olhar pela janela.....

Li alguns comentários sobre o curta, e vejo que muitos interpretam esta olhada pela janela como sendo uma nova possibilidade que se mostra, talvez um novo amor, a volta por cima. Mas me pergunto: não seria recair no mesmo? e novamente viver tudo isto, porque como é difícil o amor, como é difícil viver um amor sossegadamente. E  então recomeçamos, a eterna repetição. Prefiro ver esta olhada pela janela como - não sou só eu, não estou tão sozinha assim, não sou eu quem tem um defeito, todos nós somos faltantes, e temos um vazio dentro de nós. Todos nós buscamos algo que pensamos ter perdido e que nunca tivemos, mas é justamente esta falta que nos move. Resta aprender que a paixão é ilusória, é uma tentativa de fazer com que 1+1 seja igual a UM. E não será!

Prefiro ver esta olhada pela janela como se defrontar com seu vazio e sua solidão, mas saber ao mesmo tempo que todos nós somos assim, e que ainda assim é possível conviver com o outro, amá-lo, desejá-lo, sem que com isto desapareçamos, sem que com isto fiquemos tão nus à mercê do nada que nos aflige. Podemos sim construir uma história com isto, contá-la, como neste curta.

Participação de Luiz Felipe Sobral.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

FILME: ELE TIROU SUA PELE POR MIM - 2014



Direção: Ben Aston - 2014
Duração: 11 min
Título Original: He took his skin off for me
País: Reino Unido 

Este curta-metragem é o trabalho de conclusão de curso do diretor Ben Aston para a faculdade London Film School. O trabalho durou dois anos, foi feito através de financiamento coletivo, e não há nenhum efeito digital, todo o corpo com os músculos expostos foi criado com próteses e tinta, foram exatamente 1.152 pedaços de músculos falsos. Foi baseado no conto de Mary Hummer. 

Um homem (Sebastian Armesto) decide tirar toda sua pele para atender ao desejo de sua mulher que o quer assim. Porém logo logo eles irão descobrir que isto não foi bom, as consequências alteram a vida e a relação dos dois. O sangue que fica pela casa toda, a reação dos outros, a perda dos clientes em seu trabalho, até atingir a relação amorosa de ambos.  

É um alerta sobre atender ao desejo do outro, sobre o estar apaixonado e fazer o que o outro quer para agradá-lo e de como isto não irá garantir que este outro o ame, mesmo diante de algo tão surpreendente, drástico, como tirar sua pele. o esta A-MANDO de outro que o descaracteriza por completo. 

O filme é impressionante, extremamente curto, mas não precisa mais. Já diz tudo. 

Ben Aston 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

FILME: A AVÓ GRILO: O MITO DA DONA DA ÁGUA - 2010


Direção: Denis Chapon -2010
Duração: 12 min - Curta
Título Original: Abuela Grillo 

Projeto um filme por país.  País: Bolívia

Um curta de animação baseado numa lenda que é contada milenarmente pelo povo Ayoreo da Bolívia.

No princípio havia uma avó que era um grilo chamada Direjná, ela era a dona da água e por onde passava cantando com amor a água brotava da terra, das nuvens, das torneiras. Uma vez ela cantou e houve uma inundação e seus netos ficaram muito bravos e a agrediram. Ela então foi embora muito triste. Ela vai para a cidade onde acaba enganada por empresários que depois a aprisionam e a fazem cantar sem parar e passam a engarrafar a água e a vendê-la. Como a avó grilo não canta mais na natureza há uma seca que tudo destrói. É então que seu neto vai para a cidade em busca de água e descobre que a vó está presa nas mãos dos empresários, de quem há havia tentado fugir mas foi pega de volta. É hora de lutar para libertá-la, pois todos estão sofrendo, o povo e a avó que está muito triste.

É uma animação em prol da natureza e contra o capitalismo que a tudo mercantiliza. Foi realizado por oito animadores bolivianos sob a direção de um francês Denis Chapon e foi feito na Dinamarca.

O mito vai além da animação e conta que quando a avó grilo retornou havia coisas que já não eram como antes, como o fogo que agora era usado para cozinhar os alimentos. Ela não se sentiu bem com este calor, e então resolveu ir visitar os oitos céus que os Ayoreo tem e escolheu morar no quarto céu que era o mais úmido, e de lá poderia continuar a enviar água para seu povo, através da chuva. Para o povo Ayoreo a palavra tem poder e portanto o mito só deve ser contado na época da seca e jamais no tempo das inundações e muitas chuvas.

O canto da avó grilo é belíssimo e é da cantora Luzmilla Carpio, indígena que trabalha com instrumentos sonoros andinos. Os Ayoreo tem forte ligação com a natureza e habitam regiões da Bolívia, Paraguai e Argentina.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=xLdf8YS0Tww




Denis Chapon