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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

FILME: FILHOS DA NATUREZA - 1991


Direção: Friörik Pór Friöriksson - 1991
Duração: 82 min
Título original: Börn Náttúrunnar

País: Islândia 


Um filme para refletir sobre a velhice, a solidão e a morte.

Thorgeir (Gísli Alldórsson) é um homem idoso, vive sozinho num local isolado da Islândia e logo no início sentimos sua solidão por seus atos. Ele então decide partir e vai ao encontro de sua filha que vive na capital em Reijavic, porém a recepção não é o que podemos chamar de agradável. O marido apesar de o receber bem no primeiro dia depois mal fala com ele, mas o pior é a neta que grita com ele e o despreza.Ele está tão só ali como estava em sua casa.  Sua filha sugere então que ele vá viver em uma casa de idosos.



Lá ele encontra Stella (Sigridur Hagalín), uma velha conhecida da infância que ele vê assim que chega sendo arrastada pelas enfermeiras pois havia tentado fugir. Stella quer voltar ao local da infância e deseja ser enterrada lá.

A vida na casa de idosos não é ruim, mas o que sempre me chama a atenção é como tratam os idosos, como se eles não pudessem mais fazer escolhas, tomar decisões, vivem como se fossem loucos ou doentes, sem liberdade. A velhice não é sinal de demência, então porque não podem sair? ir a um cinema? fazer compras, visitar pessoas? fazer escolhas? São tratados como crianças ou até pior que isto, uma vez que a criança tem o futuro a sua frente, mas o idoso vive seus últimos momentos de uma vida onde ele já teve escolha e cuidou daqueles que hoje são adultos e os tratam assim. Há uma cena onde servem chá e a moça pergunta à filha se era leite ou açúcar para ele, como se ele fosse incapaz de escolher e ter gostos e desejos, incapaz de falar e responder.

Thorgeir percebe que no cemitério tem um portão aberto e vê um carro parado na rua. Resolve então fugir com Stella e voltar ao local da infância.







O filme tem um lado que poderia ser chamado de fantástico, mas estamos na Islândia, a terra dos Elfos. O carro quando é perseguido pela polícia desaparece na neblina, é visto em vários locais do país e reaparece sozinho no mesmo local de onde foi levado. A magia que acompanha a vida daqueles que acreditam que ela pode ser muito mais do que o materialismo e a objetividade que se impõem os adultos.

Bruno Ganz faz uma aparição no filme como um anjo.

Friörik Pór Friöriksson nasceu em 1953 em  Reykjavík, Islândia. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

FILME: VULCÃO - "ELDFJAL" - 2011



Direção: Runar Runarsson - 2011
Duração: 95 min 
Título original: Eldfjal 
País: Islândia 

Hannes (Theódór Júlíusson)  é um homem de 67 anos de idade, o filme começa com o último dia dele em seu trabalho na escola, ele está se aposentando. Quando sai da escola para o carro, tenta se suicidar mas desiste. Ele é ranzinza, reclama de tudo em casa, mas a dor em seu rosto nos toca. Enfrentar a velhice que se aproxima, perder seu lugar no trabalho que o constituía, ficar sem rumo e se sentir inútil. Ele não encara bem a entrada nesta fase de sua vida.



Seus filhos não o compreendem e o criticam. Um dia ele ouve uma conversa entre eles que falam sobre ele e sua mãe, e então se dá conta de como age e resolve mudar. Compra os ingredientes para o prato preferido dela, há uma linda cena de sexo entre os dois e então na hora do jantar ela sofre um AVC que foi muito grave, não consegue mais falar e apenas chora e geme.



Como no filme Amor Hannes resolve cuidar ele mesmo de sua esposa e os filhos acham isto um absurdo. Ele assume isto e também começa a se aproximar do neto, chama-o para ajudar a consertar o seu barco e o menino leva uma bronca do pai por estar se sujando.

Todos tem pena da mãe, antes era porque ela aguentava o pai, depois porque ela está num estado vegetativo, mas ninguém percebe a dor e a solidão de Hannes que é quem acaba fazendo algo para mudar.

Ele fica olhando slides com fotos do tempo que eram jovens, e ainda moravam na ilha do vulcão. Mudaram-se de lá após sua última erupção. Era uma mulher vibrante, viva e muito bonita, um belo sorriso, neste momento ela geme no quarto e ele se decide. A sufoca com o travesseiro e depois deita-se ao seu lado e chora muito.



Um filme triste mas belo.


Runar Runarsson nasceu em 1977 em Reykjavík na Islândia.